quarta-feira, 1 de julho de 2015

Estarei em "Espadas contra Cthulhu"!

Robert E. Howard, criador de heróis como o bárbaro Conan e o espadachim puritano Solomon Kane, foi um dos primeiros colaboradores de H.P. Lovecraft na construção da grande mitologia compartilhada que, depois, viria a ser conhecida como os "mitos de Cthulhu" (sobre os quais já falei em dois podcasts, aqui e aqui). Juntar o horror cósmico de Lovecraft aos cenários de intensa aventura de Howard não é, portanto, nenhum tipo de heresia.

Na verdade, é quase um retorno às origens, já que Clark Ashton Smith, outro dos "pais", ao lado de Howard, da chamada sword & sorcery -- um subgênero da fantasia que está para a chamada Alta Fantasia de Tolkien mais ou menos como o noir está para o chamado "mistério aconchegante" de Agatha Christie -- também foi uma figura importante na gênese dos mitos de Cthulhu.

Com isso em mente, a editora britânica Stone Skin Press resolveu organizar uma antologia intitulada Swords vs Cthulhu (literalmente, "Espadas contra Cthulhu"). Hoje, foi anunciada oficialmente a lista de autores selecionados. E, ora bolas, eu estou nela! Meu conto, The Argonaut, se passa no mesmo universo da novela As Dez Torres de Sangue, mas tem outro protagonista, e um clima mais puxado para o estilo das Mil e Uma Noites; ele também explora algumas das implicações deste ensaio que escrevi há alguns anos, sobre os mitos de Cthulhu.

O livro deve sair no início do ano que vem, e representa minha quarta venda de obra solo ao mercado anglófono, depois dos contos que apareceram na Ellery Queen Mystery Magazine e nas antologias Rehearsals for Oblivion e War Stories. Além dessas histórias, também tive publicado profissionalmente o conto Last of the Guaranys, escrito em parceria com Octavio Aragão.

Ênfase em venda: faz uns dois anos, mais ou menos, que parei de escrever ficção em português, basicamente frustrado com a recepção de meu trabalho no país. Escrever, para mim, é algo que custa caro, tanto em tempo quanto em dinheiro, mesmo (sou um consumidor compulsivo de material de pesquisa: livros, periódicos, etc.), e embora as recompensas da literatura não precisem ser, necessariamente, financeiras, eu havia chegado a um ponto em que me via sem leitores e sem grana -- sentia-me, para ser sincero, falando sozinho e jogando dinheiro fora.

A decisão de priorizar o mercado externo tem sido recompensadora: é um mundo competitivo e difícil, ainda mais para quem não se familiarizou com o inglês desde o berço. Mas se a dificuldade de publicar e as dezenas de rejeições inevitáveis machucam o ego, os poucos sucessos mais do que compensam -- na alma e no bolso.

Ainda há alguns escritos meus, produzidos antes deste "sabático lusófono", para sair. Devem aparecer, ao longo deste ano, pela Editora Draco. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre meu trabalho com os mitos de Cthulhu pode tentar este conto aqui, ou este. Ou esperar, além de Swords vs Cthulhu, a coletânea Mistérios do Mal, a sair pela Draco, que deve reunir quase todas as minhas histórias de terror.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Morfina sintética a caminho

Pesquisadores britânicos e australianos anunciam, em artigo publicado na revista Science, terem encontrado o gene responsável por uma enzima essencial para a criação de alcaloides como ópio e morfina pela papoula. Somada a avanços recentes que permitiram reconstituir parte da rota bioquímica da morfina em uma variedade transgênica de levedura, a descoberta abre caminho para a produção de opioides sem a necessidade de cultivar a flor. “Agora que a rota biossintética para a morfina está completa, pesquisadores podem investigar abordagens mais eficientes, baseadas em micróbios, para os analgésicos opiáceos”, diz nota divulgada pelo periódico. Quando a criação da rota parcial para morfina em leveduras foi anunciada, a revista Nature publicou artigo chamando atenção para os dilemas éticos e legais envolvidos. Leia mais notas sobre ciência e descobertas científicas no Telescópio.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O fim do "Olhar Cético" na Galileu: só mais duas colunas

A coluna Olhar Cético, que eu vinha produzindo para o site da revista Galileu desde, se não me engano, agosto de 2013, deixa de ser publicada a partir de julho. Há um texto que deve entrar no ar hoje, um artigo final que sobe na próxima segunda-feira, dia 29, e c'est fini. O motivo, informam-me, é contenção de despesas; há a possibilidade de uma retomada dentro de alguns meses, mas é apenas isso, uma possibilidade.

Pelas minhas contas, a coluna de 29 de junho será a de número 99. Minha pasta Dropbox de textos para a Galileu contém 113 arquivos, mas descontando as reportagens que produzi parta a revista, principalmente entre 2013 e 2014, os rascunhos dos artigos e os textos começados mas não terminados, creio que restam uns 99, talvez pouco mais, que realmente saíram sob a rubrica do Olhar Cético, inicialmente no papel e na web e, depois, apenas online.

Minha inspiração original para a coluna sempre foi o trabalho original de Martin Gardner (e, depois, Michael Shermer)  para a edição-matriz da Scientific American, além das investigações conduzidas ao longo de décadas por Joe Nickell e reunidas em diversos livros.

