Fenda dupla, consciência, mente, matéria... que papo é esse?

O físico brasileiro Gabriel Guerrer alcançou alguma notoriedade com a promoção de sua campanha no Catarse para financiar um estudo sobre a capacidade da mente humana de influenciar a trajetória de um feixe de raios laser. Segundo Guerrer, essa capacidade, se comprovada, de algum modo levaria a "uma revolução científica e cultural", permitindo "questionar se a consciência ao invés de produto final, não seria o próprio motor da evolução biológica", gerando indícios de que "não estamos limitados aos contornos do corpo humano e que em um certo sentido, o mundo de fora é uma extensão de nós mesmos".

O modelo do experimento proposto pelo brasileiro é uma série de trabalhos realizada pelo parapsicólogo americano Dean Radin: parte do dinheiro requisitado por Guerrer tem por objetivo financiar um estágio no laboratório do americano. Em 2012, Dean Radin publicou, no periódico Physics Essays, uma série de seis testes em que voluntários tentavam usar o poder da mente para influenciar o resultado de experimentos de fenda dupla, um dos clássicos da Física Quântica. Mas, afinal, que raio é isso, "fenda dupla"?

Esse tipo de experimento, no qual um feixe de luz monocromático é forçado a passar por um anteparo onde há duas fendas abertas antes de atingir uma tela, foi criado por Thomas Young em 1801, bem antes do mundo quântico ser descoberto. Ao realizar o experimento, Young verificou que, na tela-alvo, a luz produzia um padrão de franjas de interferência -- barras claras intercaladas com barras de sombra. Isso, para ele, provava que a luz era uma onda, que passava pelas duas fendas ao mesmo tempo, dividindo-se. As duas ondas resultantes então se propagavam a partir do par de fendas, interferindo uma com a outra antes de atingir o alvo, causando as franjas. Assim:




Com o desenvolvimento da Física Quântica, iniciado um século depois do trabalho de Young, descobriu-se que mesmo partículas de matéria, como elétrons, produzem franjas de interferência quando submetidas à fenda dupla, como se fossem ondas, e que a luz, sob certas condições, produz um sinal sem interferência, como se fosse feita de partículas. Isso acabou levando ao conceito da dualidade onda-partícula: a matéria e a energia, em seus níveis mais fundamentais, comportam-se ora como ondas, ora como partículas, dependendo do tipo de interação a que são submetidas. 

O detalhe interessante -- o detalhe mais interessante, de fato -- é que qualquer tentativa de descobrir por qual das fendas a partícula/onda passou destrói o padrão de interferência: assim que um detector é colocado junto a uma das fendas, as barras de luz e sombra são substituídas por uma mancha mais ou menos contínua no anteparo, como se partículas individuais estivessem passando direto pelas fendas, ora por uma, ora por outra, com algumas resvalando nas bordas e desviando-se para lá ou para cá. Os padrões, com detector e sem detector, são como os da imagem abaixo:




Em seu artigo de 2012 sobre a meia dúzia de experimentos que realizou, Radin sugere que a consciência humana pode ser responsável pela quebra do padrão de interferência: seria a consciência do observador que causaria o colapso da onda, forçando a partícula a assumir um estado e uma trajetória definida. 

Escrevendo em 2013 no mesmo Physics Essays, no entanto, o físico suíço Massimiliano Sassoli de Bianchi, de modo extremamente delicado, explicou que a hipótese de "colapso pela consciência" de Radin era uma asneira: De Bianchi lembra que uma demonstração, publicada em 2011 em Annalen der Physik, prova que não é preciso que a informação sobre por qual fenda a partícula passou chegue à consciência para que o padrão de onda seja destruído. Basta, apenas, que a informação esteja disponível ou, mesmo, que seja possível obtê-la. Não é preciso que o dado entre na consciência de ninguém, ele só tem que existir em algum lugar. 

Meu livro Pura Picaretagem, escrito em parceria com o físico Daniel Bezerra, trata dos abusos filosóficos e retóricos a que a Física Quântica é submetida e diz algo semelhante: o chamado "colapso da função de onda", que faz com que certas propriedades de uma partícula deixem de existir como meras probabilidades e assumam valores definidos, requer apenas uma interação irreversível com outro ente físico, não uma observação consciente. 

Mas, enfim. O que são os experimentos de fenda dupla de Dean Radin? Resumir o esquema geral é fácil: um laser dispara contra o anteparo com a fenda dupla, O alvo é um sensor de luz análogo aos que existem nas máquinas fotográficas digitais. Um software analisa os sinais do sensor e calcula se eles se assemelham mais a um padrão de barras de interferência ou a uma mancha. 

Uma pessoa, sentada nas proximidades, se concentra para, em certos momentos, tentar, com o poder da mente, "fechar" uma das fendas, ou "tornar-se um" com o equipamento, ou "dirigir" o caminho das partículas de luz. Em outros momentos, o voluntários apenas fica sentado por ali e relaxa. A hipótese é que a imagem no sensor vai parecer mais com uma mancha durante as fases de concentração e mais como barras de interferência durante as fases de relaxamento. E que meditadores experientes conseguiriam um efeito mais evidente que leigos em meditação. Deu certo? Bom, depende do que você quer dizer com "dar certo".

O artigo publicado descreve, como já disse, seis experimentos, todos variações desse modelo básico. Em uma delas, os voluntários tentaram interferir no resultado de disparos de laser feitos no passado (!!), e outra contou com testes realizados não num laboratório, mas num mosteiro budista (com resultados negativos, diga-se, mas Radin descarta essa parte do estudo, dizendo que os controles não eram bons). 

O artigo informa um resultado geral, destilado dos seis estudos, estatisticamente significativo a favor das duas hipóteses -- a concentração reduz o padrão de interferência, e a concentração dos meditadores reduz mais --, e num nível impressionante para experimentos de psicologia. É fantástico: mesmo não provando que a consciência cria a realidade, ele sugere que a força da mente pode afetar eventos físicos (como a trajetória de raios de luz) à distância, e até no passado! Só que não. O diabo, como de costume, mora nos detalhes. 

Sem entrar na polêmica recente sobre a confiabilidade do uso de medidas de significância estatística em trabalhos de psicologia, o primeiro ponto a destacar é que, para obter esse resultado, Radin teve de combinar meia dúzia de estudos realizados em condições diferentes: um dos testes tirou o eletroencefalograma nos voluntários durante o processo, outros não; num caso houve controle da temperatura da sala, em outros não; em algumas das rodadas de controle, a sala estava vazia e em silêncio, condição diversa das rodadas "para valer"; um dos estudos envolveu uma tentativa de afetar eventos passados. Essa "ajuntação" de trabalhos em condições tão díspares é questionável, para dizer o mínimo. 

Em seu livro The Conscious Universe, um dos best-sellers de 1997, Radin usa a técnica estatística da meta-análise -- a agregação de diversos estudos diferentes -- para tentar provar que coisas como telepatia e telecinese estão comprovadas cientificamente. Para isso, no entanto, ele ignora as diferenças de metodologia, qualidade e credibilidade do material agregado, bem como casos claros de fraude, como aponta uma crítica publicada na revista Nature (a resposta de Radin, e uma tréplica, também saíram na revista). 

Em The Conscious Universe, Radin defende a inclusão, em meta-análises, de estudos com diferentes desenhos experimentais afirmando que é válido "comparar laranjas e maçãs, se queremos descobrir algo sobre frutas". No caso da parapsicologia, diz ele, "a fruta é o psi", ou seja, o efeito paranormal. O ponto saliente é que a existência de frutas é um fato universalmente comprovado, enquanto que o paranormal... Enfim, nenhuma meta-análise é capaz de reverter a velha máxima GIGO: "garbage in, garbage out", ou "lixo entra, lixo sai".

Bom, voltando: o segundo detalhe importante é que a maioria dos seis estudos demonstrou tamanhos de efeito -- uma medida da correlação entre as variáveis estudadas (no caso, atenção do voluntário versus padrão de interferência) -- baixíssimos. Analisados individualmente, seus resultados (com exceção do quinto trabalho, que envolveu o eletroencefalograma) não são nada impressionantes. Na verdade, na combinação dos quatro primeiros estudos, o efeito mais intenso obtido veio dos não meditadores, e ocorreu na direção oposta à prevista na hipótese.  (Errei na interpretação do gráfico. Detalhes no comentário do Gabriel, abaixo).

O terceiro é que, como experimento de física (e se você diz estar investigando os fundamentos da Física Quântica e sua relação com a consciência, você deve estar fazendo um trabalho de física, certo?), o conjunto de trabalhos deixa muito, muitíssimo mesmo, a desejar. Pois em nenhum momento parece ter havido uma mudança clara no padrão de interferência, uma transformação inequívoca das barras de luz e sombra na "mancha" luminosa, a mudança esperada caso o colapso da onda estivesse realmente acontecendo. Isso levanta a suspeita de que o software usado por Radin estava apenas interpretando flutuação e ruído. 

