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Mostrando postagens com o rótulo filosofia

A pérola de Popper, o bule de Russell

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Imagino que um bom lugar para começar seja com Karl Popper e seu critério da falseabilidade : a ideia de que, para ser digna de escrutínio científico, uma ideia ou hipótese precisa ser, ao menos em princípio, falseável: tem de haver pelo menos um resultado experimental que, se obtido, obrigaria, se não o abandono, ao menos uma profunda revisão da proposta inicial. A falseabilidade está intimamente ligada à ideia de previsão : uma proposta científica deve ser capaz de prever os resultados de experimentos. Uma previsão errada é sinal de que os cientistas têm de cavar mais fundo. Entre as afirmações não-falseáveis, Popper incluiu as alegações estritas de existência . Uma alegação estrita de existência é a afirmação de que alguma coisa existe, mas sem especificar onde, como ou de que forma. O exemplo usado por Popper era a afirmação de que "existe uma pérola que é dez vezes maior que a pérola imediatamente menor". Explica ele: "Uma alegação estrita ou pura de existên...

Cantor e o problema da onisciência

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Semana passada, eu mencionei aqui a análise feita pelo filósofo Patrick Grim sobre o "Paradoxo da Pedra", um raciocínio que indica que a onipotência, como normalmente entendida, é uma noção contraditória e incoerente. Grim, no entanto, é mais famoso -- na medida em que um filósofo contemporâneo pode ser "famoso", claro -- por ter descoberto o que ele acredita ser uma prova de que outra propriedade normalmente associada à figura de Deus, a onisciência, é impossível. A prova de Grim é chamada de "argumento cantoriano", porque deriva de resultados obtidos originalmente pelo matemático Georg Cantor. Simplificando bastante a coisa, e evitando uma linguagem excessivamente enrolada (com coisas do tipo, "o conjunto de subconjuntos de um conjunto é um conjunto..."), poderíamos dizer que Cantor demonstrou, muito tempo atrás, que todo conjunto pode ser usado para criar outro conjunto com mais elementos do que si mesmo. Por exemplo, a partir de {1,2,3} é...

Se Deus existe, então tudo é permitido

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A frase-título desta postagem é, se não me engano, um dos slogans da campanha da ATEA . Decidi usá-la para encabeçar minha postagem a respeito do atentado na Noruega porque a tragédia nórdica é uma ilustração bem clara do significado mais profundo do slogan. (Aliás, alguém poderia em explicar por que os maníacos da Al-Qaeda sempre são chamados de "terroristas islâmicos", mas o cavaleiro templário de Oslo é um "extremista de direita" e não um "terrorista cristão"? Seria mais uma questão da multiplicidade dos pesos e medidas na mídia brasileira? Este editorial do Estadão chega ao cúmulo da delicadeza, calçando luvas de pelica para dizer apenas que o assassino "se definia como cristão conservador". Tá, mas por que, então, não calçar as mesmas luvas e afirmar, por exemplo, que Osama bin Laden "se definia como muçulmano"?) A questão envolvendo Deus e o que é permitido ou proibido faz parte de um campo de estudos conhecido como o das ...

Paradoxo da pedra, revisitado

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Acho que todo mundo que já se meteu numa discussão sobre a existência de Deus conhece o "Paradoxo da Pedra": Seria Deus capaz de criar uma pedra tão pesada que nem mesmo Ele conseguiria levantar? O propósito explícito do paradoxo é expor o conceito de Deus como incoerente e, portanto, demonstrar que uma coisa que se enquadre nesse conceito não pode existir. (Há muita confusão em torno da batida máxima de que "não se pode provar que algo não existe". Na verdade, negativas são provadas o tempo todo, por exemplo, na matemática: entre outras coisas, é possível provar que não existe um número par maior que 2 e menor que 4.) A defesa clássica contra o Paradoxo da Pedra é a de que não se deve esperar que Deus viole as leis fundamentais da lógica. A linguagem geralmente usada é a de "tarefas": não se deve esperar de Deus a realização de tarefas intrinsecamente contraditórias (como, digamos, criar um número par maior que 2 e menor que 4), porque, sendo contradi...

Infinito em todas as direções

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Estou terminando o primeiro quinto do livro de Sean Carroll sobre a natureza do tempo, From Eternity to Here: The Quest for the Ultimate Theory of Time  (adquirido por indicação do físico Daniel Bezerra ). Além de estar me divertindo com o estilo do autor e -- ao menos por enquanto -- discordando de algumas ideias dele sobre a entropia no instante do Big Bang, acabei me identificando com uma dificuldade que ele diz ter, a de enfrentar o preconceito das pessoas em aceitar a possibilidade de um passado infinito. Existem dois argumentos clássicos contra a ideia de que o tempo passado possa se prolongar indefinidamente. Esses não são necessariamente argumentos teístas, mas como eles levam à conclusão de que o passado tem de ter começado num determinado ponto, deixando em aberto a questão de o que teria causado esse começo, a turma do " Deus das Lacunas " adora se agarrar a eles. O primeiro, que é o que Carroll encara no livro, é o de que, se o passado é infinito, então um tem...

