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Mostrando postagens com o rótulo física

Antes do Big Bang?

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A ideia de um multiverso -- isto é, de que o que chamamos de "Universo observável", tudo que existe entre nós e o horizonte da radiação de fundo deixada pelo Big Bang, é apenas um exemplar dentre muitos (possivelmente infinitos) outros -- anda me perseguindo, ultimamente. Confesso que fui eu quem começou a persegui-la, quando peguei para ler, no início do ano, o mais recente livro de Brian Greene, The Hidden Reality: Parallel Universes and the Deep Laws of the Cosmos , que já mencionei anteriormente . Mas o conceito reapareceu, um tanto quanto inesperadamente, em The Fallacy of Fine Tunning , de Victor Stenger (que comentei aqui ). Stenger diz que Universos paralelos não são necessários para explicar o aparente "ajuste fino" das leis da natureza que permitem a existência de vida como a conhecemos, mas também não vê razão para rejeitá-los a priori . Avaliação que me veio à mente por conta de um debate que está rolando no site em inglês da Scientific American , ...

Os segredos da tigelinha budista de meditação

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Que transubstanciação, que nada: impressionante mesmo é a tigelinha budista, que canta e ferve quando é esfregada, como se vê no vídeo abaixo: "Impreessionante", claro, não quer dizer "milagroso". Cientistas estão estudando em detalhes as propriedades dessas tigelas, que podem ser vistas como sinos e cobre que entram em ressonância quando goleados ou esfregados. Em trabalho descrito na revista Nonlinearity , pesquisadores usaram alto-falantes para emitir sons nas frequências de ressonância de cinco tigelas do século V. À medida que o volume aumenta, ondas se formam na superfície da água e colidem entre si, espirrando gotas levando à aparência de "fervura". Neste link , tambpewm disponível no site ScienceNow , há um vídeo em close da superfície da água.

A falácia do ajuste fino

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Finalmente dei conta de terminar The Fallacy of Fine Tuning , do físico Victor Stenger, livro que, com o perdão do pleonasmo, "encara de frente" os argumentos de que as constantes e leis da Física parecem ter sido "escolhidas a dedo" para permitir a existência de vida inteligente baseada em carbono -- ou seja, nós. Stenger é o representante das ciências exatas no time dos "novos ateus", o grupo de personalidades públicas do mundo de língua inglesa que resolveu deixar a clássica timidez do ateísmo filosófico de lado e partir para o ataque contra as religiões. Seu livro God: The Failed Hypothesis , que trata a questão da existência do tradicional Deus judaico-cristão-islâmico como uma hipótese científica (e termina por rejeitá-la) chegou à lista de best-sellers do New York Times . Curiosamente, do grupo dos "novos ateus"  -- Dawkins, Hitchens, Dennett, Harris --, Stenger é o único que continua inédito no Brasil (ao menos, uma busca por seu nome...

Matéria escura confirmada... talvez

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Para quem gosta de debater filosofia da ciência em botequim, a matéria escura representa um prato cheio: suja existência foi sugerida, originalmente, para dar conta de uma discrepância em observações astronômicas: basicamente, as equações da física previam que, girando na velocidade que estavam, as galáxias que vemos aqui da Terra deveriam se despedaçar, como uma massa de pizza girando no dedo de um pizzaiolo louco. A gravidade das estrelas observadas simplesmente não era suficiente para manter as galáxias coesas, como a viscosidade da massa de pizza terrestre não seria páreo para um pizzaiolo kryptoniano. Postulou-se, então, que o que mantém as galáxias coesas é uma massa não observada . Mas essa matéria não poderia estar sob a forma de poeira, planetas e outros astros que não emitem luz? Cálculos cuidadosos a respeito da abundância dos átomos criados no Big Bang mostraram que não, essa matéria escura não podia ser feita do mesmo material que eu, você, a Lua ou o planeta Saturno. ...

Santo Cristal de Dilítio, capitão!

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Temo que os puristas da cultura pop torçam o nariz para o título desta postagem, que mistura dois seriados igualmente populares da década de 60, mas foi inevitável: cientistas anunciam, na revista Nature Physics , terem conseguido manter átomos de antimatéria "vivos" por 1.000 segundos. Isso dá 16,666... minutos, se alguém quiser fazer a conta. (Aliás, uma dica sobre administração de tempo: 15 minutos são aproximadamente 1% do dia. Pense nisso da próxima vez que alguém lhe pedir para esperar "só uns 15 minutinhos"). Como todo leitor de Marvel, DC ou Dan Brown sabe, partículas de antimatéria aniquilam-se ao entrar em contato com a matéria comum. Isso torna extremamente difícil estudar a antimatéria, que acaba sendo uma versão concreta do paradoxo do solvente universal dos alquimistas: se esse negócio dissolve tudo, em que vasilhame vamos guardá-lo? No caso da antimatéria, pesquisadores costumam usar armadilhas magnéticas -- campos magnéticos que confinam as par...

De onde veio este sangue todo? Uma resposta matemática

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Como qualquer fã de CSI já deve estar careca de saber, é possível determinar a direção de onde veio um borrifo de sangue prolongando o eixo maior da elipse formada pela parte bojuda das manchas. Ou, em língua de gente: se as manchas de sangue têm um formato assim:  Então a origem do sangue está na direção apontada pela parte grossa e arredondada da nódoa. Em havendo um conjunto de nódoas, a questão torna-se simplesmente um caso de ver onde os eixos prolongados se cruzam. O leitor perspicaz provavelmente já notou que esse cruzamento de linhas oferece apenas uma parte da informação necessária para localizar a origem exata do sangue: por exemplo, se as manchas estiverem todas no chão, o prolongamento de seus eixos vai indicar um ponto também no mesmo plano do piso. Pensando em termos de um sistema de coordenadas como o da figura abaixo, os eixos das manchas dão os valores de X e Y, mas não o de Z: Definir o valor de Z -- a altura de onde o sangue veio -- parece, curiosamente, s...

Por que o universo não precisa de Deus: segunda opinião

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Depois do mais recente livro de Stephen Hawking , deponta no horizonte mais uma obra afirmando que o progresso da cosmologia permite pôr Deus para escanteio. Desta vez, trata-se de um artigo que será publicado no livro Blackwell Companion to Science and Christianity , que ainda não tem data para sair, mas já está em pré-venda na Amazon canadense (e custa uma grana preta). Embora o livro ainda não tenha saído, o artigo, de autoria do astrofísico Sean Carroll, pode ser lido online . Trata-se de uma exposição acadêmica, com mais de duas dezenas de notas de rodapé. Felizmente, inscreve-se na tradição anglo-saxônica que valoriza a clareza sobre os (supostos) voos de estilo, e deixa-se ler sem dificuldade. Em artigo para o site da revista Discover , Carroll pede comentários e críticas que possam ajudá-lo a dar forma final ao texto antes que o livro vá para a gráfica. Eu não vi muito do que discordar no artigo para o livro, que inclui algumas pinceladas a respeito do papel da ideia de ...

Buraco negro no Olho de Sauron

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Não, não se trata de um crossover entre Star Trek e Senhor dos Anéis, e sim de uma imagem gerada pelo Observatório Chandra de Raios X, a saber: Descendo aos detalhes picantes: esta é uma foto da região central da galáxia NGC 4151, apelidada de "Olho de Sauron" pelos astrônomos -- depois vem gente reclamar dos estereótipos em Big Bang Theory -- localizada a 43 milhões de anos-luz de nós. Sua principal atração turística é o buraco negro ativo no núcleo. A "pupila" azul do olho é formada pelos raios-X emitido pela matéria que cai no buraco. O contorno vermelho são emissões de ondas de rádio. Mais detalhes sobre a galáxia e o buraco negro (bem como outras versões da foto acima) podem ser obtidos aqui .

