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O zodíaco ataca novamente

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Não sei se vocês notaram, mas nas últimas semanas houve uma pequena celeuma nas redes sociais porque a Nasa teria "mudado o signo astrológico" das pessoas. Claro, isso é uma bobagem . Foi, na verdade, apenas mais uma das infindáveis "redescobertas" da existência de Serpentário, a décima-terceira constelação do zodíaco, e da precessão dos equinócios. Essa história de que existem 13 signos (14, na verdade, se contarmos o fragmento da constelação de Baleia) da faixa zodiacal, e de que a posição real das constelações no céu não bate com a dos mapas astrais, é uma das novidades mais antigas do mundo -- eu mesmo tratei do assunto numa das postagens inaugurais deste blog . Por coincidência, enquanto a tal "polêmica" dos signos cumpria seu ciclo facebookiano de de estouro-e-sumiço, chegava aqui em casa a edição mais recente de Correlation , o "journal" da Associação Astrológica da Grã-Bretanha. Como expliquei numa postagem anterior ,  assinei Correl...

Holograma de som

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Uma placa de plástico, fabricada por impressão 3D, mostrou-se capaz de modular ondas de ultrassom e produzir hologramas acústicos – campos sonoros complexos que podem ser usados para manipular e mover objetos na água ou no ar, de forma controlada. A placa é colocada diante do alto-falante que emite o ultrassom. O desenvolvimento e o teste da placa são descritos na Nature. A técnica demonstrada foi capaz de produzir o desenho de uma “pomba da paz” a partir de partículas suspensas num líquido, e de manter uma gota d’água flutuando no ar. Os autores, de instituições alemãs, escrevem que o sistema é capaz de levitar objetos com uma densidade máxima comparável à do alumínio. “Esperamos que, com transdutores maiores e mais potentes, será possível gerar imagens mais complexas e manipular objetos de densidades mais elevadas”, escrevem. “Transdutor” é o nome dado a aparelhos que convertem uma forma de energia em outra – no caso de alto-falantes, sinais elétricos em som. Esta nota faz parte d...

Os malucos e a estufa

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"É difícil fazer um homem compreender um fato quando seu salário depende de uma continuada incompreensão". A frase, do romancista americano Upton Sinclair (1878-1968) é repetida diversas vezes no livro The Madhouse Effect ("O Efeito Hospício", em tradução literal), escrito a quatro mãos pelo cientista Michael E. Mann e pelo cartunista Tom Toles. Mann, climatologista da Universidade Estadual da Pensilvânia, é um dos autores do histórico "paper" que apresentou a primeira versão do chamado "gráfico do taco de hockey", que mostra como as temperaturas médias globais dispararam ao longo do século 20: A linha azul reproduz o "bastão de hockey" original, publicado em 1999. A vermelha, temperaturas reais de 1850 e até 2013  Madhouse Effect  -- o título é um trocadilho entre "madhouse" ("hospício") e "greenhouse" ("estufa") -- é uma mistura de divulgação científica e polêmica política em torno das d...

Digital num fio de cabelo

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Fãs de livros, filmes e seriados policiais sabem que é impossível identificar um suspeito pelos fios de cabelo achados na cena do crime, a menos que eles tenham sido arrancados com a raiz, pois é nela que se encontra o DNA. Mas isso poderá mudar em breve: trabalho publicado no periódico PLoS ONE apresenta uma tecnologia que tem o potencial de inferir características únicas do DNA do suspeito a partir das proteínas que constituem o fio. As técnicas de “impressão digital” genética se valem da identificação de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs, ou “snips”, como são chamados em inglês), variações pontuais na sequência de bases que forma a molécula de DNA. Os autores do novo trabalho, baseados nos Estados Unidos e no Reino Unido, notam que alguns SNPs, chamados SNPs não-sinônimos (nsSNPs) podem se traduzir em variações na composição de proteínas, incluindo as que vão formar o fio de cabelo. Essas variações, os polimorfismos de aminoácido único (SAPs), estão na base da nova ...

Mais transparência na ciência

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A Associação Estatística dos Estados Unidos decidiu passar a exigir que todos os artigos submetidos à seção de Aplicações e Estudos de Caso de seu periódico Journal of the American Statistical Association (JASA) venham acompanhados do código de computador e dos dados utilizados no trabalho. Código e dados, diz nota divulgada pela associação, representam “um padrão mínimo de reprodutibilidade em pesquisa científica estatística”. O processo de revisão pelos pares do JASA passará a incluir a figura do editor associado de reprodutibilidade, “para garantir que atinjamos um padrão de reprodutibilidade”. A revista Nature entrevistou Victoria Stodden , que será uma das editoras de reprodutibilidade do JASA. Ela ponderou que os padrões tradicionais de revisão da pesquisa científica foram estabelecidos para estudos que não envolvem computadores. “Uma vez que você introduz o computador, a seção de materiais de um artigo científico típico não chega nem perto de fornecer a informação necessári...

Florais de Fátima

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Imagino que todo mundo que frequenta pet-shops ou farmácias de manipulação já deu de cara com catálogos de florais -- "remédios" para condições emocionais e psicológicas, de seres humanos ou animais, baseados em flores, água e álcool. Já havia pensado em escrever sobre o assunto antes, mas como os florais representam uma espécie de dissidência da homeopatia, e como já tratei desse tema várias vezes (a mais completa sendo esta aqui ), achei que o serviço já estava feito. Mas, enfim, ledo e ivo engano, como se diz por aí. Almoço cedo. No quilão aqui perto, onde costumo ir, sempre tem uma TV ligada. Na Globo. Então, de modo quase inevitável, almoço com Fátima Bernardes -- e eis que, na segunda-feira, assisti a sete inacreditáveis minutos de promoção acrítica, basbaque e irresponsável de algo chamado "florais brasileiros" . Sei que também já gastei muito teclado tratando do modo subserviente, imprudente e leviano com que a grande mídia encara temas "esotéricos...

Extinção nos mares, versão raça humana

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A atual crise de biodiversidade nos oceanos, causada principalmente pela ação humana, é diferente das demais extinções em massa registradas nos últimos 60 milhões de anos: desta vez, as espécies com indivíduos de grande porte estão mais ameaçadas que as espécies de indivíduos pequenos, o que acentua o impacto potencial das extinções nos ecossistemas. Os resultados constam de artigo publicado na revista Science. Os autores do trabalho, vinculados a instituições dos Estados Unidos, atribuem esse diferencial à preferência humana pela caça e pesca de grandes animais. “A ameaça seletiva aos animais marinhos de grande porte traz um perigo aos ecossistemas que é desproporcional à porcentagem de espécies ameaçadas”, diz o artigo. “Animais de grande porte são essenciais para o funcionamento do ecossistema, por causa de sua posição preferencial no topo das redes alimentares”. Os autores fazem a ressalva de que, caso a mudança climática venha a superar a caça e pesca predatória como principa...