quarta-feira, 9 de maio de 2012

Decálogo do curandeiro carismático bem-sucedido

Passei boa parte da manhã desta terça-feira dando depoimento para um documentário de TV a respeito de curas milagrosas, que deve ir ao ar no fim do ano (escrevi um livro que, entre outras coisas, também é sobre isso, afinal) e, estimulado pelas perguntas feitas pelo produtor encarregado de me entrevistar, acabei organizando na cabeça uma espécie de receita para o culto milagreiro típico.

A existência de uma tecnologia específica -- psicológica, cenográfica, etc. -- para os grandes espetáculos catárticos que se veem em muitos dos eventos carismáticos ou neopentecostais já havia sido detectada por vários investigadores (o tratamento definitivo da questão está em Faith Healers, de James Randi), mas acho que eu, pessoalmente, nunca havia parado para montar uma lista fechada de procedimentos. Supondo que ela possa interessar aos leitores do blog, ei-la:

1. Reduzirás teu público a vaquinhas de presépio


As pessoas que vão a uma cerimônia religiosa, em geral, já estão predispostas a aceitar docemente tudo que a figura de autoridade -- padre, pastor, bispo, apóstolo, etc. -- disser, mas não custa reforçar isso. É útil, para tanto, pontuar sua preleção com perguntas meio bobas, questões retóricas cuja resposta é obviamente "sim" ("Jesus quer salvar a todos, não é, pessoal?"; "Vocês estão me entendendo, amém?"; "A gente tem que cumprir o que promete, não é mesmo?"). Esse adestramento contínuo facilita a obtenção de reações favoráveis quando questões mais espinhosas surgirem à frente ("Você vai pôr a nota mais alta que tiver na carteira no envelope, amém?" ou "Ela está curada! Vocês estão vendo que ela está curada, não estão?").

2. Isolarás os deformados e os incuráveis


Pessoas cujos problemas de saúde são evidentes a olho nu e obviamente incuráveis ou irreversíveis -- amputados ou portadores de algumas síndromes genéticas, por exemplo -- jamais terão acesso ao palco, púlpito, tablado ou onde quer que esteja localizado o curandeiro e/ou oficiante do culto.

3. Facilitarás o acesso às cadeiras de rodas

Este truque é tão velho que já aparece no filme Entre Deus e o Pecado, de 1960: tenha um número razoável de cadeiras de rodas desocupadas à mão (podem ser alugadas ou de propriedade da sua igreja) e faça com que seus obreiros ou sacristões ofereçam-nas às pessoas mais idosas, fracas ou combalidas que chegarem para o culto. Pessoas que caminham com dificuldade, usando bengalas, também são bem-vindas aos assentos móveis. Depois, quando a excitação do público chegar ao momento certo para um agrande catarse, peça aos que estão em cadeiras de rodas que se levantem. O efeito é dramático.

4. Monopolizarás o microfone


A sua voz deve ser a única ouvida de modo claro e distinto durante todo o evento. Eventualmente, algumas pessoas "curadas" poderão ser chamadas a dar depoimentos, mas o microfone jamais deixará a sua mão, e você jamais perderá a oportunidade de interromper o depoente e/ou de pôr palavras em sua boca: "A doença era horrível, mesmo, não?"; "Ela estava desenganada, totalmente desenganada, não é verdade?"

5. Abusarás de meias-verdades e insinuações


Frases como "Está me vendo agora?" insinuam que a pessoa entrevistada era cega, mas sem afirmá-lo. Associado ao Quarto Mandamento, que garante que o entrevistado não terá a oportunidade de contestar a ilação, mesmo que queira, e ao Primeiro, que praticamente garante que ele não iria querer, de qualquer modo, o truque tem um grande impacto. Outros usos da regra incluem gritar "Olha o paralítico curado!", quando alguém se levanta de uma cadeira de rodas (mesmo se o Terceiro Mandamento não tiver sido usado, é improvável que todas as  pessoas em cadeiras de rodas presentes sejam, de fato, "paralíticas").

6. Criarás uma grande comoção


O grande culto de cura e libertação, ou como quer que prefira chamá-lo, deve ser um espetáculo catártico, onde a adrenalina e as endorfinas jorram copiosamente, aos borbotões. Isso não só garantirá o alívio momentâneo de uma infinidade de sintomas -- úlceras que de repente pararão de incomodar, pessoas fracas demais para parar em pé subitamente levantando-se, depressões temporariamente debeladas -- como ainda tornará mais eficaz o embotamento do senso crítico trazido pelo Primeiro Mandamento.

