O poder do preço no efeito nocebo



Pacientes tendem a reportar efeitos colaterais mais intensos quando informados de que a droga que estão recebendo é muito cara -- mesmo quando a droga é, na verdade, uma substância inerte. O chamado efeito nocebo, quando a mera crença de que se está consumindo uma substância ativa leva o paciente a sentir dor ou outros malefícios, foi tema de artigo publicado na revista Science no início do mês (e quem assina a minha newsletter ficou sabendo disso antes!).

O nocebo é o oposto do efeito placebo, em que pacientes que recebem "medicamentos" inertes acabam reportando melhoras. Os autores do artigo na Science, vinculados a instituições europeias, lembram que, quando o placebo atua contra a dor, o mecanismo de ação está ligado à produção de opioides no cérebro e ao recrutamento de um sistema de modulação da dor que afeta a medula espinhal.

Informação sobre o preço do falso medicamento pode ampliar o efeito placebo ("remédios" mais caros parecem funcionar melhor), e o novo estudo aponta que isso também funciona no sentido contrário. O experimento envolveu a criação de um processo de ressonância magnética capaz de monitorar todo o sistema central da dor, do cérebro à espinha.

O falso tratamento aplicado foi um creme -- supostamente um remédio para aliviar coceiras -- contendo apenas ingredientes inertes. Os voluntários, no entanto, foram informados de que um possível efeito colateral seria um aumento da sensibilidade à dor. Além disso, parte dos pacientes foi informada de que o creme era caro.

Os voluntários tratados com o creme "caro" mostraram maior sensibilidade à dor num teste de tolerância ao calor, num efeito nocebo que se intensificou com o passar do tempo. A ressonância magnética revelou regiões da medula espinhal que se ativam quando o efeito nocebo entra em ação, bem como áreas do cérebro que respondem à informação sobre o preço do medicamento.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A maldição de Noé, a África e os negros

Raios cósmicos e a Grande Pirâmide

Cuba cura câncer?