Para efeito de comparação: em 2004, a Nature publicou um artigo de uma equipe austríaca que investigou o efeito da temperatura das partículas num experimento de fenda dupla. Eles usaram minúsculas esferas de carbono, que eram aquecidas a caminho das fendas. À medida que a partícula é aquecida, ela começa a emitir luz -- a brilhar -- e, portanto, torna-se possível saber por qual fenda ela passou, destruindo sua característica de onda. O gráfico abaixo descreve o resultado do experimento. A temperatura das bolinhas de carbono é proporcional à potência, em Watts, na legenda:


Como se vê, à medida que a temperatura aumenta, o padrão de barras da interferência das ondas vai, claramente, dando lugar à mancha horizontal esperada de um feixe de partículas. Não há nada que se compare a isso no trabalho de Radin. Os desvios em direção à mancha detectados em seu aparato foram minúsculos. Se realmente houvesse algum efeito relevante da concentração humana na evolução do experimento, deveríamos ver algo como a ilustração acima: o quadro da esquerda corresponderia à imagem produzida no detector pelo laser quando o voluntário está relaxado, e o da direita, à situação do voluntário meditador concentrando-se. Mas Radin não tem nada nem remotamente parecido para apresentar.

Os seis trabalhos de Radin foram baseados em estudos anteriores realizados pelo laboratório Princeton Engineering Anomalies Research (PEAR), fechado em 2007, depois de quase 30 anos tentando provar -- sem sucesso -- a existência do paranormal, e por Stanley Jeffers, um pesquisador cético. Jeffers obteve resultados negativos e o PEAR, ambíguos. 

Em 2013, Radin publicou, no mesmo  Physics Essays, um novo artigo sobre o assunto (PDF), agora incluindo os resultados de uma bateria de testes realizada com voluntários concentrando-se à distância, via internet. Nesse novo artigo, os tamanhos de efeito calculados são, no geral, bem maiores do que os do trabalho de 2012 mas, mais uma vez, nenhuma transição real entre franjas de onda e mancha de partículas foi observada -- as variações foram apenas inferidas a partir do processamento estatístico das imagens no detector. Os tipos de processamento e de análise dos dados mudaram substancialmente em relação ao usado no artigo pioneiro de 2012. 

Curiosamente, o teste realizado à distância, via web, foi o que registrou o menor tamanho de efeito, bem próximo ao das rodadas de controle, sugerindo que a presença do voluntário na sala com a aparato pode ter algo a ver com os resultados aparentemente positivos (embora Radin discorde disso: ele escreve que o simples fato de o resultado do teste online, mesmo minúsculo, ter sido positivo "sugere que os resultados do Experimento 1 [presencial] provavelmente não foram causados por flutuações sistêmicas em calor, campos eletromagnéticos ou vibração causadas pela proximidade do corpo humano").

E o que isso tudo significa para o programa Mente-Matéria do Catarse? Num primeiro momento, espero que tenha ficado claro que o experimento, mesmo se bem sucedido, na verdade não dirá nada sobre a relação entre a consciência humana e a natureza do Universo. 

Ele poderá, na melhor das hipóteses, sugerir algum tipo de efeito psicocinético (o poder da mente de desviar a trajetória de partículas luz, ou de influenciar o funcionamento do detector) ou talvez precognitivo (e se o cientista previu inconscientemente o comportamento do equipamento, e armou as sessões de concentração e relaxamento de acordo?). 

Mas o mais provável é que, como praticamente toda a parapsicologia, venha a produzir ou resultados negativos ou algumas minúsculas anomalias estatísticas que permanecerão sem explicação até que alguém descubra o assistente canalha, o ratinho no canto do laboratório, o bug no software ou a perna bamba da mesa.

A boa notícia é que o dinheiro está saindo do bolso de doadores, não de verba pública. É um alento, depois que a Capes financiou um mestrado sobre Reiki e a Fapesp, um trabalho sobre cartas de Chico Xavier. Ainda assim, é triste ver o nome da USP envolvido. 

Comentários

  1. Caro Carlos,

    inicialmente, não há motivos para assumir que a interação investigada tenha seção de choque grande, em outras palavras, que todos os fótons fossem "atingidos" e houvesse uma transição abrupta de padrões. No mais, caso o software do Dr. Radin estivesse interpretando flutuações, as mesmas deveriam aparecer nas rodadas de controle, o que não é o caso.

    Além disso, existe um erro grave na sua interpretação dos dados. Você diz em relação a publicação de 2012, que a análise dos 4 primeiros experimentos revela que o efeito mais intenso veio dos não-meditadores. Por gentileza retome o artigo e vá a tabela V na página 165. Onde está essa informação que você está propagando? O efeito dos meditadores é de 2 a 3 vezes maior do que os não meditadores e o fato do efeito dos não meditadores ser invertido, é compatível com o que aconteceu em algumas seções de controle.

    Finalmente, gostaria de esclarecer que estou trabalhando com a hipótese nula, de que não haverão diferenças significativas entre as situações de atenção e relaxamento. Que estou fazendo melhorias em relação a pesquisa original, através do monitoramento de vibrações, temperatura, campos magnéticos e eletromagnéticos no momento das coletas. Que devemos basear as nossas opiniões em dados empíricos obtidos de forma rigorosa (que é o que estou propondo) e cuidar com os vieses ideológicos.

    Gabriel

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    1. Oi, Gabriel! Bem-vindo, e obrigado pela resposta. Sobre a questão do efeito dos não meditadores: você está certo. Interpretei mal os pontos do gráfico da página 165. Vou corrigir. Quanto às questões sobre a transição abrupta, trata-se de um problema de interpretação dos pressupostos do ensaio -- se a consciência realmente causa o colapso da função de onda (para dar um exemplo exagerado, se foi o olhar de galileu que "colapsou" a função de onda das luas de Júpiter, digamos), não seria de esperar que a mera atenção concentrada bastasse para afetar um "mero" feixe de fótons? O efeito me parece desproporcional à alegação-base por trás de todo o arranjo. Experimentos do tipo micro-PK em máquinas de REG (que me parece o modelo por trás desse arranjo com lasers) sempre foram afetados por questões de randomização inadequada, vieses sistêmicos, sessões de controle em condições não exatamente equivalentes às sessões "pra valer" e dúvidas quanto à apresentação integral dos dados, daí minha suposição, certamente tentativa, quanto a flutuações e ruído. De resto, confesso que não vejo nada muito frutífero nesse tipo de experimento -- dado o precedente histórico, em que a anomalia ou se revela um artefato ou se torna um evento especial em si, que não produz avanços na teoria nem consequências experimentais novas -- mas, enfim, espero que, com suas precauções, você prove que minha percepção está errada. Boa sorte!

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  2. O projeto tem participação de alguém do http://www.if.usp.br ou do http://portal.cbpf.br?

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  3. Osis, você disse que "Jeffers obteve resultados negativos", mas isso é uma meia verdade. Ele tentou por duas vezes repetir experiências PK relatadas por outros, e não conseguiu. Mas em 2003 Jeffers foi co-autor de um terceiro estudo no qual ele finalmente relatou um efeito PK significante e replicável (Freedman et al., 2003).

    O artigo está disponível aqui: http://deanradin.com/evidence/Freedman2003.pdf

    No artigo ele diz: "We found a significant effect of intentionality on random physical phenomena in a patient with left frontal damage that was directed contralateral to his lesion. Moreover, the effect was replicated".

    Referência: Freedman, M., Jeffers, S., Saeger, K., Binns, M., & Black, S. (2003). Effects of frontal lobe lesions on intentionality and random physical phenomena. Journal of Scientific Exploration, 17, 651–668.

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    1. Olá, obrigado pela referência! Confesso que desconhecia esse trabalho. Mas quando escrevi que Jeffers não havia obtido sucesso, eu me referia, especificamente, aos experimentos envolvendo o colapso da função de onda em experimentos de fenda dupla.

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    2. Como assim "referência"? Esse tal Journal of Scientific Exploration só publica pseudociência!

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    3. Ué, é uma referência. Pode ser boa ou má, mas existe.

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  4. Journal of Scientific Exploration só publica pseudociência.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Journal_of_Scientific_Exploration

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    1. E você cita como fonte que o jornal não presta a wikipédia? Realmente a wikipédia é uma fonte muito crível... Veja isso:

      http://www.skepticalaboutskeptics.org/investigating-skeptics/wikipedia-captured-by-skeptics/

      Além disso, como mostrado, céticos publicam também no JSE.

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  5. Pior que a pseudociência é o pseudocético... será q esse ultimo "modelo"tem cura?

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  6. Na Science e Nature, esse pessoal não publica nada, né? Por que será?

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    1. Que nada, o glorioso Dr. Radin já foi tema da Nature.
      I. J. Good. Where has the billion trillion gone? NATURE|VOL 389|23 OCTOBER 1997. p.806-807.

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    2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Argumentum_ad_verecundiam

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    3. A resenha publicada na Nature do livro de Radin continha diversos erros técnicos graves. Apesar disso, a Nature se recusou por meses a fio a publicar uma carta de Radin corrigindo tais desinformações, parecendo um conluio anti-parapsicologia. Para saber mais sobre esse lamentável episódio da revista Nature, ver http://www.tcm.phy.cam.ac.uk/~bdj10/psi/doubtsregood.html

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    4. A Nature possui base muito cética e materialista, e custa caro.. Não devemos confundir excesso de exigências com interesses pessoais dos editores..

