terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quiropraxia: religião,negócio ou medicina?

A quiropraxia nasceu em 18 de setembro de 1895, quando seu criador, o canadense radicado nos EUA Daniel David Palmer, supostamente curou um homem de surdez, pondo uma vértebra deslocada no lugar. Palmer convenceu-se de que “95% de todas as doenças são causadas por vértebras deslocadas”. Leia o artigo completo no site da revista Galileu.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O fim do "cientista maluco"

A figura do “cientista maluco” está desaparecendo do cinema e da literatura, mesmo depois de ter sido, durante o século 20, a forma dominante de representação do pesquisador no imaginário popular, diz artigo publicado, em junho, no periódico Public Understanding of Science. A autora, Roslynn D. Haynes, faz um histórico da estigmatização, no folclore e na cultura popular, do buscador de conhecimento – dos mitos bíblicos e gregos, passando pelo alquimista medieval e chegando ao cientista – e associa o fenômeno a “um medo profundo do poder que não pode ser conquistado ou destruído pelas armas, decretos religiosos ou outros meios tradicionais”. Esse medo, argumenta ela, leva à reação típica da cultura contra os poderosos: subversão por meio da caricatura ou da vilificação. Leia mais sobre este assunto, e outros, na coluna Telescópio.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Usando 100% do cérebro

Isto talvez seja uma má notícia, mas as pessoas já usam 100% do cérebro que têm. Não 10%, como dizem alguns gurus de autoajuda, promotores do paranormal, escritores mal informados de ficção científica e, mais recentemente, o filme “Lucy”, estrelado por Scarlett Johansson, mas 100%. O cérebro todo. Não há, na sua cabeça ou na de qualquer outra pessoa, uma multidão de neurônios-estepe adormecida, esperando um choque de raios gama ou um seminário de motivação contratado pelo RH que os ative, transformando-nos todos em gênios das vendas e das finanças ou candidatos à Escola do Professor X. Leia o artigo completo no site da Galileu.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

War Stories: saiu o e-book!

A antologia de contos americana de ficção científica militar War Stories, cuja produção foi financiada via Kickstarter, está disponível, em versão e-book, para o público em geral (os patrocinadores já tinham recebido seus exemplares digitais). Por que estou gastando espaço no blog para dizer isso? Porque há um conto meu ali, oras!

A história que escrevi, In Loco, se passa num futuro indistinto -- pode ser próximo ou distante -- durante uma missão de paz conduzida por países latino-americanos numa Escandinávia balcanizada e destroçaca por guerras civis. A narrativa trata, entre outras coisas, da responsabilidade moral do soldado num cenário de "guerra remota" -- onde os militares lutam apertando botões, de uma distância segura, enquanto civis são triturados.

In Loco está na seção Armored Force ("Força Blindada") do livro, então quem já tem alguma familiaridade com ficção científica militar deve ser capaz de deduzir o tipo de tecnologia envolvida. E mais não digo, senão que o livro vale muito a pena, mesmo para quem detestar a minha história em particular.

Além do meu conto, o livro traz trabalhos inéditos de vários autores contemporâneos do gênero, além de reproduzir o clássico Graves, de Joe Haldeman. O e-book custa uns R$ 15 (dependendo das oscilações do câmbio). A edição em papel é mais cara, e deve ser lançada em outubro, mas a editora já está aceitando pré-encomendas.

Este será meu segundo conto a sair no mercado profissional americano em 2014 -- o primeiro foi na Ellery Queen Mystery Magazine com data de capa de julho. E é um conto que, curiosamente, também envolve militares, embora num papel coadjuvante. E la nave va.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Atrocidades e exorcismos

O padre romeno Daniel Corogeanu, solto depois de ter sido condenado a sete anos de cadeia pelo sequestro e assassinato, em 2005, de uma freira, foi forçado a fugir do vilarejo onde pretendia fundar um novo monastério. A vítima do crime, irmã Irina Cornici, morrera depois de passar cinco dias amarrada a uma cruz, sem água ou comida, numa tentativa de expulsar o “demônio” de seu corpo: uma versão hardcore do ritual de exorcismo. Irina tinha sido diagnosticada com esquizofrenia, mas padre Daniel acreditava que ela estava possuída e que “não se pode expulsar o diabo com pílulas”. Leia o artigo completo no site da Galileu.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Agora só falta a Universal ter um país só dela

A imagem dos camisas pretas de Mussolini marchando sobre Roma foi a primeira que me veio à mente quando li a notícia de que uma tropa de camicie bianche da Universal do Reino resolveu tomar as leis de trânsito nas próprias mãos e decidir quem podia, ou não, usar as vias públicas durante a inauguração do Templo, dito de Salomão, sem ser incomoda pelas autoridades que, em tese, deveriam zelar pelo direito de ir e vir de cidadãos de todos os credos, etnias, orientações sexuais, etc.

