sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Em breve, na Ellery Queen Mystery Magazine

Acabo de receber o contrato para publicação de meu conto Melhor Servido Frio (da antologia Ficção de Polpa: Aventura!, Não Editora), em tradução de Cliff Landers, na Ellery Queen Mystery Magazine.  Publicada desde 1941, a EQMM é não só a mais tradicional revista de mistério em circulação no mundo, como faz parte do legado de um de meus autores favoritos -- no caso, a dupla Frederic Dannay e Manfred Lee, que assinava com o pseudônimo Ellery Queen. Já destilei minha admiração por ambos, aliás, nesta postagem.

Embora seja mais associado, como autor, ao mistério "chique" (alguns diriam, pernóstico), de autores como SS Van Dine, ou ao mistério cerebral geralmente associado a  John Dickson Carr, como editor "Ellery Queen" mostrou uma visão ampla e eclética: foi ele quem teve a iniciativa de reunir em antologia os contos do Continental Op de Dashiell Hammett, por exemplo. A EQMM também foi a primeira publicação de língua inglesa a imprimir um trabalho de Jorge Luis Borges.

Esta não é minha primeira história policial aceita por uma publicação americana: a revista Needle já havia trazido um conto meu, há um ano. Mas a EQMM é uma categoria à parte, e ter algo nela era um sonho antigo. Além disso, estrear num mercado novo -- no caso, o mercado "premium" americano de contos de crime e mistério -- sempre causa, não só alguma euforia, mas também uma certa paz interior: a sensação de que, a despeito das inúmeras provas em contrário, alguma coisa certa devo estar fazendo neste negócio de literatura, afinal.

É curioso, aliás, que o contrato tenha chegado no mesmo mês em que é lançada a antologia britânica
Tales of the Wold Newton Universe, que inclui um conto que escrevi em parceria com Octavio Aragão. Como no caso da EQMM, a antologia está ligada ao nome de um de meus autores favoritos -- no caso, o escritor de ficção científica Philip José Farmer.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Blogs de ciência em crise?

Em seu blog Gene Repórter, Roberto Takata pergunta se há uma crise nos blogs de divulgação científica do Brasil -- com base na constatação da queda no número e ritmo de postagens. Falando no caso específico aqui do meu puxadinho virtual, o fato é que boa parte do conteúdo que normalmente seria destinado ao blog acabou, nos últimos tempos, desviado para canais, graças ao Grande Pássaro da Galáxia, remunerados, como o Jornal da Unicamp (onde minha coluna Telescópio é praticamente um "digest" do que sairia no blog) e a revista Galileu, onde atuo como colunista de ceticismo.

Sou o primeiro a admitir que o trabalho aqui no blog foi importante para que eu conseguisse esses dois espaços, só que muito menos por conta da visibilidade (alguém aí?) e mais pela disciplina de trabalho e pela experiência acumulada na busca por fontes de informação. 

A maior parte dos demais blogueiros de ciência no Brasil é, imagino, composta por jovens cientistas, gente com vinte anos a menos e dois ou três títulos acadêmicos a mais que eu. Não sou, portanto, representativo da população. Mas, se me permitem um palpite, por trás dos motivos apontados pelos blogueiros que responderam à provocação do Takata -- falta de tempo, de ideias, de motivação, avanço das redes sociais -- espreita um denominador comum: falta de remuneração.

Há uma frase, atribuída ao escritor de ficção científica Bruce Sterling, que diz que, no mundo da internet, se você for realmente bom no que faz de graça na rede, cedo ou tarde alguém vai se oferecer para pagar por aquilo. O problema, como os jornais e revistas que oferecem conteúdo gratuito na rede vêm descobrindo, é como pagar as contas até que o "cedo ou tarde" chegue -- e, não menos importante, o significa ser "realmente bom", afinal.

