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Prova pra eles

Conheço GiulianaVallone, a jornalista da TV Folha que foi atingida no olho por uma bala de borracha disparada por algum membro soberbamente corajoso da Tropa de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Digo soberbamente corajoso, de uma bravura olímpica, até, porque, como Giuliana conta em postagem no Facebook, não foi uma "bala perdida", mas um tiro mirado, calculado. Então, imagine: você um soldado treinado, armado, contando com o apoio dos colegas ao seu redor. Vê uma menina pequena, magrinha (a última vez que vi a Giu, ela não devia pesar mais que 60 quilos, se tanto) de óculos, desarmada, na rua. E aí, deliberadamente, puxa a arma de balas de borracha, mira na cabeça, atira. Tem de ser muito macho, muito homem, pra fazer uma coisa dessas. Com mais testosterona que o Conan do Schwarzenegger. Ou o Hércules do Kevin Sorbo . Um verdadeiro homem honrado. Mas, enfim. Deixemos os estereótipos de gênero de lado. Como ia dizendo, conheço a Giu. Ela trabalhou comigo, ...

Pesquisa sobre ciência e tecnologia

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O quântico da consciência

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O livro Pura Picaretagem , que escrevi em parceria com o físico Daniel Bezerra , inclui um capítulo sobre consciência quântica -- a noção de que a consciência humana (ou algum tipo de "campo de consciência" imanente) afeta o comportamento das partículas subatômicas e, por tabela, o estado da realidade. Durante a fase de esboço do livro, chegamos a considerar incluir também uma discussão sobre o fenômeno inverso, o que chamo de "quântico da consciência": a hipótese de que a mente humana é tão fantabulasticamente maravilhosa que só pode ser explicada em termos quânticos. Acabamos deixando essa segunda questão de fora, no entanto, porque ela acabaria desviando demais o livro de sua linha mestra -- a física quântica, em si um assunto já complexo o bastante -- para outro tema talvez até mais cabeludo, o da natureza da consciência humana. Mas essa não deixa de ser uma tangente interessante. Há duas características da mente humana que, para muita gente, requerem algu...

Liberais e conservadores

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Gosto de me considerar um liberal. Se fosse escolher meu slogan político favorito, ele seria: "um socialista é alguém que ama tanto os pobres que está disposto a dar tudo que os outros têm para ajudá-los". Meu liberalismo me faz torcer o nariz para o crony capitalism  -- capitalismo de compadres -- brasileiro, onde para as empresas amigas do rei vale tudo e, para as outras, é a lei kafkiana de um lado e o mercado distorcido, do outro. Por falar em leis, também acho que, quanto menos delas houver, melhor. Mas meu liberalismo talvez seja meio sui generis , ao menos em relação que vejo por aí na internet: por exemplo, acho que o governo deve, mesmo, oferecer saúde pública e programas de transferência de renda. O ideal liberal é o da sociedade que permite que o indivíduo tome o maior número possível de decisões sem qualquer tipo de coação, e doença e fome são formas de coação, geralmente mais presentes, até, que a coação das armas. Para quem diz que essas coisas estimulam ...

Você acredita em tudo que vê?

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Sempre fui um fã do trabalho de Richard Wiseman , psicólogo britânico especializado no estudo do que poderíamos chamar de enganação -- ou, mais especificamente, das peculiaridades psicológicas e sensoriais que nos tornam vulneráveis a coisas como truques de mágica e contos do vigário. Já há alguns anos, ele vem exemplificando os efeitos que estuda por meio de uma série de vídeos postados no YouTube.  O vídeo mais famoso provavelmente é o da Carta Que Muda de Cor , que vou colar no rodapé da postagem, mas hoje queria chamar atenção para este aqui embaixo. Até a metade, trata-se da apresentação de um truque de mágica aparentemente banal; do meio em diante, ele mostra como o truque foi executado. É, no mínimo, uma boa lição de humildade epistemológica. Chama-se A Bola . E agora, como prometido, o clássico da Carta que Muda de Cor :

O exorcista acidental

Ao menos para quem, como eu, está olhando de fora, a fé religiosa, principalmente sob a forma de apego a uma tradição ou denominação específica, parece existir numa espécie de espectro contínuo que vai da pura superstição fundamentalista -- onde até mesmo cobras falantes são aceitas como fatos -- aos picos rarefeitos da teologia sofisticada, onde praticamente tudo se dissolve em um conjunto de metáforas mal-definidas que, como as mitologias de antigamente, embasam um certo modo de pensar e um senso de comunidade. Também, aqui olhando de fora, vejo como as pessoas que estão num dos extremos da escala adorariam poder prescindir das que se encontram no outro; mas como, de fato, as duas pontas do espectro estão firmemente amarradas uma à outra. É a teologia sofisticada que dá ao fundamentalismo o verniz de credibilidade que o distingue da superstição mais grosseira, e é a âncora fundamentalista que impede que a teologia sofisticada se dissolva de vez em mito, estética, etiqueta e vagas b...

Meu UFO dominical!

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Logo depois do almoço deste domingo, minha mulher me chamou à janela da cozinha de nosso apartamento -- moramos no nono andar -- para me mostrar um objeto não identificado no céu. Fiz uma série de fotos com o celular e, em uma delas, a coisa quase parece um urubu visto ao longe: Mas uma versão com zoom mostra que se trata de um objeto artificial, e de linhas curiosamente aerodinâmicas: Um outro quadro, mais afastado, revela uma curiosa semelhança com o design dos aviões "stealth" da Força Aérea dos EUA: Será que os gringos estavam sobrevoando Jundiaí (SP) em busca de terroristas na virada cultural? A orientação vertical do nariz da nave indica, no entanto, uma atitude mais coerente com a intenção de deixar  a atmosfera! Seria um veículo de outro planeta? Nada disso. Não passava de um engenhoso balão solar  -- um saco de plástico preto cheio de ar aquecido pela luz do sol --, como, imagino, a próxima foto deixará mais do que claro: A sequên...