Momento CSI: perícia judicial prova que pizzas são sólidas

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Enquanto os tribunais brasileiros reclamam de falta de verba e o ex-ministro do STF Eros Grau exercita seu precioso latim numa tentativa de  convencer os leitores do Estadão de que não há nada demais em o Estado brasileiro, que está constitucionalmente proibido de "estabelecer aliança" com religiões, oferecer ensino religioso e celebrar tratados com o Vaticano, o juiz James P. MacElree, do Estado da Pensilvânia, agindo com galhardia e imbuído do mais elevado espírito público, gasta dinheiro do próprio bolso para realizar uma perícia científica com consequências sísmicas:  pizzas são sólidas? A história é descrita em detalhe no blog da revista Discover , mas resumindo: um cara jogou um pedaço de pizza num carro na rua. A lei da Pensilvânia considera ilegal "arremessar objetos sólidos" nas vias públicas. A defesa do cara argumenta: mas, será que a pizza preenche os requisitos de "objeto sólido"? A sentença do meritíssimo MacElree merece ser lida na ínte...

Que tal trazer um pedaço de asteroide para a Terra?

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A Agência Espacial Europeia anunciou nesta sexta-feira quarto candidatos para uma missão que será lançada no período de 2020 a 2022. Essas quatro são as finalistas de uma lista original de 47, e apenas uma será efetivamente implantada. Há algum tempo, vinha sendo feito um lobby em defesa de uma missão para os gigantes gelados do sistema solar (Netuno e Urano), mas nenhuma das quatro tem esse perfil. Parafraseando Newton, como espécie ainda somos crianças colecionando conchinhas nas praias do Desconhecido. O problema é que agora temos uma boa ideia de onde as melhores conchas devem estar – mas não temos dinheiro para ir buscá-las todas. As missões finalistas são: Observatório de Caracterização de Exoplanetas : projeto dedicado a caracterizar a atmosfera de planetas localizados fora do sistema solar, incluindo a determinação de sua capacidade de suportar vida. Esse observatório ficaria no ponto L2, uma zona de estabilidade gravitacional localizada a 1,5 milhão de quilômetros da T...

E se a lei da inércia estiver errada?

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O importante periódico científico Physical Review Letters deve publicar em breve um artigo que apresenta dados experimentais que militam a favor de uma teoria hoje em dia pouco favorecida pela comunidade, a Dinâmica Newtoniana Modificada, ou "Mond" (pela sigla em inglês). Basicamente, essa teoria postula que, em escalas muito específicas, a equação newtoniana F = m*a não corresponde exatamente aos fatos, e precisa receber um fator de correção. Proposta como uma alternativa à teoria da matéria escura, a Mond (assim como a matéria escura) tenta explicar como as galáxias se mantêm coesas girando com a velocidade que giram, já que a massa visível que contêm não deveria ser suficiente para impedir que se despedaçassem. Os propositores da Mond (seu principal defensor é o israelense Moti Milgrom) destacam o fato de que não é absolutamente necessário apontar para uma falta de massa: talvez as leis que usamos para calcular as forças envolvidas estejam erradas! Trata-se de uma ...

Por que deveria haver nada em lugar de alguma coisa?

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Se um dia eu fosse criar um teste de personalidade baseado em perguntas filosóficas de múltipla escolha, o primeiro item provavelmente seria: Você acha que a questão "por que existe alguma coisa em vez de nada?" é: (A) Um intrigante problema,  para o qual talvez não haja resposta; (B)  Um sinal da existência de um criador necessário, isto é, Deus; (C) Fruto de de um raciocínio circular, e que não requer resposta; (D) Algo que as pesquisas sobre Física teórica resolverão um dia. Minha resposta particular seria "c" (com uma certa simpatia por "d"), mas imagino que isso me põe num grupo francamente minoritário, então me explico. A questão, da forma como foi articulada por Leibniz em seu argumento da razão suficiente , me parece circular porque ela pressupõe (sem demonstrar) a premissa de que o "nada" é um estado possível, uma alternativa válida a "alguma coisa". Por exemplo, a questão "por que a chuva cai em vez de subir" p...