No grande "lá fora", blogueiros de ciência como Phil Plait e Carl Zimmer  mantêm blogs dentro da estrutura de grandes conglomerados de mídia que, suponho, pagam alguma coisa pelo privilégio de hospedá-los. Posso estar sendo cínico demais, mas não imagino que nenhum dos (poucos) blogueiros de ciência abrigados nas grandes empresas nacionais de comunicação receba algum extra para blogar. E embora a ideia de a Globo.com ou o UOL pagarem para assimilar A Neurocientista de Plantão não me pareça especialmente ridícula, ela talvez soe assim para os contadores que substituíram os publishers no topo da hierarquia estratégica das empresas de comunicação hodiernas.

E por que remuneração faz falta? Porque tempo e neurônio são recursos escassos. Se você está blogando, você não está consertando a pia da cozinha, nem produzindo algo que vá ajudar a pôr comida na mesa. O que, no longo (ou mesmo médio) prazo tende a irritar o cônjuge, o estômago, ou ambos. Além disso, não há nada melhor que um deadline se aproximando e um cheque pairando no ar para resolver problemas de falta de ideias.

Numa inversão da Lei de Sterling, se você faz uma coisa bem, de graça, por muito tempo e ninguém se oferece para pagar, a tendência é passar a fazê-la ou menos bem, ou com frequência cada vez menor, que são duas formas de investir menos recursos na atividade e limitar as perdas. 

Aqui alguém poderia me lembrar de que dinheiro não é o único tipo de remuneração que existe: satisfação pessoal, sensação de dever cumprido, respeito dos pares também contam. Mas da mesma forma que fazer coisas só por dinheiro tende a produzir gente mesquinha, fazer coisas só por satisfação pessoal tende a produzir narcisistas bobinhos. E disso, a blogosfera já está cheia demais: não precisamos de divulgadores de ciência para engrossar essa gangue.

Não creio que seja uma situação fácil de resolver: não vejo ninguém disposto a pagar para que blogueiros bloguem. Imagino que, por um bom tempo ainda, os blogs de divulgação continuarão a florescer, quando feitos por jovens cheios de energia ou com um senso muito forte de missão, de "recado para dar". Conforme esse senso enfraquece, ou a Maldição de Adão -- "ganharás o pão com o suor de teu rosto" -- se instala, as postagens ficarão mais espaçadas, com alguns divulgadores profissionalizando-se em outras plataformas (jornais, revistas, televisão) e a grande maioria, partindo para outra. Meio como músicos de bandas de garagem.

Uma última palavra, agora sobre redes sociais: elas são plataformas ótimas para muita coisa, mas reflexão não me parece uma delas. Funcionam mais como caixas de comentários infinitas, mas quase sempre com referência a algum conteúdo externo -- um filme, um livro, uma série de TV e, sim, postagens de blog. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sudário de Turim, de novo

Sudário de Turim, dito “Santo Sudário”, é uma espécie de Conde Drácula da pseudociência: não importa quantas vezes seja sepultado pelas evidências, sempre retorna. Recentemente, uma exposição acrítica sobre a relíquia passou pelo Rio de Janeiro, surfando na onda da visita do papa, e depois por São Paulo.

No “Livro dos Milagres”, dedico um capítulo inteiro à tal “mortalha de Jesus”. Resumindo bem a história, há quatro linhas de evidência, independentes entre si, que mostram que o sudário é uma falsificação criada na França medieval. E existe, ainda, mais uma evidência arqueológica recente. (Leia o artigo completo no Olhar Cético do site da revista Galileu)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Guerras fomentam criação de sistemas sociais, aponta simulação

Pesquisadores dos EUA e Reino Unido criaram uma simulação de computador para testar a idéia de que a competição intensa entre grupos humanos, principalmente por meio da guerra, foi um fator fundamental para o desenvolvimento de grandes Estados e sistemas sociais ao longo da história. O modelo foi construído com base em características físicas do Velho Mundo, entre 1500 aC e 1500 dC. Sobre essa paisagem virtual foram espalhados robôs de software, ou “células”, dotados de um “genoma cultural” composto por leis e instituições. (Mais sobre esse assunto e outros, além de uma foto de gatinho, na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp)