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Mostrando postagens com o rótulo evolução

A gonorreia tem um pedacinho de você

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Cientistas já sabiam que bactérias são capazes de trocar fragmentos de material genético entre si -- esse é um dos mecanismos que faz com que a resistência antibióticos se espalhe tão depressa. Agora, uma equipe de pesquisadores de Chicago, nos EUA, diz ter provas de que pelo menos uma espécie de bactéria é capaz de de assimilar DNA humano. E não se trata de uma bactéria qualquer: é a Neisseria gonorrhoeae , a causadora da popular DST gonorreia. Os detalhes da descoberta serão publicados na revista online mBio , da Sociedade de Microbiologia dos Estados Unidos. Ainda não se sabe exatamente que vantagem a bactéria leva nesse negócio, mas os autores da descoberta supõem que isso permite que o micróbio crie novas versões de si mesmo.  A sequência de genoma humano foi encontrada em 11% das culturas de bactéria de gonorreia estudadas. Cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo contraem a doença a cada ano. A gonorreia é tratada com antibióticos -- embora venha mostrando resistênc...

A evolução funciona em todas as direções

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Todas as formas de vida existentes hoje na Terra são igualmente "evoluídas", no sentido de que estão adaptadas aos ambientes em que vivem e de que percorreram, ainda que por trilhas diversas, os 4 bilhões de anos que nos ligam todos, homens, tubarões, planárias e bactérias, ao ancestral comum que iniciou a marcha da biologia na Terra. Essa constatação é talvez uma das mais difíceis de transmitir quando se fala sobre evolução. Mesmo quando uma pessoa se liberta da intuição criacionsita, é grande a chance de que permaneça ligada a uma ideia de "grande design" ou de "propósito" embutido na evolução biológica. A confusão semântica entre "evolução" e "aperfeiçoamento" está na raiz de muitas ideologias que se veem como consequências lógicas -- quando, na verdade, não passam de filhas bastardas -- da teoria da evolução, como o darwinismo social e o socialismo científico. A ideia de que a evolução teria um rumo ou meta -- para além do fim...

A natureza humana, em três artigos da Science

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A revista Science desta semana traz três artigos, todos igualmente fascinantes -- embora cada um a seu modo -- por revelarem facetas distintas mas interligadas da espécie humana. Minha primeira tendência foi elaborar uma postagem sobre cada um, mas que diabo: se eu não for integrativo aqui no blog, serei onde? O primeiro -- que provavelmente é o que você verá nas páginas de ciência dos jornais de amanhã -- trata da expansão da humanidade a partir de sua origem na África. Novos artefatos encontrados no que hoje são os Emirados Árabes Unidos (Dubai, aquelas coisas) indicam que seres humanos "anatomicamente modernos" (i.e., com esqueletos como o meu e o seu) já estavam lá há 100.000 anos. Isso sugere que a colonização do resto do mundo pela nossa forma particular de praga primata tenha começado mais de 40.000 anos antes do que se imaginava. Se você está se perguntando como um bando de macacos pelados usando a tecnologia (literalmente) de ponta da foto abaixo conseguiu sob...

O cachorro unicelular imortal apronta mais uma

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A revista Science desta semana traz um artigo sobre uma das mais bizarras formas de vida existentes na Terra: o  Tumor Venéreo Transmissível Canino, ou TVTC. Agora, talvez você esteja confuso: eu falei em ser vivo e dei o nome de uma doença. Como assim? Bom, o fato é que o tumor canino é um ser vivo -- basicamente, uma célula que passa de um cão para outro (como o "venéreo" do nome diz, geralmente durante o ato sexual) e sobrevive como parasita do novo hospedeiro, sequestrando recursos de seu corpo para reproduzir-se. O que faz do TVTC uma criatura única, diferente de praticamente todos os parasitas conhecidos (o único caso similar ocorre em diabos da Tasmânia) é o fato de que, geneticamente, ele é um animal canino . Você pode imaginá-lo como um cão unicelular que vive pulando de hospedeiro em hospedeiro há 10.000 anos. Sabe-se que os tumores atuais têm todos um ancestral comum de alguns séculos atrás. (Fico imaginando a questão bioética que surgiria se uma doença ass...