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Pô, sacanearam o Besouro Verde...

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Às vezes (mais do que gostaria, para ser sincero) acabo dando à minha mulher motivo para me olhar como se eu fosse um marciano recém-caído na Terra. O mais recente foi no jantar de ontem, quando me queixei de que o filme do Besouro Verde tinha sido feito em tom de paródia. -- O cara se chama Besouro Verde e você queria um filme sério? -- disse-me ela, estupefata, um misto de espanto e piedade em seus lindos olhos azuis arregalados. Pois é. Eu queria. O personagem me intriga desde que assisti a episódios do seriado de TV com Bruce Leee e Van Williams. A ideia de um herói mascarado de sobretudo que se faz passar por gângster tem apelo, e me parecia cheia de potencial a ser realizado, à la Batman Begins , por exemplo. Ah, sim: para que não achem (como minha mulher) que estou viajando na maionese, Matt Wagner escreveu uma bela minissérie, Green Hornet: Year One , nessa mesma premissa. E, nos anos 80 e 90, Ron Fortier produziu, para a NOW Comics, uma ambiciosa saga familiar envolve...

Retrato de um sistema solar enquanto jovem

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O Instituto Max Plank de Astronomia divulgou ontem a imagem de um disco protoplanetário -- o disco ede poeira que se forma em torno de uma estrela nascente, e onde acabam surgindo os planetas. A imagem, feita com o telescópio Subaru, no Havaí, mostra, sob a forma de uma barra branca, a luz refletida pelo disco de material em rorno da estrela LkCa 15, a 450 anos-luz da Terra. A estrela em si está coberta pelo disco preto no centro da imagem, para que sua iluminação direta não ofusque a imagem do que existe nos arredores. O Max Planck fez ainda um informativo infográfico descrevendo exatamente o que se vê na imagem (as legendas, infelizmente, estão em inglês -- quando o blog for rentável o suficiente para eu contratar um editor de arte, isso não acontecerá mais, prometo). A teoria dominante, hoje, sobre formação planetária diz que mundos como a Terra ou Júpiter nascem a partir de diferenças na cocentração de matéria nesses discos: os pontos mais densos atraem mais matéria para...

Astronomia e os rumos da história

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Acho que o truque -- que já virou clichê -- foi usado pela primeira vez, na ficção, por Mark Twain em A Connecticut Yankee in King Arthur's Court : o fim de um eclipse solar é tratado como "prova", diante de um populacho ignorante, dos poderes superiores de alguém. Agora, de acordo com astrônomos da República da Georgia (parte da antiga União Soviética), algo parecido pode ter levado à adoção do cristianismo como religião oficial do país, entre o fim da Antiguidade e o início da Idade Média. O mito da cristianização da Georgia diz que o Rei Mirian, lá pelo século IV, estava caçando numa floresta quando, de repente, o Sol desapareceu. O monarca então começou a desfiar um catálogo de deuses, pedindo a cada um deles que trouxesse o Sol de volta, mas só foi atendido quando apresentou sua solicitação ao "deus de Nino" (Nino, no caso, era uma missionária cristã, depois canonizada; veja ícone ao lado). De acordo com o "paper" disponibilizado no Arxiv , a...

Saiu Assembleia Estelar!

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O editor Marcello Simão Branco me avisa que já está pipocando por aí o livro Assembleia Estelar , uma antologia de mais de 400 páginas reunindo contos de ficção científica com temática política. Além de pesos-pesados como Ursula K. LeGuin e Bruce Sterling, o livro traz trabalhos de diversos autores brasileiros (eu, entre eles). Meu conto, Questão de Sobrevivência , passa-se num futuro próximo e trata da tensão política e ética entre um movimento social e seus "patrocinadores" secretos. E contém uma dose moderada de porrada, claro, que personagem meu tem de ralar, não basta ficar choramingando solilóquios pelos cantos. (O conto foi publicado originalmente numa revista, mas o revisor fez tantas e tamanhas barbaridades com o texto que considero essa primeira versão totalmente apócrifa. Uma segunda versão saiu na antologia Tempos de Fúria , em relação à qual o texto que aparece em Assembleia tem algumas pequenas diferenças.) No momento em que escrevo, o livro ainda não se...

PM-PB vira igreja evangélica. Ou: Estado laico? Onde?

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Minha esperança é de que esta notícia , dando conta de um programa de disseminação da religião evangélica pela Polícia Militar, tenha sido inserida no site do governo do Estado da Paraíba por um hacker, mas confesso que não é uma esperança muito grande. Um excerto: "O projeto foi elaborado pelo comandante da companhia, o capitão Fabian, juntamente com o pastor e cabo Marcílio. O objetivo é usar a palavra de Deus para ajudar na diminuição da criminalidade da região. “Além da força repressiva e preventiva da Policia Militar, é necessário ir de encontro à fonte dos problemas e a orientação religiosa pode transformar vidas nestas cidades”, argumenta o capital Fabian." (...) "Segundo o pastor, com tão pouco tempo já é possível notar uma diferença dentro da companhia. “A ação foi bem aceita pelos militares e nossa expectativa é que ocorra o mesmo na sociedade, para enfim notarmos uma diferença na redução da criminalidade. Os cultos são realizados na sede da 2ª Companhia, e...

Pessimismo neutraliza até analgésico

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O pessimista tem a vantagem de nunca receber surpresas desagradáveis, diz o clichê. Mas ele pode também estar se privando de algumas coisas que, se não exatamente surpreendentes, certamente são agradáveis. Alívio da dor, por exemplo. De acordo com experimenmto descrito na edição mais recente da revista Science Translational Medicine (STM), voluntários submetidos a uma dor controlada -- com uma fonte de calor encostada na panturrilha -- receberam um fluxo de solução salina que poderia conter ou não o analgésico remifentanil. Em alguns casos, os cientistas disseram aos voluntários que a solução já estava "dopada" com o analgésico; em alguns casos, deixaram o analgésico correr sem avisar ninguém; e ainda em outros casos, disseram que seria administrada uma droga que aumentaria a dor. Pediu-se aos voluntários, ainda, que dessem uma "nota" para a intensidade da dor que sentiam, de 0 a 100. Resultado: os pacientes que tinham sido informados de que estavam recebendo o...

Para relembrar Ellery Queen, o homem-labirinto

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Terminei de reler há pouco The Greek Coffin Mistery, romance da fase clássica de Ellery Queen. Movido por uma certa nostalgia, republico aqui, com algumas poucas modificações, um artigo que havia escrito depois de ler o livro pela primeira vez, em 2006.  Jorge Luis Borges era fascinado por labirintos, e por isso não espanta que tenha se encantado com o trabalho de uma dupla de americanos, dois primos que também eram “Ellery Queen”. Quem tem o prazer de entrar em contato com a obra literária de Ellery, hoje em dia, cedo ou tarde será informado de que “Ellery Queen” foi o pseudônimo adotado por dois primos, Frederic Dannay (1905-1982) e Manfred Bennington Lee (1905-1971), para entrar num concurso de romances policiais, em Nova York, em 1928. “Ellery Queen” também é o nome do detetive que resolve o caso apresentado no livro. E isso é verdade, mas não toda a verdade. Primeiro, tanto “Frederic Dannay” quanto “Manfred B. Lee” também eram, de certa forma, pseudônimos (ou, pelo menos, ...