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Mostrando postagens de Outubro 2, 2011

O(s) problema(s) do mal

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Para dar continuidade à série (informal e indefinida) sobre os argumentos clássicos do debate entre teísmo e ateísmo, depois de tratar da favelização do inefável, nada melhor que trazer à baila o Problema do Mal.

A palavra "problema" pressupõe que a existência de mal e de sofrimento no mundo é, de certa forma, embaraçosa para quem defende uma concepção mais ou menos clássica de Deus.

Nessa concepção clássica, a suposta entidade divina é entendida como um agente (isto é, um ser dotado de propósitos, intenções e que atua no mundo de forma coerente com esses propósitos e intenções) onipotente, criador e sustentáculo do Universo, infinitamente bom ("onibenevolente"), que ama e se interessa profundamente por suas criaturas.

A formulação mais comum do problema é o chamado Paradoxo de Epicuro: Ou Deus quer acabar com o mal e não pode, e portanto não é onipotente; ou pode e não quer, e portanto não é bom.

A resposta-padrão a esse desafio é o que gosto de chamar de Saída à R…

Universo em expansão acelerada leva o Nobel

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Acho que, a esta altura, todo mundo que se interessa pelo assunto já sabe que o Nobel de Física foi para os autores da descoberta da expansão acelerada do Universo.

O que eu queria partilhar com vocês é outro desses momentos "meninos, eu vi" que acontecem cada vez mais deste lado da barreira dos 40 anos; ou, basicamente, o que acho -- acredito, suponho, imagino, mas talvez até esteja errado -- tenha sido a primeira notícia online sobre o assunto em língua portuguesa. E que fui eu que escrevi. Graças ao web archive, você pode ver a reprodução da página neste link.

(Acrescentado mais tarde)


Relendo o texto de meu alter-ego de 13 anos atrás, encontro algumas coisas que me fazem torcer o nariz -- a menção a um "centro hipotético da criação", por exemplo (de fato, o Big Bang não fez o Universo se expandir a partir de um lugar, já que ele criou todos os lugares também).

Outras coisas, como a noção de que o Big Bang representou uma criação ex nihilo ("a partir do …

Fé e saúde: vamos aos fatos, por favor...

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Depois da Veja, chegou a vez da Folha correr atrás do trio elétrico do "tratamento espiritual" do ator Reynaldo Gianecchini. Se, por um lado, o texto publicado na edição deste domingo da FSP(linkado acima)  tem o mérito de quebrar um velho vício da mídia brasileira -- o de privilegiar as doutrinas do catolicismo sobre as de todas as demais religiões praticadas no país -- ele o quebra, a meu ver, do jeito errado, estendendo às crenças espíritas o mesmo grau de suspensão do senso crítico de que já gozam as supostas aparições Maria e os alegados milagres de Frei Galvão, Irmã Dulce e João Paulo II.

(Imagino até onde irá esse espírito de cortesia para com as crenças alheias. Será que um dia leremos, numa publicação que se pretende de primeira linha, algo como "Fazer trabalho para amarrar o amor funciona? Quanto a isso, não há consenso, nem mesmo entre as feiticeiras que leem tarô cigano...", ou "Ditadura de partido único funciona? Quanto a isso, não há consenso nem…