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Vampiros e lobisomens, de verdade

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Mitologia é uma coisa engraçada. Mitologia acelerada pela indústria pop, então, nem se fala. O pensamento me ocorreu outro dia enquanto, zapeando a TV por assinatura, assisti aos primeiros minutos de Anjos da Noite , um filme sobre guerra entre vampiros e lobisomens. O que, se você é muito mais novo do que eu, provavelmente remete à saga Crepúsculo . Ou, se você é só um pouco mais novo que eu, remete ao World of Darkness do RPG Vampire e derivados. (Aliás: meninos, eu vi. A primeira entrevista jornalística em inglês que fiz foi com Mark Hein-Hagen, o criador do Vampire , no Parque do Ibirapuera, imagino que lá se vão uns 20 anos. O texto existe em alguma edição histórica do fanzine Panacea : revire os sebos, se quiser -- não creio que esteja online). Agora, se você tem a minha idade, vampiros versus lobisomens remete à capa do gibi que ilustra esta postagem; e se você é um maníaco comparável a mim, talvez se lembre dos estertores da saga de horror da Universal, nos anos 40, quan...

Pô, sacanearam o Besouro Verde...

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Às vezes (mais do que gostaria, para ser sincero) acabo dando à minha mulher motivo para me olhar como se eu fosse um marciano recém-caído na Terra. O mais recente foi no jantar de ontem, quando me queixei de que o filme do Besouro Verde tinha sido feito em tom de paródia. -- O cara se chama Besouro Verde e você queria um filme sério? -- disse-me ela, estupefata, um misto de espanto e piedade em seus lindos olhos azuis arregalados. Pois é. Eu queria. O personagem me intriga desde que assisti a episódios do seriado de TV com Bruce Leee e Van Williams. A ideia de um herói mascarado de sobretudo que se faz passar por gângster tem apelo, e me parecia cheia de potencial a ser realizado, à la Batman Begins , por exemplo. Ah, sim: para que não achem (como minha mulher) que estou viajando na maionese, Matt Wagner escreveu uma bela minissérie, Green Hornet: Year One , nessa mesma premissa. E, nos anos 80 e 90, Ron Fortier produziu, para a NOW Comics, uma ambiciosa saga familiar envolve...

Além da Vida: mediunidade ou leitura a frio?

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Aproveitando o feriado paulistano, hoje vou falar um pouco de cinema. No domingo, fui assistir a Além da Vida ( Hereafter ), de Clint Eastwood, com Matt Damon. Artisticamente é um ótimo filme, com uma fantástica direção de atores e cenas de cortar o coração. Psicologicamente, é uma exploração delicada dos sentimentos das pessoas que perdem entes queridos. Já em termos filosóficos -- e científicos -- o filme é um tanto quanto dúbio: ficamos sem saber até que ponto estamos vendo as convicções do diretor (e/ou do roteirista) refletidas na tela, ou até que ponto somos apenas observadores neutros de uma série de eventos na vida dos personagens, apresentados da forma como os personagens os interpretam. O personagem de Matt Damon é um homem seriamente convencido de que tem o poder de falar com os mortos, e uma cientista consultada pela jornalista Marie LeLay (interpretada por Cécile de France) diz que a constância das imagens das experiências de quase-morte (luz intensa, etc.) sugere q...