terça-feira, 22 de julho de 2014

Pensamento mágico: o que é, como não funciona

Depois do fiasco da seleção brasileira na Copa, vi algumas pessoas escrevendo que o time da CBF havia sucumbido por ter confiado demais no “pensamento mágico”. Minha definição favorita da expressão vem do historiador britânico Richard Cavendish: “um tipo de lógica que prefere a plausibilidade poética à plausibilidade física”. Em outras palavras, o pensamento mágico é aquele em que as relações metafóricas entre símbolos são mais importantes que as relações físicas entre coisas. Leia mais a respeito no Olhar Cético.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Hitler era vegetariano, Kepler astrólogo. E daí?

Segundo reportagem publicada, em 1938, numa revista inglesa de decoração e paisagismo, Adolf Hitler tinha uma linda casa de campo, era vegetariano, abstêmio, criava cães e não fumava. Biografias afirmam que Johannes Kepler, um dos pais da astronomia moderna, traçava horóscopos. E, embora eu não tenha uma referência exata para citar no momento, parece-me perfeitamente claro que Josef Stálin acreditava que 2+2=4. E o que tudo isso quer dizer? Absolutamente nada. Leia o artigo completo no Olhar Cético da Revista Galileu.

terça-feira, 8 de julho de 2014

"Provas" do céu e do inferno

Em 1876, o padre católico francês Louis-Gaston de Ségur publicou um pequeno livro chamado “O Inferno: se existe, o que é, como evitá-lo”. Na primeira parte da obra, que busca estabelecer a realidade do tormento eterno, De Ségur relata uma série casos, reais e “de fonte segura”, de pessoas que voltaram das chamas infernais para dar depoimento. Em temos mais recentes, livros de depoimentos tentam mostrar que o paraíso é real. Leia mais a respeito no Olhar Cético da revista Galileu.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

De volta ao mundo do terror

Meu primeiro livro publicado foi Medo, Mistério e Morte, lançado em 1996 por uma pequena editora chamada Didática Paulista, que de lá para cá mudou de nome e se especializou em livros evangélicos (o que mostra, entre outras coisas, que o destino é um grande ironista). O título, imagino, já deixa claro que se trata de uma coleção de contos de terror. Muitas dessas histórias tinham inspiração direta na obra de H.P. Lovecraft, ainda que eu me reserve o direito de achar que fiz algumas contribuições originais aos Mitos de Cthulhu, como a criação de um livro maldito em tupi-gurani, o temível Ang-Mbai Aiba.

Cheguei a militar no fandom internacional de Lovecraft e do terror literário, filiando-me por algum tempo à Horror Writers Association, publicando alguns trabalhos em inglês, não só online como também no clássico fanzine de papel Crypt of Cthulhu.

Bom, acontece que o tempo passou, meus interesses se diversificaram e acabei desenvolvendo uma certa antipatia ideológica pelos Mitos -- ou, mais especificamente, pela ideia de que ter curiosidade é uma coisa ruim, pressuposto que está na base de muita ficção inspirada em Lovecraft. Some-se a isso o dado de que o terror lovecraftiano era um nicho minúsculo dentro de um nicho minúsculo, e o fato é que acabei partindo para outras plagas literárias.

Foi com alguma diversão, portanto, que vi, nos últimos anos, Lovecraft e um de seus precursores, Robert W. Chambers, virarem figuras "quentes" no mundo da cultura pop, a ponto de essa minha vida pregressa ter me credenciado a fazer as anotações para a edição da Intrínseca de O Rei de Amarelo. É meio envaidecedor ver o zeitgeist chegando aonde eu estava 20 anos atrás, mas também é um tanto quanto irritante. Quando chegar a vez de Clark Ashton Smith virar modinha, provavelmente vou querer dar com a cabeça na parede.

Escrevi tudo isso aí em cima só para anunciar que finalmente consegui rescindir meu contrato com a ex-Didática Paulista, o que me liberou para relançar Medo, Mistério e Morte na casa atual de minha obra ficcional, a Editora Draco. Agora com um novo título -- Mistérios do Mal -- e ampliado com outros contos da minha fase lovecraftiana (incluindo Rex Ex Machina, sobre o Rei de Amarelo), o livro ainda não saiu, mas os contos individuais já estão disponíveis em formato e-book, e podem ser adquiridos, um de cada vez, neste link.

Essas histórias passaram apenas por uma revisão bem leve entre suas encarnações anteriores -- no livro de 96, em fanzines ou em revistas que já não circulam mais, como a Isaac Asimov brasileira e a Dragão Brasil -- e, portanto, podem parecer meio imaturas se comparadas a meu trabalho mais recente, como este conto, premiado há algum tempo, ou o romance Guerra Justa, de ficção científica. Ainda assim, há quem diga que esses meus contos primevos é que eram os melhores. Você, é claro, está convidado a tirar suas próprias conclusões!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Escritora que era louca, ou louca que escrevia?

Mãe adolescente, mulher rica que chegou a se definir como “esquizofrênica de carteirinha”, aviadora, homicida, cega, prisioneira, escritora genial. A mineira Maura Lopes Cançado (1929-1993) foi tudo isso: saudada como uma das principais promessas da literatura brasileira nos anos 60, “contista revelação” do lendário Suplemento Dominical do Jornal do Brasil – onde trabalhavam, entre outros, Carlos Heitor Cony e Ferreira Gullar – Maura passou a vida adulta entrando e saindo de hospícios e, numa dessas internações, matou outra paciente. Presa num hospital penitenciário, em condições precárias, desenvolveu catarata, ficou cega. Libertada, passou por uma cirurgia e recuperou a visão, mas não escreveu mais. Leia, no Jornal da Unicamp, entrevista que fiz com a pesquisadora Célia Musilli, que mergulhou na obra de Maura.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

As pirâmides de Fantástico

Algumas pessoas me procuraram, nas redes sociais, em busca de comentários a respeito da reportagem do Fantástico do último dia 22, que trata de uma comunidade mística, na Serra do Roncador, no Centro-Oeste brasileiro, onde são realizados rituais de “cura” envolvendo cirurgias sem bisturi e pirâmides flutuantes. Depois de assistir à matéria (que está online, acompanhada de uma útil transcrição, neste link ), resolvi oferecer meus dois centavos a respeito, e também falar um pouco sobre os precedentes, na cultura popular e no meio esotérico, das alegações dos místicos da Serra. Você pode ler o comentário completo no site da revista Galileu.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Poltergeist!

Um caso de poltergeist – alemão para “espírito barulhento” – ocorrido no Rio Grande do Sul virou reportagem de emissora de TV e andou fazendo a ronda das redes sociais nas últimas semanas. O poltergeist é um tipo especialmente violento de assombração. Nesse fenômeno, ruídos sem causa aparente são ouvidos dentro de uma casa, e objetos são jogados contra paredes ou se quebram sem que ninguém seja visto fazendo os arremessos ou provocando os danos. No caso gaúcho recente, a família vitimada optou por demolir a casa – que era de madeira – e se mudar. (Leia análise completa do caso no Olhar Cético desta semana)