A falácia do ajuste fino

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Finalmente dei conta de terminar The Fallacy of Fine Tuning , do físico Victor Stenger, livro que, com o perdão do pleonasmo, "encara de frente" os argumentos de que as constantes e leis da Física parecem ter sido "escolhidas a dedo" para permitir a existência de vida inteligente baseada em carbono -- ou seja, nós. Stenger é o representante das ciências exatas no time dos "novos ateus", o grupo de personalidades públicas do mundo de língua inglesa que resolveu deixar a clássica timidez do ateísmo filosófico de lado e partir para o ataque contra as religiões. Seu livro God: The Failed Hypothesis , que trata a questão da existência do tradicional Deus judaico-cristão-islâmico como uma hipótese científica (e termina por rejeitá-la) chegou à lista de best-sellers do New York Times . Curiosamente, do grupo dos "novos ateus"  -- Dawkins, Hitchens, Dennett, Harris --, Stenger é o único que continua inédito no Brasil (ao menos, uma busca por seu nome...

Matéria escura confirmada... talvez

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Para quem gosta de debater filosofia da ciência em botequim, a matéria escura representa um prato cheio: suja existência foi sugerida, originalmente, para dar conta de uma discrepância em observações astronômicas: basicamente, as equações da física previam que, girando na velocidade que estavam, as galáxias que vemos aqui da Terra deveriam se despedaçar, como uma massa de pizza girando no dedo de um pizzaiolo louco. A gravidade das estrelas observadas simplesmente não era suficiente para manter as galáxias coesas, como a viscosidade da massa de pizza terrestre não seria páreo para um pizzaiolo kryptoniano. Postulou-se, então, que o que mantém as galáxias coesas é uma massa não observada . Mas essa matéria não poderia estar sob a forma de poeira, planetas e outros astros que não emitem luz? Cálculos cuidadosos a respeito da abundância dos átomos criados no Big Bang mostraram que não, essa matéria escura não podia ser feita do mesmo material que eu, você, a Lua ou o planeta Saturno. ...

Correlação = causação, num comercial de cerveja

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Óquei, esta postagem foi descaradamente kibada do blog Improbable Research , mas não pude resistir:

Minhas objeções ao politicamente correto

No ano passado, o blogueiro de ciência Roberto Takata publicou uma longa e bem-pensada postagem em defesa da preocupação com o politicamente correto ; outro dia, o médico e escritor de ficção científica Flávio Medeiros fez uma longa postagem em tom de desabafo no sentido oposto . O texto de Medeiros não é uma resposta direta ao de Takata, mas a justaposição de ambos me levou a, finalmente, pôr no papel (ou no servidor) meus pensamentos a respeito. Acho que um bom jeito de começar é tirando um bode da sala -- no caso, o fato de, no Brasil, a expressão "politicamente incorreto" ter virado um eufemismo (politicamente correto?) para grosso, malcriado, escroto. Nesses casos, a solução é milenar: em companhia civilizada, quem comete grosseria perde credibilidade e, se insistir, é gentilmente convidado a se retirar. Criança malcriada vai pra cama mais cedo, sem videogame, televisão  e com mesada cortada. Adulto malcriado deve ser ignorado, desprezado ou, em casos extremos, entregu...

Enfim, que mal que há?

Parágrafo extraído da edição de segunda-feira do New York Times : Ao nascer, a menina, Alaynia, era um pacotinho de bochechas rosadas, mas aos seis meses, um tumor do tamanho de uma bola de beisebol tinha consumido sua face esquerda, empurrando o globo ocular para fora da órbita. Os Wylands, membros da Igreja dos Seguidores de Cristo, uma seita que acredita em cura pela fé e cujos membros desprezam a medicina, recusaram-se a levá-la ao médico. A notícia do NYT é de que os pais, Timothy e Rebecca Wyland, estão sendo levados a julgamento e podem pegar até cinco anos de cadeia. Já Alaynia, hoje com 18 meses e em um lar adotivo, pode ficar cega. Este não é, claro, o primeiro caso do tipo registrado nos Estados Unidos. Em 2009, outro casal havia sido condenado a seis meses de cadeia por rezar em vez de tratar a filha que sofria de diabete. A menina, no caso uma pré-adolescente de 11 anos, ficou "fraca demais para falar, comer ou caminhar". Do grupo de orações reunido em...

