quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um mês antes do Natal, chega o Livro dos Milagres

Juro que não foi de propósito: era pra ter saído em outubro, na verdade. Mas o fato é que O Livro dos Milagres, meu primeiro livro de história-ciência-ensaio-reportagem será lançado em 23 de novembro, pouco mais de um mês antes do Natal. Como ele inclui um capítulo sobre partenogênese em mamíferos e nascimento virgem, há algo de especialmente adequado nisso.

Os eventos de lançamento já marcados são:



23/11 - 19 horas

LIVRARIA CULTURA - SHOPPING MARKET PLACE
Av. Dr. Chucri Zaidan, 902
04583-903 - Vila Cordeiro - São Paulo - SP


28/11 - 19 horas

LIVRARIA CULTURA - SHOPPING CENTER IGUATEMI CAMPINAS
Av. Iguatemi, 777 - Lojas 04 e 05 - Piso 1
13092-902 - Vila Brandina - Campinas - SP


Há ainda a intenção de fazer algo no Rio de Janeiro, cidade-sede da editora Vieira & Lent e onde tenho um bom grupo de amigos e colegas de lides literárias, mas essa data não está definida, ainda. Abaixo, capa, a folha de rosto e uma visão do conjunto capa-quarta capa:







Como deve ter dado para notar, este é um livro onde o título e o nome do autor só aparecem na capa de trás, à la os créditos do filme Miami Vice. O que diz muita coisa não só a respeito da criatividade do pessoal da editora, da ousadia do lançamento e, por último mas de modo algum menos importante, sobre a minha inenarrável modéstia, certo?

Eu já havia divulgado o índice do livro aqui no blog há alguns meses, mas não custa repetir:

1. O problema dos milagres
2. Abrindo o Mar Vermelho
3. Visões e êxtases
4. O nascimento virgem
5. Ressurreição
6. O Sudário de Turim
7. Relíquias de sangue
8. Aparições de Maria
9. O fenômeno de Lourdes
10. Aparições e segredos em Fátima
11. Padre Pio e seus estigmas
12. O poder da oração
13. Falando em línguas
14. Cura pela fé
15. Milagres pagãos
16. Possessão demoníaca
Posfácio: Mas você tem certeza?

Que mais? Ah, sim: o livro amplia e consubstancia assuntos tratados de modo mais ligeiro neste blog, como por exemplo em Vamos estudar a Bíblia?, ou em Possessão demoníaca, exorcismo e ignorância. Como de praxe, espero todos lá -- vamos, gente, são duas oportunidades já confirmadas, uma no interior paulista e uma na capital, de olhar na minha cara e dizer exatamente o que vocês pensam deste blog. Imperdível! 

Deixo a dica de que cada um compre um exemplar para si mesmo e outro para aquele primo seboso que vive lhe empurrando goela abaixo as pérolas de sabedoria do Gabriel Chalita e do Padre Marcelo. Quem sabe? Ele pode até gostar!

A física da água congelada, em detalhes

Como uma gota de água se congela? O belo vídeo abaixo, da Gallery of Fluid Motion 2012, mostra o processo. Ele acompanha um artigo científico que está publicado no Arxiv, para os interessados nos detalhes técnicos. Você não precisa ter uma paixão esotérica por mecânica dos fluidos para apreciar a beleza do fenômeno, no entanto. É só olhar. Mas entender um pouquinho de inglês ajuda!



 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dióxido de carbono é um poluente?

Uma coisa que sempre me impressionou é a tendência que as pessoas -- a maioria? -- têm de se perder em discussões de terminologia. Nada contra definir os termos do debate com clareza (sem essa definição, toda conversa tende a se tornar circular), mas discutir terminologia é uma outra coisa: é não discutir o conteúdo da definição, e sim  seu nome.

Ou seja, não é a questão de se, quando falamos "carro", estamos ambos nos referindo a um veículo terrestre sobre rodas dotado de um motor de combustão interna, mas sim se "carro" é um nome adequado para um veículo terrestre sobre rodas dotado de um motor, etc., etc.

A primeira questão pode ser relevante numa série de contextos (e se eu estiver me referindo, na verdade, a um carro elétrico, ou a um vagão de trem?), mas a segunda é apenas uma questão de convenção. Poderíamos concordar em chamar o veículo de que estamos falando de "gurundu", e isso não faria a menor diferença para a conversa.

Shakespeare talvez tenha intuído isso quando escreveu que "uma rosa, sob qualquer outro nome, exalaria o mesmo perfume".

Claro, alguém poderia fazer o favor, neste ponto, de nos lembrar de que as palavras em geral não são neutras, e que a escolha de termos pode alterar, sutilmente, o rumo de um debate, por conta das implicações emocionais e inconscientes que cada palavra traz.

A linguagem é, sob esse aspecto, "carregada"; as palavras "têm bagagem". Daí os infindáveis embates sobre o uso de "manifestante" ou "vândalo", "militante extremista" ou "terrorista", por exemplo.

Mesmo reconhecendo que as palavras têm uma carga, no entanto, muito da grita que se faz a respeito de terminologia só serve para obscurecer as questões de fundo e exaltar os ânimos. Gerar, enfim, mais atrito do que luz.

Muito da energia gasta discutindo se jovens que saem às ruas para queimar carros e quebrar vitrines merecem ou não o epíteto de "vândalos" seria melhor empregada na busca pelas causas e motivos do vandalismo (ou da "manifestação", como se queira). Pode-ser argumentar que encarar o evento como "vandalismo" já enviesa a apuração dos fatos, mas até aí, "manifestação" faz o mesmo. Todo olhar inicial embute uma visão limitada da realidade, afinal. E é exatamente por reconhecer isso que sabemos que investigações são necessárias.

A ideia de que a terminologia molda a realidade é verdadeira até certo ponto, mas muitas vezes parece ser levada a extremos que beiram uma espécie de reverência supersticiosa pelas palavras, como no caso das pessoas que evitam dizer "câncer" ou "azar", ou nos demônios que não revelam seus verdadeiros nomes para não serem controlados por magos ardilosos.

Essa obsessão com termos e nomes costuma ser associada a uma versão especialmente caricatural do discurso de esquerda, mas outras forças já aprenderam a jogar o mesmíssimo jogo.  Como no caso do aquecimento global. Não sei se é impressão minha, mas parece que está ficando cada vez mais comum encontrar, em caixas de comentário por aí, "céticos" da mudança climática vituperando contra o "absurdo de se tratar o CO2 como um poulente".

Afinal, como o dióxido de carbono poderia ser um poluente? Plantas precisam dele! A vida como a conhecemos precisa dele! E assim por diante. Essa linha de argumento se tornou mais comum depois que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA decidiu classificar as emissões de CO2 como um perigo para o bem-estar humano.

Rigorosamente, o argumento deixa de ser sobre  a realidade do aquecimento global de origem antrópica, e se torna um argumento sobre a conveniência do uso da palavra "poluente".

Mas a questão, é claro, quase nunca é tratada de modo rigoroso; o que se tenta é construir um sofisma que vai do "absurdo" de se considerar poluente uma substância que é essencial para a vida à conclusão de que regular emissões de CO2 é besteira.

O fato, no entanto, é que as pessoas que acham que "poluente" é uma palavra pesada demais para o pobre dióxido de carbono são livres para aparecer com um termo melhor; mas que o mundo não vai parar de esquentar por causa disso.

Por fim, é sempre bom relembrar Paracelso, que mais ou menos na época em que o Brasil estava sendo descoberto sentenciou que "todas as coisas são venenosas, e nada está livre de veneno; apenas a dose permite que uma coisa não seja venenosa".