Postagens

Mostrando postagens de outubro 23, 2016

Transições na evolução

Imagem
O registro fóssil é incompleto e imperfeito: estima-se que menos de 1% das espécies que já viveram tenham deixado restos fossilizados, o que é compreensível -- a fossilização em si é um processo raro, que requer condições especiais para acontecer. A despeito disso, no entanto, há nele uma abundância de formas transicionais, que permitem traçar o processo de descendência com modificação que é a marca da evolução biológica. Quem afirma que não existem fósseis de transição é como a criança que, ao receber uma notícia ruim, tapa os ouvidos, fecha os olhos e fica gritando "lá-lá-lá" na esperança de que a incômoda realidade vá embora. Em The Princeton Guide to Evolution , Gregory C. Meyer não só cita o Archeopteryx (imagem imediatamente acima), descoberto em 1861 com penas e asas de pássaro mas cauda, dentes e garras de réptil, como também aponta que a transição entre sinapsídeos -- répteis primitivos -- e mamíferos está bem marcada no registro fóssil. A ilustração abaixo, r...

Cientistas nas redes sociais

Imagem
O uso de redes sociais por cientistas para divulgar seu trabalho – seja com os pares ou com o público em geral – ainda é pequeno, mas os pesquisadores que adotaram plataformas como Twitter, Facebook e Linkedin veem diversas vantagens potenciais nesse tipo de interação, diz pesquisa realizada por estudiosos da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, e publicada no periódico PLoS ONE . A pesquisa, baseada num questionário online em língua inglesa e distribuído internacionalmente, envolveu uma amostra de cerca de 600 pesquisadores. A rede mais utilizada pelos respondentes foi o Twitter (93%), seguido pelo Facebook (88%). Os usuários do Twitter disseram usá-lo principalmente para se comunicar com os pares e compartilhar literatura científica. Dos usuários do Facebook, 75% disseram seguir páginas relacionadas à ciência e 33% eram administradores de páginas. A íntegra do estudo pode ser acessada em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0162680

Merlini!

Imagem
Obras de ficção, em geral, não são muito generosas com personagens céticos. Eles geralmente são apresentados como tipos arrogantes, insensíveis ou estúpidos, quase nunca estão certos e, em narrativas de terror, costumam sempre fazer o jogo do vilão (já perdi a conta das histórias de vampiro em que, não fosse pelo cético pentelho, os heróis já teriam se armado de crucifixos e estacas e acabado com o problema antes do fim do terceiro capítulo). Isto aqui não é uma lamúria: muitas dessas histórias com céticos tapados são boas histórias, divertidas e inteligentes, afinal, ainda que o Doctor Thirteen da DC seja um tipo realmente duro de engolir. Mas o estereótipo tende a se tornar cansativo, e portanto foi com enorme prazer que descobri as aventuras do Grande Merlini, mágico aposentado e consultor da polícia de Nova York para casos envolvendo coisas como médiuns, milagres, fantasmas e discos voadores.  Criado pelo escritor Clayton Rawson (1906-1971), Merlini é um cético inco...

A matemática de mudar de ideia

Imagem
Um modelo matemático, descrito na edição mais recente da revista Science , tenta capturar a forma como influências sociais interagem com o acesso à informação para moldar redes de crenças na mente humana. Modelos focados na psicologia individual reconhecem que as crenças se organizam em estruturas lógicas – a crença na verdade da afirmação A implica a crença na verdade da afirmação B, que decorre logicamente de A – mas os modelos focados em influência social, incluindo a exercida pela educação ou pela divulgação científica, tendem a tratar crenças específicas – como o criacionismo, o aquecimento global ou a adesão a esta ou aquela política macroeconômica – como entidades isoladas. O novo modelo, proposto por pesquisadores dos EUA, Holanda e Rússia, busca integrar a ideia de redes de crenças logicamente articuladas a um esquema de influência social. “Um indivíduo que acredita que a civilização humana é insignificante demais para afetar o meio ambiente global tenderá a resistir à evidê...