quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Prever tragédias é um bom negócio

Prever tragédias é, apesar das aparências em contrário, um negócio relativamente seguro. Se elas se concretizam, você acertou; se não, foi porque as pessoas levaram seu aviso a sério e tomaram medidas preventivas. Medidas essas que podem ser qualquer coisa, de salvaguardas tecnológicas a círculos de oração, “energia positiva”, exorcismos. (Leia o artigo completo no Olhar Cético)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Anuário de Literatura Fantástica: balanço da década

Saiu, ou está prestes a sair, a edição de 2014, referente a 2013, do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Dizem-me que esta edição será a derradeira, e que fará um balanço da última década da produção de literatura de fantasia, terror e ficção científica no Brasil. 

Os editores do Anuário, Marcello Simão Branco e César R.T. Silva, são velhos amigos da era pré-internet. Fomos durante algum tempo, parceiros numa empreitada editorial, a Editora Ano-Luz, e numa das primeiras edições do anuário ambos chegaram a me entrevistar como "personalidade do ano", por conta do lançamento da primeira edição de minha coletânea Tempos de Fúria, cujos contos estão hoje disponíveis em formato e-book.

Será uma pena se essa for mesmo a edição final, mas a ideia de um balanço da década é muito interessante -- em 2004 ainda estávamos longe, por exemplo, do boom mercadológico da fantasia "made in Brazil" e do advento do marketing agressivo do livro eletrônico (o Kindle data de 2007). As ferramentas de conectividade social que hoje são essenciais para dar (alguma) visibilidade a autores e obras nem existiam, ou ainda engatinhavam.

Este Anuário coleciona depoimentos de várias figuras que, no entendimento dos autores, teriam algo a dizer sobre o desenvolvimento do campo na última década. Fui um dos convidados a opinar. Não sou muito de dar palpite sobre questões estruturais, estéticas, sociais, etc., envolvendo o tipo de literatura que pratico -- quando acho que tenho algo interessante a dizer, prefiro trabalhar o assunto num conto -- então esse depoimento ao César e ao Marcello foi uma coisa meio rara. 

Ainda não sei quanto do que disse foi aproveitado, mas se fosse tirar uma pílula essencial de minhas impressões, seria esta frase: "o fantástico não pode se contentar em ser o Luan Santana da literatura brasileira, e deixar para o mainstream a tarefa de ser todo o resto, de Rita Lee a Villa-Lobos." Quem quiser saber mais do que eu disse, ou do que os outros disseram, está convidado a adquirir um exemplar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Honestidade em teste

Três economistas da Universidade de Zurique publicam, na revista Nature, um experimento realizado para testar a hipótese de que os grandes bancos internacionais fomentam, entre seus funcionários, uma “cultura de desonestidade” que teria sido uma das causas da grave crise econômica desencadeada em 2008, e descobriram que os bancários de uma grande firma internacional não são mais desonestos que a população em geral – exceto quando se lembram de que são bancários. Leia a nota completa no Telescópio.

Para que serve "água alcalina"?

Há algum tempo, houve uma certa movimentação nas redes sociais aqui no Brasil para promover os supostos benefícios para a saúde humana da chamada “água alcalina”, o que mais uma vez vem a mostrar que basta uma moda de estilo de vida começar a ser desacreditada lá fora para que se tente exportá-la aqui para o Brasil. Leia mais sobre os (inexistentes) benefícios desse produto no Olhar Cético.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A volta do Telescópio!

Depois de um mês de férias, minha coluna Telescópio volta a sair no Jornal da Unicamp. A desta semana tem, entre outras, a seguinte nota:

Análise da Wikipedia prevê epidemias

Cada vez mais pessoas buscam informações sobre doenças na internet antes de procurar ou obter atendimento médico, o que faz com que uma análise das estatísticas de acesso à Wikipedia possa detectar uma epidemia antes que ela seja registrada pelas autoridades sanitárias, diz artigo publicado no periódico "PLoS Computational Biology". (Leia o restante da nota, e as demais, neste link)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tocamos um cometa

Hoje, ma espécie humana, por meio de um robô construído na Europa, tocou, suavemente, a superfície de um cometa. Não foi uma colisão: foi um carinho. Durante milênios os cometas foram vistos como presságio de catástrofe, mas hoje nossa espécie, talvez tentando demonstrar uma maturidade ainda incipiente, se aproximou de um deles com ternura.

Não vou me estender aqui sobre o colossal esforço técnico, científico e intelectual por trás disso; nem vou gastar muito tempo lembrando que foi nossa ciência, tão assumidamente falível e, por isso mesmo, tão poderosa, que fez com que, após uma viagem de mais de dez anos, uma partícula de matéria em movimento chegasse exatamente onde deveria, sem intervenção humana direta, na superfície de outra partícula, viajando ao redor do Sol numa velocidade estonteante.

Em vez disso, deixo aqui uma foto -- a imagem da superfície de um cometa -- e alguns versos de Jorge Luis Borges, compostos a respeito de um feito semelhante:

Dos hombres caminaron por la luna.
Otros después. ¿Qué puede la palabra,
Que puede lo que el arte sueña y labra,
Ante su real e casi irreal fortuna?
Ebrios de horror divino y de aventura, 
Esos hijos de Whitman han pisado
El páramo lunar, el inviolado
Orbe que, antes de Adán, pasa y perdura.  

Hoje, graças à internet, os "ébrios de horror divino e de aventura" somos todos nós. Abaixo, o orbe inviolado que, desde antes de Adão, passa e perdura, e que tocamos neste dia:




Programação Neurolinguística vs. Ciência

É difícil definir “Programação Neurolinguística” (PNL). O sistema original de terapia e autoajuda a adotar o nome foi criado, na década de 70, pelo linguista John Grinder e pelo psicólogo Richard Blander, nos Estados Unidos. Eles propunham que deveria ser possível reproduzir o sucesso de figuras eminentes a partir da imitação do modo de falar, pensar e agir dessas pessoas. Indo um pouco mais fundo, Grinder e Blander acreditavam ter descoberto uma espécie de “linguagem de programação” mental: de acordo com eles, certos modos de comunicação permitiriam ajustar a mente para a obtenção de resultados desejados, sejam eles terapêuticos, econômicos, etc. Em outras palavras, a linguagem – oral, corporal, etc. – “programa” o cérebro. Leia o artigo completo no Olhar Cético.