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    5. Sobre a Nature, ela já publicou artigos sobre telepatia, no século 19, e da década de 70 para cá publicou trabalhos sobre clarividência, telecinese (um artigo "validando" os poderes de Uri Geller!) e memória da água. O fato de esses artigos não terem gerado outros artigos (exceto sob a forma de análises críticas ou retratações) me parece mais culpa do próprio campo da pesquisa paranormal, que não consegue atingir nem consistência teórica (por exemplo: buscar micro-PK em meditadores, isto é, pessoas capazes de usar a mente com enorme eficiência, e em vítimas de lesão cerebral é como um químico dizer que, já que o experimento falhou na fervura, então agora vai-se tentar por congelamento: soa mais como desespero do que qualquer outra coisa), nem em termos de efeitos obtidos. A parapsicologia já teve sua "audiência no tribunal", e não conseguiu ser convincente. O fato de gente como Radin ficar batendo no peito e dizendo que só não vê que o psi é real e já está comprovado quem é idiota, preconceituoso ou mal intencionado não ajuda em nada, chega à beira da paranoia e, simplesmente, não é verdade. Esse artigo do Jim Alcock resume bem a situação, a meu ver: http://www.imprint.co.uk/pdf/Alcock-editorial.pdf

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    6. Osis, esse artigo do Jim Alcock está repleto de erros graves! Por exemplo, ele diz:

      "Because parapsychologists have never been able to produce a successful experiment that neutral scientists, with the appropriate skill, knowledge and equipment, can replicate, some parapsychologists have gone so far as to argue
      that the criterion of replicability should not be applied to psi research because the phenomena are so different from the usual subject matter of science (Pratt, 1974)."

      Isso é um equívoco completo, para não dizer coisa pior! Um exemplo recente de cientistas céticos replicando experimentos parapsicológicos é o fornecido pelos testes Ganzfeld, comprovadores de telepatia. Mais recentemente, uma equipe de pesquisadores liderados pelos auto-declarados céticos Delgado-Romero e Howard (2005) repetiram os experimentos ganzfeld e obtiveram um resultado significativo. Na verdade, eles observaram a mesma taxa de acerto de 32% estimada por uma grande meta-análise aplicada a todas as sessões ganzfeld. Outro exemplo foi o cético Louis Savva, que obteve 34% de acerto contra os 25% esperados pelo acaso em 114 sessões (p = 0,02). Referências abaixo:

      a) Delgado-Romero, E., & Howard, G. (2005). Finding and correcting flawed research literatures. The Humanistic Psychologist, 33(4), 293–303.

      Disponível em http://deanradin.com/evidence/Delgado2005.pdf

      b) Smith, M. D., & Savva, L. (2004). Experimenter effects and Ganzfeld-ESP performance. 28th International Conference of the Society for Psychical Research. West Downs Conference Centre, 3rd – 5th September 2004.

      Disponível em http://drsmorey.org/bibtex/upload/Smith:Savva:2008.pdf

      Você ainda diz que Radin está quase paranoico e que a suposta falta de novos artigos ser culpa do próprio campo da pesquisa paranormal, mas Harris Friedman, um psicólogo clínico do mainstream e professor de psicologia na Universidade da Flórida, que se auto-descreve como "firmemente agnóstico em relação a psi", ele mesmo confessa que também encontrou resultados estatisticamente significativos, mas... não publicou. Eis o que ele disse:

      "I will share one limited experience in parapsychological research in which I found strong evidence for telepathy in a study of U.S. preteens (Friedman, 2010). If I had found a similarly strong result within a mainstream research area, I would have unhesitatingly published it. However, because of various factors (e.g., my then mentor warning me that publishing this investigation could be a career ender for me as a budding academic), this study was relegated to the file drawer."

      Sabendo disso, será que Radin não tem mesmo motivos para ficar paranoico?



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    7. Mas o fato de estudos serem feitos não significa que sejam *bons* estudos. O fato de um autor se declarar cético não quer dizer muita coisa (o velho estereótipo do convertido religioso que exagera seu ateísmo pré-conversão existe em questões de ciência, também). Li o artigo de Smith & Saava, e a qualidade é abismal! Praticamente todos os defeitos metodológicos apontados por Alcock em sua crítica do trabalho de Helmut Schmidt (em "Science and Supernature", de 1990) estão lá, como randomização duvidosa, "optional stopping", a presunção de testar uma variável interferente ("experimenter effect") antes de estabelecer sequer a existência do fenômeno em si (a transmissão de pensamento), etc. Quanto ao conservadorismo da ciência, hoje mesmo um periódico do grupo Nature publicou um artigo sobre a possibilidade de partículas viajarem ao passado e destruírem o princípio da incerteza de Heisenberg! Nos últimos 100 anos, a ciência "oficial" absorveu diversos choques contra suas "bases estabelecidas" -- a negação do éter, as duas relatividades, a quântica, as provas de Gödel sobre os fundamentos da aritmética, a lógica paraconsistente, as placas tectônicas, entre outras -- e, se o processo foi às vezes conflituoso, no fim a força da evidência sempre venceu. Mas, enfim, esse não é um debate que vá se resolver aqui entre nós dois. De minha parte, vou mantendo meu ceticismo cauteloso, mesmo acompanhando os desenvolvimentos de tempos em tempos.

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    8. Oi, Orsi

      a cética Susan Blackmore, quanto aos testes ganzfeld, disse:

      "Todos os interessados em parapsicologia, sejam crentes, descrentes ou céticos, devem levar esses resultados a sério. Não podem ser facilmente descartados. Obedecem à maioria, se não a todos, os requisitos definidos pelos céticos, e os resultados foram importantíssimos, convincentes para muitos da realidade da psi em laboratório." Publicado em 1993 na Skeptical Inquirer, Vol. 17, 306-308.

      Quanto ao artigo do Savva, não vejo o que há de duvidoso na randomização. O estudo de Savva foi incluso na meta-análise de Lance Storm e Patrizio Tressoldi publicada em 2010 no prestigioso Psychological Bulletin. Os autores só incluíram os estudos em que a seleção dos alvos foi randomizada através do uso de um gerador de números randômicos computadorizado ou semelhante, ou uma tabela de números randomizados. E isso está dito no artigo de Savva:

      "the DigiGanz system ensured that all important procedural elements (such as randomization of target materials, recording and storage of ratings during the judging procedure, etc.) were carried out rigorously and in the correct order. "

      Sobre "optional stopping", o problema é desprezível. Os próprios autores dizem:

      "Each experimenter was required to conduct 8 ganzfeld trials each, however three experimenters did not complete all 8 of their trials. Experimenters who completed all 8 of their trials were debriefed after completing their trials. No experimenters indicated that they were aware or suspicious of the expectancy
      manipulation. A total of 114 trials were completed. [...] However, as 128 trials were originally planned, it is important to note that there is a risk of optional stopping in this study, as three experimenters did not complete all 8 of their trials (one completed 2 trials, the other two completed 4 trials each). All three of these experimenters were classified as having ‘low’ attitudes towards psi. The experimenter who completed just 2 trials was in the ‘negative’ expectancy condition whilst the two experimenters who each completed 4 trials were in the ‘positive’ expectancy condition. They did not complete all 8 trials due to difficulty with scheduling trials."

      Em suma, os autores apenas mencionaram o problema do "optional stopping" mais por desencargo de consciência do que como se fosse um problema metodológico significativo, real. Não vi nenhum motivo plausível para desconsiderar as sessões realizadas até então, mas mesmo que desconsidere, os resultados ainda estão de acordo com o encontrado nas meta-análises, embora fiquem não significantes (e ainda assim, apenas marginalmente):

      "If the data from these three experimenters are removed the hit-rate is 33% (34 hits from 103 trials) and becomes marginally non-significant (p=0.06)."

      Quanto à força da evidência, sugiro que leia http://parapsych.org/articles/36/55/what_is_the_stateoftheevidence.aspx e, em especial relativo a ganzfeld, http://parapsych.org/articles/36/64/3_esp_in_the_ganzfeld.aspx

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    9. Olá! Você cita a Blackmore, mas foi ela também quem denunciou que muitos experimentos ganzfeld eram conduzidos em condições bem mais "relaxadas" do que as descritas nos papers. Um problema recorrente em experimentos científicos em geral é que enquanto o teste de hipótese propõe um corte mais ou menos claro entre a hipótese experimental (há um efeito real aqui) e a hipótese nula (foi puro acaso), na realidade a rejeição da nula não implica, necessariamente, a experimental: pode não ter sido nem acaso, nem o efeito que se buscava medir, mas alguma outra coisa. Um dos objetivos do desenho experimental é controlar para "alguma outra coisa", mas o problema específico com experimentos psi é que essa "alguma outra coisa" pode vir de direções inesperadas ou envolver efeitos psicológicos extremamente sutis, como "probability learning", então controles que poderiam parecer excessivos em outros campos tornam-se necessários, e nem sempre são aplicados. Esses controles são ainda mais importantes porque, como os tamanhos de efeito detectados geralmente são muito pequenos, qualquer interferência minúscula pode gerar um falso positivo. No caso do artigo de Smith-Saava, três coisas me chamaram a tenção. Primeiro, a frase "It should be noted that the procedure as outlined above was the procedure that all experimenters were
      asked to adopt, and that individual experimenters may have deviated from this in minor ways", sem uma descrição de quais "desvios" teriam sido esses. Segundo, a aleatorização dos alvos: não temos a ordem em que o alvo e os "decoys" foram apresentados a cada voluntário, então não dá pra analisar a apresentação em busca de padrões incidentais, que poderiam induzir "probabilty leraning". E, por fim, o "optional stopping": os próprios autores reconhecem que, se excluídos esses três casos, o resultado deixa de ser significativo! Está lá: "However, it is important to note that
      this hit-rate may be a consequence of the possibility of optional stopping as three experimenters did not
      complete all 8 of their trials. A hit-rate of 33% (binomial p=0.06) was observed when these three
      experimenters’ data were removed." Os autores desconsideram esse efeito não porque ele é irelevante, mas porque estavam tentando medir outra coisa (o efeito das expectativas do experimentador, não a significância do ganzfeld). Como *teste de significância do ganzfeld* (e não do efeito experimentador), o optional stopping anula o resultado.