O pai perfeito

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Em homenagem ao Dia das Mães, ofereço, como presente, o pai perfeito para constituir família e ter filhos:

Pondo cada coisa em seu devido lugar: o papel da intuição

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Passe tanto tempo quanto eu batendo na tecla de que os métodos da ciência são a única rota razoavelmente segura para a verdade e o conhecimento ou, pior ainda, defendendo o Princípio de Clifford (proposto pelo matemático britânico William Clifford, no século XIX), segundo o qual aceitar uma alegação como verdadeira sem prova suficiente é perigoso e   imoral , e você encontrará não uma, mas diversas vezes, variações da objeção do Asno de Buridan. Para quem não conhece, esse é um asno fictício que teria morrido de fome porque era incapaz de decidir entre dois montes de feno (ou moitas na beira da estrada) igualmente apetitosos. A ideia é a de que esperar por prova suficiente, ainda mais por prova científica , antes de formular um juízo ou tomar uma decisão raramente é prático. As pessoas precisam contar com a intuição, o feeling , o palpite, senão ninguém sairia da cama nas manhãs de inverno. O Princípio de Clifford seria um ideal ético tão impraticável quanto o mandamento de vende...

Meu problema com a blasfêmia

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Antes que o título desta postagem cause algum mal-entendido: sou totalmente a favor da blasfêmia. Um dos itens que mais valorizo em minha biblioteca é a clássica edição da revista Free Inquiry que publicou todas -- todas -- as caricaturas dinamarquesas de Maomé que tanto furor causaram alguns anos atrás. Amaldiçoar, sacanear e ridicularizar divindades é um passatempo antigo e honrado, que deveria ser declarado patrimônio da humanidade pela Unesco. Em linhas mais gerais, eu diria que uma ideia que não é capaz de sobreviver a uma sátira não era uma boa ideia, para começo de conversa. Meu problema com a blasfêmia, que volta a incomodar por causa da recente onda de violência em reação a uma queima do Alcorão , é outro: por que uma divindade tão maravilhosa, fantástica, onipotente e fodesdástica como supostamente são os deuses que o povo gosta de adorar por aí haveria de se incomodar com sacanagens feitas por merdinhas como nós? Digo, eu tenho poder de vida e morte sobre as formig...

Que tal parar de culpar a vítima?

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Tenho algumas reservas quanto ao uso amplo que às vezes se dá à expressão "não culpe a vítima". Afinal, há casos em que a vítima é, efetivamente, culpada: motoristas embriagados que se esborracham em postes são um caso óbvio. O título desta postagem, no entanto, se refere à tendência de "pôr a culpa na vítima" que alimenta boa parte do que passa por cultura de autoajuda no mundo atual -- indo desde as versões evangélicas vendidas nos cultos da prosperidade às formas mais (cof! cof!) sofisticadas de O Segredo e quetais. Nesta semana, por exemplo, apareceu no quadro de avisos do meu condomínio uma "mensagem edificante", provavelmente impressa da internet, com o título "se não quiser ficar doente..." e que enumera uma série de atitudes que as pessoas que têm a boa saúde como meta devem tomar. Ali não há nada, no entanto, sobre lavar as mãos antes das refeições, comer vegetais frescos, evitar o álcool e o tabaco ou manter uma rotina de ativida...

E apresentando: o misoteísmo

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Como se já não bastasse toda a confusão terminológica entre ateísmo forte, ateísmo fraco, agnosticismo, deísmo, etc., eis que mais um termo chega à ribalta: misoteísmo . Os leitores de inclinação etimológica certamente já detectaram o prefixo grego " miso" , que significa odiar, detestar, ter aversão a, como um misantropo, misógino, misógamo. No caso, então, o misoteu, ou misoteísta, é alguém que tem ódio ou aversão a Deus. O termo aparece na edição mais recente da revista Free Inquiry  -- que alguém com um bom senso de humor já definiu como a " Família Cristã dos ateus" -- que traz uma resenha de um livro chamado Hating God , de Bernard Schweizer. O livro tem como subtítulo The Untold History of Misotheism ,  ou "A História Não Contada do Misoteísmo". (O mesmo número traz um ótimo artigo de Christopher Hitchens sobre a polêmica em torno da posição do papa Bento XVI quanto ao uso da camisinha, desencadeada por um livro publicado na Alemanha, e uma ent...

Nós realmente precisamos de raízes?

