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Mostrando postagens com o rótulo psicologia

O rosto que lançou mil naus ao mar...

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O título desta postagem é um verso do dramaturgo britânico Christopher Marlowe -- que teve a cósmica má-sorte (para um escritor de teatro) de ser contemporâneo de Shakespeare -- sobre Helena de Troia. De toda a tradicional história da Guerra de Troia, talvez o ponto mais inverossímil, para ouvidos modernos, seja a causa atribuída ao conflito: a fuga de uma mulher casada, Helena, com o amante, o príncipe Páris (o casal que ilustra esta postagem aliás). No entanto, uma pesquisa recente dá ao casus belli Helena-Páris um novo sopro de plausibilidade: parece que, de fato, a visão de uma mulher bonita torna os homens mais violentos, fanfarrões, destemidos... e propensos à guerra. Descrito em matéria da revista Scientific American , o estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Chinesa de Hong Kong, mostrou imagens de mulheres a homens e avaliou como a exibição das fotos afetava o grau de concordância do macho da espécie com frases belicosas. Houve uma correlação estatisticamen...

Pornografia gay excita homens homófobos

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Tremo em imaginar o que as palavras-chave no título desta postagem farão com a audiência deste blog, mas não dava para deixar de mencionar: um estudo publicado em 1996 pelo Journal of Abnormal Pyschology  mostrou que homens homófobos sentem excitação sexual ao assistir a vídeos de pornografia gay. Abaixo, traduzo o trecho principal do "abstract" (negrito por minha conta): Os autores investigaram o papel da excitação homossexual em homens exclusivamente heterossexuais que admitiram sentimentos negativos em relação a indivíduos homossexuais. Participantes consistiram em um grupo de homens homófobos (n=35) e homens não-homófobos (n=29). (...) Os homens foram expostos a estímulos eróticos explícitos consistindo de vídeos heterossexuais, homossexuais femininos e homossexuais masculinos, e mudanças na circunferência do pênis foram monitoradas. (...)  Ambos os grupos exibiram aumento na circunferência peniana durante os vídeos heterossexuais e homossexuais femininos. Apenas...

A ciência do suborno

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Na pré-história de minha carreira jornalística, certa vez atendi a uma denúncia anônima: alguém ligara ao jornal à noite dizendo que, naquele instante, uma secretaria inteira da prefeitura -- acho que a de Finanças -- estava jantando de graça num restaurante chique, por conta de uma empreiteira. Bandeei-me, acompanhado de uma fotógrafa, lá para o restaurante e, de fato, encontrei não só o secretário, como boa parte do segundo escalão comendo, felizes, junto a representantes da empresa. Com a ousadia da juventude, perguntei ao secretário, um notório casca-grossa da política interiorana, se ele achava conveniente aquela situação. Ele me deu uma resposta surpreendentemente educada: "Isto aqui é pouca coisa. Não paga nenhum tipo de corrupção". Inexperiente, perdi a oportunidade de perguntar qual era, então, a tabela oficial. O gerente do restaurante depois ligou para o dono do jornal pra reclamar da minha "impertinência", mas ninguém nunca me repreendeu formalment...

Calote digital e a natureza humana

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Não sei quantas pessoas, aqui no Brasil, já ouviram falar num website chamado prosper.com, onde pessoas (na verdade, apenas residentes de cerca de 25 Estados norte-americanos) podem fechar negócios de empréstimo de dinheiro entre si, sem precisar recorrer a bancos ou financeiras. Funciona assim: um usuário - que faz login na categoria "quero tomar emprestado" - cadastra suas necessidades monetárias, que vão parar numa lista;  outro - que faz login na categoria "quero emprestar" - tem acesso à lista, decide quem parece mais merecedor de empréstimo. Uma taxa de juros é calculada pelo sistema, o tomador recebe o dinheiro e então faz pagamentos mensais ao emprestador. Pondo de lado o aspecto econômico do sistema e seus possíveis impactos no mercado financeiro tradicional (é curioso imaginar o que algo do tipo faria com os juros praticados, por exemplo, no Brasil), as interações no prosper.com chamaram a atenção por outro motivo: trata-se, afinal, de uma espécie de r...

Vamos tirar uma comissão para analisar a sua proposta...

