quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Desigualdade evidente destrói cooperação

A nota abaixo está no miolo do Telescópio, minha coluna no Jornal da Unicamp. Resolvi destacá-la aqui, na íntegra, porque acho que há um tesouro sócio-psicológico-econômico-interpretativo escondido nesse estudo:

A visibilidade da riqueza agrava as consequências nefastas da desigualdade econômica, de acordo com simulação descrita na edição mais recente da revista Nature. Os autores, da Universidade Yale, realizaram um jogo de “bens públicos” – em que os jogadores recebem um capital inicial e são convidados a contribuir, com parte dele, para uma bolsa que depois será partilhada por todos – com mais de 1.400 voluntários.

Além de controlar os diferentes graus de riqueza inicial dos participantes, criando redes sociais com três níveis diferentes de desigualdade, correspondentes a índices Gini de zero, 0,2, e 0,4 (para comparação, o Gini brasileiro, em 2012, era de 0,527, segundo o Banco Mundial), os autores manipularam também a visibilidade da riqueza: se cada jogador poderia, ou não, saber quanto capital havia sido dado a seus vizinhos de rede.

“Mostramos que a visibilidade da riqueza facilita as consequências negativas da desigualdade inicial – em situações inicialmente mais desiguais, a visibilidade da riqueza levou a desigualdade ainda maior (...) tornar a riqueza visível tem consequências negativas para o bem-estar, gerando níveis menores de cooperação, interconexão e riqueza”, diz o artigo.