sábado, 21 de dezembro de 2013

Retrospectiva pessoal: 2013


Não sou de fazer retrospectivas autobiográficas, mas este ano foi tão excepcional que não resisti à tentação de tirar a foto acima -- que reúne, digamos, o "resíduo material" dos avanços de 2013. Começando no sentido horário, o primeiro, acima e à esquerda, é o volume Tales of the Wold Newton Universe, antologia-tributo a Philip José Farmer, publicada pela editora britânica Titan e nque incui meu conto, escrito em parceria com Octavio Aragão, The Last of the Guaranys. O segundo é o Prêmio Argos de ficção científica curta de 2012, concedido ao meu conto No Vácuo, Você Pode Ouvir o Espaço Gritar, publicado pela editora Draco como parte da antologia Space Opera 2, de Hugo Vera e Larissa Caruso,  e relançado como e-book solo.

O terceiro, abaixo e à direita, é Pura Picaretagem, meu segundo livro de não-ficção e o primeiro escrito em parceria, com o físico carioca Daniel Bezerra. Dos mais de 30 livros em que, segundo o Skoob, tenho alguma participação, como autor ou coautor, este é o que mais repercussão alcançou: já recebi respostas positivas de físicos, filósofos e, nosso público-alvo fundamental, gente inteligente e curiosa. Ele também abriu algumas portas, transformando-me, em pelo menos duas ocasiões, de jornalista, em fonte. E é o que anda vendendo melhor, também.

O quarto item é Campo Total, minha derradeira antologia de contos de ficção científica. Seu lançamento foi pessoalmente muito importante para mim, ao encerrar um ciclo de minhas preocupações literárias, mas não parece ter feito muito sentido para o público em geral. Até o momento, sei de uma pessoa que se deu ao trabalho de ler o livro, lançado no meio do ano. O que só mostra que minha aposentadoria da cena brasileira de ficção especulativa vem em muito boa hora.

Entre os livros aparece uma faixa amarela -- é minha faixa de 5º kyu de aikidô, obtida em exame realizado agora em dezembro. O 5º kyu é o primeiro acima da faixa branca, de iniciante, mas para alguém tão fisicamente inapto como sempre fui (as únicas aulas que matava na escola eram as de Educação Física), chegar aí é quase um Everest pessoal.

Outras coisas legais que aconteceram neste ano, e que não estão na foto, incluem o início da coluna de ceticismo para a revista Galileu. Esta meta -- ter um espaço periódico, remunerado, específico para publicar textos céticos -- era algo que eu perseguia há muitos anos. E, por último mas não menos importante, a adoção de Violeta, a gata de rua selvagem, que se recusou a posar para a foto junto com a faixa, o prêmio e os livros.

A principal lição que fica disso tudo, ao menos para mim, é o velho e batido clichê de que ninguém é uma ilha, ninguém consegue nada sozinho. O que, para um misantropo atávico como eu, é especialmente difícil de admitir, mas fatos são fatos. Nenhum dos objetos retratados acima teriam chegado às minhas mãos sem o esforço de outras pessoas -- e não estou falando dos correios. Refiro-me a Octavio e Daniel, que escreveram comigo; a Hugo e Larissa, que tiveram a ideia da antologia Space Opera e a energia de levá-la adiante; ao sensei Rubens, que me preparou para a troca de faixa.

E a principal inquietação com que encerro o ano é: afinal, o que tudo isso significa? Continuo acordando sempre na mesma hora, cumprindo um expediente das 8h às 17h num trabalho que, se não é desagradável, também não é o que eu realmente gostaria de estar fazendo com meu tempo produtivo -- e brigando para fechar as contas no fim do mês, pagando um plano de saúde onde os prazos de atendimento são maiores que a duração da maioria das doenças, pensando em como vou encarar a turba nas ruas e nas lojas quando chegar a hora de sair para comprar os presentes que faltam.

Se eu não tivesse nenhum dos objetos que aparecem na foto -- se não escrevesse livros, não ganhasse prêmios, não tivesse parceiros, não praticasse uma arte marcial -- minha vida seria, para todos os efeitos práticos, exatamente a mesma. Então, por quê? Vaidade? Isso, sem dúvida, faz parte. Só espero que não muito grande. Mas também há a constatação de que a vida é feita de mais coisas do que apenas "efeitos práticos", ora bolas. Há satisfação, e insatisfação, e esperança.

Que venha 2014, portanto.