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    10. Oi, Orsi,

      a "denúncia" de Blackmore foi em 1979, e respectiva a apenas 1 experimentador. Hyman e Honorton publicaram uma Joint Communiqué em 1986 com as diretrizes metodológicas a serem seguidas por todos os experimentadores dali para a frente. Em 1993, como mostrado, Blackmore viu os resultados e a metodologia como espetaculares. A mais recente meta-análise, publicada em 2010, pega os estudos conduzidos a partir de 1992. Os autores do artigo publicado em 2010 informam:

      "Akers (1984) chamou atenção para as “explicações” que os céticos usam para justificar as dúvidas a respeito da existência de psi, tais como falha da randomização, vazamento sensorial, fraude ou erros metodológicos. Ele afirma que mesmo os aparentemente melhores estudos parapsicológicos apresentam falhas que invalidam os seus achados como evidência de efeitos paranormais. Entretanto, isso faz mais de duas décadas, antes que as padronizações fossem melhoradas sensivelmente. O que poderia ter sido verdade tem pouco sentido atualmente."

      Sobre os "desvios", isso diz respeito a diferenças metodológicas que não fujam do que seria considerado um teste ganzfeld padrão. Um desvio válido seria um em que o experimentador, embora ainda cego quanto ao alvo, às vezes ajuda o sujeito a fazer o julgamento. Outro desvio válido seria usar um par de amigos para servir como emissor e receptor. Um desvio que foge do padrão seria a substituição de alvos visuais por exclusivamente auditivos (música). Isso está bem explícito no artigo Updating the Ganzfeld database: A victim of its own success? (2001).

      A explicação de "probability learning" é inviável pois os participantes muito dificilmente repetem as sessões, a maioria realizando uma única sessão, no máximo duas. No estudo de Honorton de 1990, por exemplo, 241 voluntários realizaram 355 sessões.

      Quanto ao "optional stopping" que gerou os 33% não significantes (em vez dos 34% significantes), o resultado ainda está acima da média do esperado pelo acaso, e cada conjunto de dados que está acima do acaso contribui para a tendência global de ganzfeld. Além disso, já foi dito e repetido que "God loves the 0.06 nearly as much as the 0.05".

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    11. É cada argumento furado desses céticos... quase nenhum cientista brasileiro publicou na Science ou na Nature... são todos pseudocientistas então?

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  7. PARTE 1

    Olá Carlos,

    Interessante o seu artigo. Gostaria de fazer algumas humildes contribuições.

    Durante muitos anos eu fui talvez um dos maiores (digamos, um dos 20 maiores) caçadores de pseudocéticos de nossa nação. Contudo, devido às mais recentes legislações ambientais visando a preservação da biodiversidade nacional ( :-) ), fui obrigado a buscar outras áreas de atuação.

    Um ponto que tenho focalizado intensamente já há vários anos, e que devo me devotar mais a fundo durante os próximos quatro anos (sem capes, fapesp, faperj, ou crowdfunding...) é o estudo e interpretação do misteriosíssimo fenômeno da consciência. Nesse mister, creio que você acharia interessante a minha resenha ao livro de Dean Radin; não o que você citou, mas o que foi lançado depois, The Entangled Universe. Procure no amazon.com por minha resenha a ele (o link abaixo tem minhas críticas a muita gente boa também, além do Radin, que também é gente boa).

    http://www.amazon.com/gp/cdp/member-reviews/A1TW15180HUSWG/ref=cm_cr_pr_auth_rev?ie=UTF8&sort_by=MostRecentReview

    Um ponto inicial que gostaria de comentar a respeito de suas afirmações é o que você diz no trecho que colarei abaixo:

    "se a consciência realmente causa o colapso da função de onda (para dar um exemplo exagerado, se foi o olhar de galileu que 'colapsou' a função de onda das luas de Júpiter, digamos), não seria de esperar que a mera atenção concentrada bastasse para afetar um 'mero' feixe de fótons?"

    Resposta à Sua Pergunta: Não. Não seria. Se houver alguma relação (causal ou de outra ordem) entre o colapso da função de onda e a consciência (lembrando que tanto o colapso quanto a consciência são entidades com existência em disputa...; ou seja, há quem diga que não existem nem colapso nem consciência), isso não diz a princípio nada entre a natureza e a intensidade de tal relação. Você está colocando o carro na frente dos bois ao tentar exigir que a consciência afete, ao mesmo tempo, um feixe com (digamos) 10^000.000.000 fótons (ou elétrons). Pode ser que tal relação se mostre ótima ao se tentar afetar um fóton de cada vez. Pode ser que ela seja ótima ao se tentar afetar 10.000 fótons de cada vez, ou um trilhão deles (e que seja fraca ao tentar afetar um de cada vez). Esse tipo de erro do tipo carro-na-frente-dos-bois é muito comum no pseudoceticismo. Pseudoceticismo é (sem querer plagiar você) pura picaretagem. E como tenho certeza (ou pelo menos esperança!) de que seu livro não seja auto-biográfico, rogo que você atente para esse tipo de detalhe (até porque, como você bem sabe, e disse, o diabo costuma habitar nos detalhes).

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    1. Bolas, se a consciência afeta o universo material inteiro (se ela *cria* o universo material inteiro) não há nada de absurdo em esperar que ela consiga afetar um feixe de fótons. E não precisa ser "ao mesmo tempo": uma transição, ainda que lenta, entre dois estados bem definidos (como no caso do aquecimento das esferas de carbono) já seria bem mais consistente com a hipótese inicial do que meras flutuações estatísticas.

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  8. PARTE 2

    Um segundo trecho seu abaixo:

    "Experimentos do tipo micro-PK em máquinas de REG (que me parece o modelo por trás desse arranjo com lasers) sempre foram afetados por questões de randomização inadequada, vieses sistêmicos, sessões de controle em condições não exatamente equivalentes às sessões "pra valer" e dúvidas quanto à apresentação integral dos dados, daí minha suposição, certamente tentativa, quanto a flutuações e ruído."

    Como quase tudo na seara pseudo cética, as coisas não são bem assim como descritas por você acima. Bem, não sou exatamente um especialista em micro-PK. Mas o modelo experimental era muito bom, a tese era interessante tanto em termos metodológicos quanto teóricos (incluindo retro PK, ou psicocinese retro temporal. Afetar-se o passado), e os resultados foram bem instigantes. Dentro de minha ignorância sobre o tema, considero aceitável que se considere como relativamente inconclusivo o conjunto dos resultados. Mas é necessário frisar: o que se evidencia em micro-PK é, em termos físicos (a grosso modo) praticamente a mesma coisa que se evidencia nos experimentos onde se tenta evidenciar fenômenos similares ao que chamamos de telepatia, experimentos esses que se utilizam do protocolo experimental conhecido como Ganzfeld. O conjunto de dados oriundos de tais experimentos, ao longo de muitas décadas (muitas mesmo!) é simplesmente assombroso. É muito robusto. Uma coisa pode ser dita com segurança com relação a tal linha de pesquisa: trata-se de uma seara com sólida credibilidade, e merecedora de enorme respeito científico. Infelizmente não é assim que ela é tratada (incluindo revistas como Nature e etc).

    Outro ponto:

    "De resto, confesso que não vejo nada muito frutífero nesse tipo de experimento -- dado o precedente histórico, em que a anomalia ou se revela um artefato ou se torna um evento especial em si, que não produz avanços na teoria nem consequências experimentais novas"

    Com todo o respeito, isso é uma postura muito ruim. O tal precedente histórico ao qual você se refere é uma distorção significativa da realidade. Existe sim, na pesquisa psi, uma considerável quantidade de situações onde formulações teóricas (oriundas da análise de resultados) levou a melhorias na metodologia com posterior aumento da confiabilidade dos resultados, incluindo aumento no tamanho do efeito do fenômeno em tela. Pessoalmente, Carlos, penso que sua crítica poderá se tornar muito mais robusta e eficaz se ela criticar cada vez mais e mais aquilo que a pesquisa psi de fato é, e aquilo que a pesquisa psi de fato vem sendo ao longo das diversas décadas desde fins do século 19. A pesquisa psi possui uma quantidade considerável de erros e falhas e descaminhos bastante interessantes a serem analisados e criticados. Por quê perdermos tempo inventando falsas falhas para, no final, meramente nos limitarmos a malhar judas? (strawman fallacy, ou falácia do espantalho).