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A noção de "origens" ou "raízes" -- culturais, sociais, genéticas, etc. -- é um fetiche caro tanto ao discurso de esquerda quanto ao de direita, ainda que cada um dos lados do espectro político seja bastante seletivo quanto ao tipo de "raiz" que deve ser valorizado (as tradições dos "povos oprimidos" num caso, as "raízes cristãs da Europa", no outro, por exemplo). O apelo às raízes tem um poder retórico e emocional tão forte que muitas vezes surgem disputas sobre qual a "verdadeira raiz" disso ou daquilo: afinal, quem estava primeiro na Palestina, árabes ou judeus? A civilização evoluiu a partir de uma organização matriarcal ou patriarcal? O cinema (a literatura, a música, o teatro) que Fulano ou Beltrano faz é "nacional" ou "colonizado"? A figura do herói que "reencontra suas raízes" e, por meio delas, triunfa, é um dos clichês mais cansados de toda a ficção. (Há alguns anos, quando foi levan...

Carnaval e o massacre de mídia

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Se você está online lendo blogs, em vez de estar preso na estrada a caminho de tomar chuva na praia e/ou curtindo uma ressaca desgraçada, talvez se identifique com o experimento imaginário que vou propor agora. Suponha que, nos 30 dias anteriores ao carnaval -- também vale copa do mundo ou olimpíada -- os meios e comunicação se abstivessem, não de noticiar o assunto, mas de bombá-lo. (Para quem estiver desconfortável com o jargão: noticiar é divulgar um fato específico de interesse público -- tipo, Geisy Arruda foi vítima de tentativa de agressão -- bombar é insistir no tema mesmo na ausência de novos fatos relevantes -- tipo, Geisy Arruda comprou vestidinho polêmico na loja "X".) Hipótese a ser testada no experimento: afinal, o "brasileiro" -- este estereótipo que os marqueteiros adoram -- realmente se interessa tanto por festas e eventos esportivos? Trata-se de uma tentativa de isolar o real interesse do público do efeito claque: o assunto "A" d...

Formiga zumbi com fungo no cérebro

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A imagem acima, retirada desta nota da National Geographic , mostra um exemplar do fungo Ophiocordyceps camponoti-balzani  brotando do cérebro de uma formiga brasileira. O fungo é capaz de dominar a "mente" da formiga, forçando-a a se dirigir para um lugar favorável para seu crescimento e reprodução. Uma vez lá, ele a mata. Existem quatro espécies de fungo que fazem isso -- assumem o controle do inseto, matam-no e se alimentam dele -- e todas são brasileiras.  Eu pessoalmente acho que deveriam se chamar PMDB, PSDB, PT e DEM, mas essa é só a minha opinião. Que mais posso dizer? Os maçons se referem a Deus como o "Grade arquiteto do Universo". Galileu dizia que Ele era matemático. Darwin fez seu famoso comentário sobre o Capelão do Diabo e a crueldade da natureza. Para mim, se existe um designer universal, Ele deve ser o Grande Roteirista Cósmico de Filmes B.

Por que deveria haver nada em lugar de alguma coisa?

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Se um dia eu fosse criar um teste de personalidade baseado em perguntas filosóficas de múltipla escolha, o primeiro item provavelmente seria: Você acha que a questão "por que existe alguma coisa em vez de nada?" é: (A) Um intrigante problema,  para o qual talvez não haja resposta; (B)  Um sinal da existência de um criador necessário, isto é, Deus; (C) Fruto de de um raciocínio circular, e que não requer resposta; (D) Algo que as pesquisas sobre Física teórica resolverão um dia. Minha resposta particular seria "c" (com uma certa simpatia por "d"), mas imagino que isso me põe num grupo francamente minoritário, então me explico. A questão, da forma como foi articulada por Leibniz em seu argumento da razão suficiente , me parece circular porque ela pressupõe (sem demonstrar) a premissa de que o "nada" é um estado possível, uma alternativa válida a "alguma coisa". Por exemplo, a questão "por que a chuva cai em vez de subir" p...

'Todo mundo é contra a liberdade de expressão'

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A frase que dá título à postagem era usada por um professor de Jornalismo da ECA-USP, lá se vão bem uns 20 anos, para chocar os estudantes de primeiro ano. Ele a sustentava com uma série de exemplos escabrosos -- e se alguém escrever um artigo defendendo a volta da escravidão? e se alguém escrever que mulher que trai o marido tem mais é que levar tiro na boca? e se alguém defender o extermínio dos índios? -- até que a classe acabasse concordando que, sim, liberdade de expressão é legal, mas peraí. Confesso que nenhum desses exemplos (e outros ainda piores) jamais foi capaz de mudar o meu xiitismo em defesa da mais plena liberdade de expressão. Sim, que se escreva em defesa da volta da escravidão; sim, que se escreva em defesa da lapidação extrajudicial das adúlteras; sim, que se argumente pelo genocídio. Que essas ideias venham a público, que sejam expostas como as bobagens que realmente são, e que seus autores sejam reduzidos às devidas proporções, seu nanismo moral e intelectual ...