Nasa confirma missão para capturar asteroide... maomenos



Rolaram, nos últimos dias, boatos de que o orçamento da Nasa para o ano fiscal de 2014 traria a previsão de uma missão para rebocar um asteroide para perto da Terra, onde ele poderia ser estudado em detalhes. A informação tinha sido divulgada por um senador da Flórida (Estado onde fica o Centro Espacial Kennedy, e cuja economia levou uma bela traulitada com o fim do programa de ônibus espaciais).


Agora acaba de sair a previsão oficial de orçamento da agência, e parece que a conversa do senador era para valer -- meio quê.


A parte boa é a nota divulgada pelo administrador da agência espacial, Charles Bolden, que diz lá pelo meio: "Estamos desenvolvendo a primeira missão jamais realizada para identificar, capturar e relocar um asteroide". Mais claro impossível, certo? Mas espere o que vem logo adiante: "Usaremos capacidades existentes, como a nova cápsula Orion e o foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS), e desenvolveremos novas tecnologias como a propulsão elétrica solar e comunicações a laser".

Isso deixa uma certa impressão de que a iniciativa para o asteroide não representa uma coisa nova, em si, mas apenas um jeito de aproveitar -- e justificar -- o que já vinham fazendo. Tanto a Orion quanto o SLS são programas vestigiais do velho Projeto Constellation, estabelecido durante a Era Bush para levar astronautas de volta à Lua e que foi impiedosamente cancelado por Obama. E propulsão elétrica solar e comunicação a laser é o tipo de coisa que a Nasa precisa desenvolver de qualquer jeito, para que suas sondas espaciais sejam mais eficientes.


A nota de Bolden também não dá data para a tal captura de asteroide, embora mencione os prazos para a realização de um pouso humano num desses astros (até 2025) e o lançamento do Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble (em 2018).

O texto do orçamento propriamente dito -- que pode ser acessado em PDF aqui -- é ainda mais vago. Ele diz que a Nasa "planejará e começará a projetar esta missão em 2013. Progresso continuará dependendo de sua factibilidade e custo". O que traz à mente a imortal frase "famosas últimas palavras".


Os parâmetros da missão são especificados da seguinte forma: "Identificar, capturar, redirecionar e retirar amostras de um pequeno asteroide". Isso soa menos como a ideia de um potentoso rebocador espacial e mais com uma versão, talvez um pouco mais ambiciosa, do que os japoneses já fizeram em sua missão Hayabusa, que trouxe poeira de astroide para a Terra em 2010.


Quando a notícia de que uma "captura de asteroide" estava nos planos da agência espacial, os mais otimistas logo se lembraram do relatório Asteroid Retrieval Feasibility Study, do Instituto Keck, publicado há um ano e já clássico. O trabalho apresenta um plano detalhado para a captura de um asteroide de meio milhão de toneladas, que ficaria estacionado em órbita da Lua, onde poderia ser estudado detalhadamente por astronautas. A missão poderia ser executada até 2025, a um custo de US$ 2,6 bilhões.

Levando-se em conta que o orçamento total da Nasa para ciências planetária e da Terra, em 2014, está estimado em cerca de US$ 4,6 bilhões, dá para ver que a proposta saiu meio salgada. E o orçamento divulgado hoje ainda precisa passar pelo Congresso, onde poderá sofrer cortes.

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