quarta-feira, 25 de maio de 2016

Espadas contra Cthulhu: pré-venda!

Está em pré-venda na Amazon.com a antologia britânica Swords vs. Cthulhu, que traz um conto meu! Tratei algumas vezes, aqui no blog, de minha participação nesse livro, . Como o título deixa claro, o livro reúne contos em que aventureiros do mundo da espada-e-feitiçaria enfrentam Criaturas Que Não Devem Ser Mencionadas -- monstros inspirados pela mitologia criada pelo americano H.P. Lovecraft e seu círculo de amigos e fãs, inicialmente nas páginas da revista "pulp" Weird Tales nos anos 20/30 do século passado e, nas gerações seguintes, em livros, revistas, filmes, seriados e videogames numerosos demais para mencionar.

Pode parecer covardia lançar os Grandes Antigos de Lovecraft contra aventureiros armados de adagas e floretes -- ou mesmo espadas de duas mãos -- mas a tradição em torno desse tipo de confronto é antiga e remonta, pelo menos, aos contos The Shadow Kingdom e Worms of the Earth, de Robert E. Howard. Outros autores, como Clark Ashton Smith e Fritz Leiber -- este, meio esquecido hoje em dia, o que é uma enorme injustiça -- levaram a chama adiante.

Swords vs. Cthulhu, portanto, bebe numa venerável tradição de fusão entre horror cósmico e cenário de fantasia, algo que para mim sempre pareceu muito mais interessante do que a dieta normal de usurpadores endemoinhados e príncipes herdeiros desterrados (com um anjo ou elfo jogado aqui e ali para efeito dramático) a que a maioria dos fãs de fantasia parece habituada. Já produzi alguma coisa em português nesta veia, e quem quiser conferir esse material pode dar uma olhada aqui, aqui ou aqui.

Meu conto para SvsC tem um cenário bem próximo ao da novela As Dez Torres de Sangue, embora protagonistas e antagonistas sejam outros. É bem possível que as duas aventuras se passem no mesmo universo, embora eu ainda não tenha decidido nada a respeito, ainda.

Enfim: espero que quem se sentir estimulado a dar uma chance a Swords vs. Cthulhu aprecie o livro como um todo -- e, claro, meu conto em particular -- e tenha a curiosidade de buscar mais da boa e velha espada-e-feitiçaria com monstros cósmicos e horrores indizíveis. Porque elfos e anõezinhos de pés peludos também merecem um descanso.


sábado, 21 de maio de 2016

Pedro e o lobo transgênico

A mitologia negativa criada em torno dos alimentos geneticamente modificados -- os transgênicos -- não parece dar sinais de arrefecer. Em vez disso, como costuma acontecer com teorias da conspiração e outros fenômenos do folclore contemporâneo, desloca-se, adapta-se: ao mesmo tempo que algumas pessoas ainda se preocupam com a presença de material geneticamente modificado na ração de seus gatinhos, outras já transferem os temores para os pesticidas associados a certas variedades de transgênicos.

Esse deslocamento talvez signifique que fatos e evidências científicas acabam tendo alguma penetração na consciência coletiva, ainda que de modo lento e enviesado. Há dois anos, por exemplo, foi publicado no Journal of Animal Science um trabalho que comparou os registros sobre saúde do gado e dos frangos, antes e depois da introdução dos transgênicos na ração animal nos Estados Unidos, e não encontrou nenhuma diferença relevante.

Ao longo das duas décadas analisadas na pesquisa, a parcela da ração composta por transgênicos consumida pelo gado e pelas aves de corte americanos passou de 0% para mais de 90%, com bilhões de animais alimentados a cada ano.

De acordo com o estudo, todos os indicadores de saúde dos animais melhoraram ao longo do período. A melhoria não pode ser atribuída aos transgênicos – houve avanços em várias tecnologias relacionadas à saúde animal – mas o fato de nenhum novo problema ter surgido é significativo: é improvável, para dizer o mínimo, que pecuaristas e criadores de frango deixassem de notar súbitas epidemias de câncer ou de aberrações genéticas que, inevitavelmente, viriam a afetar a reputação do produto e a reduzir a lucratividade de seus empreendimentos.

