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Fenda dupla, consciência, mente, matéria... que papo é esse?

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O físico brasileiro Gabriel Guerrer alcançou alguma notoriedade com a promoção de sua campanha no Catarse para financiar um estudo sobre a capacidade da mente humana de influenciar a trajetória de um feixe de raios laser. Segundo Guerrer, essa capacidade, se comprovada, de algum modo levaria a "uma revolução científica e cultural", permitindo "questionar se a consciência ao invés de produto final, não seria o próprio motor da evolução biológica", gerando indícios de que "não estamos limitados aos contornos do corpo humano e que em um certo sentido, o mundo de fora é uma extensão de nós mesmos". O modelo do experimento proposto pelo brasileiro é uma série de trabalhos realizada pelo parapsicólogo americano Dean Radin: parte do dinheiro requisitado por Guerrer tem por objetivo financiar um estágio no laboratório do americano. Em 2012, Dean Radin publicou, no periódico  Physics Essays, uma série de seis testes em que voluntários tentavam usar o poder da...

Para explicar o mundo

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Terminei neste fim de semana uma das leituras mais fascinantes do ano, o livro To Explain the World: The Discovery of Modern Science , de Steven Weinberg. Weinberg, um dos ganhadores do Nobel de Física de 1979, que traça uma história do esforço humano para compreender a realidade física. Ele vai dos filósofos pré-socráticos a Isaac Newton. A principal linha condutora é a astronomia, e Weinberg inclui uma boa descrição dos quatro grandes modelos do sistema solar propostos ao longo dos séculos -- aristotélico, ptolomaico, tychoniano e copernicano -- e os argumentos levantados contra e a favor de cada um deles, até a vitória final de Copérnico. Essa disputa é muito discutida em certos círculos de historiadores e filósofos da ciência que se perguntam se, afinal, o modelo copernicano era mesmo o mais plausível, dados os conhecimentos disponíveis no momento em que foi finalmente adotado, no século XVII. Weinberg discute, de modo vivo, o jogo entre observação, teorias e modelos matemát...

"Mercado" prevê resultado de testes científicos

Um mercado de apostas sobre quais estudos escolhidos para o “ Projeto Reprodutibilidade: Psicologia ”, que buscou confirmar as descobertas anunciadas em dezenas de artigos científicos da área psicológica – e que concluiu que menos da metade das conclusões anunciadas na literatura era reprodutível – se saiu melhor em prever esse resultado do que uma pesquisa de opinião realizada entre especialistas, aponta estudo publicado na PNAS. Enquanto o Projeto Reprodutibilidade ainda estava em andamento, cerca de 40 pesquisadores envolvidos responderam a uma pesquisa de opinião sobre qual a chance que viam de cada estudo sob escrutínio ser reproduzido. Esses mesmos pesquisadores participaram de uma bolsa de apostas, onde receberiam US$ 1 se apostassem num estudo que acabaria reproduzido, ou nada, se apostassem num estudo “errado”. A pesquisa de opinião previu o resultado do Projeto Reprodutibilidade com apenas 50% de precisão, mas a bolsa de apostas se saiu bem melhor, com o preço médio de fecham...

Flores e Fúria: e-books à venda!

O editor Erick Sama me avisa de que os dois livros que lancei na Bienal do Rio deste ano -- o volume de contos Tempos de Fúria e a novela de fantasia Flores do Jardim de Balaur -- já estão disponíveis em formato e-book, para Kindle, e em breve estarão à venda em outros formatos eletrônicos, também. Os links para adquiri-los na Amazon.com.br já estão ativos nos títulos ali em cima. Quem tem conta Kindle nas "outras" Amazon (dos EUA, Reino Unido, etc.) também pode encontrá-los, basta buscar pelo título. E o que são esses livros? Escrevi sobre eles na época da Bienal, e dá pra achar a postagem inteira aqui . Mas, lá vai um resumo: Tempos de Fúria : publicado originalmente em 2005, este foi o livro que fez a minha "fama" -- seja lá o quanto disso que tenho. Foi adotado como leitura obrigatória numa importante escola de ensino médio do interior paulista, garantiu-me participação num documentário de TV sobre ficção científica nacional e rendeu minha primeira resenh...

Carl Sagan versus Astrologia: uma lição

Hoje é aniversário de Carl Sagan: o astrônomo americano, idealizador original da série de TV Cosmos  e um dos mais importantes popularizadores da ciência no século 20, estaria completando 81 anos nesta data, se o câncer não o tivesse levado em 1996 . Além de divulgador da ciência, Sagan foi uma das principais vozes do movimento cético americano, que ganhou fôlego renovado a partir dos anos 70 do século passado. Quem assistiu a Cosmos  provavelmente se lembra do duro ataque desferido por ele à astrologia, no início do terceiro episódio da série (há vários clipes dessa passagem online, como, por exemplo, este aqui ). É curioso, portanto, que ele tenha se recusado a participar do manifesto contra a astrologia assinado por 186 cientistas, incluindo dezoito ganhadores do Nobel, publicado na revista The Humanist em 1975 e enviado a todos os jornais dos Estados Unidos e do Canadá: esta foi a manifestação antiastrológica mais contundente desde a publicação de Disputationes adv...

Videntes, "falsos" e outros

No último domingo, a Folha de S. Paulo trouxe reportagem sobre um empresário português que teria sido lesado em pelo menos R$ 50 milhões por uma falsa vidente. A primeira questão que emerge daí é qual o critério para se distinguir entre uma vidente "falsa" e uma "verdadeira". Se for o poder de ver o futuro ou de realizar operações mágicas eficazes, afirmar que existem videntes "verdadeiros" cai na mesma categoria  de afirmar que há um alienígena, vivendo na galáxia de Andrômeda, que psicografa peças de Shakespeare: uma intrigante possibilidade teórica, mas que, na ausência de provas, deve ser tratada como ficção ou bobagem, dependendo do contexto. Outra acepção possível para "vidente verdadeiro" seria alguém que, mesmo sem ter poderes reais, acredita sinceramente possuí-los. Há quem sustente que essa sinceridade, essa validação subjetiva, isenta o vidente "verdadeiro" de culpa pelos eventuais danos e prejuízos causados por sua práti...

Astrologia!

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O título desta postagem ia ser "precisamos falar sobre astrologia", mas aí me lembrei de que esse "precisamos falar", além de ser um tremendo dum clichê, soa arrogante e pomposo, então desisti. Mas, enfim: falar sobre astrologia, neste momento, se não chega a ser necessário, pode ser bastante pertinente.E por uma série de motivos. O primeiro é que ela representa, com alto grau de probabilidade, a mais antiga superstição criada pela raça humana e que ainda se mantém viva e ativa, tendo deixado para trás, nas areias do tempo, colegas e concorrentes como a leitura das entranhas de pombos, a interpretação da urina dos cães e os vaticínios de pitonisas viajandonas. As mais antigas previsões astrológicas conhecidas estão gravadas em tábuas de argila da Babilônia. Compreender a longevidade desse fenômeno traz pistas importantes para o entendimento da psique humana e das relações sociais. A segunda razão, intimamente relacionada à primeira, é que, em seu duelo milena...