Kafka e eu: a saga do seguro desemprego
Hoje, cerca de 90 dias após ter sido demitido, recebi a primeira parcela do meu seguro-desemprego. A trajetória entre o bilhete azul (que, estranhamente, não era azul, mas uma folha de sulfite comum) e este momento é tão engraçada -- numa perspectiva, digamos, filosófica -- que tomo a liberdade de oferecer uma pequena crônica a respeito. Enfim: meu último dia "oficial" como assalariado foi 7 de dezembro. O fato de o seguro-desemprego estar saindo em 21 de fevereiro traz consigo a pergunta, e se eu realmente estivesse precisando do dinheiro? Com escola dos filhos para pagar e dívidas no banco? Passando fome? A saga tem início no RH (ou "DP", como preferem as telefonistas não-escoladas em novilíngua corporativa). Para solicitar o seguro, é preciso um documento emitido pela empresa, o termo de rescisão -- um papel que diz que você não trabalha mais lá. Curiosamente, o bilhete azul/sulfite comum não serve. Oh, não senhor. É preciso um papel oficial. Este só se rec...