Logo me dei conta, no entanto, de que a comparação com o fascismo era um exagero, em que pesem a tropa uniformizada, o líder carismático fardado (ou, no caso, fantasiado de rabino) e a guarda de honra, vestida como extras de Indiana Jones e o Templo da Perdição, a carregar a Arca da Aliança nos ombros (foram eles que confundiram os filmes, não eu).

A temporária privatização branca -- trocadilho intencional -- das ruas no entorno do templo, assim como a presença dos chefes dos três níveis do Executivo apenas mostram que a Universal do Reino ascendeu, aos olhos dos políticos brasileiros, ao céu dos "amigos" citados na frase "aos amigos tudo, aos inimigos, a lei".

Qualquer um pode adentrar esse paraíso, bastando para isso uma alta capacidade comprovada de financiamento eleitoral ou de produção de votos -- ou, idealmente, ambos. Quem está nele é, para todos os efeitos práticos, tão inimputável quanto o Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa. Nele convivem movimentos sociais, igrejas, empreiteiras, sindicatos.

Há variações regionais e partidárias, é claro, mas existem alguns poucos "amigos" realmente nacionais, e a Universal do Reino parece ter conquistado seu lugar entre eles, bem ao lado da Católica. Para haver isonomia completa só falta o Edir Macedo firmar um tratado diplomático com o governo brasileiro, indicar ministros ao STF e o dia da inauguração do templo virar feriado nacional.

A primeira parte pode parecer delirante, mas uma história da Cientologia diz que L. Ron Hubbard tentou comprar um Estado na África para criar seu próprio "Vaticano". Talvez outros possam vir a ter sucesso onde ele falhou? Tornar-se uma teocracia pode ser o que falta para Sealand ser levado a sério na política internacional, afinal.

Já a segunda e a terceira podem estar mais perto do que se imagina: o segundo suplente na chapa de José Serra ao Senado, por exemplo, é bispo (licenciado) da Universal.


Alguém poderia ver nisso um sinal de evolução da democracia brasileira: não só a lista de "amigos" torna-se mais inclusiva, como a deferência concedida historicamente ao catolicismo passa a ser estendida a outros credos. Mas esse seria um "alguém" que eu gostaria de mandar para os quintos dos infernos. A verdadeira democracia não é aquela com um clube elástico de "amigos",  mas uma onde impera o princípio da impessoalidade, em que a lei é, de fato, cega e vale para todos: quem comete um crime é criminoso, não importa se agiu em nome de Deus ou do "movimento social".

Da mesma forma, um Estado democrático é um Estado laico -- o que não significa que todas as religiões devam ter os mesmos privilégios e sinecuras, e sim que nenhuma religião deve ter privilégios e sinecuras. O Brasil, no entanto, segue pelo caminho de menor resistência, onde homens (e mulheres) públicos rifam princípios em nome de ganhos políticos de curto prazo.

Millôr Fernandes, que vem sendo muito lembrado neste ano, tinha uma máxima sobre esse ethos nacional Stanislaw Ponte Preta, o incansável compilador do Festival de Besteiras que Assola o País, tinha uma boa frase sobre esse ha´bito nacional: "Ou se instaura a moralidade, ou nos locupletemos todos". O problema é que não dá para todos se locupletarem ao mesmo tempo: cedo ou tarde, alguém paga a conta.







quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Paraíso segundo Millôr

A verdadeira história do Paraíso ou Esta é a verdadeira história do Paraíso é, na verdade, duas histórias. Ou três. Todas extremamente relevantes para o mundo atual, como veremos a seguir. A primeira dessas histórias é a graphic novel – talvez fosse melhor dizer, graphic poem – criada por Millôr Fernandes para a revista O Cruzeiro, publicada em 1963, onde o grande escritor, ilustrador e humorista reconta os eventos dos capítulos 1 a 4 do Gênesis, pontuando-os com alfinetadas céticas, filosóficas e poéticas: Deus fez o Sol, Deus fez a pedra, mas será que também fez a sombra da pedra, ou foi pego de surpresa? Se tinha toda a eternidade à disposição, por que criou o mundo assim nas coxas, em apenas seis dias? Leia a resenha completa no Amálgama.