Em tempos mais recentes, as Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos emitiram um relatório conjunto sobre os impactos econômico,ambiental e sanitário das lavouras geneticamente modificadas.

Na parte sobre saúde humana, o trabalho reconhece que, a despeito das dificuldades intrínsecas de se determinar a segurança de qualquer alimento-- "seja geneticamente modificado ou não" -- no que diz respeito ao potencial alergênico, "os dados epidemiológicos disponíveis não mostram nenhuma doença ou condição crônica nas populações que tenha correlação com o consumo de alimentos geneticamente modificados".

Prossegue o relatório: "O comitê não encontrou evidências persuasivas de efeitos à saúde adversos que possam ser atribuídos diretamente ao consumo de alimentos geneticamente modificados". Mais adiante, o texto diz que"existem algumas evidências" de que transgênicos resistentes a insetos são benéficos para a saúde pública, ao reduzir o consumo de pesticidas.

Mas e o glifosato?

Já que a tentativa de convencer a população em geral de que os transgênicos fazem mal à saúde não obteve sustentação científica e, talvez em parte graças a isso, não colou -- virando uma espécie de crença específica integrada à identidade de certos nichos sociais, mais ou menos como a virgindade de Maria está integrada à identidade católica -- os mercadores do medo (uma espécie de contrapartida, à esquerda, dos "mercadores da morte" da indústria tabagista e armamentista) resolveram se agarrar a produtos colaterais ou paralelos. Aí entrou o glifosato, principal ingrediente do herbicida RoundUp, usado em conjunto com as variedades transgênicas RoundUp Ready da Monsanto.

Parece complicado, mas não é: a Monsanto produz o herbicida RoundUp, um veneno que mata plantas, vendido como remédio para pragas que atingem certas lavouras. Mas como o RoundUp é um veneno que ataca vegetais, e as lavouras são vegetais, elas também podem acabar sucumbindo a ele, o que seria um efeito indesejado. Para aumentar o potencial de vendas do herbicida, a empresa criou uma linha de transgênicos chamada RoundUp Ready (em português, "preparado para o RoundUp") que é imune ao herbicida.

Agora, você pode ter todo tipo de objeção moral, econômica, religiosa ou metafísica à ideia de uma megacorporação multinacional manipular a natureza para poder vender mais veneno, mas o fato é que nenhum agricultor está sendo obrigado pela Gestapo a usar esses produtos, e não há nenhuma prova de que os vegetais RoundUp Ready sejam prejudiciais à saúde humana. 

Mas, e o tal herbicida? Se ele é tão venenoso assim, ao ponto de ser preciso usar plantas transgênicas para suportá-lo, o que ele não estará fazendo com a saúde humana? O primeiro ponto a se levar em consideração aí é que o glifosato é um herbicida: um veneno de plantas. Seres humanos são animais. Não há, a priori, nenhuma razão para imaginar que algo criado para fazer mal para plantas vá fazer mal para pessoas, ou vice-versa.

Mas não vamos nos fiar no a priori: o que a ciência diz? Os principais estudos citados por quem deseja assustar as pessoas com a menção da palavra "glifosato" foram assinados  ou pelo francês Gilles-Eric Séralini, ligando o herbicida e o milho RoundUp Ready à ocorrência de câncer em ratos, ou pela americana Stephanie Seneff, ligando o glifosato a praticamente tudo, ao bloquear funções importantes de certas enzimas humanas, e também ao autismo.

Então, de baixo para cima: a relação que Seneff (às vezes citada apenas como "pesquisadora do MIT") tenta fazer entre glifosato e autismo já virou uma espécie de piada nos círculos de divulgação científica da internet. Ela simplesmente pegou os gráficos de diagnósticos de autismo e de uso de glifosato e viu que ambos subiam ao longo do tempo, para daí concluir que glifosato "causa" autismo. Como já bem notou um crítico, muitas outras coisas também crescem ao longo do tempo junto com os diagnósticos de autismo, incluindo o consumo de produtos orgânicos. Será que eles causam o distúrbio?