7. Darás às pessoas papéis a desempenhar


Além de ser um espetáculo catártico (vide Mandamento anterior), o grande culto é também um grande teatro de improviso, que tem no oficiante seu foco, seu diretor. Assim como o fã, num show de rock, rapidamente intui, a partir do que ocorre no palco, o papel que se espera dele -- pular, dançar, gritar histericamente, erguer o isqueiro aceso, cantar junto --, o participante do culto também capta as deixas vindas do tablado e age de acordo, seja falando em línguas, gritando "aleluia!" ou rolando pelo chão como um endemoinhado.

8. Atribuirás tudo ao Senhor


Sempre deixe bem claro que as curas não são obra sua, que você é apenas um condutor de poderes que vêm de Jesus (ou de qualquer outra das Pessoas da Trindade, ou de Maria). Não só essa aparente humildade ajudará a tornar sua figura mais simpática perante a congregação, como ainda permitirá que você se desembarace de fracassos que, eventualmente, venham a público: não fui eu que falhei, foi Deus quem quis assim.

9. Cobrarás um preço


Claro. O Senhor faz maravilhas, mas não vá ficar esperando que ele trabalhe de graça. Geralmente o "preço" é apresentado como algo emocional ou devocional -- é preciso amar, obedecer, seguir, idolatrar, adorar, etc., a Deus -- mas, curiosamente, de algum modo todas essas emoções e devoções, cedo ou tarde, acabam assumindo valores monetários.

10. Culparás a vítima


Se, mesmo depois de aplicados os filtros proporcionados pelos Mandamentos Primeiro, Segundo, Quarto, Quinto e Oitavo, algum tipo de contestação séria chegar aos ouvidos de seus fiéis, diga apenas que o desfavorecido não teve fé suficiente, insistiu/recaiu no pecado e, por isso, teve a graça negada/retirada.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Lovelock mudou de ideia. Who cares?

Alguém pode me explicar, por favor, quando foi que James "Gaia" Lovelock virou a principal autoridade científica disponível a respeito dos rumos do aquecimento global? Dado o grau de atenção que seu mea culpa recente, sobre ter sido excessivamente pessimista quanto aos efeitos da mudança climática, recebeu na grande mídia, eu me vi imaginando que Niels Bohr, redivivo, havia renegado a Interpretação de Copenhague da Mecânica Quântica.

Mas, aos fatos. A última publicação de Lovelock remotamente ligada à questão, num veículo com revisão pelos pares e citada em seu website pessoal, ocorreu em 2007. Foi uma carta à Nature, e tratava de um esquema de bioengenharia para captura de carbono. Uma colaboração anterior, de 1987, veiculada no mesmo periódico, falava de plâncton e formação de nuvens. Em 1994, ele havia discorrido um pouco mais sobre o mesmo assunto, a relação entre seres vivos marítimos e a regulação do clima.

As "previsões catastróficas" das quais ele se retratou recentemente não fazem parte de seu trabalho científico, mas de material informal publicado na imprensa. Há uma diferença entre retratar-se de um artigo publicado na Nature e de comentários feitos ao tabloide Daily Mail embora, ao que tudo indica, a diferença seja sutil demais para algumas pessoas, principalmente para os áulicos do negacionismo climático-florestal, captarem adequadamente.

De qualquer modo, o circo de mídia armado pelos negacionistas mais afoitos abre espaço para uma questão interessante: como se estão saindo as previsões feitas pelos cientistas que realmente publicaram estudos cuidadosos sobre os destinos da Terra frente à mudança climática? Digamos, James Hansen, do instituto Goddard da Nasa, uma das primeiras vozes a advertir para os riscos do efeito estufa desenfreado, e que continua a estudar o assunto, tendo publicado um artigo científico a respeito, mais recentemente, em 2010?

O gráfico abaixo compara as curvas de temperatura dos cenários "otimista" e "pessimista" previstos por Hansen, em 1981, a respeito da evolução da temperatura global. A linha preta contínua é uma curva criada com base nos dados brutos apurados no período (dados que estão marcados na linha preta em ziguezague):


Não parece exatamente alarmista, parece? A realidade ficou ainda pior que a versão pessimista. Entre as previsões de caráter mais qualitativo feitas por Hansen em 1981, estavam o surgimento de zonas de seca na América do Norte e na Ásia Central, a erosão de parte da capa de gelo da Antártida e a abertura da Passagem de Noroeste no Ártico, permitindo a comunicação marítima, livre e desimpedida, entre Ásia e Américas, pelo círculo polar.

Como nota o site Skeptical Science (de onde vem o gráfico), todas essas previsões se confirmaram (a Passagem de Noroeste abriu-se em 2007). E, ao contrário de Lovelock, que achou por bem baixar a bola, Hansen vem se mostrando cada vez mais alarmado com os rumos da mudança climática.

"Alarmado" no entanto, não é o mesmo que "alarmista", e aí reside a confusão que muitas pessoas, seja por malícia ou ingenuidade, estão fazendo em relação à retratação de Lovelock.

