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Monstro de Loch Ness como "fake news"

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Em 1983, o livro The Loch Ness Mystery Solved , de Ronald Binns, obteve aquele feito raro no mundo da literatura sobre mistérios do mundo real: apresentou, de fato, a solução do problema. Em pouco mais de 200 páginas, Binns destrincha cuidadosamente o caso do lago escocês, mostrando como uma série de testemunhos vagos, notícias sensacionalistas, fraudes e brincadeiras (porque, claro, o ser humano é um animal intratável) acabou moldando a narrativa de uma criatura pré-histórica vivendo em Loch Ness. Agora em 2017, mais de 30 anos depois de seu triunfo, Binns publica um novo volume, The Loch Ness Mystery Reloaded , em que revisita a evidência coligida para o livro de 1983, atualiza alguns pontos -- por exemplo, incluindo a confissão do criador do dinossauro de brinquedo que gerou a famosa foto do monstro de 1934 (a "Fotografia do Cirurgião", abaixo) e reinterpreta a gênese do mito sob o enfoque atual das "fake news". O momento zero da lenda do Monstro de ...

O poder do preço no efeito nocebo

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Pacientes tendem a reportar efeitos colaterais mais intensos quando informados de que a droga que estão recebendo é muito cara -- mesmo quando a droga é, na verdade, uma substância inerte. O chamado efeito nocebo , quando a mera crença de que se está consumindo uma substância ativa leva o paciente a sentir dor ou outros malefícios, foi tema de artigo publicado na revista Science no início do mês (e quem assina a minha newsletter ficou sabendo disso antes!). O nocebo é o oposto do efeito placebo, em que pacientes que recebem "medicamentos" inertes acabam reportando melhoras. Os autores do artigo na Science , vinculados a instituições europeias, lembram que, quando o placebo atua contra a dor, o mecanismo de ação está ligado à produção de opioides no cérebro e ao recrutamento de um sistema de modulação da dor que afeta a medula espinhal. Informação sobre o preço do falso medicamento pode ampliar o efeito placebo ("remédios" mais caros parecem funcionar melh...

TEDx, Unicamp, Unesp: agenda cheia!

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A vida anda acelerando neste fim de ano, e ao que tudo indica a angústia atual com a proliferação de "fake news" e "pós-verdade" está fazendo com que as pessoas prestem um pouco mais de atenção em trabalhos como o meu, na fronteira entre o ceticismo e a divulgação científica. As próximas semanas serão agitadas por aqui. Segue a agenda: Nesta sexta-feira, dia 27 , falarei no TEDx USP  sobre minha experiência de 20 anos tentando escrever racionalmente sobre coisas como deuses astronautas , o Sudário de Turim , curas quânticas , teorias da conspiração e horóscopos , e como as lições que aprendi, ao longo de minha carreira bizarra no jornalismo, podem se transferir para a população em geral, nesta época em que as notícias falsas e os exageros absurdos saíram das páginas de curiosidade e entretenimento e caíram no mainstream . O TEDx terá, além do espaço no auditório, transmissão online, neste link . No próximo dia 14 de novembro estarei no Simpósio Mídia e Pes...

Arte vulcânica marciana

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Esta foto aí é a ampliação de uma seção de um milímetro de largura de um meteorito marciano, vista por um microscópio de luz polarizada. As diferentes cores representam diferentes minerais. Ela faz parte de um estudo publicado em Nature Communications sobre a taxa de crescimento dos vulcões marcianos, que pelo que estimam os autores é muito mais lenta que a verificada na Terra. O estudo foi feito com base numa família de meteoritos que se originou, toda ela, de um único evento -- a colisão de um asteroide com a encosta de um vulcão marciano há 10 milhões de anos (mais ou menos), lançando lascas ao espaço. Algumas delas caíram na Terra, em lugares tão diversos quanto Egito, Antártida e Brasil (o Meteorito Governador Valadares ). Mas essa conversa de meteorito e vulcões marcianos é só desculpa minha para publicar a foto, mesmo. Eu podia tentar sacar da algibeira algumas platitudes (como "sacar da algibeira") sobre a interação entre acaso, catástrofe, natureza, ciência ...

Por uma indignação mais seletiva

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No universo das redes sociais, "indignação seletiva" virou sinônimo de hipocrisia, mas eu gostaria de sugerir que, tomada ao pé da letra, esta expressão define algo de que precisamos com urgência: um senso de indignação que selecione melhor seus alvos. A histeria coletiva em torno do "caso" MAM é apenas um exemplo, mas dá para citar vários outros. Quem já habitava este Vale de Lágrimas nas últimas décadas do século passado talvez se lembre de dois importantes slogans da era pós-ditadura, quando forças então de esquerda e então racionais e éticas (a saber, o velho PT e o núcleo peemedebista que viria a criar o velho PSDB) disputavam o poder com os herdeiros corruptos e retrógrados do entulho autoritário, como o PFL (que virou DEM) e o partido do Maluf (que mudou tanto de nome que não sei mais como se chama). Esses slogans eram: "Não podemos nos dispersar" e "Temos de nos indignar". A primeira dessas exortações pode soar, dependendo das inc...

Zika Vírus mutante, origem dos planetas, ondas gravitacionais, percevejos

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Esses são alguns dos temas da newsletter desta semana, já enviada aos assinantes. Para assinar, é preciso escolher a segunda opção no menu abaixo (a terceira e a quarta também estão valendo, claro...) Opções de assinatura Simples : R$15,00 BRL - mensalmente Newsletter : R$50,00 BRL - mensalmente Anual+Livro : R$500,00 BRL - anualmente Anual+Livros : R$1.000,00 BRL - anualmente

Satanistas e pastafarianos, uni-vos!

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Já escrevi tanto sobre laicismoe ateísmo militante (por exemplo, nesta postagem do blog, nesta outra e neste artigo para a Folha de S. Paulo [atrás de um payall , sorry]), que a preguiça quase me impede de volar ao assunto. Mas, fazer o quê, né? Repetindo o que escrevi há mais de seis (seis!) anos: Sei que muita gente torce o nariz para esse ateísmo, digamos, "in your face", exibicionista, loquaz -- estridente, diriam alguns. Amigos cuja opinião respeito queixam-se de que esse "novo ateísmo", ou "ateísmo afirmativo", acaba sendo tão chato, inoportuno, pentelho, etc., quanto o proselitismo religioso. Será que as pessoas não seriam mais felizes se, simplesmente, parássemos de encher o saco uns dos outros com metafísica?   Por mais que eu possa simpatizar com a opinião expressa no parágrafo acima, ela deixa de levar em conta dois fatores -- talvez os fatores -- fundamentais: primeiro, a religião é estruturalmente incapaz de respeitar uma trég...