Que tal parar de culpar a vítima?

Tenho algumas reservas quanto ao uso amplo que às vezes se dá à expressão "não culpe a vítima". Afinal, há casos em que a vítima é, efetivamente, culpada: motoristas embriagados que se esborracham em postes são um caso óbvio. O título desta postagem, no entanto, se refere à tendência de "pôr a culpa na vítima" que alimenta boa parte do que passa por cultura de autoajuda no mundo atual -- indo desde as versões evangélicas vendidas nos cultos da prosperidade às formas mais (cof! cof!) sofisticadas de O Segredo e quetais. Nesta semana, por exemplo, apareceu no quadro de avisos do meu condomínio uma "mensagem edificante", provavelmente impressa da internet, com o título "se não quiser ficar doente..." e que enumera uma série de atitudes que as pessoas que têm a boa saúde como meta devem tomar. Ali não há nada, no entanto, sobre lavar as mãos antes das refeições, comer vegetais frescos, evitar o álcool e o tabaco ou manter uma rotina de ativida...