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Mostrando postagens com o rótulo astrobiologia

Alienígenas ecoterroristas ameaçam a Terra?

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Semana passada foi marcada pelo bafafá em torno deste paper , uma revisão de cenários a respeito de um eventual contato entre a Terra e inteligências extraterrestres. O trabalho explora diversas possibilidades -- todas, em princípio, de baixo nível de probabilidade, mas algumas mais baixas (ou muito mais baixas) que outras -- e menciona a ideia de que as mudanças abruptas no ecossistema terrestre podem chamar a atenção de uma civilização alienígena. Mais precisamente, lá pela página 21 (de um total de 28, sem contar as mais de dez páginas de referências bibliográficas) os autores lançam a seguinte hipótese: O aumento na concentração de CO2 na atmosfera da Terra altera a assinatura espectrográfica do planeta (em linhas gerais, uma mudança no equilíbrio dos gases que compõem nossa atmosfera faz com que o planeta passe a ter uma "cor" diferente) e essa mudança pode ser captada pelos instrumentos de astrônomos ETs. A partir daí, surgem dois cenários desagradáveis: (a) Ess...

Zona habitável... da galáxia?

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Acho que todo mundo já está meio careca de ouvir falar no conceito de "zona habitável" de um sistema solar: a região, em torno da estrela central, onde a temperatura na superfície de um planeta permite a existência de água (ou algum outro solvente viável) em estado líquido. Menos conhecidas, porém, são as críticas à ideia de zona habitável, que chamam a atenção para a estreiteza do conceito baseado exclusivamente na distância estrela-planeta, já que uma série de outros fatores (densidade atmosférica, por exemplo) podem afetar a capacidade de um planeta conter líquidos viáveis para a vida. Outra tipo de crítica, de caráter mais filosófico, lembra que "vida" pode ser um fenômeno muito mais sutil e/ou complexo do que imaginamos, existindo em formas e condições que, hoje, nos parecem impossíveis. (Para ser justo, é preciso dizer que a maioria dos cientistas que trabalham buscando vida extraterrestre está perfeitamente consciente das limitações do conceito: o que ...

Bactérias em meteoritos? Esperemos para ver

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O pesquisador Richard Hoover, da Nasa, acredita ter encontrado sinais de que  bactérias viveram no interior de pelo menos três meteoritos -- quando esses meteoritos ainda eram parte de asteroides girando pelo espaço. A hipótese e as evidências oferecidas em apoio não foram publicadas numa revista científica de grande prestígio, no entanto, e sim no Journal of Cosmology , uma publicação online conhecida por dar apoio a propostas altamente especulativas, quando não francamente visionárias, e talvez não num bom sentido (como esta tentativa de desprovar o Big Bang ). Em comparação, a possibilidade de o meteorito marciano ALH 84001 conter traços de vida extraterrestre foi apresentada, em 1996, na revista Science , um dos mais ortodoxos meios de divulgação de ideias e estudos científicos -- e a autenticidade da descoberta ainda é debatida até hoje, com novos argumentos em torno da questão tendo sido apresentados em 2009 . Assim como no caso de ALH 84001, a tese de Hoover depende de...

Pois é, então redescobriram o vídeo do óvni em Jerusalém...

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Há alguns dias (vários dias, na verdade), eu soltei um link no Twitter sobre o desmascaramento de um vídeo forjado que supostamente mostrava um objeto voador não-identificado flutuando sobre a Esplanada das Mesquitas em Jerusalém. Mas, como na internet os boatos nunca morrem (pelas minhas contas, ao longo de dez anos escrevi sete matérias desmentido a história do "livro didático americano que diz que a Amazônia pertence à ONU"), eis que o vídeo não só volta a dar o ar de sua graça como chega ao "mainstream" da mídia brasileira, graças aos inestimáveis préstimos da agência EFE -- como se pode conferir  aqui e aqui . (Se um dia nos encontrarmos numa mesa de chope, lembre-se de me embebedar e depois pergunte-me sobre a experiência de tentar manter um canal online sério de ciência tendo por base o material da EFE e da BBC.) Mas, enfim: Phil Plait, o BadAstronomer , tem uma postagem de 9 de fevereiro em seu blog explicando como o primeiro vídeo foi falsificado . Um...

Zona habitável: habitável para quem?

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Creio que a primeira crítica contundente ao conceito de "zona habitável" que encontrei estava no livro What Does a Martian Look Like? The Science of Extraterrestrial Life , escrito em parceira pelo biólogo Jack Cohen e pelo matemático Ian Stweart. O conceito de zona habitável é bem simples: a faixa em torno de uma estrela onde há energia suficiente para sustentar a existência de água em estado líquido. O espaço entre a estrela e o início dessa zona seria quente demais para a vida; o espaço além do término da zona, excessivamente frio. Cohen e Stewart chamam a atenção para o fato de que essa definição é simplista demais. Mesmo aceitando a ideia de que água em estado líquido é fundamental para a vida, a intensidade da radiação estelar pode não ser o fator fundamental aí. Um exemplo claro é o papel dióxido de carbono e de outros gases do efeito estufa: com uma atmosfera mais densa, Marte poderia ter oceanos; com uma atmosfera menos densa, Vênus poderia ter um clima ameno....

