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Novidades literárias!

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Novembro foi um mês de algumas novidades na minha carreira literária um tanto quanto intermitente. No último dia do mês, fui informado de que minha antologia de contos Mistérios do Mal está indicada ao Prêmio Argos, o principal -- para não dizer único -- prêmio brasileiro de literatura fantástica (ficção científica, fantasia, terror). Já recebi dois Argos de melhor conto no passado, mas esta é a primeira vez que tenho um livro inteiro indicado, na categoria antologia.

Mistérios do Mal reúne parte significativa do que escrevi no gênero de terror/horror entre 1990 e 2001, e é recompensador ver que as histórias, ao que parece, não envelheceram tão mal assim. A cerimônia de entrega do Argos acontece em meados de dezembro, no Rio de Janeiro; se eu ganhar, aviso aqui.

No front internacional, a pequena editora americana Dark Moon Books divulgou a lista de autores de sua antologia A World of Horror, que como o título sugere reúne contos de horror de várias partes do mundo -- da Austrália a Uga…

Mulheres jovens são as principais vítimas das falsas "curas" do câncer

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Mulheres jovens, de ato nível educacional e alta faixa de renda são as principias usuárias de terapias alternativas contra o câncer, e quem faz a opção por essas terapias, em substituição a tratamentos convencionais como radioterapia e químio, tem até dez vezes mais chance de morrer por causa doença. No caso específico de câncer de mama, o risco de vida médio, para quem opta por tratamentos alternativos, é mais de três vezes maior do que o de quem escolhe a via convencional.

Esses dados aparecem no estudoUse of Alternative Medicine for Cancer and Its Impact on Survival, publicado no periódico "Journal of the National Cancer Institute". O trabalho comparou  281 pacientes, que optaram por abrir mão de tratamentos convencionais e abraçar terapias alternativas, a 560 pacientes que seguiram a medicina tradicional. Foram arrolados pacientes com câncer de pulmão, próstata e mama. Pacientes dos dois grupos, tratamento alternativo ou convencional, foram associados de acordo com cara…

Livro dos Milagres no Natal!

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Óquei, sei que o título da postagem ficou infame, mas não está totalmente fora de propósito (um dos capítulos de O Livro dos Milagres trata, exatamente, do nascimento virgem). Este foi meu primeiro livro de divulgação científica, e aborda assuntos como curas pela fé, aparições marianas, exorcismos e quetais -- sob um ponto de vista cético, com referências às pesquisas científicas realizadas sobre o tema. Foi lançado originalmente pela editora Vieira & Lent -- que está sendo desativada neste ano -- em 2011.

Tenho ainda algumas dezenas de exemplares aqui em casa. Estou vendendo por R$ 40 cada, autografado e com o frete incluso. Para comprar, é só clicar no botão abaixo e depois seguir as instruções do PayPal:



Minha palestra no TEDx USP

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No fim de outubro, participei do evento TEDx USP -- Interações, onde fiz uma palestra sobre as lições que uma carreira meio bizarra no mundo do jornalismo científico, escrevendo sobre pirâmides em Marte, avistamentos do Pé-Grande e correntes de e-mail denunciando a internacionalização da Amazônia me ensinou e que pode ajudar as pessoas a navegar este mundo de bolhas online, pós-verdade e fake news.

Mais pessoas participaram, cada uma tratando de um tema diferente: Átila Iamarino, Mathhew Shirts, Sabine Righetti, André Souza, Pedro Kyatt, Hugo Aguilaniu, Mayra Castro e Natália Pasternak Taschner. Os vídeos do Átila e do André já estão no ar enquanto escrevo, os demais devem aparecer em breve.

Um TEDx é um evento que segue os padrões das TED Talks, como seu lema "ideias que vale a pena espalhar", mas organizado de forma independente (daí o "x"). Neste caso, como o nome TEDx USP diz, a organização coube à Universidade de São Paulo.

O convite para participar desta edi…

Thor, deus da antimatéria

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Me diverti com Thor - Ragnarok. [Spoilers ahead] Como um leitor antigo dos quadrinhos, no entanto, fiquei desapontado com a forma com que o o filme desperdiça a história da redenção do Executor, para mim um dos momentos mais trágicos, reveladores e emocionantes da história das HQs de super-herói: fiquei com aquilo entalado na garganta por dias, e até hoje consigo me lembrar da montagem exata da página. Acho que o Walt Simonson devia ter se aposentado depois daquilo: sua contribuição à Arte e à Humanidade estava dada.

Talvez esse meu incômodo com o Executor (não só a história é desperdiçada, como o ator, Karl Urban, que certamente poderia ter tirado mais do personagem) reflita, em parte, o que incomodou outras pessoas que viram o filme e com quem conversei. A maioria teve uma reação do tipo "é muito legal, mas alguma coisa ficou esquisita".

O "esquisito" pode muito bem ser a atrofia da dimensão trágica do filme, exemplificada no caso do Executor -- que só fica cla…

Trevas no coração do jornalismo "de bem-estar"

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Sempre tive um certo pé atrás com o modo, digamos, "canônico" de se fazer jornalismo de saúde na grande imprensa brasileira. Há uma fórmula: parte-se de uma condição (uma doença -- digamos, câncer de pulmão), de um tratamento e/ou mecanismo preventivo (digamos, uma nova técnica cirúrgica, talvez uma vacina recém-lançada) ou de uma conduta (pode ser fumar, deixar de fumar, vacinar-se, não vacinar-se).

A partir daí, buscam-se os chamados "personagens", que são pessoas que sofrem da condição/submeteram-se ao tratamento/têm ou não têm a conduta. Até algum tempo atrás, matéria de saúde em jornalão, sem personagem, era algo quase tão herético quanto matéria de economia sem o Maílson da Nóbrega. E isso porque o Maílson deu uma sumida, mas os personagens, não.

Se o núcleo de personagens envolver uma família (a combinação de criancinha fofa doente com mamãe guerreira, cheia de esperança, mas com lágrima -- quase imperceptível -- no canto do olho é especialmente matadora), …

Inteligência, adaptação: quando o que é demais atrapalha

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Dois estudos publicados neste ano -- um no início do semestre, outro nesta semana -- indicam que há contextos em que realmente é possível ser "bom demais para o próprio bem". Um deles trata da relação entre liderança de equipes de trabalho e inteligência e o outro, com adaptação ao ambiente e evolução das espécies. Ambos são destaque na minha newsletter nesta semana (detalhes abaixo).

O primeiro, realizado na Europa e publicado no periódico Journal of Applied Psychology sugere que inteligência muito alta, tal como medida em bons testes de QI, pode atrapalhar o exercício da liderança. O levantamento, que comparou características de personalidade e inteligência de mais de 300 administradores de nível hierárquico médio com suas qualidades para o papel de liderança, auferidas em questionários preenchidos por colegas de trabalho e subordinados.

Os autores encontraram uma relação de "U" invertido: quanto maior a inteligência, melhor a performance do líder era avaliada -…