Um ano estranho



Semanas atrás, durante um jantar na casa de um amigo, perguntaram-me como tinha sido meu ano. A única palavra que me ocorreu em resposta foi: "estranho". Como esta é a época em que blogs e outros canais de interação online costumam fazer seus balanços e deixar votos para o novo ciclo solar que se inicia, resolvi entrar na onda e elaborar um pouco mais sobre essa estranheza de 2017.

O ano começou muito bem, com a confirmação de que a Ellery Queen Mystery Magazine iria comprar um conto meu -- o segundo vendido a eles, e o primeiro escrito originalmente em inglês (o primeiro saiu em 2014; o segundo não foi publicado ainda). Logo em seguida, a canadense Mystery Weekly Magazine também confirmou seu interesse numa história minha, e tive o vislumbre de uma carreira como escritor de contos policiais para o mercado internacional (que continua em formação: a Mystery Weekly comprou outra história, agora em novembro).

Mas depois desse influxo inicial de boas notícias logo me vi precisando, de fato, de uma nova carreira, quando a Unicamp resolveu que, embora gostasse muito do meu trabalho, não queria mais pagar por ele. O tempo livre resultante acabou se convertendo numa longa série de participações especiais no jornal paranaense Gazeta do Povo, incluindo uma extensa reportagem sobre a ciência e a política da fosfoetanolamina sintética e um artigo sobre as raízes psicológicas do extremismo político, entre outras coisas.

Também tive meu quinhão de aventura, na semana em que acompanhei, como intérprete, o fotógrafo Moises Saman, da Agência Magnum, pela região de Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Visitamos favelas, visitamos aldeias indígenas. A experiência rendeu esta reportagem. Também em meados do ano, falei sobre divulgação científica no campus de Ribeirão Preto da USP, ao lado do Pirula e de Reinaldo José Lopes, o que marcou o início de meu road show universitário.

Em outubro voltei a Londres, numa viagem que já estava paga quando soube que tinha sido demitido. Entre pubs, museus e livrarias, encontrei algumas preciosidades, incluindo a edição completa de Sherlock Holmes anotada por William S. Baring-Gould (que também escreveu uma biografia do personagem, essa mais fácil de encontrar) e um volume anotado dos contos góticos de Arthur Conan Doyle, publicado pela Universidade de Oxford. A imagem abaixo é do livro de Baring-Gould:



Em novembro, retomei o road show universitário com força total: além  de uma palestra TEDx na USP, falei também num evento conjunto da Embrapa com a Unicamp e fui à Unesp de São José do Rio Preto. Nesse meio-tempo, criei e matei uma newsletter de divulgação científica e tentei umas outras coisas que não foram muito para a frente. Como dizia Winston Churchill, sucesso é a capacidade de seguir de fracasso em fracasso sem perder o ânimo.

O ano termina com uma série de projetos suspensos no ar -- tudo pode dar certo, tudo pode dar errado ou alguma combinação maluca dos dois. O que é, claro, um truísmo que se aplica não só à minha situação particular, mas a qualquer situação de qualquer forma de vida de qualquer ponto do Universo. Enfim, 2017 foi um ano estranho, mas  enfim: e qual ano não é?

Um feliz e estranho 2018 para todos nós.

Comentários

  1. Lembrei do "slogan" do grupo Planetary: "Este é um mundo estranho. Vamos mantê-lo assim." ou algo do tipo.

    Ótimo 2018!

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