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Mostrando postagens de Março 3, 2013

Conan Doyle para o Dia da Mulher

Minha humilde sugestão para este Dia Internacional da Mulher é a leitura de um conto de Sir Arthur Conan Doyle. Algo um tanto quanto raro em sua época, Conan Doyle tinha um grande respeito -- simpatia, até -- por mulheres trabalhadoras, como fica claro no grande número de clientes femininas de Sherlock Holmes que eram, não duquesas ou imperatrizes, mas secretárias, babás, governantas. Essa característica tinha, provavelmente, raiz autobiográfica: o pai, Charles Altamont Doyle, era um alcoólatra que passou a maior parte da vida internado, o que forçou a mãe de Conan Doyle a tomar as rédeas da família. Além disso, as irmãs do escritor acabaram, por força das circunstâncias, tornando-se jovens profissionais.

Também, é claro, não podemos deixar de notar que Holmes foi sido derrotado apenas uma única vez, nas crônicas do Dr. Watson -- e por uma mulher.

Conan Doyle escreveu muito mais do que as aventuras do Grande Detetive, no entanto. Uma de suas obras menos lembradas, hoje em dia, é a col…

A maldição de Noé, a África e os negros

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Há muita coisa a lamentar sobre a eleição de Marco Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, e muitas críticas pertinentes estão sendo feitas por gente muito mais preparada do que eu para debater a fundo a miséria da política brasileira. Da parte que me toca, o que realmente chama a atenção é o uso que o deputado-pastor (ou pastor-deputado) fez do desfecho da narrativa bíblica do Dilúvio para "explicar" os problemas atuais do continente africano e o racismo que sofrem os povos de etnia africana.

O Dilúvio bíblico é, como imagino que todo mundo que se interessa pelo assunto sabe, um "fanfic" baseado na história, inserida no Épico de Gilgamesh, de Utnaphistim, o homem que sobreviveu ao dilúvio universal provocado pelos deuses e que acabou premiado com a imortalidade.

O que menos gente talvez saiba é que a narrativa bíblica, tal como aparece no capítulo 7 do Gênese, é na verdade uma fusão de duas versões conflitantes: numa delas, Noé leva um p…

Natural, tradicional... e daí?

Informa-nos a Folha de S. Paulo de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda relaxar as regras para o licenciamento de produtos fitoterápicos: em vez de terem de comprovar cientificamente que são seguros e eficazes, os remédios baseados em plantas de "uso tradicional" teriam, apenas, de comprovar "segurança". Em outras palavras, para pôr um medicamento fitoterápico no mercado não seria mais necessário provar que ele funciona mas, apenas, que não é veneno -- ao menos, não na dose recomendada na bula.

Esse negócio de provar "segurança", mas não "eficácia", é a mesma brecha já explorada pelos vendedores de fórmulas herbais de emagrecimento que tanto colaboram com a receita publicitária das revistas femininas. Se você se der ao trabalho de ler as letrinhas miúdas no rodapé do anúncio, abaixo das pernas razoavelmente bem tornadas da obscura modelo-e-atriz em trajes de ginástica, elas dizem algo mais ou menos assim: "Este pro…