Não fui um pioneiro desse tipo de atividade no Brasil: durante muito tempo, Kentaro Mori carregou a tocha do ceticismo nacional praticamente sozinho, e creio que o pessoal do Ácido Cético, da UFRGS, já estava na estrada bem antes de eu assinar meu primeiro texto jornalístico de ceticismo -- uma crítica da astrologia (será que todo cético começa assim?), publicada no antigo website da Agência Estado, mais anos atrás do que eu gostaria de me lembrar. O jornalista Ricardo Bonalume Neto chegou a manter uma coluna de ceticismo na Revista da Folha, no começo do século. Isso sem falar na velha Sociedade da Terra Redonda, entre outras iniciativas.

 Quando surgiu, a coluna da Galileu veio como a realização de uma ambição pessoal antiga. Imagino que todas as pessoas que têm um emprego menos do que satisfatório, mas aparentemente seguro e bem remunerado -- no meu caso, o de editor de Ciência e Meio Ambiente do Portal Estadão --, sonham com o que fariam se um dia tivessem um bom pretexto para se livrar dele.

No meu caso, o pretexto veio sob a forma de uma demissão por corte de gastos, em 2010, e a primeira coisa que fiz foi escrever um livro de divulgação científica de orientação cética, O Livro dos Milagres, e co-escrever outro, o Pura Picaretagem.

O convite para colaborar com a Galileu veio mais ou menos na mesma época em que o Picaretagem estava saindo. As coisas pareciam promissoras para uma iniciativa jornalística profissional de ceticismo científico ("profissional" no sentido de remunerado, e em oposição a voluntário, não necessariamente a amador) na mídia mainstream, mas enfim, a economia brasileira sendo o que é, "promissor" é um conceito bem relativo.

Com o fim da coluna, é provável que parte do material que eu vinha reunindo para edições futuras acabe aparecendo neste blog. Ou que eu resolva usar o tempo livre para finalmente levar adiante meu terceiro livro de divulgação e ceticismo, agora sobre fenômenos espiritualistas (estou parado no meio do capítulo sobre Leonora Piper, tentando decidir quanto espaço devo dedicar a Madame Blavatsky e reunindo ânimo para seguir adiante e mergulhar no século 20). Ou para escrever mais ficção.

A coluna do dia 29 trará uma breve nota de despedida e agradecimento, que reitero aqui. Obrigado a quem acompanhou ao menos parte daquela quase-centena de textos. E até mais!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fronteira agrícola da Amazônia também é urbana

A expansão da fronteira agrícola em direção à Amazônia, na última década, tem um componente urbano que muitas vezes passa despercebido, com o desenvolvimento de cidades de porte médio que passam a cumprir funções que antes eram exclusivas das capitais estaduais e grandes centros, diz a dissertação de mestrado “Fronteira e reestruturação produtiva na Amazônia Brasileira (2003-2013): um estudo sobre a mudança na hierarquia urbana do município de Araguaína (TO) na Amazônia Oriental”, defendida por Evaldo Gomes Júnior no Instituto de Economia (IE) da Unicamp. Reportagem completa no Jornal da Unicamp.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O mapa de Piri Reis

De todos os artefatos criados pela humanidade, talvez apenas a Grande Pirâmide de Gizé tenha sido mais abusada por promotores de teorias pseudo-históricas do que o mapa de Piri Reis de 1513. Nos quase 100 anos desde que o único fragmento restante desse mapa foi descoberto na Turquia, inúmeros livros, filmes e documentários foram produzidos para tentar convencer o público de que a carta tem uma precisão quase sobrenatural, inexplicável com base nos conhecimentos geográficos da época em que foi desenhada. Dependendo do autor citado, essa assombrosa precisão só pode ser explicada se o autor do mapa, o almirante otomano Muhiddin Piri (1465?-1554), tivesse tido acesso a informações produzidas por uma supercivilização perdida, por alienígenas ou, claro, por uma supercivilização perdida com a ajuda de alienígenas. Leia o artigo completo no Olhar Cético.

terça-feira, 16 de junho de 2015

‘Science’ publica especial sobre empreendedorismo

A revista Science da última semana traz um caderno especial de artigos sobre ciência, empreendedorismo e inovação tecnológica. “Empreendedores são jardineiros que plantam inovação na economia”, diz editorial assinado por Iqbal Quadir, fundador do Centro Legatum de Desenvolvimento e Empreendedorismo do MIT. “O crescimento e o florescimento dessas inovações atraem abelhas – cientistas e engenheiros – e aumenta suas habilidades, impulsionando-os no caminho de novas técnicas, descobertas e carreiras”, o que pode levar a um “círculo virtuoso”. Leia mais a respeito disso, e de outros assuntos, no Telescópio do Jornal da Unicamp.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ciência brasileira precisa se diversificar para apoiar inovação

O Brasil precisa avançar na qualidade, quantidade e diversidade de sua produção científica se quiser atingir um grau de desenvolvimento tecnológico comparável ao da Coreia do Sul, disse o pesquisador Wilson Suzigan, do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT-Unicamp). Suzigan respondeu às questões do Jornal da Unicamp sobre ciência e inovação via e-mail, com a colaboração de Eduardo Albuquerque, da Faculdade de Ciências Econômicas, Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (FACE-Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Leia a entrevista completa.