Planetas, planetas à mancheia!

Óquei, então o observatório espacial Kepler da Nasa encontrou mais de 1.000 candidatos a planeta fora do sistema solar. Esta notícia não é exatamente novidade (anda rolando por aí desde a semana passada) e também é preciso dar o devido desconto ao senso de marketing um tanto quanto megalomaníaco que parece ter se apossado da Nasa de uns tempos para cá -- eu mesmo preferi blogar apenas a respeito das descobertas no sistema Kepler 11 -- já que o milhar se refere a candidatos , e mesmo a Enciclopédia de Planetas Extrassolares ainda mantém o total de mundos descobertos em cerca de 500 , mas não dá para deixar passar batido o infográfico animado abaixo: Kepler Exoplanet Candidates from blprnt on Vimeo . Criado por Lee Billings e Jer Thorp , ele apresenta todos os candidatos a planeta já encontrados pelo Kepler, dispondo-os como se estivessem no nosso sistema solar, o que permite comparações com a Terra, Júpiter, Marte e Vênus. (Ah, sim: o ideal é assistir à animação em tela ch...

Perfuração do lago Vostok para a 29,53 metros

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A revista Nature acaba de informar, via Twitter, que a perfuração rumo ao Lago Vostok -- um dos últimos ambientes isolados da Terra -- foi interrompida no último dia, 5 quando faltavam 29,53 metros. O Vostok fica relativamente perto do polo sul. Eu já bloguei sobre o lago , mas abaixo vai um pouco de background: Com uma área de 15.000 km² -- o tamanho aproximado do País de Gales -- e uma profundidade máxima de cerca de 800 metros, o lago fica a 1.300 km do polo sul. O lago está isolado do resto do mundo há 15 milhões de anos, mas (diz a Wikipedia) é possível que o lento deslocamento da capa de gelo da Antártida faça com que a água do lago seja trocada a cada 13 mil anos. Um dos principais objetivos da perfuração é, claro, procurar por sinais de vida, presente ou passada. Uma massa de água isolada por gelo há milênios é a situação existente, por exemplo, em Europa, uma lua de Júpiter tida como candidata a abrigar vida. A perfuração foi interrompida por conta da aproximação do i...

Mars500 entra 'em órbita' de Marte

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A missão Mars500, uma espécie de Big Brother high-tech que simula uma viagem a Marte, acaba de entrar "em órbita" do planeta vermelho. Embora a nave Mars500 não tenha escotilhas (qual a graça de ver o laboratório em volta do simulador?), eles têm telas onde aparece uma simulação de Marte gerada pelo software Celestia (que você pode baixar de graça ). Os astronautas farão o "pouso" em Marte no próximo dia 12. A missão usa o mesmo esquema do programa Apollo, com um módulo que permanece em órbita e outro que que faz o desembarque dos astronautas. Confesso que tenho sentimentos conflitantes a respeito da Mars500. Por um lado, a ideia toda parece bem legal, mas por outro -- para que diabos isso serve? Digo, se o propósito é testar como seres humanos se comportam em situação de confinamento e estresse por longos períodos, um estudo muito mais realista seria ver como se saem as tripulações de inverno das várias estações científicas mantidas na Antártida. Com a vanta...

Descoberta estrela semelhante ao Sol com sistema de 6 planetas

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O telescópio espacial Kepler encontrou uma estrela Tipo G -- isto é, do mesmo tipo que o Sol -- que é orbitada por seis planetas, dos quais dois (Kepler-11b e Kepler-11f) têm tamanho comparável ao da Terra, embora sejam maiores e fiquem muito próximos de sua estrela: 9% e 25% da distância que existe entre a Terra e o Sol. Mercúrio, em comparação, fica a uma distância que é 40% da que existe entre nós e o astro. Kepler-11b tem quase cinco vezes a massa da Terra, mas é menos denso; os autores do artigo que descreve a descoberta, publicado na revista Nature , sugerem que esse mundo é dominado por material líquido, como Urano e Netuno, e uma atmosfera de hidrogênio e hélio, embora não descartem a possibilidade de um núcleo sólido de rocha e metal. Estando tão próximo de sua estrela, 11b deve estar perdendo atmosfera muito depressa (bem como seu vizinho imediato, Kepler-11c, que é o de maior massa do sistema, com 13 massas terrestres, e que também deve se assemelhar a Urano e Netuno ...

Moléculas da vida são selecionadas no espaço?