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  9. PARTE 3

    Um internauta fez um comentário interessante:

    "Como assim "referência"? Esse tal Journal of Scientific Exploration só publica pseudociência!"

    Durante muitos e muitos meses, eu fiz parte de um fórum do falecido cético estados-unidense Victor Stenger (físico respeitado). Uma das figuras mais ilustres lá era um tal de William Jefferys (não sei se estou soletrando o sobrenome dele direito). Jefferys é uma espécie de ultra cético, crítico feroz de Dean Radin. Ele também foi o líder científico da equipe que resolveu o defeito nas lentes do telescópio Hubble. Bem, eu troquei muito pesco-tapa com Jefferys durante minha estada no fórum do Stenger. Mas Jefferys falava muita coisa interessante (é sempre sábio ouvirmos com enorme atenção os nosso oponentes!). Uma coisa que ele disse foi que ele era um referee do Journal of Scientific Exploration, e que isso trazia um certo preconceito contra ele vindo por vezes de alguns cientistas mainstream normais. Contudo, ele achava que era válido continuar na função, pois, segundo ele, apesar da esmagadora maioria do material publicado ser porcaria, muita coisa poderia ter um fundo de verdade, e valia a pena olhares técnicos de qualidade sobre tudo isso. Então, pseudo ciência e pseudo cientistas é muito menos uma coisa fixa e muito menos pessoas específicas, e muito mais uma postura que por vezes as mais variadas pessoas podem, lamentavelmente, adotar. Não procure pelo pseudo cientista no outro. Procure por ele dentro de seu coração e de sua mente. (idem para o pseudo cético).

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  10. PARTE 4

    Um outro ponto seu, Carlos:

    "Sobre a Nature, ela já publicou artigos sobre telepatia, no século 19, e da década de 70 para cá publicou trabalhos sobre clarividência, telecinese (um artigo 'validando' os poderes de Uri Geller!) e memória da água."

    Carlos, em todas essas coisas, vale a pena um olhar atento e bem informado (senão, qual a utilidade de termos um blog sobre tais assuntos?). Em 1974, se não me engano, Nature publicou artigo dos autores Targ e Puthoff sobre eventos que sugeriam a ocorrência de telepatia. O principal sujeito (cobaia) foi Uri Geller. Nature agiu com impecável postura científica neste ponto, inclusive nos aspectos sociais e políticos que envolvem as ações científicas públicas. O editorial de Nature sobre tal assunto nesta ocasião é um primor de excelência científica (recomendo sua leitura!). O artigo em si era bem fraquinho (no meu entendimento), e definitivamente os autores deixavam bem claro que não encontraram validações experimentais para os "poderes de Geller". Quer coisa melhor do que isso? A despeito de tudo isso, sempre (ou quase sempre) que um artigo "cético" comenta tal fato, é dito que os poderes de Geller foram validados por tais pesquisas. Poxa! Afinal de contas, quem é pior? Os burrinhos Targ e Puthoff (que pelo menos se deram ao trabalho de afirmar taxativamente que não encontraram validações do efeito Geller) ou os iluminados céticos que os citam de modo errado? Êta mundo louco, sô! Você falou de Nature publicando artigo sobre clarividência e telecinese ("validando" tais poderes). Seria o artigo sobre Geller? Se é, você citou errado. E sobre "memória da água". Bem, esse deve se tratar do artigo do frances Jacques Benveniste sobre memória da água que poderia, subsidiariamente, fornecer base teórico-empíricas para as afirmações da homeopatia em geral. Esse é de 1988. Acontece que a publicação de tal artigo não se tratou de uma atitude científica séria por parte da Nature, e sim de macaquice "policial" detetivesca indevida e canhestra, contando com clara demonstração de falta de honestidade da parte de James Randi. Foi uma arapuca. Sim, tudo leva a concluir que os resultados de Benveniste eram pura bobagem. Mas a postura de Nature foi ridícula. Eles simplesmente nem deveriam ter publicado o artigo. E James Randi nada contribuiu durante o episódio, ao contrário do outro cético envolvido no caso que de fato possuía o conhecimento metodológico científico adequado para identificar a provável fonte de erro nos experimentos da equipe de Benveniste.

    Outro trecho seu:

    "buscar micro-PK em meditadores, isto é, pessoas capazes de usar a mente com enorme eficiência, e em vítimas de lesão cerebral é como um químico dizer que, já que o experimento falhou na fervura, então agora vai-se tentar por congelamento: soa mais como desespero do que qualquer outra coisa"

    Novamente, a meu ver, grave falha de sua parte. Buscar aspectos diferentes é praxe em ciência. Muitas vezes é fruto sim de um certo desespero infrutífero. Mas muitas vezes não. No caso que você cita acima, se trata (ao que me parece) de mais um exemplo de como experimentos levaram a expectativas teóricas com posterior reformulação da metodologia e obtenção de melhores resultados. Note um ponto interessante, que eu vou te colocar sob a forma de pergunta: que semelhança poderia haver entre essas duas coisas que, a princípio, parecem opostas: de um lado, meditadores capazes de usar a mente com ENORME EFICIÊNCIA; e de outro, vítimas de LESÃO cerebral (que gera ENORME DEFICIÊNCIA no uso da mente)?

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  11. PARTE 5

    Outro ponto:

    "A parapsicologia já teve sua 'audiência no tribunal', e não conseguiu ser convincente."

    E a ciência também, Carlos. E ambas foram consideradas culpadas do maior vício em que uma atividade incorrer: *Tratam-se de atividades humanas, sujeitas a todas as vicissitudes de tais atividades, como fraudes, viéses perceptíveis ou não, falhas metodológicas, corrupção diante de tentações mundanas como dinheiro, poder, orgulho, e diversas e diversas e diversas outras mazelas*. Excelência Verdadeira, só no mundo dos pôneis cor de rosa...

    Mais um ponto:

    "O fato de gente como Radin ficar batendo no peito e dizendo que só não vê que o psi é real e já está comprovado quem é idiota, preconceituoso ou mal intencionado não ajuda em nada, chega à beira da paranoia e, simplesmente, não é verdade."

    Concordo. Confesso que possuo uma boa dose de "pé atrás" com relação a Radin. Em especial quanto ao uso que ele faz das meta análises. Mas, olha. A bem da verdade, ele não taxa de idiota quem se opõe a ele não. Ele possui uma postura bem mais realista e construtiva neste ponto.

    O artigo do Alcock que você citou é uma porcaria. No dia seguinte ao que tal editorial foi disponibilizado online (logo quando publicaram e lançaram o livro Psi Wars), eu o li durante a madrugada e postei mensagem detonando ele de cima a baixo, no fórum do inter-psi. Se não me engano em 2003 ou 2004. É fundamental sermos caçadores de porcarias, Carlos. Tanto nas obras que defendem idéias diferentes das nossas quanto em obras que defendem idéias similares às nossas. Isso só faz a gente crescer intelectualmente, e contribuir melhor para a construção da verdade (naquilo que podemos).

    De resto, por incrível que possa parecer, não creio que a consciência cause o colapso da função de onda. Sinceramente, eu me alinho com as interpretações da mecânica quântica segundo as quais nem sequer ocorre qualquer colapso de função de onda (ou seja, as interpretações do tipo Muitos Mundos - Everett). Mas acho que Radin e Guerrer merecem ser criticados nos erros em que de fato incorram.

    Abraços,
    Julio Siqueira
    http://www.criticandokardec.com.br/

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    1. Olá, Julio, grato pela resposta longa e ponderada. Comecei a responder num dos trechos acima, mas como novos capítulos continuavam chegando, resolvi fazer uma tréplica geral aqui no fim. Não conseguirei dar conta de todos os pontos que você levanta, ao menos não no momento, mas gostaria de tocar em alguns:

      A questão do tamanho do efeito no trabalho de Radin com lasers: não estou pondo o carro na frente dos bois, mas apenas esperando, de modo bem razoável, que o resultado seja consistente com a retórica do autor. Se a mentevhumana cria a realidade -- e se, no experimento clássico da fenda dupla, é a entrada da informação sobre o sistema na consciência do experimentador, e não a disponibilidade da informação no detector -- então é apenas coerente esperar que o esforço aplicado da consciência gere algo tão ou mais impressionante que a ação de detectores inconscientes. Você está certo, em termos gerais, ao apontar que se hávalguma relação entre mente e fóton, o tamanho dessa relação é uma questão separada. Mas minha crítica não se dirige à afirmação *em termos gerias*, mas só modo como ela foi enquadrada no artigo de Radin e, também, no "pítch" do Catarse.

      Sim, a ciência também tem sua parcela de erros e barbeiragens históricas, mas a despeito disso ela produziu um cabedal de fatos e teorias que nos deram o computador, a nave espacial, o transplante de órgãos. É a pesquisa psi, nos deu o quê? A possibilidade remota de que é possível adivinhar o que os outros estão pensando quando cobrimos os olhos com bolas de pingue-pongue?

      Você diz que Targ e Puthoff não validaram Geller para a Nature. Como assim? Eles afirmam textualmente que Geller foi capaz de adivinhar desenhos e resultados de lances de dados com probabilidades tremendamente menores que as previstas pelo acaso!

