Instituto Questão de Ciência


Agora que o gato proverbial está proverbialmente fora do proverbial saco, posso contar aqui no blog -- e para os amigos que só me ouviam dizer, de modo um tanto quanto misterioso, que eu estava "enrolado com uns projetos" -- que na segunda quinzena de novembro acontece o lançamento oficial do Instituto Questão de Ciência, em cuja organização estou envolvido, sobre o qual há um press-release publicado no Facebook, onde também se encontra o convite para a abertura oficial.

Mas você está agora no meu blog, não no Facebook, então provavelmente gostaria de ler algo sobre minha perspectiva pessoal a respeito do que está acontecendo. Vamos lá, então.

Comecei a trabalhar com jornalismo para internet em 1996. Falei sobre isso na minha palestra TEDx do ano passado, mas acho que jamais serei capaz de expressar direito meu estado de absoluta estupefação com o universo online quando o encontrei pela primeira vez como jornalista -- jornalista encarregado de entender, organizar e explicar a bagaça toda para o público "leigo", que via a rede como uma mídia nova, difícil, capciosa.

Ainda era a época da internet baseada em sites e páginas web, não em redes de mensagens instantâneas ou redes sociais; onde o motor de busca mais popular, o Yahoo!, ainda se valia de selecionadores humanos de conteúdo (fui um deles!), e não de algoritmos para dirigir as pessoas a seus destinos online. Ainda assim, o volume de informação, sem filtro, sem hierarquização de credibilidade era esmagador.

Lembro-me de encontrar online, por exemplo, os papéis do Projeto Majestic 12 -- a grande conspiração em que o presidente americano Harry Truman (ou era o Eisenhower?) concordava em permitir que extraterrestres abduzissem cidadãos americanos, em troca de tecnologia alienígena. Eram páginas e páginas datilografadas e escaneadas, com assinaturas visíveis de autoridades. WOW!

Como eu era jovem, mas não completamente sem noção, a segunda coisa que me ocorreu (a primeira era que eu tinha um furo de reportagem de proporções cósmicas nas mãos) foi que, se isso fosse verdade, deveria ter saído na capa do New York Times. Pesquisando um pouco mais a fundo, descobri o CSICOP -- Comitê para Investigação Cética de Alegações do Paranormal -- organização americana que, exatamente, investigava e esclarecia questões assim (Majestic-12 é uma fraude, se alguém ficou na dúvida).

Há mais de duas décadas, então, que o trabalho da CSICOP (hoje o grupo usa uma sigla mais enxuta, CSI), me fascina. Esse fascínio, somado à dura constatação de que o jornalismo irresponsável, preguiçoso, burro ou burocrático é uma das principais fontes de desinformação sobre ciência e saúde no mundo -- algo que me ofende de um modo muito pessoal --, acabou me lançando numa carreira paralela da qual saíram três livros de divulgação científica, uma coluna -- "descontinuada", como se diz no jargão -- na revista Galileu, algumas reportagens complexas e, claro, este blog.

Para mim, portanto, o Instituto Questão de Ciência representa uma forma de canalizar as energias que eu vinha dispersando nessas atividades todas, agora de modo mais focado e produtivo. É muito recompensador levantar a cabeça e ver que aquele problema que parecia ser um incômodo meramente pessoal também chama a atenção de outras pessoas, que também se mostram dispostas a fazer algo a respeito.

Se você gosta do trabalho que faço aqui no blog, é mais do que provável que a missão do IQC seja também de seu interesse. O Instituto deve ampliar sua pegada no mundo digital em breve, e aviso das novidades por aqui. Fiquem ligados!

Comentários

  1. Desejo muito sucesso a você e a todos os envolvidos nesse novo empreendimento, absolutamente necessário e cada vez mais importante nestes tempos de divulgação fácil e rápida das mais absurdas invencionices, em paralelo com as noticias reais.

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