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E por falar em cunhas...

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Muito se tem falado -- e escrito -- sobre a possível (provável?) nomeação do bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Marcos Pereira, para o posto de titular do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) num futuro governo de Michel Temer. O ponto saliente aqui é que não só Pereira é um criacionista declarado, como o líder supremo de IURD -- a quem, supõe-se, Pereira deve obediência ideológica e teológica --, Edir Macedo, já escreveu artigos atacando a Teoria da Evolução.

A ideia de que esses fatos tornam complicada a nomeação de Pereira para a chefia do MCTI pode, em princípio, parecer preconceituosa. Por exemplo, em seu famoso discurso de 1960 sobre a laicidade, em que defende uma "separação absoluta entre igreja e Estado", John Kennedy afirma que "a ninguém deve ser negado cargo público por causa de sua religião". As críticas à eventual nomeação do bispo não violam esse princípio fundamental?

Há dois pontos a levar em consideração …

Cérebro semântico

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A elaboração de um mapa que localiza as regiões do cérebro que reagem ao significado de conceitos semânticos é descrita na edição mais recente da revista Nature. Esse “atlas narrativo” foi criado submetendo um grupo de voluntários a ressonância magnética funcional do cérebro, enquanto ouviam histórias que giravam em torno de grupos semânticos diversos, como “comida” ou “números”. A ressonância acompanhou o fluxo sanguíneo para cada parte do cérebro à medida que as histórias progrediam, detectando que partes do órgão reagiam com maior intensidade a cada palavra.

Um algoritmo foi usado para modelar os resultados, revelando um padrão comum às diversas leituras individuais. O resultado mostrou que o processamento semântico se espalha por mais de 100 regiões do cérebro, e que há associações tanto anatomicamente próximas – uma região estimulada pelas palavras “mãe” e “gravidez” é contígua a outra estimulada também por “mãe”, mas ainda por “casa” – quanto distantes: a palavra da língua ingle…

Equação "arqueológica" de Drake

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Dois pesquisadores dos Estados Unidos publicam, numa edição recente do periódico Astrobiology, uma nova versão da Equação de Drake -- que eles chamam de versão "arqueológica" -- cujo cálculo produz a estimativa de que, se a chance de um planeta abrigar vida inteligente for maior do que o número estupidamente pequeno de 10-24,então nós, primatas terrestres, não somos a primeira e única civilização a emergir no Universo.

A Equação de Drake original, elaborada em 1961 por Frank Drake, multiplica uma série de fatores -- como a taxa de formação de estrelas no Universo, a proporção dessas estrelas que contém planetas, a proporção de planetas que são habitáveis, a proporção de planetas habitáveis que contém vida, etc., etc, para gerar uma estimativa do número de outras civilizações presentes no cosmo.

Como a preocupação principal de Drake era a SETI -- busca por inteligências extraterrestres -- sua equação incluía ainda um fator que tentava levar em conta a durabilidade de uma civ…

Algoritmo Big Brother

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Estudo realizado em conjunto por pesquisadores do Google e da Universidade Columbia mostram que bastam duas postagens georreferenciadas, em redes sociais diferentes, para que se possa descobrir a identidade de um usuário da internet. O trabalho foi publicado na plataforma ACM Digital Library e apresentado na Conferência World Wide Web, realizada em meados de abril em Montreal.

Os autores criaram um algoritmo que compara postagens georreferenciadas feitas no Twitter a publicações no Instagram e no Foursquare, tentando identificar contas mantidas pela mesma pessoa. O sistema desenvolvido calcula a probabilidade de uma pessoa, postando na rede “A” num determinado local e horário, também postar na rede “B” em outro local e horário.

Os pesquisadores descobriram que o mesmo algoritmo pode identificar consumidores, ao sobrepor registros anônimos de uso de cartão de crédito à localização de telefones celulares individuais em relação às torres de transmissão. 
O sucesso do algoritmo mostra que …

Compreensão gera atração

Sermos capaz de compreender, facilmente, como uma pessoa se sente aumenta a atração que sentimos por ela, diz estudo publicado no periódico PNAS. “Seres humanos interagindo com outros seres humanos precisam ser capazes de entender as motivações e afetos do parceiro de interação, frequentemente sem troca de palavras”, escrevem os autores, de instituições alemãs.

Na realização da pesquisa, pediu-se a 92 voluntários do sexo masculino que assistissem a clipes de vídeo representando mulheres em diferentes manifestações de emoção. Os voluntários deveriam descrever qual a emoção representada, e qual o nível de confiança que tinham na descrição feita. Para determinar o nível de atração, pediu-se aos homens que ajustassem o “zoom” de uma foto de cada mulher até uma distância que lhes parecesse “confortável”. Houve correlação entre o grau de confiança na descrição da emoção e o índice atratividade.

Além disso, os pesquisadores submeteram os voluntários à ressonância magnética funcional do cérebr…

Este blog não vai curar seu câncer

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Uma objeção que encontro com frequência cada vez maior, toda vez que me posiciono sobre a histeria da fosfoetanolamina/"pílula do câncer" que vem se propagando com a cumplicidade irresponsável de parte da mídia e, agora, do próprio governo, é a de que "não se deve negar nenhuma esperança de saúde a pacientes de câncer".

A frase, e variações que dizem em essência  a mesma coisa, é postada em redes sociais e aparece em caixas de comentário, muitas vezes acompanhada da insinuação -- ou a acusação direta -- de que só um monstro insensível ou um tecnocrata arrogante com uma planilha Excel no lugar do coração poderia pensar em negar a um doente "uma chance de cura".

O que há de errado nesses apelos ao sentimento? Duas coisas.

Primeiro, ele deixa em aberto o ponto crucial de quem decide o que é "esperança de saúde" ou "chance de cura". Basta dar na EPTV? Se eu sair por aí falando que as romãs do meu jardim curam câncer, isso vira uma "esp…

"Fosfo" sancionada: golpe nos outros é refresco

O Estado brasileiro -- e este é um ato de Estado, já que contou com a cumplicidade das duas Casas Legislativas, da Presidência da República e, anteriormente, de setores expressivos do Judiciário -- acaba de abraçar a aclamação popular como critério para a liberação de medicamentos. Com a canetada final da (ainda) presidente da República Dilma Rousseff, publicada no Diário Oficial da União, o Brasil volta aos tempos das sangrias, dos purgativos à base de metais tóxicos e dos calmantes para cólica infantil feitos de álcool e morfina: à época, enfim, em que a presença de um medicamento no mercado não era ditada por critérios de segurança e eficácia, mas pelo poder de marketing do fabricante e pela convicção popular.

A partir desta quinta-feira, 14 de abril de 2016, é legal " uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna", bem como "a produção, manufatura, importação, distribuição, prescrição, dispensação, posse ou uso da fo…