      Nossas opiniões sobre o valor relativo dos trabalhos de Alcock e Radin parecem diametralmente opostas. Concordo que é preciso caçar porcarias (estou, entre grunhidos, lendo "Entangled Minds", que Té agora vem se mostrando um dos mais grosseiros exercícios de desonestidade intelectual que já me caíram em mãos), mas ao que tudo indica nossas ideias sobre o que constitui "porcaria", ao menos nesse campo específico, são bem divergentes.

      Abs!

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    2. Oi, Orsi

      você pergunta: "a ciência também tem sua parcela de erros e barbeiragens históricas, mas a despeito disso ela produziu um cabedal de fatos e teorias que nos deram o computador, a nave espacial, o transplante de órgãos. É a pesquisa psi, nos deu o quê?"

      Resposta: O EEG, vastamente usado em neurociência. Ver: https://methodsinbraincomputerinterfaces.wikispaces.com/file/view/BergerBiography.pdf

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  12. Caro Orsi, uma breve questão onde você afirma:

    "O terceiro é que, como experimento de física (e se você diz estar investigando os fundamentos da Física Quântica e sua relação com a consciência, você deve estar fazendo um trabalho de física, certo?), o conjunto de trabalhos deixa muito, muitíssimo mesmo, a desejar. Pois em nenhum momento parece ter havido uma mudança clara no padrão de interferência, uma transformação inequívoca das barras de luz e sombra na "mancha" luminosa, a mudança esperada caso o colapso da onda estivesse realmente acontecendo. Isso levanta a suspeita de que o software usado por Radin estava apenas interpretando flutuação e ruído. "

    A partir desse parágrafo (até alguns seguintes), você parece induzir o leitor a pensar que foi uma elevação na temperatura, cujo fato poderia ter distorcido o feixe de fótons.

    Além dessa afirmativa (ou hipótese) que você levanta, não pareceria coincidência demais ocorrer isso somente no momento em que os "mentalizadores" estavam se concentrando para colapsar o feixe de luz?

    Mais um detalhe, admitindo que Radin poderia ter fornecido mais dados, mas qual seria a temperatura observada pelo artigo dos austríacos, publicado na Nature?

    Deves concordar comigo que elevação de temperatura para alterar um feixe pode ser mínima ou algo realmente elevado... Alias, se foi elevado, e só vem a ocorrer no momento que os "mentalizadores" se concentram, me parece que as evidências ficam mais interessantes ainda para a paranormalidade...

    Segue a mesma dica que o Julio colocou, copiando de você mesmo...

    "diabo costuma habitar nos detalhes"

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    1. Sandro, não tenho a referência completa do papel aqui, mas vou postá-la assim que voltar a meus arquivos. O que quis dizer, ao citar esse artigo, foi que experimentos de física que produzem colapso da função de onda de fótons em geral têm efeitos muito mais claros que os anunciados por Radin. Não chego a supor que foi a temperatura da sala que causou o pequeno sinal detectado, mas é uma hipótese. Radin poderia ter controlado isso pondo fontes de calor no laboratório, mas preferiu usar termômetros... Sendo que o controle adequado envolveria variar a temperatura e ver se isso causa algum efeito, e não simplesmente medi-la.

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    2. Ok Orsi, entendi essas hipóteses, o que me parece estranho é o fato de tal colapso ter ocorrido somente quando os meditadores estavam concentrados.

      Isso é um detalhe e é o detalhe crucial, onde Radin usou controle e nada disso seria esperado. Você não acha isso estranho?

      Esse meu contraponto vale tanto para o referido experimento como tb para os criticados sobre aleatoriedade (gerador randômico).. O único argumento plausível elocubrado foi de que os números não eram tão aleatórios como poderiam, mas parece sair do foco de que a tendência sempre foi positiva, mas não negativa.

      Estou dizendo isso pq concordo que pode haver fator externo que gere tal colapso por engano, ou interferência, mas agora, supor que a interferência sempre ocorre justamente no momento em que os "mentalizadores" estão concentrados, dai me parece não querer ver o óbvio..

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    3. Prezado Carlos e demais interessados,

      Primeiramente fico feliz em ver que sua crítica geral, Carlos (com a qual concordo em alguns pontos e discordo em outros, incluindo o que rolou nos comentários acima), levou o debate público a outro nível. Geralmente as críticas se resumem a versões extremamente rasas de pseudoceticismo, repletas de falácias lógicas etc. Você fez uma crítica longa e detalhada, que acabou por incitar a presente discussão. Isso, com erros e acertos, já é bastante válido. O mesmo acontece na ciência em geral e em revistas em particular, como as citadas Nature, JSE etc., que publicam erros e acertos, e assim movem o debate. Como disse o Siqueira, devemos ser atentos a porcarias dos dois lados (pró e contra o paranormal) e elas estão lá.
      Um dos detalhes interessantes (talvez eu volte mais tarde para comentar outros) é que o experimento do Gerrer pretende controlar diversas dessas variáveis comentadas aqui (e em outros lugares na internet). Portanto, sua pesquisa pretende contribuir também nesse ponto, de modo a podermos tirar certas críticas feitas ao Radin do campo da abstração ("pode ter sido isso ou aquilo") e levá-la para o campo empírico ("vamos então bolar um experimento que leve em conta essas críticas e ver o que acontece"). Não me leve a mal, as críticas são cruciais e devemos fazê-las. Isso move o debate. Mas devemos apoiar quem se dispõe a colocar a mão na massa e transformar tais críticas em uma pesquisa efetiva.

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    4. Oi, Sandro. No caso dos geradores de eventos aleatórios, é fácil entender como uma falha de aleatorização (e não só, mas também pequenos padrões de curto prazo numa sequência que, no longo prazo, é realmente aleatória) gera a tendência de resultados positivos, mas não negativos: o que se supõe é que o voluntário testado intui a presença de um padrão e "surfa" nele. No caso do laser, essa hipótese da deteção de padrões não parece fazer sentido, ao menos não dá forma como o experimento está descrito. O que temos, então, é um efeito muito pequeno, que se manifesta preferencialmente na presença de meditadores meditando, e de modo mais forte quando há um eletroencefalograma funcionando. Pode parecer "óbvio" que é a meditação que causa o efeito, mas será mesmo? Nesse caso, por que a intensificação na presença do EEG? A mim me parece que as hipóteses mais plausíveis ainda são ruído, interferências ou, mesmo, artefatos na análise dos dados (há alguns anos que o campo da psicologia é chacoalhado pela constatação de que escolhas "inocentes" na forma como os dados são processados têm o poder de distorcer os resultados, geralmente na direção desejada pelo pesquisador). Me parece sugestivo que o segundo estudo do Radin, de 2013, usando um software diferente, teve efeitos muito maiores, exceto quando o experimento foi feito on-line. Isso sugere que é a presença do meditador na sala, mais que a meditação em si, a causa, e que o modo como os dados são processados afeta os resultados. Mas de repente não é nada disso e as pessoas estão mesmo afetando os fótons com a mente. Mas ainda há muita coisa a esclarecer antes que dê pra aceitar isso.

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    5. Oi de novo, Carlos. Devemos tomar cuidado para não confundir hipóteses mais simples com explicações certas para aparentes anomalias. A experimentação controlando essas possibilidades é que deve ser o fiel da balança. Quanto aos experimentos com RNG, por exemplo, mais e mais replicações vêm acontecendo (inclusive o Brasil começa a entrar na dança) e resultados interessantes têm aparecido (não são conclusivos, a meu ver, mas sugerem que devemos, ao menos, dar atenção ao tópico). As eventuais falhas na aleatorização, padrões ocasionais em intervalos curtos e outros problemas experimentais tendem a ser contornados conforme tais replicações acontecem, dados os cumulativos cuidados metodológicos e o exponencialmente crescente número de rodadas experimentais. Em pesquisas Ganzfeld, os resultados acumulados estão ainda mais difíceis de se explicar de modo prosaico (embora haja hipóteses não paranormais em debate). Nesse sentido, algumas críticas mais interessantes que essas que você levantou por último vêm de críticos como Dr. Christopher French, psicólogo pesquisador da Universidade de Londres. De qualquer modo, tudo isso sublinha a importância de replicações (coisa que o French sempre faz quando critica uma pesquisa) e de novas reflexões sobre questões epistemológicas, teóricas e metodológicas envolvidas. Quanto a esse último ponto, tenho de lembrar que uma série de pontos basilares da ciência em geral, como os experimentos cegos e a aleatorização, têm sua gênese histórica atrelada aos experimentos parapsicológicos! Ademais, novamente evocando o French, os achados estatisticamente significantes em grande quantidade de pesquisas sobre psi podem advir de critérios estatísticos não tão bons quanto parecem. Mas (e isso é crucial) são os mesmos critérios usados pelas pesquisas "mainstream" em diversas áreas! Então as pesquisas psi podem servir, caso psi não exista, para mostrar vulnerabilidades sérias de critérios estatísticos que todo mundo por aí usa e confia ao pesquisar todo tipo de coisas. Ou seja, esses estudos sobre ESP e PK contribuem para a ciência de um jeito ou de outro.

