quarta-feira, 22 de abril de 2015

O truque de enfiar tesouras no nariz

Este artigo provavelmente deveria vir prefaciado pela advertência “não tente fazer isto em casa”: hoje, vamos tratar da arte e ciência de enfiar um objeto metálico no nariz, empurrá-lo bem fundo e movê-lo de um lado para o outro em relativa segurança. Qual a utilidade disso? Nenhuma, a menos que você esteja interessado em dar um espetáculo – seja como artista de circo (caso em que o nariz afetado é o seu próprio) ou como médium (e aí a narina ofendida costuma pertencer a terceiros muito assustados). Leia a íntegra do artigo no Olhar Cético!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Clássicos da ufologia bíblica

O nome dado à aplicação da velha hipótese dos “deuses astronautas” ao ao mito judaico-cristão é “Ufologia bíblica”. Trata-se de um campo que sofre de problemas muito parecidos aos da hipótese dos deuses espaciais que discuti em artigos anteriores (como este, mais recente, e este outro aqui), aos quais se somam o fato de que, ao contrário do que acontece com as antigas religiões pagãs do Egito e da Grécia, o judaísmo, o cristianismo e o islã ainda têm fiéis suficientes para se ofenderem com esse tipo de especulação. Leia mais a respeito no Olhar Cético.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mudança climática reaviva perigo de Chernobyl

A mudança climática em curso vai elevar o risco de fogo nas florestas da Ucrânia e da Bielo-Rússia, e a fumaça e a fuligem desses incêndios lançarão na atmosfera isótopos radioativos, incluindo césio-137, aprisionados há décadas nas plantas dessas áreas, afetadas pelo desastre nuclear da usina de Chernobyl. Artigo publicado no periódico Ecological Monographs, da Sociedade de Ecologia dos Estados Unidos, aponta que, desde 2002, incêndios na área têm aumentando a deposição de césio-137 sobre a Europa, e que modelos climáticos indicam que eventos assim devem se tornar cada vez mais comuns. (Leia mais sobre esse assunto e outros no Telescópio do Jornal da Unicamp)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O papa, San Gennaro e um velho milagre

Que tal aproveitar o clima recente da Páscoa cristã e discutir um milagre que teria acontecido nas mãos do papa Francisco? A notícia não parece ter tido muita divulgação na mídia brasileira em geral, o que é uma surpresa, mas saiu com certo destaque nos meios internacionais, tendo sido registrada no jornal italiano La Stampa, no Huffington Post e em nota da "Reuters" reproduzida pelo New York Times. No sábado, 21 de março, o sangue de San Gennaro se liquefez enquanto o vasilhame que o contém era manipulado pelo atual sucessor de Pedro. (Leia mais no Olhar Cético)

quarta-feira, 18 de março de 2015

Sobre o debate político: "Don't be a dick"

Quem acompanha este blog há algum tempo sabe que tenho algum envolvimento com o que se poderia chamar de "movimento" cético, que fundamentalmente busca oferecer um pouco de racionalidade e senso crítico ao debate público sobre questões relacionadas a ciência e saúde. Ponho "movimento" assim, entre aspas, porque, ao menos no Brasil, a iniciativa é muito mais voluntarista e desorganizada do que a palavra sugere. Nos Estados Unidos, onde existe um movimento cético assim, sem aspas, que se organiza em comitês, associações, publica revistas e promove convenções, houve, há alguns anos, uma grande polêmica provocada por uma palestra dada pelo astrônomo Phil Plait. O título da intervenção foi Don't Be a Dick, algo que em português poderíamos traduzir como Não Seja Escroto.

Há algo de intrigante nesse título, mas para quem está dentro do movimento -- com ou sem aspas, agora tanto faz -- a questão é bem clara: depois de ouvir a bilionésima defesa apaixonada da homeopatia, depois da milésima manifestação de fé na astrologia, depois quaquilionésima argumentação falaciosa em prol do criacionsimo ou contra a vacina de sarampo, é muito fácil sucumbir à tentação de imaginar que todo mundo que está do outro lado da conversa é ou imbecil ou mal intencionado, e reagir de acordo.

O bônus é que há maneiras extremamente inteligentes de ser escroto, o que gratifica o ego -- ironia e sarcasmo podem ser finos como um florete ou brutais como um cutelo -- e, se você não estiver se sentindo especialmente inspirado, mesmo uma escrotice clássica, curta e grossa, haverá de atrair os aplausos dos colegas: é muito legal ver um colega dando aos charlatões e aos idiotas exatamente o que merecem.

Exceto que: talvez não mereçam. Talvez não sejam todos idiotas e charlatões. No mínimo, se o objetivo final do movimento é educar o público e trazer sanidade para o debate, fazer o público se sentir cretinizado e insultado pode não ser uma boa ideia.

