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Mostrando postagens de Outubro 16, 2016

Falácia da Lotofácil

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Meu e-mail profissional fica exposto nas reportagens que escrevo para o Jornal da Unicamp. Uma consequência inevitável disso é que recebo toneladas de spam. Essas mensagens não-solicitadas vêm de assessorias de imprensa sem noção (já recebi convite para entrevistar uma youtubber de moda adolescente no Rio de Janeiro, sendo que sou um jornalista de ciência baseado em Campinas), de príncipes africanos ou magnatas russos com dinheiro sujo para tirar do país, de empresas que emitem notas fiscais ou avisos de cobrança por coisas que nunca comprei -- enfim, o de sempre. Mas, nas últimas semanas, uma modalidade diferente começou a tomar conta da minha caixa postal: sistemas para ganhar na Lotofàcil. Coisa de, assim, duas ou três mensagens ao dia. Isso me deixou curioso, e confesso que segui os links indicados para ver onde aquilo ia dar.

Antes de dizer onde os links me levaram, talvez valha a pena descrever o que é, afinal, a Lotofácil. Eu mesmo não conhecia essa modalidade. Trata-se de uma…

Loucos no espaço

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A radiação cósmica a que astronautas estarão expostos, quando se aventurarem para além da proteção oferecida pelo campo magnético da Terra, tem o potencial de danificar o cérebro, causado efeitos como perda de memória, aumento da ansiedade e redução da “extinção de medo”, a capacidade do cérebro de suprimir reações negativas associadas a experiências desagradáveis – por exemplo, permitindo que vítimas de queimaduras voltem a se aproximar de uma chama. O alerta vem de experimentos com roedores, publicados no periódico Scientific Reports, do grupo Nature.

Os animais foram submetidos à irradiação de partículas carregadas – núcleos de oxigênio e titânio – e avaliados depois de três e seis meses. Mesmo ao final do período, os pesquisadores ainda encontraram alterações físicas no cérebro dos animais, bem como os déficits de memória e comportamento.

“A missão a Marte resultará em uma inevitável exposição à radiação cósmica”, escrevem os autores do artigo, de instituições dos Estados Unidos. “…

"Mas como você explica...?"

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Uma questão com que, imagino, todo mundo que se põe a discutir criticamente uma terapia dita "alternativa" acaba se deparando, cedo ou tarde, é: "Mas como você explica a melhora?" Não importa se, como no caso de práticas como a homeopatia ou o reiki, a terapia em questão tem contra si as evidências, as estatísticas, a literatura especializada e até mesmo as leis da física: nada como alguns casos "de sucesso" para evocar, no mínimo, o velho princípio de que qualquer minúscula margem de dúvida deve favorecer o réu.

O "como você explica" costuma aparecer em um de dois sabores: ou o interlocutor aponta um caso que conhece pessoalmente -- às vezes, trata-se uma experiência própria (o número de vítimas de asma e rinite que atribuem alívio à homeopatia é legião), ou há um apelo a uma espécie de implausibilidade geral ("milhares de curas não podem ser só o efeito placebo").

Muitos céticos argumentam, com razão, que a exigência de explicação a…