Fonte: http://scienceblogs.com/insolence/files/2014/12/19bm94ui3v59fpng.png
Já o trabalho de Seneff ligando o herbicida a tudo tem uma cara mais científica (até foi publicado como paper) mas, nas palavras do químico Derek Lowe -- que mantém um excelente blog dentro do site da revista Science Translational Medicine -- é "um monte de merda". Lowe explica que o artigo se limita a tecer cenários especulativos e ignora todos os resultados concretos de testes realizados com glifosato e enzimas. "Depois dessa, vou ignorar tudo o que Seneff produzir sobre esse assunto", escreve ele, em outra postagem.

Quanto ao trabalho de Séralini que supostamente demonstra que o milho transgênico da Monsanto e o herbicida causam diversos tipos de dano à saúde em ratos, incluindo câncer: este estudo foi publicado originalmente em 2012, e recebeu tantas críticas da comunidade científica que acabou retratado -- o periódico que o havia trazido a público concluiu que o trabalho não tinha qualidade suficiente para fazer parte da literatura científica. 

Entre outras barbeiragens, Séralini usou um tipo de rato de laboratório já predisposto a desenvolver câncer em seus testes, e lançou mão de técnicas estatísticas questionáveis. O artigo foi republicado algum tempo depois, num veículo menos exigente, mas continua a não ser levado a sério.

No ano passado, a Agência Internacional de Pesquisado Câncer (IARC), vinculada à ONU, decidiu incluir o glifosato em sua lista 2A, de "prováveis agentes carcinogênicos". Essa decisão foi atacada de vários lados, entre outros motivos, porque cita o artigo de Séralini como se fosse uma fonte confiável. Mais recentemente, outros dois órgãos da ONU -- a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Organização de Alimento e Agricultura (FAO) -- concluíram que é improvável que o glifosato faça mal à saúde humana.

De qualquer modo, esse tipo de contradição é exatamente o que os teóricos da conspiração adoram. Talvez a OMS e a FAO tenham entrado num esquema da Monsanto, enquanto a IARC se manteve incorruptível? Não. Este artigo da revista Wired explica bem o que está acontecendo: "A IARC estuda se um produto químico pode causar câncer em qualquer situação possível, realista ou não, enquanto que o relatório conjunto [da OMS e FAO] investiga se o glifosato pode causar câncer em condições da vida real, por exemplo, se você comer toda manhã sucrilhos feitos de milho tratado com glifosato".

A distinção é entre "perigo" e "risco": roubando uma metáfora de Derek Lowe, tubarões são perigosos, mas nas condições de vida da população humana em geral -- sobre terra firme -- oferecem risco zero (a menos que você seja um personagem de Sharknado, claro). A lista da IARC avalia a evidência de que algum agente ou produto oferece perigo de causar câncer. Ela não leva em conta as condições em que esse perigo teórico se transforma num risco real. 



É por isso que a lista 1 da IARC -- agentes comprovadamente carcinogênicos -- inclui coisas tão díspares quanto fumaça de tabaco, plutônio, carnes processadas (como bacon e mortadela), luz do sol e a bactéria que causa úlcera estomacal. 

A questão do nível de exposição necessário para transformar o perigo em risco varia enormemente de um produto para o outro. Como explica este outro artigo da Wired, fumar aumenta o risco de câncer de pulmão em 2.500%. Já comer duas fatias de bacon por dia aumenta o risco de câncer colorretal em 18%. E o glifosato nem está na lista 1, onde a evidência de perigo é clara e estabelecida: está na 2A, um nível abaixo. Já a fumaça de motores a diesel está na lista 1 da IARC.

Existem diversos contaminantes ambientais e produtos que têm, ou já tiveram, uso disseminado e que, além de serem perigosos, trazem riscos reais em condições normais. O chumbo misturado ao combustível de veículos é um. O CO2, embora não traga risco direto para a saúde humana, tornou-se um contaminante perigoso para o meio ambiente. E há o tabaco, ainda amplamente usado. 