Claro, existe o arquétipo do Velho Professor Britânico, o mestre irascível cujos insultos cuidadosamente calculados  e sarcasmos poético-filosóficos não só estimulam o desenvolvimento intelectual dos pupilos como conquistam seu amor e admiração. O Velho Professor Britânico é a versão escolástica do Sargento Durão, o militar de cara fechada e coração (secretamente) aberto que, por meio da aplicação judiciosa de bullying, ameaça, palavrões e tortura forja meninos assustados e egoístas em homens corajosos e solidários.

Veja bem, não digo que é impossível que ambos os arquétipos possam funcionar. Talvez haja situações em que pessoas que se enquadram neles sejam até mesmo necessárias e essenciais para a sobrevivência da civilização.  Mas me parece extremamente provável que funcionem muito menos, e sejam muito menos necessários, do que quem se identifica com eles gostaria de imaginar.

Bom, dei toda essa volta para falar sobre o debate poplítico brasileiro, principalmente da forma como é travado nas redes sociais. Em sua palestra, Plait em certo momento pergunta à plateia algo como, "quantos de vocês abandonaram uma crença falsa ao serem chamados de idiotas?" Traduzindo a questão para o universo do Facebook, ela poderia ser: "Quantos de vocês desistiram de apoiar um impeachment ao serem chamados de fascistas golpistas?" Ou, do outro lado: "Quantos de vocês passaram a criticar Dilma ao serem chamados de petralhas corruptos?"

Na palestra, algumas pessoas levantaram a mão em resposta à provocação de Plait -- e não nego que, de vez em quando, um tapa da orelha retórico pode levar alguém a prestar mais atenção nos argumentos e a rever suas posições, mas o número de pés-de-ouvido simbólicos distribuídos a torto e a direito por aí supera toda e qualquer necessidade real.

A esmagadora maioria das comunicações sobre política que flutuam na rede é escrota e reiterativa: faz pouco caso dos adversários, desestimula a interrogação, reforça dogmas. O que é ótimo para aquilo que os gringos chamam de shouting matches -- "campeonatos de gritaria" -- mas não serve para mais nada.

Mesmo quando tenta se revestir de um caráter argumentativo, a carga de condescendência e pressuposta superioridade ("precisamos conversar sobre" = "senta aí e me escuta, seu retardado"), somada à dose cavalar de premissas "óbvias" não examinadas -- afinal, por que o PT é "uma quadrilha"? Por que a mídia é "golpista"? -- simplesmente esmagam o propósito.

O pior é que isso não funciona nem mesmo se supusermos que os diferentes grupos estejam, não tentando travar um diálogo, mas apresentar seus pontos para a massa indecisa e perplexa. Cada vez mais, escreve-se para cortejar o aplauso de quem já está no coro, reforçar a fé dos convertidos e, eventualmente, destilar bile, não para validar posições e gerar clareza. O que é um enorme desperdício.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Seca e superpopulação urbana acabaram com o Império Assírio

Fiz a nota abaixo para a coluna Telescópio, do Jornal ad Unicamp, em novembro passado. Por alguma razão, achei que valia a pena destacá-la aqui, agora, chamando principalmente a atenção dos leitores paulistas:

Superpopulação e seca levaram ao fim do Império Assírio, no século 7 antes da era comum, argumenta artigo publicado no periódico Climate Change. O chamado Novo Império Assírio chegou a dominar praticamente todo o Oriente Médio, do Egito ao Golfo Pérsico, incluindo terras que hoje pertencem a Israel, Palestina, Turquia, Síria e Iraque, no início do século 7 AEC, mas décadas depois já se encontrava em desintegração, fraturado por guerras civis.

Os autores do novo artigo, baseados nos Estados Unidos e na Turquia, associaram informações sobre o clima da época ao conteúdo de uma carta escrita por um astrólogo ao rei, informando que “não houve colheitas” no ano de 657 AEC. Dados paleoclimáticos corroboram o informe do astrólogo, e análises dos padrões de clima da região indicam que a seca de 657 foi apenas uma em uma série que se estendeu por vários anos. Além disso, a população de cidades como a capital, Nínive, teria sobrecarregado ainda mais a economia.

“Não estamos dizendo que os assírios de repente morreram de fome ou foram forçados a fugir das cidades e vagar pelo deserto”, disse, em nota, um dos autores do artigo, Adam Schneider, da Universidade da Califórnia em San Diego. “Estamos dizendo que a seca e a superpopulação afetaram a economia e desestabilizaram o sistema político até o ponto em que o império não era mais capaz de conter a desordem interna e a agressão de outros povos”.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Os problemas da homeopatia

A celebração pelo Ministério da Saúde, com mensagem disseminada pelas redes sociais, do Dia da Homeopatia (21 de novembro) atraiu uma série de críticas por parte de cientistas – principalmente de químicos e biólogos. Não é de hoje que a homeopatia é criticada, quando não ridicularizada, por pesquisadores, inclusiva da própria área médica. Imagino, no entanto, que a causa dessa hostilidade seja, até certo ponto, um mistério para muita gente. Por quê, afinal? Não se trata de uma especialidade médica reconhecida, ensinada na faculdade? Qual o problema? (Leia o artigo completo na Galileu)