Diversidade na pesquisa médica



Estudo divulgado nesta segunda-feira, 6, pelo periódico Nature Human Behaviour aponta que a presença de mulheres num grupo de pesquisa médica aumenta a probabilidade de o estudo conduzido incluir análises específicas sobre sexo e/ou gênero.

"Estudos médicos que incluem mulheres, especialmente em posições de liderança, têm muito maior chance de discutir possíveis diferenças sexuais e de gênero no risco de doenças, prevenção e tratamento", diz a nota à imprensa divulgada pelo Grupo Nature sobre o trabalho, conduzido por pesquisadores de Stanford, nos Estados Unidos, e da Dinamarca.

"Usando uma amostra de mais de 1,5 milhão de artigos de pesquisa médica, nosso estudo examinou a ligação potencial entre a participação de mulheres na ciência médica e a atenção a fatores relacionados a sexo e gênero em pesquisas específicas sobre doenças", escrevem os autores.

"Mulheres são 40% dos primeiros autores em estudos que não incluem análise de sexo e gênero (ASG), e 49% nos estudos com ASG", aponta a pesquisa. Já 27% dos estudos sem AGS têm mulheres como último autor, contra 35% dos que apresentam esse tipo de análise.

No geral, as mulheres seguem subrepresentadas, principalmente no papel de último autor, na pesquisa médica em geral, algo que os autores consideram "problemático", porque "nos campos relacionados à saúde, os últimos autores tipicamente lideram as tarefas de identificar, planejar e desenvolver as questões de pesquisa". O estudo nota que "disparidades de gênero são maiores na Ásia Oriental (mulheres como primeiros autores: 24%, mulheres como últimos autores: 16%) e menores na América Latina (mulheres como primeiro autores: 52%, mulheres como último autor: 40%)".

O artigo aponta ainda que a "associação entre gênero, sexo biológico e desfechos de saúde ainda é negligenciada na literatura", com resultados potencialmente letais. "Das dez drogas excluídas do mercado americano entre 1997 e 2000, oito apresentavam riscos para a saúde da mulher que poderiam ter sido evitados se mais atenção fosse dedicada a fatores relativos ao sexo e ao gênero".

Os autores especulam um pouco sobre a causa do fenômeno detectado, incluindo a possibilidade de as mulheres se verem empurradas para áreas de pesquisa "de nicho" por conta de fatores sociais, mas concluem que "nosso estudo oferece evidência empírica para que formuladores de políticas públicas promovam tanto as carreiras científicas de mulheres quanto a presença de ASG no desenho de pesquisas. Juntos, esses objetivos apoiam as metas gêmeas de diversidade e excelência na ciência".

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