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    6. Orsi, sobre seus comentários:

      "No caso dos geradores de eventos aleatórios, é fácil entender como uma falha de aleatorização (e não só, mas também pequenos padrões de curto prazo numa sequência que, no longo prazo, é realmente aleatória) gera a tendência de resultados positivos, mas não negativos: o que se supõe é que o voluntário testado intui a presença de um padrão e "surfa" nele."

      Embora eu não acredite muito nessa falta de aleatoriedade pelo gerador, esse argumento que você simplifica ainda não explica o simples fato de, ora quando grupo teria q influenciar para 1, dai o índice de acertos, coincidentemente, está em cerca de 33% para 1.. Dai quando o grupo tenta influenciar para 0 (zero), dai o indice, coincidentemente (novamente) vai para esse valor..

      O argumento não é bom pq fica se focando em possíveis falhas sem ver o todo.. De qualquer forma vejo isso positivamente pq nos força a melhorar a metodologia.

      "Pode parecer "óbvio" que é a meditação que causa o efeito, mas será mesmo? Nesse caso, por que a intensificação na presença do EEG? A mim me parece que as hipóteses mais plausíveis ainda são ruído, interferências ou, mesmo, artefatos na análise dos dados ... ()"

      Bom.. então você ao menos concorda que a pesquisa do Guerrer é importante e útil? Afinal, ele vai refazer os experimentos controlando as variáveis.
      Em minha opinião a tendência está clara para a paranormalidade, mas tudo bem.. devemos rechecar todos os dados e aprimorar os rigores dos métodos..

      "Me parece sugestivo que o segundo estudo do Radin, de 2013, usando um software diferente, teve efeitos muito maiores, exceto quando o experimento foi feito on-line. Isso sugere que é a presença do meditador na sala, mais que a meditação em si, a causa, e que o modo como os dados são processados afeta os resultados."

      Aqui tvz venha minha melhor colaboração a seu pensamento, infelizmente é de forma oposta.

      Particularmente, em conversa com o Guerrer, sugeri especial atenção na escolha dos ditos "meditadores", afinal se a hipótese for válida quem interfere na luz precisa ter capacidade para tal.. Isso vem sendo dito ao longo dos anos pelos diversos estudos de paranormalidade.
      É fácil negativar um caso assim pegando-se simplesmente pessoas q se acham capazes de tal...
      Bom.. uma possível explicação para a melhora dos dados pode ser pq o software era mais "sensível" ou tb os agentes PSI eram melhores ou estavam mais a vontade (bom aí tem-se uma série de hipóteses)..
      Sobre a questão dos menores efeitos online, bom, aí eu teria q pedir para você colocar se ceticismo (ou crença mesmo) de lado e estudar o conhecimento espirita.

      Mesmo se tratando de uma hipótese (espirita), não querendo afirmar nada, mas dentro do conhecimento espirita há a necessidade de um agente próximo ao local do fenômeno para que esse possa ser gerado. Se não houver, então o fenômeno pode não ocorrer ou ocorrer de forma sutil..

      Bem, com essas duas informações, já há coerência total sobre a interação mente-matéria..


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    7. Oi, Sandro! Em princípio, claro, todo experimento sempre pode produzir informações úteis. Meu problema -- e, sim, trata-se de uma questão de opinião pessoal, particular -- é que a história da pesquisa psi tem mostrando um padrão meio deprimente de efeitos que são frágeis demais para alterar o consenso científico, e que dão margens a debates como este nosso, que podem ser muito interessantes, mas que ficam girando em torno de hipóteses, mas sem uma base empírica suficiente para permitir uma conclusão ou, mesmo, uma teorização consistente. É claro que o próximo experimento, ou o outro depois dele, pode ser o que vai quebrar as barreiras e tirar o psi dessa zona cinzenta epistemológica em que se encontra, mas (de novo, é uma questão de opinião pessoal, que pode muito bem estar errada) a história sugere que a probabilidade prévia disso acontecer é muito, muito baixa. Então, resumindo: em abstrato, trata-se de um experimento cheio de potencial. Em concreto, temo que seja apenas mais uma fonte de confusão e de resultados que, como o teste das machas de tinta, cada um vai interpretar de acordo com suas preconcepções pessoais.

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    8. Olá, Leonardo! Bem-vindo e obrigado por comentar! Ainda conheço pouco do trabalho do Chris French -- tenho o livro dele sobre psicologia anomalística, mas ainda não cheguei nele (o "efeito pilha a ler"...). Concordo com você, que a pesquisa psi trouxe inovações metodológicas e um olhar crítico sobre a questão da inferência estatística que são úteis para as ciências em geral -- embora eu destaque que as principais críticas substantivas ao procedimento usual de teste de hipótese vieram da área médica, por exemplo com o trabalho de Ioannidis, cujo artigo "Why Most Published Research Findings Are False" (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1182327/), juntamenteo com o artigo-pegadinha de Leibovici sobre os efeitos retroativos da prece (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11751349) deveriam ajudar muita gente fascinada por p-values a rever seus conceitos. Elaborando o meu ponto, eu diria que, se a pesquisa psi gerou benefícios para a ciência, eles foram indiretos, colaterais em relação à busca principal. Dando um exemplo: a descoberta do elétron foi essencial para o desenvolvimento da teoria quântica e da tecnologia eletrônica. Já a pesquisa psi não gerou frutos *enquanto* pesquisa psi. O debate filosófico e metodológico que ela produz é frutífero, sim, mas esse debate só existe por causa do atrito com os céticos. Deixado a si mesmo, o campo tende a cair num solipsismo estéril.

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    9. Oi, Carlos

      você disse: "Já a pesquisa psi não gerou frutos *enquanto* pesquisa psi."

      Além da criação do EEG, que já citei, há aplicações práticas de psi na arqueologia e criminologia. George McMullen foi um psíquico que trabalhou com muitos arqueólogos, ajudando-os a realizar diversas descobertas na área. Ele trabalhou com J. Norman Emerson, que foi Presidente da Associação Arqueológica do Canadá. McMullen também prestou notável assessoria a Paddy Reid, arqueólogo da Universidade McMaster. Outro cientista a validar a psicometria ou a clarividência de McMullen foi Stephan A. Schwartz, que atualmente possui uma coluna na revista científica Explore: The Journal of Science and Healing. Outro ainda foi Patrick Rennie, da Montana Archaeological Society. Outro foi Wm. C. Noble, que escreveu no Canadian Journal of Archaeology nº 6, pág. 179 (1982) que “as previsões psíquicas confirmadas pelas escavações posteriores no sítio Boys eram verdadeiramente espantosas!” E não foi só na arqueologia que McMullen se destacou, ele também trabalhou na criminologia com os investigadores particulares Raymond W. Worring e Whiney Hibbard. Mas o destaque nessa área parece pertencer a Kathlyn Rhea, apelidada de “A Descobridora de Corpos” pela mídia. O cético Marcelo Truzzi escreveu um livro chamado "The Blue Sense" em que diz:

      “Excetuando-se as fabricações e confabulações criadas por psíquicos e seus biógrafos, distorções da mídia, e casos de fraude total, permanece um número considerável de casos documentados em que detetives psíquicos conseguiram êxitos impressionantes aparentemente inexplicáveis” (Lyons & Truzzi, 1991, p. 155).

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  13. Sr. Carlos,
    Acredito que sua critica foi desnecessária, pois a observação mais relevante que fez foi sobre a temperatura.
    O que demonstrou não ter analisado bem a proposta de Dr. Guerrer visto que o mesmo já se propôs a controlar essa e outras variáveis em seu setup.
    No mais o Sr. parece partir da premissa que Dr. Guerrer já esta reivindicando a conclusão de Dr. Radin, porem o que esta pra ser feito é justamente uma replicação de carácter falseável.
    Se os resultados forem desfavoráveis a reivindicação de Dr. Radin evidenciará que interpretações do Dr. Amit e outros não encontram respaldo cientifico nenhum, assim o Sr. poderá até usar tal experimento como referencia em uma nova edição do "Pura picaretagem".
    Porem se os resultados forem favoráveis, poderemos testemunhar o inicio de uma revolução não só nos paradigmas científicos mas filosóficos e sociais.
    Portanto independente dos resultados Dr. Guerrer estará fazendo não só ciência mas um grande serviço para humanidade, então o melhor que podemos fazer e deixar o cara trabalhar...

