Fungos de Yuggoth, grátis

Há alguns anos, a pedido de um amigo que queria elaborar um livro com importantes obras de H.P. Lovecraft que continuavam inéditas no Brasil, empreendi uma tradução de Fungos de Yuggoth, um ciclo de 36 sonetos mais ou menos interligados, escritos por Lovecraft entre 1929 e 1930. O livro, pelo que me dizem, segue firme no caminho da publicação mas, por contenção no número de páginas, os sonetos acabaram excluídos. Então, para não perder o serviço, publiquei-os no Scribd. Está lá, de graça, com uma introduçãozinha também de minha lavra. Para quem quiser um gostinho, abaixo vai o primeiro deles:


I.                    O Livro
Era escuro, poeirento e meio perdido entre os lugares
Perto das docas, em labirintos de becos emaranhados
Fedendo às coisas alheias trazidas pelos mares,
E com arabescos de névoa, pelo vento desenhados.
Pequenos vidros em losango, obscurecidos pela fumaça e congelados,
Mal mostravam os livros, amontoados em retorcidos pilares,
Apodrecendo do chão ao teto – andares
De antigo saber ao preço de poucos trocados.

Entrei, encantado, e de uma pilha coberta por teias de aranha
Tomei o tomo mais próximo e o folheei por inteiro,
Trêmulo diante de palavras cheias de artimanha
Que pareciam guardar algum segredo, monstruoso.
Então, procurando por um vendedor velho e experiente,
Nada encontrei, exceto um riso demente.

Quem achar que vale a pena ler os outros 35, eles estão, em PDF, aqui.

Comentários

  1. Oi, qual foi o critério usado para a traduçao? Vejo que não manteve os decassílabos originais do poema, algum motivo específico pra isso?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Bianca! Bom, basicamente, a tradução foi uma espécie de jogo de equilíbrio entre forma e conteúdo, e acabei optando por sacrificar a métrica e preservar, ao máximo, o esquema de rimas e o fluxo narrativo, já que cada poema conta uma história. Talvez um tradutor melhor tivesse conseguido manter tudo...

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Baleia ou barriga?

O financiamento público da pseudociência

Design Inteligente é propaganda, não ciência