O fato de o criador da Hipótese Gaia não achar mais que a humanidade será obrigada a fugir em massa para a Groenlândia a fim de escapar da extinção nos próximos 50 anos não significa, primeiro, que essa ideia tenha, algum dia, sido popular entre os estudiosos sérios da questão (até onde sei, nunca foi); segundo, também não significa que esses tais 50 anos não serão perigosos e desagradáveis, com muita dor e sofrimento causados pelo aquecimento global provocado pela ação humana.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Controle da mídia, ou do que estamos falando?



Neste fim de semana me toquei de que já tenho 22 anos de carreira (!!) como jornalista, tendo começado a trabalhar no segundo ano de faculdade. Entre outras coisas, isso significa que a geração que vai sair das escolas de Jornalismo neste ano estava nascendo ao mesmo tempo em que comecei a ganhar (pouco) dinheiro neste negócio.

Isso também reflete algo a respeito dos anos de formação da minha vocação jornalística, aquele período em que fiquei sem saber se queria ser economista, engenheiro ou advogado e acabei caindo nisto aqui: foi o período imediatamente seguinte ao fim da ditadura, entre 1985 e 1989, onde liberdade de imprensa, de sátira e de crítica eram temas quentíssimos. Jornalistas, humoristas e cartunistas eram os heróis da resistência, e o povo entrava na faculdade de Jornalismo sonhando em derrubar governos, não casamentos de celebridades ou técnicos de futebol.

Por essas e outras, "controle da mídia" é uma tecla emocionalmente delicada para mim, e finalmente resolvi escrever algo mais longo sobre o assunto. Já havia me manifestado de modo meio tangencial a respeito, por exemplo, aqui.

A discussão sobre o tema, ao menos na medida em que chega ao grande público, me parece tomada por uma confusão generalizante que serve aos extremistas dos dois lados -- tanto aos estalinistas (não muito) enrustidos quanto aos oligopolistas irresponsáveis.

Essa confusão trata de pôr num mesmo balaio coisas como TV/rádio aberta, jornal/revista impresso, TV/rádio digital ou por assinatura, regulamentação da profissão de jornalista. Mas são todos temas muito diferentes, que requerem tratamento diversificado.  Quando se fala em "marco regulatório da mídia" sem distinguir uma coisa da outra, a reação de gente como eu é de algo entre mera desconfiança e puro pânico.

Então, por partes: a "regulamentação ideal" é regulamentação nenhuma. É o paradigma que hoje reina, por exemplo, entre os blogs da internet: você não precisa de licença do governo para manter um blog, você não precisa de diploma universitário para manter um blog, você não precisa de carteirinha do sindicato para manter um blog. Claro, você ainda é imputável por coisas como calúnia, injúria, difamação, pedofilia, etc., mas essas são coisas que recaem sobre você, um indivíduo responsável por seus atos. Não têm nada a ver com uma "lei geral dos blogs" ou coisa do gênero.

Impressos

É um paradigma herdado da mídia impressa. Qualquer pessoa pode ir a uma gráfica e encomendar quantos panfletos quiser sobre qualquer coisa, contra ou a favor do aborto, do governo, dos alienígenas, das máquinas inteligentes ou o do que quer que seja. Você também pode botar a mão no bolso, pôr o patrimônio da família no prego e fundar um novo jornal ou uma revista. O processo é igual ao de se abrir uma empresa qualquer. Não há um "marco regulatório" de jornais e revistas, e é bom que seja assim.

Por que, alguém poderia perguntar, "é bom que seja assim"? Por que a regulamentação ideal é regulamentação nenhuma? Simples: porque essa é a melhor forma de garantir um livre mercado de circulação de ideias e informações. Porque, para a democracia funcionar, as pessoas têm de ser capazes de dizer o que sabem e o que pensam com o mínimo de embaraço possível.

Aqui, alguém poderia cutucar lembrando que o mundo real está longe do ideal e que existem assimetrias, por exemplo, na disponibilidade de capital para a criação de veículos de amplo alcance, no acesso aos canais de distribuição, e será que é justo que os Civita e os Mesquita e os Frias e os Marinho tenham meios de se fazer ler (ver e ouvir é outro assunto, que fica para mais adiante) pelo Brasil inteiro, enquanto que as ideias de gente legal como eu e você ficam escondidas por aí?

Bom, a primeira coisa a lembrar que essas famílias, em algum momento, apostaram parte (ou a totalidade) de seu patrimônio na construção das estruturas  que, hoje, lhes permitem chegar, com seus jornais e revistas, às multidões, algo que gente como eu e você provavelmente não temos coragem ou vocação para também fazer. Outros, como os responsáveis pelo Jornal do Brasil, pela Gazeta Mercantil, pelas revistas Cruzeiro, Manchete, tiveram a coragem e a vocação e até se saíram bem por algum tempo, antes de ir a pique. E outros ainda têm a coragem, a vocação e vão se firmando (como no caso de Carta Capital).