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Sabe a velha piada sobre como a melhor forma de impedir que um problema seja resolvido é marcar uma reunião e montar uma comissão? Pois é, não é uma piada. É um fato científico. E nem se trata de um fato novo, na verdade: sua primeira demonstração ocorreu na década de 1880, quando o engenheiro francês Max Ringelmann mediu o esforço feito por trabalhadores que tinham de puxar cordas para erguer pesos. O resultado, descrito no livro 59 Seconds , do psicólogo Richrad Wiseman, foi o seguinte: puxando a corda sozinho, cada trabalhador erguia, em média, 90 quilos; puxando a corda em grupo, o peso médio sustentado individualmente caiu para 70 kg. Wiseman compara esse efeito de "vadiagem coletiva" à difusão de responsabilidade que comumente afeta multidões: outras pesquisas já demonstraram que, se uma pessoa está sozinha um ambiente onde uma emergência tem início -- um incêndio, um ataque epilético -- esse indivíduo solitário se apressa em fazer o melhor possível para contornar...

Da faixa de pedestres ao homem-bomba

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Uma pequena joia psicológica é a reportagem desta segunda-feira, no Estadão, sobre o comportamento dos motoristas de São Paulo em relação às faixas de pedestres. O título já dá uma boa ideia do que se vai encontrar no texto:  89% dos paulistanos desrespeitam faixa de pedestre. Mas acreditam estar certos . O assunto prossegue em outro texto da mesma edição, 4 em cada 10 temem batida se pararem na faixa , cujo teor me fez lembrar de um conceito de psicologia social que encontrei pela primeira vez lendo The Psychology of Terrorism , de John Horgan: o erro fundamental de atribuição. Basicamente, esse é um viés psicológico que tende a levar as pessoas a atribuir seus próprios erros às circunstâncias, e os erros dos outros a defeitos pessoais deles. Em outras palavras: quando eu tropeço, é porque as calçadas são mal conservadas; já quando vejo outra pessoa tropeçando, é porque ela é uma desajeitada que não olha por onde anda. O "erro fundamental", diz Hogan, ocorre dos dois...

Dois corações batendo como se fossem um...

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Quer que o coração do seu amor bata em sincronia com o seu? Comece a caminhar sobre brasas ardentes na frente dele (ou dela). Resultado de um estudo realizado na Espanha e publicado, nesta semana, pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (a popular PNAS ) mostra que o ritmo cardíaco de parentes e "amigos íntimos" (categoria que, suponho, deve incluir namorados), presentes à plateia, de pessoas que participaram de um ritual de caminhada sobre brasas ardentes -- mais especificamente, que passearam descalças sobre uma pista de 7 metros de brasas a 677° C -- entrou em sincronia com o dos voluntários que encaravam as chamas. Caminhar sobre brasas é, claro, um truque antigo e sobejamente explicado pela ciência. O que torna possível caminhar sobre brasas a 677° C são exatamente os mesmos princípios que tornam impossível caminhar sobre uma chapa de aço aquecida à mesma temperatura: capacidade e condutividade térmica. Capacidade térmica é o quanto de calor q...

A morte de Osama bin Laden

Sendo este um blog especialmente atento aos aspectos mais tóxicos da religião e do tipo de pensamento que sustenta a crença religiosa em geral -- e tendo sido Osama bin Laden o homem que, no mundo moderno, mas fez para extrair dor e sofrimento desses aspectos e modos -- alguns comentários sobre seu passamento me parecem cabíveis. O primeiro é lamentar o grau de ódio e fanatismo que o ódio e o fanatismo engendram, como reação, em suas vítimas. Ler no New York Times que o presidente Barack Obama definiu a morte de Bin Laden com a frase "justiça foi feita" é nada menos que chocante. Não, senhor presidente, justiça não foi feita. Justiça teria sido feita se Bin Laden tivesse sido levado para Haia (ou Washington, ou Miami, ou Nova York), julgado e condenado. Até mesmo os arquitetos do Holocausto tiveram direito a seu dia no tribunal. Até mesmo o Estado de Israel julgou necessário dar a Eichmann o direito de defesa. Mesmo considerando que um passo do tipo talvez tivesse ...

É mágica!

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Talvez o assunto que mais me fascina, ao lado da ciência, seja a mágica -- mágica profissional, feita no palco ou na cara do freguês em bares e restaurantes (a chamada "close-up magic") por artistas que exploram os "bugs" cognitivos do cérebro humano para encantar e divertir. Mágica é um campo de estudo fascinante, principalmente para a psicologia -- Richard Wiseman já escreveu até  um livro sobre o assunto  -- e agora a PLoS ONE traz um artigo sobre a "pegada mágica", ou como os mágicos fazem para dar a impressão de que estão segurando alguma coisa, quando na verdade suas mãos estão vazias (sim, você acha que ele ainda está segurando a moeda, quando na verdade ela já foi parar no bolso do fraque). O paper, intitulado The Magic Grasp: Motor Expertise in Deception (A Pegada do Mágico: Expertise Motora na Enganação) pode ser lido gratuitamente aqui . Entre as principais conclusões do trabalho estão que (a) a maioria de nós, não-mágicos, somos péssimos p...