Corinthians e Ed Witten

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Nas últimas 24 horas, passei por duas experiências diametralmente opostas: assisti, no estádio Dr. Jayme Cintra,  à partida entre Paulista de Jundiaí e Corinthians (0 x 0) e, no auditório da Unesp, em São Paulo, à palestra sobre Teoria das Cordas proferida por Edward Witten, um dos principais teóricos da área e o único físico a já ter recebido a Medalha Fields, concedida por avanços no campo na matemática (e que, compreensivelmente, costuma ser dada apenas a matemáticos). Além do óbvio contraste entre os dois espetáculos, há o fato de que, no jogo de futebol, eu entendi praticamente tudo, mas não gostei de nada. Na palestra de Witten, não entendi quase nada, mas gostei de praticamente tudo. Falando sério: fui a São Paulo com o espírito preparadíssimo para boiar em 90% do que era dito. Creio ter boiado, na verdade, em apenas 70%, e isso graças ao fato de ter concluído há pouco a leitura de The Hidden Reality: Parallel Universes and the Deep Laws of the Cosmos , de Brian Greene, ...

Química, física e reducionismos

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Estamos no Ano Internacional da Química , uma celebração da ciência da matéria e de suas transformações. Embora, do ponto de vista teórico, a química tenha sido "reduzida" à física com as descobertas sobre o elétron e a estrutura do átomo feitas no início do século passado, experimente pedir a um físico para inventar um novo processo de fermentação de cerveja -- se ele topar, tente beber o resultado por sua própria conta e risco. A relação entre física e química (e depois, entre química e biologia, biologia e medicina, medicina e psicologia, psicologia e sociologia) é um bom exemplo da necessidade de ser bem específico quando se fala em "reduzir" uma coisa à outra. O fato é que existem vários tipos de reducionismo, e tratar todos como se fossem uma coisa só é, bem, reducionista demais. Comecemos pelo mais filosófico de todos, o reducionismo ontológico . Esta é a ideia de que algumas coisas, em essência, no fundo, como coisas-em-si, de fato se reduzem -- realmen...

LHC vai rodar em 2012!

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O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN) anunciou -- press-release aqui -- que o Grande Colisor de Hádrons, o LHC, vai funcionar durante 2012. Problemas orçamentários do CERN, ligados à crise econômica que assola a Europa, haviam levado à decisão de interromper o funcionamento do colisor no ano que vem, para juntar grana para uma retomada mais à frente. Agora, o CERN informa que após "uma curta parada técnica no fim de 2011", o colisor voltará a operar no ano que vem, em busca de "nova física", antes de parar para ser recondicionado para a temporada 2014, quando atingirá, finalmente, a energia de 7 TeV ("Tera-elétron-Volt") por raio. Esse negócio de "elétron-Volt"  e "Tera-elétron-Volt" costuma não ficar muito bem explicado na maioria das reportagens sobre o LHC, então vamos lá: O elétron-Volt é uma unidade de medida de energia, como o Joule, de que você certamente já ouviu falar (se não dormiu nessa aula). A questão é qu...

Lá vamos nós: a fusão a frio ataca novamente

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Dois cientistas italianos, Andrea Rossi e Sergio Focardi,realizaram uma coletiva de imprensa para anunciar o sucesso de um dispositivo de fusão nuclear que opera à temperatura ambiente e que transforma átomos de hidrogênio e de níquel em cobre, liberando no processo 30 vezes mais energia do que é consumida. No entanto, o artigo técnico que descreve o feito foi rejeitado por todas as revistas científicas a que foi submetido, o resultado viola as leis da Fìsica (o próprio artigo, disponível online , admite isso) e nenhuma descrição detalhada no sistema foi apresentada até agora. Uma primeira tentativa de obter uma patente internacional para o aparato não foi muito bem-sucedida. Se o parágrafo acima não deixou você com a pulga atrás da orelha, continue lendo. Um vídeo sobre a apresentação do sistema, publicado no site Physorg.com , mostra basicamente uma caixa preta (na verdade, azul) coberta de aparelhos, cientistas falando e uma tela de computador onde aparecem números e uma cu...