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Terapias alternativas para câncer: qual o problema?

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Nestes tempos de histeria fosfoetanolamínica, com um bocado de gente que deveria estar mais bem-informada embarcando na onda do "que mal que tem", do "se querem usar, que usem, e daí" e (meu favorito pessoal) "é só uma última esperança para quem já tentou tudo", chega dos Estados Unidos um trabalho que -- com uma boa dose de otimismo -- pode trazer alguma sobriedade à conversa. Fundamentalmente, é mais uma evidência de que terapias sem comprovação científica, toleradas como "alternativas e complementares" acabam, na prática, se tornando "substitutivas", com resultados trágicos.

Falando em resultados: mulheres que usam suplementos alimentares como uma forma de terapia alternativa têm mais chance de adiar -- ou, até, de rejeitar -- o início da quimioterapia contra câncer de mama, mesmo depois de o tratamento ser indicado como necessário pelo médico. Em estudo realizado pela Universidade de Columbia e publicado em JAMA Oncology, de um gr…

Hidrelétricas e meio ambiente

O controle do fluxo de água dos rios por barragens hidrelétricas pode ameaçar a cadeia alimentar à jusante, ao eliminar populações de insetos aquáticos, alerta estudo realizado nos Estados Unidos e publicado no periódico Bioscience.

A equipe de autores, encabeçada por pesquisadores da US Geological Survey (USGS), debruçou-se especificamente sobre os efeitos da prática de regular a liberação de água pela barragem de acordo com o consumo de energia, fazendo o rio correr com maior vazão em horários de pico de demanda.

Usando amostras colhidas por cidadãos voluntários ao longo do Rio Colorado, e por um levantamento da diversidade de insetos em rios barrados do Oeste do país, os cientistas concluem que o controle artificial da vazão do rio é incompatível com os hábitos de reprodução de certas espécies de inseto importantes para a cadeia alimentar. O resumo do artigo pode ser lido neste link.

Cientistas canadenses falam sobre (e não mais sob) censura

Reportagem publicada no website da revista Nature analisa o fim da política de censura na comunicação científica, imposta pelo governo conservador que administrou o Canadá entre 2006 e 2015. Nesse período, pesquisadores vinculados a órgãos públicos tinham de solicitar permissão a seus superiores hierárquicos antes de falar com jornalistas. Essa política foi revertida com a chegada da atual administração liberal ao poder.

Pesquisadores ouvidos pelo periódico referem-se ao fim das limitações como um “peso” retirado de seus ombros. “Era um malabarismo incrível tentar levar a informação mais inócua para a mídia ou o público”, disse Diane Lake, que trabalhava como assessora de imprensa de um órgão de pesquisa federal. “Era como se uma cortina de ferro tivesse se fechado sobre a comunicação das pesquisas aos canadenses”. (Mais notas sobre ciência no Telescópio do Jornal da Unicamp)

Eliminando falsas esperanças contra o câncer

Os métodos atualmente usados para avaliar a eficácia de possíveis novas drogas contra o câncer – os chamados ensaios de proliferação – são inadequados e deveriam ser substituídos por um procedimento que leve em conta os efeitos da droga ao longo do tempo, argumenta artigo publicado no periódico Nature Methods.

O trabalho, de autoria de pesquisadores da Universidade Vanderbilt, nos EUA, descreve o procedimento fundamental dos ensaios de proliferação celular da seguinte forma: “uma droga é adicionada a uma população celular dentro de um espectro de concentrações, e o efeito sobre a população é quantificado segundo a métrica escolhida. A métrica padrão ‘de facto’ é o número de células viáveis 72 horas após a adição da droga”.

Os autores argumentam que, por depender de medição feita num ponto fixo do tempo, esse processo é “estático” e não leva em conta especificidades da proliferação celular, incluindo possibilidades como a de um “rebote” proliferativo das células cancerosas sobreviventes,…

E por falar em cunhas...

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Muito se tem falado -- e escrito -- sobre a possível (provável?) nomeação do bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Marcos Pereira, para o posto de titular do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) num futuro governo de Michel Temer. O ponto saliente aqui é que não só Pereira é um criacionista declarado, como o líder supremo de IURD -- a quem, supõe-se, Pereira deve obediência ideológica e teológica --, Edir Macedo, já escreveu artigos atacando a Teoria da Evolução.

A ideia de que esses fatos tornam complicada a nomeação de Pereira para a chefia do MCTI pode, em princípio, parecer preconceituosa. Por exemplo, em seu famoso discurso de 1960 sobre a laicidade, em que defende uma "separação absoluta entre igreja e Estado", John Kennedy afirma que "a ninguém deve ser negado cargo público por causa de sua religião". As críticas à eventual nomeação do bispo não violam esse princípio fundamental?

Há dois pontos a levar em consideração …

Cérebro semântico

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A elaboração de um mapa que localiza as regiões do cérebro que reagem ao significado de conceitos semânticos é descrita na edição mais recente da revista Nature. Esse “atlas narrativo” foi criado submetendo um grupo de voluntários a ressonância magnética funcional do cérebro, enquanto ouviam histórias que giravam em torno de grupos semânticos diversos, como “comida” ou “números”. A ressonância acompanhou o fluxo sanguíneo para cada parte do cérebro à medida que as histórias progrediam, detectando que partes do órgão reagiam com maior intensidade a cada palavra.

Um algoritmo foi usado para modelar os resultados, revelando um padrão comum às diversas leituras individuais. O resultado mostrou que o processamento semântico se espalha por mais de 100 regiões do cérebro, e que há associações tanto anatomicamente próximas – uma região estimulada pelas palavras “mãe” e “gravidez” é contígua a outra estimulada também por “mãe”, mas ainda por “casa” – quanto distantes: a palavra da língua ingle…

Equação "arqueológica" de Drake

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Dois pesquisadores dos Estados Unidos publicam, numa edição recente do periódico Astrobiology, uma nova versão da Equação de Drake -- que eles chamam de versão "arqueológica" -- cujo cálculo produz a estimativa de que, se a chance de um planeta abrigar vida inteligente for maior do que o número estupidamente pequeno de 10-24,então nós, primatas terrestres, não somos a primeira e única civilização a emergir no Universo.

A Equação de Drake original, elaborada em 1961 por Frank Drake, multiplica uma série de fatores -- como a taxa de formação de estrelas no Universo, a proporção dessas estrelas que contém planetas, a proporção de planetas que são habitáveis, a proporção de planetas habitáveis que contém vida, etc., etc, para gerar uma estimativa do número de outras civilizações presentes no cosmo.

Como a preocupação principal de Drake era a SETI -- busca por inteligências extraterrestres -- sua equação incluía ainda um fator que tentava levar em conta a durabilidade de uma civ…