A segunda coisa a se pensar é, qual a alternativa? O governo ou um comitê qualquer dizer qual revista ou jornal as pessoas podem ou devem ler, ou qual deve ser o conteúdo desses jornais e revistas?

Uma questão subsidiária aqui é a da propriedade: já que a pluralidade de vozes e de ideias é um valor, por que o Estado não deveria agir, por exemplo, impedindo que uma mesma empresa controle uma fração excessivamente alta da circulação, ou um mesmo empresário mantenha jornais e revistas em diversas praças simultaneamente?

O argumento, que embute o temor de que um grande magnata da mídia venha a operar uma espécie de "lavagem cerebral" monolítica na população, me parece ignorar a lição da história: de que monopólios privados de meios impressos são sempre mais instáveis do que parecem (lembre-se de O Cruzeiro). O melhor controle social desse tipo de mídia ainda é o exercido pela audiência -- que pode não ser perfeito, mas que ainda é a coisa mais parecida com democracia direta que temos: quem não gosta do jornal X ou da revista Y não os compra, não os lê.

Votar com o cartão de crédito pode não ser a solução perfeita mas, ao menos nesse caso, é mais segura para a sobrevivência do ideal democrático da livre circulação de ideias, argumentos e informações do que delegar responsabilidades a agentes políticos ou burocratas.

Mutatis mutandis, a mesma linha de argumentação se aplica aos meios audiovisuais digitais e por assinatura. A razão é que, assim como acontece com os meios impressos e os blogs, não há um limite físico relevante à ocupação desse espaço. Papel e tinta são abundantes, e espaço para transmissão digital de conteúdo, mais abundante ainda.

O único recurso limitado, no caso, são a atenção e o interesse do público, e cada membro do público deve ser livre para dispor de seu tempo como melhor lhe aprouver.

Rádio e TV

Esse doce laissez-faire, no entanto, torna-se indefensável quando se fala em TV e rádio de sinal aberto, tradicional, e por um simples motivo: a fatia do espectro eletromagnético disponível para esses meios é limitada. Se a emissora W ocupa o canal Z, então nenhuma outra emissora poderá fazê-lo, e o conjunto de canais é finito. Assim, torna-se necessário que uma estratégia de distribuição e alocação seja traçada por uma autoridade reconhecida por todas as partes interessadas. Entra o Estado.

Há diversos regimes concebíveis para que essa distribuição ocorra (os canais poderiam ser doados, vendidos, alugados, etc.), mas o Brasil optou pelo regime de concessão pública, no qual o Estado continua dono do canal, mas permite que ele seja explorado por uma empresa privada. Essas concessões estão sujeitas a contratos, como as concessões de estradas, por exemplo.

Num regime assim, fica difícil justificar o arrendamento de fatias inteiras da programação a terceiros não-concessionários, como igrejas, redes de televenda ou, mesmo, grandes redes nacionais de programação (se tudo que o concessionário de um canal na cidade de Qualqueruma-MA faz é retransmitir a Globo, fica difícil justificar o fato de a concessão ter sido dada a seu detentor atual e não a qualquer outra pessoa, ou à própria Globo, para começo de conversa). O "arrendamento" informal de concessões de rádio para não-concessionários (principalmente igrejas) também é comum e representa uma clara distorção do sistema.

Claro, o sistema de concessão também pode ser usado, de modo perverso, para prejudicar o exercício legítimo da liberdade de expressão. Um canal que faça uma série de reportagens expondo corrupção no Ministério da Comunicações poderia se ver, de repente, alvo de escrutínio especial das autoridades.

Dado o caráter patrimonialista do Estado brasileiro -- ficando no caso das estradas, não é incomum políticos intimidarem concessionárias para que sejam convidados a "inaugurar" obras viárias nas quais não tiveram participação alguma -- a preocupação é mais do que legítima.

Portanto, se a discussão do tal "controle social da mídia" for uma discussão sobre o regime de concessões, sobre o cumprimento dos contratos pelas concessionárias e sobre a forma ideal de fiscalizar esses contratos, evitando tanto a permissividade total quanto o uso do perverso do regime para fins de extorsão política, trata-se de um debate mais do que bem-vindo, e que o Brasil deveria ter feito ainda nos tempos de Marconi.

Agora, se a discussão for para tratar da criação de conselhos e carteirinhas para jornalistas, ou da imposição de limites burocráticos à criação, estabelecimento, manutenção, alcance e conteúdo de mídias baseadas em papel e tinta, ou de mídias eletrônicas onde os canais são ilimitados, atenção: está em curso uma traição do espírito da democracia que os brasileiros lutaram para instalar lá quando comecei a pensar em ser jornalista, nos idos de 1985.