O alarmismo em torno de coisas como transgênicos acaba dando a muita gente pretexto para ser blasé em relação a riscos reais, como o cigarro, e reduz o nível de aceitação e de credibilidade de alertas importantes em parte da população que se acredita bem informada: a sucessão de alarmes falsos torna as pessoas insensíveis à presença dos verdadeiros lobos no rebanho.









quarta-feira, 18 de maio de 2016

Eletricidade e regeneração de tecidos

Um campo elétrico pode ser usado para induzir células fotorreceptoras, as responsáveis por captar a luz que chega ao fundo do olho e convertê-la em sinais visuais para o cérebro, a mudar de forma e a se mover, mostra a tese de doutorado “Photoreceptors in Electric Field” (Fotoreceptores em Campo Elétrico), defendida na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp por Juliana Guerra Hühne. O resultado abre caminho para o estudo do uso de campos elétricos em terapias de regeneração de danos na retina. A reportagem completa está no Jornal da Unicamp.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Artefato, sim, mas não alienígena

Em outubro do ano passado, uma série curiosa, e aparentemente inexplicável, de flutuações no brilho observado da estrela KIC 8462852, localizada a cerca de 1,4 mil anos-luz, na constelação do Cisne, levou alguns cientistas a imaginar se ela poderia estar sendo alvo de um gigantesco projeto de engenharia alienígena – especulou-se que talvez estivesse sendo encerrada numa Esfera de Dyson, uma tecnologia hipotética proposta pelo físico americano, nascido no Reino Unido, Freeman Dyson, em 1960. Em tese, uma Esfera de Dyson permitiria a uma civilização avançada aproveitar até 100% da energia de seu sol.

A sugestão de que estaríamos assistindo a uma obra de engenharia alienígena foi reforçada, depois, pela constatação de que a estrela vinha perdendo brilho ao longo do século 20. Mas agora, um novo estudo indica que essa perda gradual é, na verdade, um efeito de mudanças na instrumentação usada para observar a estrela -- um efeito tecnológico, enfim, mas de origem bem terrestre. Nota completa sobre o assunto aparece na coluna Telescópio

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Trilogia: pensadores brasileiros e a crise política

Nas últimas semanas, o Jornal da Unicamp publicou uma série de entrevistas com intelectuais brasileiros sobre a crise do governo Dilma, o processo de impeachment e seus prováveis e possíveis desdobramentos. Participei ativamente de parte desse processo, então gostaria de deixar aqui os links para o material produzido:

Para Laymert, país já vive Estado de Exceção

Para Romano, acomodação da esquerda está na gênese da crise

Dez visões sobre o impasse político

Como se deduz dos títulos, as duas primeiras são entrevistas individuais mais extensas, com os professores Laymert Garcia e Roberto Romano, respectivamente, e a última, uma série de questões rápidas feitas a dez intelectuais, entre eles José Arthur Giannotti, Leandro Karnal, Cícero Romão de Araújo e Walquíria Leão Rego. 

Não há unanimidade, entre os ouvidos, quanto à avaliação do processo que levou ao afastamento de Dilma Rousseff (golpe de Estado, normalidade constitucional, remédio para um vácuo de poder e "golpe baixo, não de Estado" foram algumas das definições dadas), mas todos se mostraram preocupados com o futuro, num contraste com a visão otimista que a mídia mais "mainstream" parece estar tentando passar. 

É bem provável que qualquer leitor que se dê ao trabalho de percorrer o material acabe encontrando seu próprio ponto-de-vista ali, assim como o das pessoas de quem discorda -- só que, em qualquer caso, articulado de um modo mais eloquente e  racional do que se anda vendo nas redes sociais. Só por isso, vale o exercício.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Terapias alternativas para câncer: qual o problema?

Nestes tempos de histeria fosfoetanolamínica, com um bocado de gente que deveria estar mais bem-informada embarcando na onda do "que mal que tem", do "se querem usar, que usem, e daí" e (meu favorito pessoal) "é só uma última esperança para quem já tentou tudo", chega dos Estados Unidos um trabalho que -- com uma boa dose de otimismo -- pode trazer alguma sobriedade à conversa. Fundamentalmente, é mais uma evidência de que terapias sem comprovação científica, toleradas como "alternativas e complementares" acabam, na prática, se tornando "substitutivas", com resultados trágicos.

