Big Bang, questão de fé?

Existe um argumento que volta e meia aparece reciclado em discussões online -- mais recentemente, encontrei-o no twitter, que é uma plafatorma exasperante para discutir esse tipo de coisa, já que lá todo raciocínio se reduz a uma sucessão de slogans -- que é o da boa e velha "fé na ciência". Ele assume diversas formas e, como costuma acontecer, se presta a diversos tipos de prestidigitação semântica. A linha geral, por trás da maioria dessas formas, é a de estabelecer uma espécie de situação de terra arrasada: eu acredito na minha ciência, você acredita no seu deus, e nenhuma crença é melhor ou pior que a outra, porque, no fundo, todas se baseiam em fé. O problema começa já na hora de definir o que "fé" quer dizer neste contexto -- seria confiança? crença pura e simples? ou crença irracional? Tomando "confiança" como exemplo, a situação se agrava quando tentamos definir o que se quer dizer com "confio na ciência". Isso pode significar, ...