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Uma das coisas mais estimulantes da ciência é a forma como novas informações podem alterar a maneira pela qual antigos dados são interpretados. Veja, por exemplo, a relação entre a quiralidade dos aminoácidos e a ideia de que os ingredientes da vida podem ter chegado à Terra vindos do espaço. Ainda comigo? Bom ver que os leitores do blog não temem polissílabos. Por partes: aminoácidos são moléculas que, ligadas em cadeia, formam proteínas. Proteínas, por sua vez, são as principais moléculas que formam e que trabalham no seu corpo, e que formam e trabalham nos corpos de todos os demais seres vivos. (Por falar nisso, quando um comercial de cosmético ou suplemento alimentar diz que o produto anunciado contém "aminoácidos essenciais", ele não está oferecendo nada que você não possa obter de um modesto bifinho.) Sobre a quiralidade: a palavra tem a mesma raiz de  quiromancia , a empulhação   arte de ler o futuro na palma da mão, o grego chéri , que significa, adivinhe só...

O planeta habitável que talvez não esteja lá

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No ano passado, em plena corrida eleitoral, escrevi uma matéria que, durante algumas horas, foi a mais lida de todo o estadão.com.br, superando até mesmo o circo Serra/Dilma: tratava-se da descrição da descoberta de Gliese 581g , um planeta com cerca de 4 vezes a massa da Terra e que é potencialmente habitável. Mas, como dizem os latinistas, sic transit gloria mundi : algum tempo depois, a existência do planeta foi posta em dúvida por outra equipe de astrônomos (o que também noticiei dilgentemente ). Vários meses mais tarde, análise estatística feita por um terceiro astrônomo, não envolvido com nenhuma das duas equipes anteriores, sugere que a chance de Gliese 581g realmente existir é de parcos 0,002%. Situação que deve deixar muita gente coçando a cabeça. Digo, como é possível não ter certeza de se um planeta existe? Essas coisas são enormes, e Gliese 581g é maior que a Terra , ora bolas. Uma coisa é não saber onde estão as chaves de casa, outra é perder uma massa equivalente a...

Cientistas se aproximam de lago isolado há 15 milhões de anos

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O website da revista Nature traz uma excelente reportagem sobre a corrida de cientistas russos para perfurar os últimos 40 metros dos cerca 4 km de gelo que separam a superfície do continente antártico das águas do Lago Vostok, um dos últimos ambientes do planeta Terra ainda intocados por mãos humanas. Com uma área de 15.000 km² -- o tamanho aproximado do País de Gales -- e uma profundidade máxima de cerca de 800 metros, o lago fica a 1.300 km do polo sul. O lago está isolado do resto do mundo há 15 milhões de anos, mas (diz a Wikipedia ) é possível que o lento deslocamento da capa de gelo da Antártida faça com que a água do lago seja trocada a cada 13 mil anos. Um dos principais objetivos da perfuração é, claro, procurar por sinais de vida, presente ou passada. Uma massa de água isolada por gelo há milênios é a situação existente, por exemplo, em Europa, uma lua de Júpiter tida como candidata a abrigar vida. (Antes que você imagine um monstro como o do filme O Enigma do Outro ...

Será que os ETs também precisam conhecer Jesus?

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No começo da semana, bloguei sobre a mais recente edição da revista científica britânica Philosophical Transactions of the Royal Society A, que é toda dedicada à questão da busca da vida fora da Terra e dos possíveis impactos de um resultado positivo na cultura e na sociedade. Um artigo que cheguei a mencionar, mas que não discuti em detalhe foi o sobre ETs e religião, escrito por Ted Peters. Peters apresenta os resultados de uma pesquisa de opinião que fez com fiéis de várias denominações cristãs, a respeito do impacto potencial que a descoberta de vida alienígena teria em suas crenças. Ele descobriu que a maioria das pessoas acha que a existência de vida fora da Terra não enfraqueceria a convicção religiosa. A tabela abaixo mostra o tipo de resposta dado pelos entrevistados à questão "A descoberta confirmada de uma civilização alienígena iria de tal forma contra minhas crenças que minhas crenças entrariam em crise": Fica claro que a maioria dos cristãos discorda, o...

Estamos sozinhos no Universo?

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Há mesmo motivos para acreditar que os ETs têm de ser diferentes de nós? Qual será o efeito da descoberta de vida extraterrestre sobre as religiões do mundo? Como medir o impacto da descoberta de vida alienígena sobre a sociedade humana? Essas são algumas das questões tratadas na edição mais recente da revista científica Philosophical Transactions of the Royal Society A , publicada pela Royal Society do Reino Unido. A edição (cujo conteúdo está inteiramente disponível online ), é toda dedicada à busca de vida e inteligência fora da Terra. Com mais de uma dúzia de artigos, cobre um belo terreno e paga um simpático tributo à ficção científica. No editorial, por exemplo reconhece-se que “a imaginação, no entanto, não deve ser subestimada como um meio valioso de levar o conhecimento rumo a novas fronteiras (...) também é importante que o público em geral tenha tido a oportunidade de refletir sobre o assunto”. Arthur C. Clarke e Gene Roddenberry, entre outros, agradecem, penhorados. E...