Falando em resultados: mulheres que usam suplementos alimentares como uma forma de terapia alternativa têm mais chance de adiar -- ou, até, de rejeitar -- o início da quimioterapia contra câncer de mama, mesmo depois de o tratamento ser indicado como necessário pelo médico. Em estudo realizado pela Universidade de Columbia e publicado em JAMA Oncology, de um grupo de quase 700 mais de 300 mulheres com câncer de mama em estágio inicial e indicação de quimoterapia, 11% não iniciaram o tratamento. Dessas, 88% eram usuárias de suplementos alimentares, sendo a maioria (71%) de suplementos baseados em vitaminas e minerais. Entre as que iniciaram quimioterapia, uma taxa menor( 62%) eram consumidoras de suplementos, e uma menor ainda (27%) de usuárias de suplementos de vitaminas e minerais. A diferença entre os grupos  foi considerada estatisticamente significativa.

O artigo do JAMA Oncology segue  apontando uma correlação mais geral entre o número de tratamentos alternativos usados pela mulher e a probabilidade de ela não iniciar a quimioterapia. Os únicos tratamentos alternativos que parecem não reduzir a disposição da paciente a se submeter à terapia recomendada pelos médicos foram os classificados como "práticas mente-corpo", categoria que inclui meditação, yoga, massagens e acupuntura.

Os autores do artigo chamam atenção para o fato de que suplementos alimentares têm mais "cara de remédio" (são apresentados sob a forma de cápsulas, por exemplo) do que as práticas mente-corpo, que muitas vezes assumem a forma de comportamentos ou exercícios físicos. Além disso, muitos suplementos são vendidos "para" um órgão específico (fígado, estômago, coração), o que reforça sua identidade simbólica com medicamentos reais. "Até o momento, no contexto da oncologia de mama a maioria das intervenções baseadas em suplementos alimentares não se provou benéfica", lembra o artigo. Esse "maioria", aí no texto publicado pelo JAMA Onc., é diplomático: imagino que "totalidade" seja uma descrição mais precisa.

Os autores concluem sugerindo que os médicos perguntem às pacientes sobre o uso de terapias alternativas, e que encarem o consumo de suplementos alimentares como um indicador de que há uma chance alta de que a paciente vá se recusar a iniciar a quimioterapia, mesmo quando clinicamente indicada.

Trocando em miúdos, isso tudo quer dizer que mulheres que acreditam que tomar pílulas inúteis de vitaminas faz bem para a saúde (e, também, que abraçam coisas como florais e ervas) estão predispostas a abrir mão de um tratamento que pode salvar suas vidas.

O trabalho de Columbia não investiga a causa da predisposição, e é óbvio que recusar tratamento médico é um direito humano fundamental -- em minha opinião, até mesmo a eutanásia é -- mas um direito de livre escolha só é realmente exercido quando as opções são apresentadas de modo claro e honesto: qualquer outra coisa representa indução ao erro, talvez até fraude. E é difícil não imaginar que boa parte dessas mulheres que preferem suplementos e vitaminas à quimioterapia toma a decisão enganada: enganada por amigos, parentes, terapeutas, vendedores, pela mídia, até pelo governo.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Hidrelétricas e meio ambiente

O controle do fluxo de água dos rios por barragens hidrelétricas pode ameaçar a cadeia alimentar à jusante, ao eliminar populações de insetos aquáticos, alerta estudo realizado nos Estados Unidos e publicado no periódico Bioscience.

A equipe de autores, encabeçada por pesquisadores da US Geological Survey (USGS), debruçou-se especificamente sobre os efeitos da prática de regular a liberação de água pela barragem de acordo com o consumo de energia, fazendo o rio correr com maior vazão em horários de pico de demanda.

Usando amostras colhidas por cidadãos voluntários ao longo do Rio Colorado, e por um levantamento da diversidade de insetos em rios barrados do Oeste do país, os cientistas concluem que o controle artificial da vazão do rio é incompatível com os hábitos de reprodução de certas espécies de inseto importantes para a cadeia alimentar. O resumo do artigo pode ser lido neste link.