Saiu Solarpunk!

O incansável Gerson Lodi-Ribeiro avisa que já está à venda, na Amazon brasileira, a edição kindle de Solarpunk, antologia de ficção científica compsota por contos que giram em torno do tema de fontes alternativas de energia. O volume inclui meu conto Soylent Green Is People!, sobre biotecnologia, e quem já estava por aqui na década de 70 provavelmente há de se lembrar da referência explícita do título.

Solarpunk fecha uma trilogia iniciada por Vaporpunk e continuada em Dieselpunk, ambas antologias retrofuturistas -- isto é, que imaginam o futuro a partir do passado ou, então, que recriam o passado a partir do futuro -- em que também estou presente. Solarpunk distingue-se das predecessoras exatamente por ter esse caráter retrô menos acentuado.

O que nos traz à questão: tudo bem, série de antologias de histórias girando em torno das fontes de energia predominantes no século 19 (vapor, carvão), 20 (petróleo) e 21 (solar, esperamos). Mas, por que cazzo tudo isso seria "punk"?

Antes de avançar, deixo o aviso de que bibliotecas inteiras já foram escritas a respeito da apropriação do termo "punk" para demarcar tendências estéticas. A Wikipedia tem até uma lista. A mim me parece que esse é o tipo de debate que pode ser estimulante num bar às 3 da matina, mas quando as pessoas começam a escrever artigos acadêmicos e a brigar a respeito, alguma coisa se perdeu, possivelmente o senso de humor. (Antes que me apontem o dedo, lembro que isto é uma postagem de blog, não um artigo acadêmico -- e certamente, não uma briga. Avante, pois.)

Em princípio, "punk", diria eu, virou um sufixo genérico que significa algo como "universo estético/psicológico". Vaporpunk (ou "steampunk"), por exemplo, pretende evocar visões de mogno, ferro fundido, chaminés, ferrovias, bronze, mentalidade vitoriana. "Atompunk" é paranoia anticomunista, Elvis Presley, alienígenas entre nós, Godzilla, formigas gigantes. E assim por diante.

Se o sentido é esse, então, qual seria estética "solarpunk"? Bom, acho que é preciso ler o livro e ver se há algum resíduo comum entre as histórias. Meu conto, especificamente, trata de biotecnologia, num mundo onde as pessoas criam e usam organismos geneticamente modificados do mesmo modo que nós usamos apps de celular hoje em dia. Mas não sei o que os outros escreveram. Minha impressão é de que esta será a antologia mais diversificada, em termos de tom e de alcance, das três.

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