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100 anos do "Último Adeus"

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Vamos fechar a semana tratando de coisas agradáveis? Hoje faz cem anos que o conto O Último Adeus de Sherlock Holmes (His Last Bow) foi publicado na revista americanaCollier's. Esta história não foi, de fato, o "último adeus" do personagem -- Conan Doyle continuaria publicando novas histórias de Holmes por mais dez anos -- mas ela traz uma série de peculiaridades: é o único conto concebido e escrito em terceira pessoa (o texto de A Pedra Mazarino, que também usa esse tipo de narração, havia sido planejado como peça de teatro), é o mais adiantado na cronologia do personagem (passa-se em 1914) e, claro, trata da atuação de Sherlock Holmes na contraespionagem inglesa às vésperas da I Guerra Mundial.

Segundo Owen Dudley Edwards, editor da coleção de Sherlock Holmes publicada pela Universidade Oxford, o conto parece ter sido inspirado por uma visita de Arthur Conan Doyle ao front francês em 1916, quando o general George-Louis Humbert perguntou ao escritor se Sherlock Holmes …

Estreia da newsletter!

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Um pouco mais cedo, hoje, disparei a primeira edição da newsletter do blog, um e-mail contendo notas que resumem algumas das descobertas científicas mais importantes ou interessantes (em minha opinião, claro) da semana. O cabeçalho foi este:


A manchete trata dos resultados mais recentes da Colaboração Pierre Auger, anunciados na Science.Mais lá pra baixo há outras notas (nesta semana foram sete, ao todo), e concluindo com estas:


(Essa dos dinossauros prossegue, aí só tem o lide)

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Todo mundo está errado

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Todo mundo acredita em bobagens. Cada um dos leitores deste artigo. E eu também, claro. É óbvio: o ser humano é falível. Qualquer pessoa mentalmente sã deve ser capaz de admitir que, em algum canto do cérebro, haverá pelo menos uma crença falsa, uma convicção inválida, uma opinião que não corresponde aos fatos. Uma bobagem.

Isso, em teoria. Mas, e na prática? Quando analisamos criticamente o conteúdo de nossas mentes e verificamos as crenças que temos, uma a uma, é raro conseguirmos achar algo de errado: mesmo quando nossos amigos ou adversários nos oferecem argumentos que contrariam nossas opiniões, caímos muito facilmente num diagnóstico do tipo “eu sou racional, meu amigo é teimoso, meu adversário é um idiota”. (Leia o restante deste ensaio na Revista Amálgama)

Ciência e sociedade, duas vezes

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Muita gente, e muita gente inteligente, desconfia dos apelos à ciência e à matemática no debate de problemas sociais: nos primórdios de minha carreira jornalística, tive um editor -- excelente jornalista, diga-se -- que não hesitava em igualar o uso de números à mera picaretagem: "estatística é o que diz que o pobre e o rico jantaram, em média, meio banquete cada", dizia. Acusações genéricas de "cientificismo" são hoje menos frequentes do que já foram, mas ainda dão o ar de sua graça.

Numa população com um nível educacional tão baixo e tão pouco afeita a mexer com números (para felicidade dos bancos e das lojas que vendem a prazo), essa atitude ressabiada tem lá sua razão de ser, mas se levada ao extremo, pode causar danos irreparáveis. A melhor resposta que já encontrei está no livro Naked Statistics, do economista Charles Wheelan, que cita o matemático sueco Andrejs Dunkels: "é fácil mentir com estatísticas, mas é difícil contar a verdade sem elas".

Es…

Tchau, Cassini

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A missão Cassini, uma iniciativa conjunta da Nasa e da Agência Espacial Europeia, chega ao fim hoje. O lançamento da Cassini, em 1997, foi um dos primeiros eventos internacionais de ciência de acompanhei profissionalmente como jornalista, num período extremamente movimentado para o setor -- mais ou menos na mesma época, houve o torneio de xadrez entre Garry Kasparov e o computador da IBM, e também o pouso do primeiro robô móvel em Marte, o Sojourner, da Nasa. Foram bons tempos para escrever sobre ciência. Tudo era muito lúdico, maravilhoso, cheio de esperança. A distopia ainda não tinha nos atropelado.

Fazer um balanço de todo o conhecimento -- e do deleite estético -- que Cassini produziu desde que chegou ao sistema formado por Saturno, suas luas e seus anéis é assunto para livros inteiros, então vou ficar com um só, o dos gêiseres de Encélado:



A imagem acima foi feita ano passado, enquanto a Cassini se aproximava para um último sobrevoo do polo sul de Encélado, uma das luas de Satu…

Tem certeza de que se lembra de onde estava em 11/9?

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O aniversário dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 geraram uma verdadeira onda de lembranças nas redes sociais, com pessoas perguntando e relatando onde estavam e o que faziam quando os aviões atingiram as torres. Curiosamente, as memórias do 11/9 foram objeto de diversos estudos sobre a ilusão da permanência das chamadas “flashbulb memories”,  as lembranças de eventos marcantes que parecem ficar  “marcados a ferro e fogo” na memória -- mas não ficam.

Em um artigo publicado no periódico Applied Cognitive Psychology em 2004, o pesquisador da Universidade Duke Daniel Greenberg aponta que o presidente dos Estados Unidos na época dos ataques, George W. Bush, num intervalo de pouco mais de 30 dias – entre 4 de dezembro de 2001 e 5 de janeiro de 2002 – deu três versões diferentes sobre como ficou sabendo dos atentados.

Pior, duas dessas versões continham uma alegação impossível: a de que ele havia assistido à transmissão ao vivo da colisão do primeiro avião com as Torres Gêm…

Campanha de assinaturas do blog

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Quem acessou este blog ao longo do feriado talvez tenha encontrado, no rodapé de algumas postagens, um aviso pedindo assinaturas. Aquilo foi o "lançamento suave" da campanha, que retomo agora, numa versão um pouco mais "hard".

Então.

O blog está pedindo assinaturas. Por quê? Basicamente, porque eu gostaria de ter mais liberdade para escolher meus temas (minhas "pautas", como se diz em jornalismo) e, tendo-os escolhido, mais espaço de manobra para apurar os assuntos do jeito que acho que devo, e escrever depois do jeito que acho que devo.

O fato de o blog não gerar renda muitas vezes me força a ser superficial, a deixar alguns temas que considero importantes de lado enquanto corro atrás da ração do gatinho, etc. Assinaturas são um jeito de contornar isso. Claro, se houver assinantes.O projeto "levantar fundos para o blog" também inclui uma lojinha de livros usados dentro do guarda-chuva da Amazon.com.br, aliás.

Não sei se há gente suficiente, aí…