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O primeiro português

Um crânio hominino datado de 400 mil anos atrás foi descoberto num sítio arqueológico português, a Gruta da Aroeira, informa artigo publicado no periódico PNAS . A época coincide com a do aparecimento de vestígios do Homem de Neandertal no registro fóssil, e o crânio foi encontrado junto de restos de animais e ferramentas de pedra similares às da cultura acheulense, um tipo de tecnologia normalmente associada, na África, ao Homo erectus , uma espécie mais antiga que o neandertal. Essa tecnologia é especialmente conhecida pela presença de “bifaces”, pedras lascadas de modo a assumir uma forma de gota, arredondada numa extremidade e pontuda na outra, lembrando uma cabeça de machado. O crânio da Aroeira representa o fóssil humano europeu localizado mais a oeste já encontrado para seu período – o Pleistoceno Médio –, e um dos mais antigos do continente a ser associado à tecnologia acheulense. Leia mais a respeito no Telescópio .

Rankings universitários: para que servem

“Sou da lógica de que a gente só conhece o que a gente pode medir. Se a gente não mede, é percepção. Sua universidade é inclusiva? Mostre. Sua universidade é produtiva? Mostre”. Assim a jornalista e pesquisadora Sabine Righetti explica sua visão da necessidade de indicadores de desempenho da educação superior, sejam ou não consubstanciados em rankings. Righetti defendeu a tese de doutorado “Qual é a melhor? Origem, limitações e impactos dos rankings universitários”, defendida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, como parte do Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica. A tese teve orientação do professor Renato Pedrosa, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Ensino Superior (LEES). A tese em si representa um levantamento pioneiro do que a literatura especializada traz sobre os impactos dos rankings universitários na gestão das universidades, nas políticas públicas e na decisão dos alunos, além da análise desses impactos sobre uma instituição específica,...

Imunoterapia para símios, contra HIV

Um tratamento de imunoterapia, baseado em injeções de dois anticorpos clonados de pacientes humanos com grande resistência natural ao HIV, mostrou-se promissor num teste em macacos, aponta artigo publicado online na tarde de segunda-feira pela revista Nature . Os anticorpos, 3BNC117 e 10-1074, foram isolados na Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos. Em janeiro deste ano, a Universidade reportou bons resultados do primeiro teste em humanos de injeções de 10-1074, num pequeno estudo envolvendo 19 voluntários portadores de HIV e 14 pacientes saudáveis. Nesse trabalho, a maioria dos doentes tratada com altas doses do anticorpo teve rápido declínio na concentração de vírus. Parte dos vírus se mostrou resistente, no entanto, e em pesquisas de laboratório essas cepas foram eliminadas, com sucesso, pela aplicação do outro anticorpo, 3BNC117. A pesquisa foi realizada em parceria com a Universidade de Colônia, na Alemanha, e publicada em Nature Medicine . Para saber mais dos novos resulta...

A nova casa do Telescópio

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Faz alguns anos, comecei uma coluna semanal para o Jornal da Unicamp chamada "Telescópio", com um resumo do que de mais legal (em minha opinião) saía na literatura científica mundial e, de um modo ou de outro, chegava à imprensa. Foram, até dezembro do ano passado, 90 páginas produzidas.  Com a migração do Jornal para a plataforma 100% digital no início deste ano, a coluna passou a ser diária -- ou o mais perto disso que eu consiga fazer -- e as notas foram crescendo em tamanho. Sem o limite de espaço imposto pelo papel dá para explicar um pouco melhor os assuntos, mas ainda assim há a preocupação de não esticar demais os textos. Ainda estou procurando um equilíbrio entre os temas, para não cair na tentação de só me apegar às pautas "quentes" do dia, tentação que é forte, agora que o online traz a oportunidade de marcar os embargos para imprensa -- isto é, os horários a partir dos quais é permitido divulgar a pesquisa para o público -- em cima do lance. Sa...

Levedura sintética a caminho

A Science desta semana traz um pacote de sete artigos, assinados por integrantes do consórcio internacional Synthetic Yeast Genome Project (Projeto Genoma Artificial da Levedura), que descrevem a construção de cinco cromossomos sintéticos para o organismo Saccharomyces cerevisiae – anteriormente, já se havia produzido um cromossomo artificial da levedura. Leveduras, que em sua forma natural são usadas na fabricação de cerveja e na fermentação de outras bebidas e alimentos, já são geneticamente modificadas para produzir biocombustíveis e medicamentos. O consórcio espera realizar, no futuro, a construção de um genoma sintético completo de levedura (chamado Saccharomyces cerevisiae 2.0 ) com 16 cromossomos artificiais, abrindo toda uma nova gama de possíveis aplicações. “A otimização da levedura natural para novos produtos é ineficiente”, disse um dos autores da série de trabalhos, Joel Bader, da Escola de Medicina Johns Hopkins, em nota divulgada pela instituição. “Nosso conjunto sint...

Os dentes do neandertal

Um homem de neandertal que viveu há mais de 40 mil anos nas Espanha era vegetariano, tinha abcesso dentário, diarreia e, talvez por causa desses problemas de saúde, mascava plantas que são fontes de ácido salicílio (princípio da aspirina) e penicilina. Sabemos tudo isso a seu respeito graças a uma análise do tártaro de seus dentes, preservados numa caverna, à espera da chegada dos modernos paleontólogos. O trabalho completo está publicado na revista Nature , mas dá pra saber um pouco mais acessando o Telescópio do Jornal ad Unicamp Online .

Como as pessoas escolhem notícias no Facebook?

O consumo de notícias via Facebook é, ao mesmo tempo, polarizado e cosmopolita, mostra estudo publicado no periódico PNAS : polarizado no sentido de que cada usuário parece perseguir uma versão pessoal preferida dos fatos, e cosmopolita no de que, nessa caçada à narrativa favorita, há pouca discriminação de origem geográfica da fonte. O resultado sugere que o sucesso das chamadas “notícias falsas” nas redes sociais é causado mais por preferências ideológicas do que por problemas de checagem e validação do noticiário. (Leia a nota completa no novo Telescópio do Jornal da Unicamp Online )