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Homeopatia, evidência e a importância do "no entanto"

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Os leitores mais chegados ao mundo acadêmico talvez estejam sabendo da celeuma causada pela publicação, no Jornal da USP , de nota anunciando o lançamento de uma revista reunindo supostas evidências científicas a favor da homeopatia, mais um lance nas "homeopathy wars" da vetusta Universidade de São Paulo. Algumas pessoas criticaram o jornal por dar guarida a esse tipo de material, mas eu, talvez movido por espírito de corpo, ponderei que, se a universidade, enquanto instituição , legitima a prática -- por exemplo, conferindo graus de Mestre e Doutor a autores de trabalhos sobre o tema --, não é o coitado do editor do jornal institucional que vai decidir sozinho que o assunto é bobagem. Mas, enfim: evidências! Que evidências? Passando os olhos pelo índice da edição, um título em especial se destaca:  Pesquisa clínica em homeopatia: revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados controlados . O resumo do artigo proclama que, com base em estudos publicados até ...

Charlatão que prometia curar câncer é preso

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Nos Estados Unidos. A mídia norte-americana informa que Robert O. Young, autor de uma popular série de livros pseudocientíficos sobre saúde e dieta intitulada pH Miracle , vai passar pelo menos  cinco meses atrás das grades depois de confessar oferecer -- sem ter nenhuma credencial médica -- tratamentos para câncer. De acordo com o jornal The San Diego Union-Tribune , "ele havia sido condenado, ano passado, em duas acusações de praticar a medicina sem licença, e se declarou culpado, no início deste ano, por mais dois crimes". O relato do Union-Tribune prossegue: "Young, de 65 anos, não se manifestou durante a audiência judicial, que marcou o fim de um processo criminal de três anos que pôs em evidência suas teorias controversas e os tratamentos caros que oferecia a pacientes gravemente doentes ou moribundos, que em alguns casos recebiam fluidos intravenosos misturados a bicarbonato de sódio, por US$ 500 a dose". Um caso especialmente notório envolvendo ...

Leitura sensível e umas coisinhas mais

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Costumo não escrever muito sobre literatura. Acho que a melhor forma de mostrar como acho que se deve escrever ficção é aplicando minhas crenças e idiossincrasias à minha obra, não dando palpite no que os outros fazem. Mas essa polêmica toda em torno da questão da "leitura sensível"  (também aqui ) acabou tangenciando alguns temas que me são caros, então lá vou eu fazer o que não devia. Pelo que depreendi, esse tipo de trabalho, em que um texto é submetido, pré-publicação, a um leitor crítico identificado com um grupo social minoritário que analisará o conteúdo vis-a-vis as sensibilidades particulares do grupo,  pode cumprir uma de duas funções, ou ambas: orientar o method writer  -- aquele que, como os atores "de método", faz  questão de conhecer, entender e sentir "na pele" um assunto antes de retratá-lo na ficção -- ou alertar o autor para o uso de palavras, expressões, situações, etc., consideradas ofensivas pelo grupo a que o "leitor sensí...

Trump, Bolsonaro, QI e nióbio

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E continuo a produzir colaborações para o jornal Gazeta do Povo , de Curitiba. Depois da "trilogia" Homeopatia, fosfo, mudança climática , do início do mês passado, agora tenho dois novos textos no ar, ambos com uma pegada que mistura ciência e política. O mais recente, intitulado  Você tem um QI maior que o de Donald Trump? Descubra , se divide em duas partes, uma sobre os estudos publicados em periódicos norte-americanos sobre os fatores -- incluindo inteligência -- que levam um presidente a entrar para a história como chefe de um governo bem-sucedido, e a segunda, sobre testes de inteligência e a hipótese das "múltiplas inteligências". Já o anterior,   O nióbio vai salvar a economia do Brasil, como defende Bolsonaro? , tem um título altamente autoexplicativo. Há ainda o outros textos engatilhados, e vou avisando, por aqui e nas redes sociais, à medida que o material for aparecendo.

A essência do jornalismo de "saúde e bem-estar"

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Vindo diretamente do sempre ótimo xkcd .

Unboxing the Gibson Box

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Há alguns -- muitos? -- anos, fiz uma série de trabalhos para a Editora Aleph, incluindo revisão, copidesque e, às vezes, até a tradução parcial de alguns títulos de ficção científica. Atualmente, quando sai uma nova edição de um dos livros em que trabalhei, a editora às vezes me manda um exemplar de cortesia. Hoje, voltando do almoço, fui surpreendido na portaria do prédio pelo "box" William Gibson, que reúne os três volumes da Trilogia do Sprawl, publicada originalmente entre 1984 e 1988 e que traz aquele futuro cyberpunk de cabo Phillips no cérebro e ônibus espaciais japoneses que todos conhecemos. Dos três livros, em Neuromancer  (o primeiro) não fiz nada, em Mona Lisa Overdrive  (o último) fiz a revisão (ou ao menos é o que diz a ficha técnica: confesso de pés juntos que não me lembro), mas no do meio, Count Zero , trabalhei bem próximo ao tradutor, Carlos Angelo,  fazendo sugestões sobre o texto em português e cotejando-o com o original à medida que a tra...

Mijo de cavalo e a derrota da Anvisa

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"Pode ser mijo de cavalo, não ligo. Funciona". A frase teria sido dita pelo presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, quando lhe informaram do conteúdo das injeções estimulantes que o médico alemão Max Jacobson lhe aplicava regularmente: anfetaminas, hormônios, analgésicos, esteroides y otras cositas más . Não é muito difícil imaginar o espírito de Jacobson, cuja "injeção mágica" provavelmente ajudou a destruir a vida de gente como Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, pairando, em bênção, sobre o presidente da Câmara e presidente em exercício da República, Rodrigo Maia, durante a sanção da lei que passou por cima da Anvisa e liberou o uso de inibidores de apetite à base de anfetaminas no Brasil. Sobre os detalhes da decisão legislativa brasileira e seu "embasamento" técnico, o editorial deste sábado da Folha de S. Paulo é sucinto e direto ao ponto: Algo que deve (ou deveria) dar margem a análises mais aprofundadas  é o papelão das entida...