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"Pura Picaretagem" no IFSP

Na manhã desta quarta-feira, fiz uma palestra, seguida de animado bate-papo, para alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Estive lá a convite do professor de Física Marcelo Porto Allen, um amigo dos velhos tempos da USP. O, digamos, pontapé inicial da conversa com os estudantes, de turmas de ensino médio e de licenciatura em Física e Química, foi o livro Pura Picaretagem , mas o papo logo derivou para temas correlatos, como medicina alternativa (acupuntura e homeopatia, especificamente), as implicações do materialismo para o livre arbítrio e a responsabilidade de jornalistas e educadores em manter as pessoas bem informadas. Desta vez não tenho um texto da palestra para publicar aqui -- eu só havia preparado algumas notas, um roteiro sinóptico. Em linhas gerais, aproveitei para entrar um pouco numa história que ficou de fora do livro, a da evolução do moderno movimento de "autoajuda", que nasce e evolui mais ou menos junto com a F...

Duas colunas e uma entrevista!

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Olá, gente! Estou passando por aqui só para avisar que já entrou no ar o segundo artigo da coluna Olhar Cético, para o website da revista Galileu, que inclusive ganhou um cabeçalho maneiro: : O texto desta semana é sobre pirâmides financeiras, marketing multinível e o que os dois tipos de "empreendimento" têm em comum. Leia aqui . E também para anunciar que estou estreando como autor de outra coluna semanal, chamada Telescópio, no Jornal da Unicamp . Esta é uma coluna de notas sobre o que rolou de mais interessante (do meu ponto de vista, obviamente) na literatura científica internacional -- e na literatura internacional sobre ciência -- na semana anterior. Ela aparece aqui . E, por último mas não menos importante, o Jornal da Unicamp traz uma entrevista que fiz com o professor de Literatura Carlos Berriel, que está lançando um livro sobre a obra do historiador Paulo Prado, o "mentor intelectual" (e financeiro, o cara era rico pra burro) da Semana de 22. ...

Depois do papa, ou a ressaca

Bom, tem gente me cobrando uma "avaliação" da visita do apóstolo Chico ao Brasil, então vamos lá. A primeira coisa de que gostaria de tratar é da tal manifestação em que algumas pessoas quebraram uma imagem de santo, usaram um crucifixo como vibrador ou algo assim. Não estava prestando atenção quando aconteceu, então só peguei a espuma e o atrito da discussão que se seguiu, mas o espírito da coisa parece ser o de que alguns objetos tidos como sagrados pelos católicos foram profanados de um modo muito público e com muito mau gosto. As discussões a respeito, ao menos nas redes sociais, parecem ter misturado três componentes que, a meu ver, deveriam ser tratadas de modo separado: a admissibilidade do que foi feito; a legalidade ; e a conveniência . "Admissibilidade" é uma questão de ética, ou de etiqueta. Não é a mesma coisa que legalidade, porque há coisas admissíveis que são ilegais (por exemplo, uma mulher dirigir automóvel na Arábia Saudita), e há coisas inadm...

"Olhar Cético" na Galileu

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Os leitores mais assíduos (alguém aí?) talvez tenham notado que o blog andou meio às moscas nas últimas semanas. Mas foi por uma boa razão: eu estava juntando material para estrear uma coluna na revista Galileu , chamada, como diz o título desta postagem, Olhar Cético . Como o nome indica, o objetivo é oferecer uma perspectiva cética sobre assuntos que a mídia em geral costuma tratar com muito mais oba-oba do que análise, propriamente, racional. Muitas pautas envolverão questões científicas ou relacionadas ao ceticismo "clássico" (astrologia, óvnis, monstros), sem dúvida, mas também não pretendo fugir de temas mais quentes e polêmicos, como os ligados à medicina dita "alternativa", fraudes financeiras, manipulação de dados por políticos e coisas quetais. O primeiro texto, disponível na edição de agosto, que começa a circular por esses dias, é uma espécie de post scriptum da reportagem que escrevi para a edição do mês passado da revista, sobre teorias da con...

Minha palestra na UFSM

Nesta segunda-feira, dia 22, participei, como palestrante, do lançamento da revista Arco, publicação de divulgação científica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. A editora-chefe Luciane Treulieb me fez o convite via Facebook -- eis aí as redes sociais funcionando -- e, como não me mandaram de volta para casa em lombo de burro (e ainda me pagaram um jantar!), creio que o que eu tinha a dizer não foi lá muito impertinente ou ofensivo. Publico, abaixo, o texto que havia preparado para a palestra e que, como de costume, não corresponde exatamente ao que eu disse, mas chega bem perto.  “A ciência é importante demais para ser deixada aos cientistas” Lee Nisbet Quando a Luciane me convidou para falar com vocês nesta festa de lançamento da revista Arco, o tema que ela sugeriu foi: jornalismo científico e o papel da universidade na divulgação da ciência. Trabalho com jornalismo científico e divulgação há vinte anos, e estou dentro de uma univer...

Ô da Folha, cadê os muçulmanos, os judeus, os mórmons, os ateus?

O jornal Folha de S. Paulo  publica, neste domingo, um caderno sobre o catolicismo no Brasil. Uma das principais atrações é o resultado de uma pesquisa (divulgada também pelo irmão popular do grupo, o Agora ) indicando queda na proporção de brasileiros que se declaram católicos -- não exatamente uma novidade, mas algo bom de lembrar nestes tempos de oba-oba vaticanício. Há, no entanto, algo curioso no gráfico: ele aponta "católicos", "evangélicos pentecostais", "evangélicos não pentecostais" e "espíritas kardecistas". Por alguma mágica do Datafolha, sumiram do Brasil os judeus, os muçulmanos, os budistas, as pessoas sem filiação religiosa definida e, claro, os agnósticos e ateus. Ora, ora. Deixe de ser implicante, seu ateu pentelho. Esses grupos não aparecem porque "dão traço" na população, como, por exemplo, faz a audiência dos canais de TV católicos. São irrelevantes demais para serem contados. O problema com essa explicação, em...

Efeito gaveta e pesquisas em animais

Uma grande frustração da pesquisa biomédica é o fato de que a maior parte dos resultados positivos documentados em testes com animais acaba não se traduzindo em tratamentos para seres humanos. Há uma piada corrente de que a ciência já sabe como dar juventude eterna e imortalidade aos camundongos, mas para o resultado chegar aos seres humanos ainda vai demorar um pouco... Hipérboles à parte (mesmo se fosse verdadeira, a piada ignora as multidões de camundongos "voluntários" mortos no processo), o fato é que, de acordo com uma estimativa recente citada pelo Chronicle of Higher Education , apenas 11% das drogas que entram em testes em seres humanos acabam liberadas para uso comercial. Mas, se chegam a ser testadas em seres humanos, é bem provável que se tenham mostrado promissoras em animais. Onde está o gargalo? Um problema, óbvio, é que gente é gente, bicho é bicho. Não seria mesmo esperado que tudo o que funciona em animais também funcionasse em pessoas. Ainda assim, uma ...