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A culpa é da falta de assunto

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Na mídia de língua inglesa, o período do verão -- onde os parlamentos e universidades se encontram em recesso, parte da população urbana fugiu para a praia e as empresas costumam conceder folgas e férias -- é chamado de silly season , ou "estação da tolice": confrontados com a crise aguda de falta de assunto causada pelo sumiço das principais fontes de pauta (políticos, pesquisadores, empresários) os jornalistas começam a apelar para qualquer tipo de bobagem a fim de vencer a angústia da página (ou tela) em branco.  O Brasil, claro, também tem sua silly season , situação agravada pelo encolhimento radical das redações, encolhimento ainda mais acentuado durante a vigência do esquema tradicional de folgas e plantões de Natal e Ano-Novo. Uma característica da estação das tolices da mídia nacional é sua queda pelo esoterismo. Você sabe que a imprensa brasileira está sem assunto quando videntes e astrólogos tomam conta dos cadernos ditos "de cultura". Lá se vão dez ano...

Postagem 666: Madre Teresa

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Estava aqui dando tratos à bola em busca de uma postagem adequada para ser a 666ª deste blog, e eis que me vem a notícia de que foi autorizada a canonização de Madre Teresa de Calcutá .  Não sei que fração (se alguma) da mídia brasileira vai se lembrar da investigação que Christopher Hitchens realizou sobre o trabalho dessa freira albanesa, radicada na Índia, então deixo aqui o link para o livro e, imediatamente abaixo, o documentário em que apresentou suas conclusões (fundamentalmente, de que ela estava muito mais preocupada em salvar almas do que em salvar vidas, uma postura que teve consequências cruéis e trágicas).  E, para completar, reproduzo, abaixo, uma postagem bem antiga deste blog sobre o processo de validação de "milagres" da Igreja Católica (lembrando que já escrevi um livro inteiro sobre o assunto): "A notícia de que o Vaticano reconheceu a cura de uma freira, supostamente portadora do Mal de Parkinson, como sendo um milagre operado por intercessão...

Papai Noel faz mal?

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Krampus, o demônio de Natal Entrando no clima da temporada, resolvi ler The Myths that Stole Christmas  ("Os Mitos que Roubaram o Natal") , do filósofo David Kyle Johnson. O livro apresenta alguns fatos já razoavelmente bem conhecidos: por exemplo, que os festejos do solstício de fim de ano nunca foram e nem são uma exclusividade cristã, que Papai Noel tem muito mais a ver com divindades pagãs como Pã e Odin e, até mesmo, com demônios medievais, como o Krampus , do que com São Nicolau (que, aliás, provavelmente nunca existiu, sendo uma versão cristianizada do taumaturgo pitagórico Apolônio de Tiana ). Johnson, no entanto, vai além desses mitos mais conhecidos, tecendo argumentos contra o "mito" de que as compras desenfreadas de Natal são boas apara a economia -- não são, diz ele, já que envolvem desperdício de recursos e abuso do crédito -- e atacando o caráter estressante e compulsório dos rituais de troca de presentes. Quando ele define a compra de presentes...

Outro lado, controvérsias e certezas na ciência

Durante o último fim de semana, participei, em Porto Alegre, da I Jornada de Divulgação e Jornalismo Científico , organizada pelo Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA) e pelo Instituto de Física da UFRGS. Tinha muita gente boa lá, entre jornalistas e cientistas, e muitas questões importantes sobre a popularização da ciência no Brasil foram levantadas e discutidas, mas nas participações que fiz -- uma delas, uma mesa-redonda com outros jornalistas de ciência e cientistas que ocupam espaços na mídia -- uma questão recorrente foi a do tal "outro lado". A plateia (formada por estudantes e cientistas) queria saber, por que essa obsessão com "outro lado"? Por que a imprensa insiste em dar voz a criacionistas toda vez que fala em evolução, a negacionistas, toda vez que fala do aquecimento global antrópico, a anti-vaxxers (gente que diz que vacinas causam câncer ou autismo), toda vez que surge uma nova campanha de saúde pública? E não se trata apenas de...

Livro da Astrologia: lançado!

O texto abaixo corresponde aos parágrafos inicias do meu e-book 'O Livro da Astrologia', que está sendo lançado hoje pela Amazon.com.br. Você pode adquirir e baixar o livro neste link . Para encontrá-lo nos sites internacionais da Amazon, basta fazer a busca pelo título.  Alguém certa vez disse numa rede social, e não faz muito tempo, que criticar a astrologia, nos dias atuais, é “chutar cachorro morto”. Essa é uma impressão, creio, bastante comum entre cientistas e jornalistas científicos: imagino que praticamente todo divulgador de ciência já cometeu pelo menos um artigo desmontando pelo menos um dos muitos aspectos – sem trocadilho – da falácia astrológica e, dando o serviço por terminado, foi cuidar de coisas mais relevantes, como a fobia contra os transgênicos ou a negação da mudança climática.  O problema, no entanto, é que, quando o assunto é astrologia, o serviço nunca está realmente terminado. Cícero (106 AEC-46 AEC) já havia exposto a prática ao ridículo ai...

Divulgação Científica em Porto Alegre!

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Nesta quinta-feira a começa a 1ª Jornada de Divulgação e Jornalismo Científico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da qual participo com uma palestra, no fim da tarde de quinta, e depois numa mesa redonda na sexta-feira. A programação completa pode ser vista aqui , e tem um bocado de gente boa. O público-alvo da minha palestra, Divulgação e Jornalismo em Ciência: Riscos e Oportunidades , são basicamente estudantes e jovens cientistas. Quem assistiu à minha intervenção no Simpósio de Biodiversidade da Universidade Federal de Viçosa (campus Rio Paranaíba), em maio, provavelmente tem uma boa ideia do que vou abordar. É o mesmo argumento, mas com mais exemplos e ilustrações. O cartaz do evento é este, bonitão, aí embaixo:

O segundo Argos a gente nunca esquece!

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Neste último fim de semana estive no Rio de Janeiro para a cerimônia de entrega dos Prêmios Argos -- concedidos aos melhores trabalhos de fantasia, ficção científica ou terror publicados em língua portuguesa no ano anterior à premiação. Essa escolha dos "melhores" é feita pelos sócios do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC) . Tive a honra de ser premiado na categoria conto, por Clitoridectomia . Esse foi um reconhecimento triplamente especial: primeiro, por se tratar de um conto publicado em formato digital; segundo, por ser uma história sobre mutilação genital feminina (o que não é o tipo de assunto que a maioria das pessoas associa à ficção científica); terceiro, porque este é o meu segundo Argos. O primeiro, de 2013, me foi concedido por No Vácuo, Você Pode Ouvir o Espaço Gritar , que de certa forma tinha uma temática mais "normal" dentro do gênero (contato com tecnologias alienígenas) e havia saído numa antologia de papel, a Space Opera 2 . Ess...