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Um ano estranho

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Semanas atrás, durante um jantar na casa de um amigo, perguntaram-me como tinha sido meu ano. A única palavra que me ocorreu em resposta foi: "estranho". Como esta é a época em que blogs e outros canais de interação online costumam fazer seus balanços e deixar votos para o novo ciclo solar que se inicia, resolvi entrar na onda e elaborar um pouco mais sobre essa estranheza de 2017.

O ano começou muito bem, com a confirmação de que a Ellery Queen Mystery Magazine iria comprar um conto meu -- o segundo vendido a eles, e o primeiro escrito originalmente em inglês (o primeiro saiu em 2014; o segundo não foi publicado ainda). Logo em seguida, a canadense Mystery Weekly Magazine também confirmou seu interesse numa história minha, e tive o vislumbre de uma carreira como escritor de contos policiais para o mercado internacional (que continua em formação: a Mystery Weekly comprou outra história, agora em novembro).

Mas depois desse influxo inicial de boas notícias logo me vi precisa…

O Pentágono e os discos voadores

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Deu no New York Times: durante cinco anos deste século, entre 2007 e 2012, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos gastou U$ 22 milhões de seu "black budget" -- o orçamento secreto usado para financiar coisas, bem, secretas -- com algo chamado Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas. Em linguagem normal, um departamento secreto de caça a discos voadores.

O dinheiro e o departamento apareceram graças a uma aliança de três senadores (dois democratas e um republicano) interessados em ufologia.  O principal artífice da ideia foi Robert Reid, do Partido Democrata de Nevada. Parece haver uma certa afinidade entre os democratas e a ufologia, amis ou menos como há entre republicanos e criacionismo: John Podesta, estrategista de campanha de Hillary Clinton, é um crente de teorias de conspiração envolvendo alienígenas.

O programa financiado por Reid não representa a primeira vez que militares americanos se interessam por óvnis, claro. De 1952 a 1969, o Projet…

Fim do ano, fim da newsletter

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Há alguns meses, comecei a produzir uma newsletter -- um e-mail semanal, enviado a assinantes --, chamada Em Órbita, com um resumo das principais descobertas científicas anunciadas nos grandes periódicos (Science, Nature, etc.) que haviam circulado na semana. Hoje, despachei a edição final.

Nos meses em que esteve no ar, a Em Órbita falhou em atrair um número de assinantes que viabilizasse sua continuidade. Foi um experimento interessante, mas que se revelou inviável, a despeito de meus esforços em promover a ideia. Com novos projetos em vista para o próximo ano, não considerei responsável manter o compromisso de seguir produzindo-a.

É provável que o botão com a opção de assinatura da newsletter continue a aparecer em postagens antigas do blog. Vou tentar eliminá-lo do máximo de publicações possível, mas isso deve tomar algum tempo (e talvez alguma página escape). Peço desculpas por qualquer transtorno que isso possa causar.

Agradeço a quem apoiou a Em Órbita até aqui.

"Dizem estudos": o caso do vinagre de maçã

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Outro dia fui ao mercado comprar vinagre de maçã -- por nenhuma outra razão além da de que é o tipo de vinagre que a Mais Paciente de Todas as Esposas gosta de usar na salada -- e fiquei surpreso ao ver que, em vez de estar engarrafado em plástico, ao lado dos vinagres de vinho tinto, vinho branco e álcool, o de maçã agora aparecia em garrafas de vidro, como as de vinagre balsâmico, e custava mais que os outros. Bem mais.

Voltei para casa resmungando contra essa onda insuportável de gourmetização do trivial e não pensei muito mais no assunto, até me deparar com esta postagem do blog de Edzard Ernst,  médico e pesquisador alemão radicado na Inglaterra e, possivelmente, o maior especialista em medicina alternativa do mundo (spoiler: ele concluiu que essas coisas não prestam). No blog, Ernst comenta que o vinagre de maçã vem sendo promovido como uma panaceia por certos veículos de mídia de "estilo de vida" e "bem-estar". A lista de supostos benefícios vai de aumentar…

A dieta do brasileiro e as emissões de CO2

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A dieta média do brasileiro gera uma emissão de gases causadores do efeito estufa 200% maior que a de outros países da mesma faixa de renda, aponta estudo publicado no periódico PNAS. "Isto se deve provavelmente tanto à quantidade de carne na dieta, e à preponderância de gado alimentado com capim", apontam dos autores. A eutrofização -- a contaminação das águas por nutrientes -- causada pela criação de gado no Brasil também é elevada.

O estudo, intitulado Evaluating the environmental impacts of dietary recommendations ("Avaliando o impacto ambiental das recomendações de dieta"), compara o impacto ambiental da dieta média de diversos países, separados por faixas de renda, ao impacto que haveria se cada população adotasse a dieta recomendada pelas autoridades sanitárias nacionais.

Em linhas gerais -- há exceções --, os autores determinaram que, nos países de renda alta e média, as recomendações governamentais trazem impacto ambiental menor que a dieta média. Já em a…

Deu na "Science": armas fazem mal para a saúde

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Após o massacre de crianças na escola de Sandy Hook, nos EUA, em dezembro de 2012, quando 20 crianças e seis adultos foram mortos por um atirador, houve um aumento na circulação de armas de fogo no país, um efeito captado pelas estatísticas de verificação de antecedentes -- requerida, em alguns Estados, para a compra legal de armamento -- e, também, pelo aumento de buscas no Google sobre como adquirir e fazer a manutenção de armas de fogo. Cerca de 3 milhões de armas foram compradas nos cinco meses que se seguiram ao ataque, o que representou um pico na série histórica.

Artigo publicado na revista Science vincula a maior exposição a armas de fogo -- exposição causada não só pelas compras, mas também pelo aumento na circulação de armas que estavam guardadas --  a uma elevação na taxa de mortes acidentais causadas por essas armas. Pelo menos 60 vidas foram perdidas em disparos acidentais no mesmo período de cinco meses, para além do que seria esperado, estatisticamente, em condições no…

Censo do paranormal

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Atlântida, casas mal-assombradas e alienígenas do passado são as três crenças paranormais (eu diria, pseudocientíficas) mais prevalentes entre a população dos Estados Unidos em 2017, de acordo com pesquisa conduzida pela Universidade Chapman, da Califórnia.A pesquisa Paranormal America é  uma espécie de apêndice da  Survey of American Fears, que a cada ano pergunta aos americanos do que eles mais têm medo. A grande novidade da pesquisa sobre medo deste ano, em relação à do ano passado, é que a política de saúde de Donald Trump superou o terrorismo na segunda posição (a primeira segue sendo ocupada pela corrupção).
De acordo com o levantamento sobre crenças paranormais, 75% da população se fia em alguma delas, sejam alienígenas, videntes, Pé-Grande ou almas penadas (a lista completa aparece na imagem no alto desta postagem). A análise demográfica dos respondentes indica que baixa renda e alta religiosidade são os dois fatores que mais se correlacionam com crença no paranormal. 
Curios…