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Mostrando postagens de Julho 3, 2011

E agora, Nasa?

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Nesta sexta-feira pela manhã, salvo algum impedimento de última hora (com os ônibus espaciais, nunca se sabe), o Atlantis partirá na última missão a ser realizada por um tipo muito específico de nave tripulada, o ônibus espacial.

Em uso há 30 anos, os ônibus espaciais representaram duas mudanças drásticas -- e, pelo que o julgamento da história indica até agora, erradas -- no conceito de nave espacial existente no mundo real, aproximando os veículos de verdade de seus correspondentes no mundo da ficção científica.

Assim como as naves criadas pelo Professor Zarkov para Flash Gordon (ou como a Millenium Falcon de Guerra nas Estrelas), os ônibus unem carga e tripulação num mesmo veículo, e são reutilizáveis. A ideia básica era reduzir custos, mas o efeito final foi o de multiplicar riscos, pondo vidas humanas na linha de fogo a cada lançamento de satélite. Isso não seria um problema se as naves fossem realmente seguras -- o que provou não ser o caso.

Além disso, os ônibus espaciais são e…

Outdoors ateus em Porto Alegre, graças a Deus!

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Depois de uma longa série de rejeições em várias cidades brasileiras, a campanha de outdoors da ATEA finalmente encontrou uma capital civilizada o suficiente para acolhê-la: Porto Alegre. Aí os gaúchos ficam se sentindo superiores ao resto do Bananão, e ninguém entende o motivo. Olha ele aí em cima.

Sei que muita gente torce o nariz para esse ateísmo, digamos, "in your face", exibicionista, loquaz -- estridente, diriam alguns. Amigos cuja opinião respeito queixam-se de que esse "novo ateísmo", ou "ateísmo afirmativo", acaba sendo tão chato, inoportuno, pentelho, etc., quanto o proselitismo religioso. Será que as pessoas não seriam mais felizes se, simplesmente, parássemos de encher o saco uns dos outros com metafísica?

Por mais que eu possa simpatizar com a opinião expressa no parágrafo acima, ela deixa de levar em conta dois fatores -- talvez os fatores -- fundamentais: primeiro, a religião é estruturalmente incapaz de respeitar uma trégua do tipo; ela …

Infinito em todas as direções

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Estou terminando o primeiro quinto do livro de Sean Carroll sobre a natureza do tempo,From Eternity to Here: The Quest for the Ultimate Theory of Time (adquirido por indicação do físico Daniel Bezerra). Além de estar me divertindo com o estilo do autor e -- ao menos por enquanto -- discordando de algumas ideias dele sobre a entropia no instante do Big Bang, acabei me identificando com uma dificuldade que ele diz ter, a de enfrentar o preconceito das pessoas em aceitar a possibilidade de um passado infinito.

Existem dois argumentos clássicos contra a ideia de que o tempo passado possa se prolongar indefinidamente. Esses não são necessariamente argumentos teístas, mas como eles levam à conclusão de que o passado tem de ter começado num determinado ponto, deixando em aberto a questão de o que teria causado esse começo, a turma do "Deus das Lacunas" adora se agarrar a eles.

O primeiro, que é o que Carroll encara no livro, é o de que, se o passado é infinito, então um tempo infin…