AAAS premia Elizabeth Loftus, pioneira da 'falsa memória'

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Esta informação é quentinha: a psicóloga Elizabeth Loftus foi agraciada com o Prêmio Liberdade e Responsabilidade Científica da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS). Eu geralmente prefiro espaçar as postagens no blog ao longo do dia, mas o prêmio da Dra. Loftus é uma notícia boa demais para esperar. Primeiro, um pouco de background: nas décadas de 80 e 90, os Estados Unidos viveram uma epidemia de "recuperação de memória" de abusos sofridos na infância, com pacientes de psicólogos e de psicoterapeutas  subitamente recordando terem sido vítimas de violência -- geralmente, sexual -- por parte de pais, professores ou outros adultos. Inúmeros processos judiciais foram abertos, e famílias se viram destruídas pelas "lembranças" ressurgidas. O que Elizabeth Loftus fez foi demonstrar que era perfeitamente possível que as memórias fossem falsas e estivessem sendo criadas e implantadas na mente dos pacientes pelos próprios terapeutas . (Nota: é curio...

Possessão demoníaca, exorcismo e ignorância

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Talvez não exista indicador melhor do nível de ignorância de uma sociedade do que a prevalência da crença em possessão demoníaca. É evidente, por exemplo, que o pobre endemoinhado exorcizado por Jesus no capítulo 9 no Evangelho de Marcos era um epilético. Isso fica bem claro na leitura, com olhos modernos, dos versículos correspondentes, abaixo: “17. Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo. 18. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam. (...) 25. Vendo Jesus que o povo afluía, intimou o espírito imundo e disse-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai deste menino e não tornes a entrar nele. ” Compare a lista de sintomas dada pelo pai do "possesso" à descrição do " grand mal" , um tipo de ataque epilético, que consta do site da Mayo Clinic : perda de consciência; os músculos se contraem de re...

Além da Vida: mediunidade ou leitura a frio?

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Aproveitando o feriado paulistano, hoje vou falar um pouco de cinema. No domingo, fui assistir a Além da Vida ( Hereafter ), de Clint Eastwood, com Matt Damon. Artisticamente é um ótimo filme, com uma fantástica direção de atores e cenas de cortar o coração. Psicologicamente, é uma exploração delicada dos sentimentos das pessoas que perdem entes queridos. Já em termos filosóficos -- e científicos -- o filme é um tanto quanto dúbio: ficamos sem saber até que ponto estamos vendo as convicções do diretor (e/ou do roteirista) refletidas na tela, ou até que ponto somos apenas observadores neutros de uma série de eventos na vida dos personagens, apresentados da forma como os personagens os interpretam. O personagem de Matt Damon é um homem seriamente convencido de que tem o poder de falar com os mortos, e uma cientista consultada pela jornalista Marie LeLay (interpretada por Cécile de France) diz que a constância das imagens das experiências de quase-morte (luz intensa, etc.) sugere q...

Nova previsão do apocalipse: maio de 2011

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Um pequeno movimento cristão dos Estados Unidos está prevendo o fim do mundo para 21 de maio deste ano. De acordo com a revista Time , o grupo, liderado por Harold Camping, que controla uma rádio evangélica, obteve a data com o uso de um sistema matemático baseado (onde mais?) na Bíblia. A Time faz a ressalva de que Camping já havia previsto o fim para 1994, o que, até onde se sabe, não aconteceu. Não obstante, a nova previsão atrai seguidores. Ouvido pelo San Francisco Chronicle , Ted Solomon, de 60 anos, diz estar “aguardando ansiosamente” pela data. Uma questão interessante é o que vai acontecer com o séquito de Camping quando o dia 22 de maio amanhecer sem que os fiéis tenham sido arrebatados para o Paraíso. Se a história serve como exemplo, é possível que o grupo venha até a crescer. O fenômeno conhecido como “dissonância cognitiva” foi definido pelo psicólogo Leon Festinger há cerca de 60 anos, e consiste num aumento do fervor da fé após uma desconfirmação cabal das crenças do...