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Batman vs. Superman: Em busca de uma nova Era de Prata

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Assisti a Batman versus Superman. É um filme razoável: em termos da caracterização do Superman, gostei mais até deste segundo episódio do que de O Homem de Aço: este Kal-El funciona muito melhor, em termos de fidelidade ao conceito fundamental do personagem, do que a arma de destruição em massa que vimos no filme anterior.

A melhor interpretação do filme é a da Gal Gadot: as cenas da Mulher Maravilha são praticamente as únicas em que aquele senso de ridículo instintivo que começa a incomodar no fundo da cabeça quando se vê um adulto fantasiado de super-herói desaparece.

Alguns críticos elogiaram a atuação de Laurence Fishburne como Perry White, mas não entendi o porquê: todas as cenas na redação de O Planeta Diário são decalques óbvios das vistas em Superman e em Superman II, lá se vão mais de 30 anos (incluindo a presença de uma atarantada "Jenny"), mas aquelas cenas tinham sido desenhadas como alívio cômico, enquanto que Fishburne (e Henry Cavill, como Clark Kent), provav…

A morte de Drácula e outros contos

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Teve um tempo, vão-se lá uns 20 anos, em que eu estava fascinado por fantasia histórica. Diferente da fantasia mais tradicional, baseada em realidades alternativas ou "mundos secundários" -- como a sempre lembrada Terra Média -- a fantasia histórica é um gênero que crava o fantástico na história deste nosso mundo. Talvez seja a forma mais antiga de ficção: Gilgamesh, a Ilíada e as lendas do Rei Arthur são, cada uma à sua maneira e em seu contexto próprio, fantasias históricas.

Meu apreço pelo gênero tinha raízes menos nobres, no entanto: ele veio da paixão pelo trabalho de Robert E. Howard, principalmente em contos como The Grey God Passes e, principalmente, as aventuras protagonizadas por Turlogh O'Brien, Bran Mak Morn e Cormac McArt.

Além disso, era uma época em que o mercado para ficção fantástica nacional se resumia, quase só, a revistas de RPG, como Dragão Brasil e Só Aventuras. A fantasia histórica era um gênero de apelo fácil para o público dos jogos de interpret…

O horóscopo e a passeata

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No último domingo, a ombudsman da Folha de S. Paulo abriu sua coluna comentando as queixas que havia recebido de leitores que tinham visto, nos vaticínios do horóscopo da semana anterior, propaganda subliminar para limitar a participação das pessoas (ou, ao menos, dos crentes em astrologia) nas passeatas contra o governo de 13 de março. Em defesa do jornal, Vera Guimarães Martins ponderou que existe um padrão quase uniforme nos horóscopos de domingo (qualquer domingo), o de sugerir que o leitor aproveite o dia para descansar e curtir a família. E lembrou que, em 2014, tinham sido os defensores do governo Dilma que haviam implicado com o conteúdo da coluna astrológica.

Se hoje não é difícil concordar com a ombudsman e descartar a manipulação deliberada de vaticínios dos astros para fins políticos, nem sempre foi assim: houve períodos no Império Romano em que mapas astrais de imperadores e de pretendentes ao trono eram poderosas armas de propaganda política. Primeiro imperador, Augusto …

Intuição artificial bate a humana, missão a Marte e mais

O computador AlphaGo, criado pela empresa britânica Google DeepMind, uma subsidiária da americana Google, derrotou o segundo melhor jogador de go do mundo, o sul-coreano Lee Sedol, em quatro de uma série de cinco partidas: o computador obteve três vitórias consecutivas, perdeu um jogo e voltou a vencer a disputa final. O torneio foi realizado no início do mês, em Seul, 19 anos depois de o então campeão mundial de xadrez Garry Kasparov ter sido derrotado pelo computador Deep Blue, da IBM. 
Em go é impossível usar mera “força bruta” computacional para testar e descartar possíveis jogadas até se encontrar uma opção ótima – o processo usado por Deep Blue contra Kasparov. Assim, o AlphaGo foi construído de modo a deduzir critérios próprios para decidir cada lance. Para tanto, a máquina se vale de análises estatísticas de uma memória de milhões de movimentos feitos por seres humanos, e da experiência adquirida em jogos que disputou contra si mesmo. Executivos do Google comparam essa faculda…

Primeiros testes: "fosfo da USP" não funciona e não é "fosfo"

O pó produzido na USP de São Carlos, encapsulado e distribuído como "fostoetanolamina sintética" para pacientes de câncer, contém no máximo 32% da molécula pura; e essa molécula é completamente inútil, mesmo em testes in vitro, contra tumores de pâncreas e melanoma. As conclusões estão em relatório publicado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MCTI e que, temo, será ignorado pelas vítimas do verdadeiro culto que se formou em torno da substância, e pelos abutres, de diferentes plumagens, que esperam transformar o desespero dos doentes em votos ou dinheiro.

Os testes que produziram os resultados desapontadores -- mas não inesperados -- foram conduzidos como parte da iniciativa desencadeada ano passado, em resposta ao forte lobby pró-liberação da "fosfo", formado depois que uma combinação de jornalismo irresponsável, pusilanimidade oficial, ignorância e populismo criou o mito de que a a substância seria uma espécie de cura milagrosa para qualquer tipo d…

Detector de raios cósmicos no porão da universidade

No subsolo do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, quatro pirâmides metálicas – dispostas como um par de ampulhetas, ocupando todo pé-direito da sala, onde se encontram também bancadas e computadores – coletam múons, partículas invisíveis geradas por raios cósmicos e que passam através das lajes de concreto do prédio e dos corpos humanos sem se fazer notar. “Em um metro quadrado, a cada segundo, passam mais ou menos 140 múons”, explica o pesquisador Anderson Fauth, responsável pelas “ampulhetas” que formam o telescópio Muonca [acrônimo para Múons em Campinas]. Leia a íntegra da entrevista no Jornal da Unicamp.

Cuidado com o valor-p

A Associação de Estatística dos Estados Unidos (ASA, na sigla em inglês) publicou, no início do mês, uma nota advertindo cientistas contra o uso indiscriminado do “valor-p”, uma ferramenta estatística tradicionalmente adotada para determinar a “significância” de uma descoberta: considera-se significativo um achado cujo valor-p seja igual ou menor que 5%. Esse limiar de 5% acabou se tornando uma espécie de pré-requisito para publicação no meio acadêmico. A nota da ASA condena tanto as interpretações informais do valor-p – muitas vezes visto como equivalente à probabilidade de o resultado do estudo ser falso – quanto o uso indiscriminado do limiar de 5%. (Leia a íntegra desta nota, e outras, no Telescópio da semana)