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O fim do "cientista maluco"

A figura do “cientista maluco” está desaparecendo do cinema e da literatura, mesmo depois de ter sido, durante o século 20, a forma dominante de representação do pesquisador no imaginário popular, diz artigo publicado, em junho, no periódico Public Understanding of Science . A autora, Roslynn D. Haynes, faz um histórico da estigmatização, no folclore e na cultura popular, do buscador de conhecimento – dos mitos bíblicos e gregos, passando pelo alquimista medieval e chegando ao cientista – e associa o fenômeno a “um medo profundo do poder que não pode ser conquistado ou destruído pelas armas, decretos religiosos ou outros meios tradicionais”. Esse medo, argumenta ela, leva à reação típica da cultura contra os poderosos: subversão por meio da caricatura ou da vilificação. Leia mais sobre este assunto, e outros, na coluna Telescópio .

Usando 100% do cérebro

Isto talvez seja uma má notícia, mas as pessoas já usam 100% do cérebro que têm. Não 10%, como dizem alguns gurus de autoajuda, promotores do paranormal, escritores mal informados de ficção científica e, mais recentemente, o filme “Lucy”, estrelado por Scarlett Johansson, mas 100%. O cérebro todo. Não há, na sua cabeça ou na de qualquer outra pessoa, uma multidão de neurônios-estepe adormecida, esperando um choque de raios gama ou um seminário de motivação contratado pelo RH que os ative, transformando-nos todos em gênios das vendas e das finanças ou candidatos à Escola do Professor X. Leia o artigo completo no site da Galileu .

War Stories: saiu o e-book!

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A antologia de contos americana de ficção científica militar  War Stories , cuja produção foi financiada via Kickstarter, está disponível, em versão e-book, para o público em geral (os patrocinadores já tinham recebido seus exemplares digitais). Por que estou gastando espaço no blog para dizer isso? Porque há um conto meu ali, oras! A história que escrevi, In Loco , se passa num futuro indistinto -- pode ser próximo ou distante -- durante uma missão de paz conduzida por países latino-americanos numa Escandinávia balcanizada e destroçaca por guerras civis. A narrativa trata, entre outras coisas, da responsabilidade moral do soldado num cenário de "guerra remota" -- onde os militares lutam apertando botões, de uma distância segura, enquanto civis são triturados. In Loco está na seção Armored Force ("Força Blindada") do livro, então quem já tem alguma familiaridade com ficção científica militar deve ser capaz de deduzir o tipo de tecnologia envolvida. E mais nã...

Atrocidades e exorcismos

O padre romeno Daniel Corogeanu, solto depois de ter sido condenado a sete anos de cadeia pelo sequestro e assassinato, em 2005, de uma freira, foi forçado a fugir do vilarejo onde pretendia fundar um novo monastério. A vítima do crime, irmã Irina Cornici, morrera depois de passar cinco dias amarrada a uma cruz, sem água ou comida, numa tentativa de expulsar o “demônio” de seu corpo: uma versão hardcore do ritual de exorcismo . Irina tinha sido diagnosticada com esquizofrenia, mas padre Daniel acreditava que ela estava possuída e que “não se pode expulsar o diabo com pílulas”. Leia o artigo completo no site da Galileu .

Agora só falta a Universal ter um país só dela

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A imagem dos camisas pretas de Mussolini marchando sobre Roma foi a primeira que me veio à mente quando li a notícia de que uma tropa de camicie bianche da Universal do Reino resolveu tomar as leis de trânsito nas próprias mãos e decidir quem podia, ou não, usar as vias públicas durante a inauguração do Templo, dito de Salomão, sem ser incomoda pelas autoridades que, em tese, deveriam zelar pelo direito de ir e vir de cidadãos de todos os credos, etnias, orientações sexuais, etc. Logo me dei conta, no entanto, de que a comparação com o fascismo era um exagero, em que pesem a tropa uniformizada, o líder carismático fardado (ou, no caso, fantasiado de rabino) e a guarda de honra, vestida como extras de Indiana Jones e o Templo da Perdição , a carregar a Arca da Aliança nos ombros (foram eles que confundiram os filmes, não eu). A temporária privatização branca -- trocadilho intencional -- das ruas no entorno do templo, assim como a presença dos chefes dos três níveis do Executivo ...

O Paraíso segundo Millôr

A verdadeira história do Paraíso ou Esta é a verdadeira história do Paraíso é, na verdade, duas histórias. Ou três. Todas extremamente relevantes para o mundo atual, como veremos a seguir. A primeira dessas histórias é a graphic novel – talvez fosse melhor dizer, graphic poem – criada por Millôr Fernandes para a revista O Cruzeiro, publicada em 1963, onde o grande escritor, ilustrador e humorista reconta os eventos dos capítulos 1 a 4 do Gênesis, pontuando-os com alfinetadas céticas, filosóficas e poéticas: Deus fez o Sol, Deus fez a pedra, mas será que também fez a sombra da pedra, ou foi pego de surpresa? Se tinha toda a eternidade à disposição, por que criou o mundo assim nas coxas, em apenas seis dias? Leia a resenha completa no Amálgama .

Conspiração alienígena às avessas

No início do mês, a CIA usou sua conta no Twitter para celebrar o aniversário do primeiro voo de um avião de espionagem U-2 sobre a União Soviética, realizado em 4 de julho de 1956. Esses aviões, cuja existência foi mantida em segredo durante anos, voavam muito mais alto do que se imaginava possível na época – ao menos, para voos tripulados. Para se ter uma ideia, um avião comercial chegava a 6.000 metros de altitude, enquanto que os U2s atingiam mais de 18.000 metros. E o que isso tem a ver com ceticismo? Bom, um dos tuítes comemorativos da agência central de inteligência diz: “Lembram-se dos relatos de atividades incomuns no céu nos anos 50? Éramos nós”. Leia mais em Olhar Cético, no site da Galileu .