quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Futebol na Arkham paulista

Quando comecei a escrever terror, ou weird fiction, como se prefira chamar as histórias reunidas em meu livro Medo, Mistério e Morte, de 1996, hoje disponíveis individualmente em e-book (por exemplo, aqui, aqui e aqui), eu estava vivendo uma espécie de choque cultural reverso: depois de cinco anos morado, estudando e -- mal-e-mal -- trabalhando em São Paulo, voltava para minha terra natal no interior, defenestrado da capital pelo caos econômico dos estertores do governo Collor.

A meia década vivida na capital tinha afiado meu olhar crítico para com as mazelas e peculiaridades da província; e a intimidade crescente com a obra de H.P. Lovecraft me deixara familiarizado com o conceito de geografia imaginária, regiões fictícias de contorno verossímil, reconhecíveis como filhas e parcelas de uma área de existência real -- no caso lovecraftiano, a cidade fictícia de Arkham, firmemente enraizada na Nova Inglaterra -- mas criadas para a fantasia.

Daí nascia a região de Açaraí, que inclui essa urbe, um centro regional, e cidades menores circunvizinhas, como Parreiral e Rio Acima. Se não me engano, o município estreou como cenário do conto A Fábrica,  que viria a ser minha primeira história a ganhar um prêmio, no caso o falecido Prêmio Nova, de saudosa memória.

Dei toda essa volta para contextualizar o conto Sob o Signo de Xoth, incluído na na antologia Futebol – histórias fantásticas de glória, paixão e vitórias, que está saindo pela Editora Draco. Esta é a derradeira aventura de Açaraí, e foi por pouco que não risquei a cidade do mapa com um grande holocausto no fim do conto, que tem como clímax uma partida de futebol.

Não sei se dá para dizer que a região de Açaraí foi o primeiro esboço de um "Arkham Country" brasileiro (um dos grandes paradoxos da literatura é que sempre há um pioneiro anterior ao pioneiro que veio antes do pioneiro), mas suponho que a existência dessa série de histórias possa vir a interessar os novos fãs do weird, e do weird de sabor realista/regionalista em especial, que foram despertados para o gênero por True Detective e pelas obras publicadas em seu rastro. Se alguém realmente quiser ir atrás disso, outras ocorrências bizarras da malfadada cidade de Açaraí estão documentas aqui e aqui.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Profecia e política: parceria antiga

Dos tempos do Oráculo de Delfos, passando pelo atentado contra Ronald Reagan e à morte de Eduardo Campos, política e previsão sempre andaram juntas -- e as profecias sobre tragédias e políticos têm, todas, alguns elementos em comum. Saiba mais sobre isso no Olhar Cético da Revista Galileu.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quiropraxia: religião,negócio ou medicina?

A quiropraxia nasceu em 18 de setembro de 1895, quando seu criador, o canadense radicado nos EUA Daniel David Palmer, supostamente curou um homem de surdez, pondo uma vértebra deslocada no lugar. Palmer convenceu-se de que “95% de todas as doenças são causadas por vértebras deslocadas”. Leia o artigo completo no site da revista Galileu.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O fim do "cientista maluco"

A figura do “cientista maluco” está desaparecendo do cinema e da literatura, mesmo depois de ter sido, durante o século 20, a forma dominante de representação do pesquisador no imaginário popular, diz artigo publicado, em junho, no periódico Public Understanding of Science. A autora, Roslynn D. Haynes, faz um histórico da estigmatização, no folclore e na cultura popular, do buscador de conhecimento – dos mitos bíblicos e gregos, passando pelo alquimista medieval e chegando ao cientista – e associa o fenômeno a “um medo profundo do poder que não pode ser conquistado ou destruído pelas armas, decretos religiosos ou outros meios tradicionais”. Esse medo, argumenta ela, leva à reação típica da cultura contra os poderosos: subversão por meio da caricatura ou da vilificação. Leia mais sobre este assunto, e outros, na coluna Telescópio.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Usando 100% do cérebro

Isto talvez seja uma má notícia, mas as pessoas já usam 100% do cérebro que têm. Não 10%, como dizem alguns gurus de autoajuda, promotores do paranormal, escritores mal informados de ficção científica e, mais recentemente, o filme “Lucy”, estrelado por Scarlett Johansson, mas 100%. O cérebro todo. Não há, na sua cabeça ou na de qualquer outra pessoa, uma multidão de neurônios-estepe adormecida, esperando um choque de raios gama ou um seminário de motivação contratado pelo RH que os ative, transformando-nos todos em gênios das vendas e das finanças ou candidatos à Escola do Professor X. Leia o artigo completo no site da Galileu.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

War Stories: saiu o e-book!

A antologia de contos americana de ficção científica militar War Stories, cuja produção foi financiada via Kickstarter, está disponível, em versão e-book, para o público em geral (os patrocinadores já tinham recebido seus exemplares digitais). Por que estou gastando espaço no blog para dizer isso? Porque há um conto meu ali, oras!

A história que escrevi, In Loco, se passa num futuro indistinto -- pode ser próximo ou distante -- durante uma missão de paz conduzida por países latino-americanos numa Escandinávia balcanizada e destroçaca por guerras civis. A narrativa trata, entre outras coisas, da responsabilidade moral do soldado num cenário de "guerra remota" -- onde os militares lutam apertando botões, de uma distância segura, enquanto civis são triturados.

In Loco está na seção Armored Force ("Força Blindada") do livro, então quem já tem alguma familiaridade com ficção científica militar deve ser capaz de deduzir o tipo de tecnologia envolvida. E mais não digo, senão que o livro vale muito a pena, mesmo para quem detestar a minha história em particular.

Além do meu conto, o livro traz trabalhos inéditos de vários autores contemporâneos do gênero, além de reproduzir o clássico Graves, de Joe Haldeman. O e-book custa uns R$ 15 (dependendo das oscilações do câmbio). A edição em papel é mais cara, e deve ser lançada em outubro, mas a editora já está aceitando pré-encomendas.

Este será meu segundo conto a sair no mercado profissional americano em 2014 -- o primeiro foi na Ellery Queen Mystery Magazine com data de capa de julho. E é um conto que, curiosamente, também envolve militares, embora num papel coadjuvante. E la nave va.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Atrocidades e exorcismos

O padre romeno Daniel Corogeanu, solto depois de ter sido condenado a sete anos de cadeia pelo sequestro e assassinato, em 2005, de uma freira, foi forçado a fugir do vilarejo onde pretendia fundar um novo monastério. A vítima do crime, irmã Irina Cornici, morrera depois de passar cinco dias amarrada a uma cruz, sem água ou comida, numa tentativa de expulsar o “demônio” de seu corpo: uma versão hardcore do ritual de exorcismo. Irina tinha sido diagnosticada com esquizofrenia, mas padre Daniel acreditava que ela estava possuída e que “não se pode expulsar o diabo com pílulas”. Leia o artigo completo no site da Galileu.