quarta-feira, 27 de maio de 2015

Os números não mentem

Muitos anos atrás, militando no jornalismo diário, conheci um editor que era profundamente alérgico a estatísticas. “Se um rico come um frango inteiro, e um pobre não come nada”, argumentava ele, “estatisticamente, cada um comeu meio frango!”. O importante, insistia, eram as histórias humanas: mais relevante que a média dos frangos era a dura vida do sujeito sem frango nenhum. Mas mesmo sabendo que estatísticas podem ser (mal) usadas, sempre desconfiei mais de seu oposto: exatamente das tais histórias “humanas” que o editor preferia. Leia a coluna completa na Revista Galileu.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Sherlock Holmes e rock'n'roll!

Semana passada, participei de um evento sobre divulgação científica no campus de Rio Paranaíba da Universidade Federal de Viçosa. Ao lado dos biólogos Átila "Nerdologia" Iamarino e Luiz Bernto, do Museu Ciência e Vida, falei sobre a importância dos cientistas não se furtarem a usar, não só seus conhecimentos, mas também o senso crítico afiado pelo uso constante do método científico, para contribuir com o debate público. Meu grito de guerra foi "Tudo é divulgação científica!", algo que pretendo explicar melhor numa postagem futura.

Esta aqui é para tratar de outra coisa que fiz em Rio Paranaíba. Quem está por dentro da cultura dos podcasts nacionais talvez saiba que a UFV de Rio Paranaíba é também a sede do Rock com Ciência, programa capitaneado pelo professor Rubens Pazza que discute temas científicos ou culturais que, de algum modo, têm interseção com a ciência, num papo entremeado por faixas musicais de rock'n'roll. Eu já havia participado, via skype, de outras edições do programa, mas desta vez estive lá ao vivo -- falando de Sherlock Holmes.

Talvez nem os leitores mais assíduos do blog saibam, mas sou uma espécie de sherlockiano -- um, digamos, pesquisador, colecionador e estudioso da vida e obra do Grande Detetive -- bissexto. Já tive um paper publicado no Baker Street Journal, o principal periódico dedicado a Holmes, e ajudei a editar um livro de contos inspirados por Sherlock para a Editora Draco. No podcast, falamos das origens do personagem, suas adaptações para o cinema, teatro e a televisão, e a vida e a obra de Sir Arthur Conan Doyle. Quem quiser conferir -- e saber quais as músicas que pedi, como convidado do programa -- o Rock com Ciência: Sherlock Holmes está aqui.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Lendo intenções diretamente no cérebro

Pesquisadores ligados à Universidade do Sul da Califórnia e ao Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) descrevem, na revista Science, como um implante de eletrodos no cérebro de um paciente tetraplégico registrou as intenções de movimento do voluntário, e transferiu essa informação para um braço robótico. Leia a nota completa, e outras, no Telescópio do Jornal da Unicamp.

sábado, 23 de maio de 2015

A biblioteca de Bin Laden

Já tem gente nas redes sociais tirando onda com o fato de que dois livros de Noam Chomsky foram encontrados nabiblioteca pessoal de Osama Bin Laden, mas devagar com o andor: como todo fã de heavy metal, histórias em quadrinhos e role-playing games sabe, a associação entre ícones e hábitos culturais e o comportamento de seus fãs psicóticos é geralmente injusta, frequentemente penosa e, quase sempre, só vale para o “outro”. Um leitor habitual de Chomsky pode achar um absurdo óbvio que se veja na retórica do autor um estímulo ao terrorismo islâmico, mas talvez não relute tanto em fazer ilações a respeito da presença de um livro de Reinaldo Azevedo na estante de algum pitboy espancador de homossexuais. Leia o artigo completo na Revista Amálgama.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ceticismo, em três princípios simples

Edição recente da revista Skeptical Inquirer, talvez a mais antiga publicação sobre ceticismo em circulação no mundo, traz um artigo do professor de Filosofia Stephen Carey com o seguinte título: “Yes, but how do you explain this?” (“Tá legal, mas como é que você explica isso?”). Carey relata como encontrou uma espécie de “resposta padrão” para essa indagação, em três partes. São elas: seu caso não é especial; o que você vê não é toda a verdade; tudo funciona. Leia mais sobre isso no Olhar Cético.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Redução científica da pobreza

Como medir a eficácia de uma ação de redução da pobreza? A revista Science traz artigo que descreve o resultado de um experimento de intervenção em algumas das comunidades mais miseráveis do mundo, modelado nos estudos sobre saúde, em que grupos “de intervenção” são comparados a grupos “de controle”, e os resultados recebem análise estatística. No caso, algumas das famílias mais pobres de seis países – Etiópia, Gana, Honduras, Índia, Paquistão e Peru – foram incluídas num programa chamado “Graduation” (“Formatura”), criado por uma ONG de Bangladesh. O programa durou dois anos, com mais um ano extra em que as famílias foram acompanhadas, após o fim do apoio externo, para testar a sustentabilidade e durabilidade dos benefícios. Leia mais na coluna Telescópio.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Transgênicos: mentira e desinformação atacam de novo

A decisão da Câmara Federal, de reformar a rotulagem de produtos alimentícios que contêm organismos geneticamente modificados (OGMs), desagradou a muita gente. Embora a proposta aprovada não elimine a obrigatoriedade da informação sobre a presença de transgênicos, ela a torna bem menos visível. As reações a essa atenuação do alerta obrigatório são mais do que compreensíveis, e quem se opõe a ela tem bons motivos para criticá-la, com base tanto no direito do consumidor quanto no princípio fundamental da transparência: não faz muito sentido, portanto, que se apele para táticas baseadas na disseminação de mentira, medo e desinformação. Mas que são, exatamente, as que vêm ganhando força nas redes sociais. Leia o artigo completo no Olhar Cético.