Anuário de Literatura Fantástica: balanço da década

Saiu, ou está prestes a sair, a edição de 2014, referente a 2013, do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Dizem-me que esta edição será a derradeira, e que fará um balanço da última década da produção de literatura de fantasia, terror e ficção científica no Brasil. 

Os editores do Anuário, Marcello Simão Branco e César R.T. Silva, são velhos amigos da era pré-internet. Fomos durante algum tempo, parceiros numa empreitada editorial, a Editora Ano-Luz, e numa das primeiras edições do anuário ambos chegaram a me entrevistar como "personalidade do ano", por conta do lançamento da primeira edição de minha coletânea Tempos de Fúria, cujos contos estão hoje disponíveis em formato e-book.

Será uma pena se essa for mesmo a edição final, mas a ideia de um balanço da década é muito interessante -- em 2004 ainda estávamos longe, por exemplo, do boom mercadológico da fantasia "made in Brazil" e do advento do marketing agressivo do livro eletrônico (o Kindle data de 2007). As ferramentas de conectividade social que hoje são essenciais para dar (alguma) visibilidade a autores e obras nem existiam, ou ainda engatinhavam.

Este Anuário coleciona depoimentos de várias figuras que, no entendimento dos autores, teriam algo a dizer sobre o desenvolvimento do campo na última década. Fui um dos convidados a opinar. Não sou muito de dar palpite sobre questões estruturais, estéticas, sociais, etc., envolvendo o tipo de literatura que pratico -- quando acho que tenho algo interessante a dizer, prefiro trabalhar o assunto num conto -- então esse depoimento ao César e ao Marcello foi uma coisa meio rara. 

Ainda não sei quanto do que disse foi aproveitado, mas se fosse tirar uma pílula essencial de minhas impressões, seria esta frase: "o fantástico não pode se contentar em ser o Luan Santana da literatura brasileira, e deixar para o mainstream a tarefa de ser todo o resto, de Rita Lee a Villa-Lobos." Quem quiser saber mais do que eu disse, ou do que os outros disseram, está convidado a adquirir um exemplar.

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