Eliminando falsas esperanças contra o câncer

Os métodos atualmente usados para avaliar a eficácia de possíveis novas drogas contra o câncer – os chamados ensaios de proliferação – são inadequados e deveriam ser substituídos por um procedimento que leve em conta os efeitos da droga ao longo do tempo, argumenta artigo publicado no periódico Nature Methods.

O trabalho, de autoria de pesquisadores da Universidade Vanderbilt, nos EUA, descreve o procedimento fundamental dos ensaios de proliferação celular da seguinte forma: “uma droga é adicionada a uma população celular dentro de um espectro de concentrações, e o efeito sobre a população é quantificado segundo a métrica escolhida. A métrica padrão ‘de facto’ é o número de células viáveis 72 horas após a adição da droga”.

Os autores argumentam que, por depender de medição feita num ponto fixo do tempo, esse processo é “estático” e não leva em conta especificidades da proliferação celular, incluindo possibilidades como a de um “rebote” proliferativo das células cancerosas sobreviventes, após uma intervenção aparentemente bem-sucedida.

Chamando atenção para a baixíssima eficiência dos métodos atuais de prospecção de drogas contra o câncer – menos de 90% das moléculas que chegam a ser testadas em seres humanos dão origem a terapias – a equipe de Vanderbilt propõe uma nova métrica, chamada Proliferação Induzida por Droga (DIP, na sigla em inglês), definida como a taxa de proliferação das células, sob diferentes concentrações da droga, ao longo de um intervalo de tempo. Os detalhes do cálculo da DIP são descritos no artigo “An unbiased metric of antiproliferative drug effect in vitro” (doi:10.1038/nmeth.3852). Esta e outras notas estão na Coluna Telescópio da semana.

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