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  14. Ah, sim, já estava me esquecendo: o link para o paper da Nature com o experimento das esferas de carbono é: http://www.nature.com/nature/journal/v427/n6976/full/nature02276.html

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  15. Olá, Carlos! Responderei aqui e não lá em cima onde eu já estava porque tratarei de alguns pontos trazidos por você nas respostas a outras pessoas.
    Primeiramente, muito legal você abrir espaço aqui para posições divergentes. O blog é seu e vc poderia colocar sua opinião e pronto. Obrigado por não fazer isso. A postura sugere honestidade intelectual sua.
    Bom, você se disse pessoalmente incomodado com os resultados estatisticamente modestos de pesquisas psi isoladas, as quais não mudariam o cenário da ciência. Penso que resultados modestos, mas consistentes, se revelam um fenômeno novo da natureza, são interessantes, ainda que esse fenômeno eventualmente seja discreto em sua manifestação. Entendo que tal modéstia, na sua opinião, afetaria a própria demonstração da existência do fenômeno. Mas aí entram alguns pilares do fazer científico como replicações incansáveis, discussões para produção de melhorias e, como sempre frisava Sagan, paciência. A pseudociência costuma ser impaciente. Precisamos evitar essa tentação.
    Ademais, as metanálises têm intrinsecamente o poder de transformar um efeito modesto em algo estatisticamente gritante. E isso, ao menos aparentemente, vem acontecendo com algumas delas que (você verá ao se debruçar em sua leitura) não se enquadram naquilo que você disse de "entra lixo, sai lixo". Existe esse problema, mas ele não é "privilégio" da pesquisa psi, mas da ciência como um todo. Aí entram os adoráveis mecanismos de autocorreção da ciência, entre os quais a replicação aprimorada como o Gabriel está tentando. Ou seja, novamente o ponto de que devemos apoiar o trabalho dele. Lembremos que toda essa discussão começou porque você sugeriu no post original que a pesquisa dele era, entre outras coisas, inútil.
    Outro ponto é que a pesquisa psi também envolve céticos! Ou seja, não é verdade que o debate com céticos, que traria alguma utilidade para o campo, do campo, não é intrínseco ao campo. O próprio Chris French é um exemplo entre muitos outros. Eles (céticos e partidários de psi) até publicam juntos. Inclusive as hipóteses básicas do Gabriel são hipóteses conservadoras, céticas! Leia o projeto e verá que ele aponta que espera não haver resultados pró psi.
    Outro ponto é que resultados negativos também ensinam sobre o funcionamento da natureza. Então o estudo sobre uma psi eventualmente inexistente também tem a nos ensinar, ainda mais em um assunto repleto de misticismo pueril de curas quânticas e afins. É um assunto culturalmente relevante, especialmente com o crescimento do movimento New Age (que prefiro chamar de neoesoterismo, seguindo a terminologia do Dr Magnani, da USP) e podemos dar uma palavra sobre isso com as pesquisas.
    Além disso, ainda que não seja só a pesquisa psi a levantar a lebre dos problemas com critérios estatísticos consagrados, ela poderia engrossar o coro de forma substancial, o que é bastante válido. Por fim, descobertas serendipíticas são importantes na ciência, e a pesquisa psi (aqui circunscrita à psicologia anomalística em geral) tem muito a nos ensinar sobre vieses cognitivos, formação de crenças, memória, percepção etc. Ou seja, de novo, apoiemos tais iniciativas.

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  16. Prezado Carlos,

    Seguem alguns apontamentos sobre a postagem...

    1. Não sei se já foi dito isso (não deu pra ler todos os comentários), mas observo que Radin et. al. declararam no artigo de 2013 que seus dados são compatíveis com o problema da mensuração quântica, mas que pode haver outras formas de explicar os efeitos QUE NÃO REQUEREM CONCEITOS QUÂNTICOS. Confira-se:

    "What the present experiments do not unambiguously demonstrate is that the observed effects are necessarily relevant to the QMP. That is, what we observed was a decline in interference correlated with periods of observation versus noobservation. This is consistent with a consciousness-related interpretation of the QMP, but there may be other ways of explaining these effects that do not require quantum concepts".

    2. Em todos os experimentos os resultados foram na direção prevista, com meditadores obtendo melhores performances do que não-meditadores (por que?), além disso, investigações adicionais sobre calor corporal, vibrações sonoras e oscilações sistemáticas falharam em evidenciar artefatos experimentais. Recorrer a artefatos ocultos ou potenciais é o velho apelo para ignorância, com a finalidade de manter o status quo ou a atual ciência paradigmática intocável.

    3. Você diz: “em The Conscious Universe, Radin defende a inclusão, em meta-análises, de estudos com diferentes desenhos experimentais afirmando que é válido "comparar laranjas e maçãs” [...] O ponto saliente é que a existência de frutas é um fato universalmente comprovado, enquanto que o paranormal...”

    Isso depende muito do ponto de vista, até porque não existe nada “universalmente comprovado”. O que há é um grau de evidência sobre as coisas e mais nada. Em Krippner e Friedman (2010), Carter relembrou no seu ‘Persistent Denial: a Century of Denying the Evidence’ que duas pesquisas com mais de 500 cientistas em um caso, e mais de 1.000 no outro foram realizadas e “ambas revelaram que a maioria dos entrevistados considerou ESP ou ‘um fato estabelecido’ ou ‘uma provável possibilidade’: 56% em uma e 67% na outra (Evans, 1973; Wagner & Monet, 1979)”. Essas pesquisas sugerem que a maioria dos cientistas está curiosa e de mente aberta sobre psi. Carter, no entanto, destacou que essa curiosidade parece não reverberar num campo científico: na psicologia. Ressalta que, no primeiro estudo, 53% das respostas de que "ESP é impossível" vieram de psicólogos, embora os psicólogos compusessem apenas 6% do total da amostra. APENAS 3% DOS CIENTISTAS NATURAIS CONSIDERARAM ESP "UMA IMPOSSIBILIDADE", em comparação com 34% dos psicólogos.

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  17. Além disso, devemos considerar que em relação à psi há todo um conflito ideológico subjacente. Irwin e Watt (2007) destacam que grande parte da rejeição da parapsicologia como legítima ciência é explicável na base do puro preconceito:

    “alguns cientistas não admitem a parapsicologia como ciência simplesmente porque não podem aceitar seus resultados empíricos. Sob a ocasião, isso equivale ao puro preconceito. Por exemplo, em 1958, o vice-presidente da AAAS relembrou as observações do físico Hermann von Helmholtz: ‘não acredito nisso. Nem o testemunho de todos os membros da Royal Society, nem mesmo as evidências dos meus próprios sentidos iriam me permitir acreditar na transmissão de pensamento de uma pessoa para outra independentemente dos reconhecidos canais sensórios. Isso é claramente impossível’ (Birge, 1958, citado por Collins & Pinch, 1979, p. 244). Mais recentemente o comentarista cético Ray Hyman (1996) admitiu não ter encontrado quaisquer falhas metodológicas numa série de experimentos psi, no entanto, ele ainda se recusou a conceder suporte para a hipótese psi em parte sob as bases de que 'em princípio, é impossível dizer que qualquer experimento em particular ou série experimental está completamente livre de eventuais falhas”.

    Ademais, observaram esses autores:

    “Como os membros do establishment científico têm respondido aos esforços de parapsicólogos para alçar seu campo dentro de uma base científica? Muitas pesquisas anônimas (Evans, 1973; McClenon, 1982b, 1984; Wagner & Monnet, 1979; Warner, 1952; Warner & Clark, 1938) consistentemente indicaram que, enquanto muitos cientistas inequivocamente não aceitam a existência dos fenômenos psi, eles reconhecem que as hipóteses parapsicológicas deveriam ser avaliadas de uma maneira convencionalmente científica. Os pontos de vista da 'silenciosa maioria', no entanto, nem sempre é refletida nas vozes do establishment científico, e na ciência são os grupos de elite que exercem o maior poder político (Broad & Wade, 1982, Ch 5)”.

    4. Comentando agora este trecho: “Bom, voltando: o segundo detalhe importante é que a maioria dos seis estudos demonstrou tamanhos de efeito -- uma medida da correlação entre as variáveis estudadas (no caso, atenção do voluntário versus padrão de interferência) -- baixíssimos. Analisados individualmente, seus resultados (com exceção do quinto trabalho, que envolveu o eletroencefalograma) não são nada impressionantes”.

    A circunstância de o tamanho do efeito ser pequeno não comprova sua inexistência. Aliás, por amor a nossa sanidade nem gostaria que psi tivesse um médio ou grande efeito. Imagina? Um professor Xavier ali e acolá? Brincadeiras à parte, o fato é que análises meta-analíticas têm demonstrado a falsidade em se afirmar que resultados significativamente positivos não têm sido encontrados. Muito pelo contrário. Apesar de o tamanho do efeito ser reduzido, o número crescente de experimentos tem proporcionado um desvio estatisticamente significativo cada vez maior em relação a linha do acaso. Meta-análise é uma técnica quantitativa fortemente usada nas ciências social, comportamental e médica, objetivando integrar os resultados de numerosas experiências independentes. Começando por volta de 1985, as meta-análises foram conduzidas em diversos tipos de experiências psi. Em muitas dessas análises, os resultados indicaram que os efeitos não eram devidos ao acaso, a falhas metodológicas, à prática de relatórios seletivos ou a quaisquer outras explicações normais plausíveis. O que permanece é a psi, e em muitas áreas experimentais ela claramente tem sido reproduzida por pesquisadores independentes. Além disso, nos dias atuais a pesquisa psi conta com modelos de estudos confirmatórios capazes de, com boa margem de certeza, replicar os efeitos mensurados. Nesse sentido, a estatística Jessica Utts (1995) respondeu a Hyman:

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  18. “Tendo em vista acreditar que a probabilidade de sucesso foi estabelecida nas experiências autoganzfeld, ofereceria aos alunos um exemplar da solicitação do Professor Hyman. O problema é estar-se relativamente seguro que um resultado bem sucedido exige centenas de tentativas/ensaios, e nenhum aluno tem os recursos para se comprometer com esta experiência. Como eu repetidamente tentei explicar ao Professor Hyman e outros, ao lidar com um pequeno a médio efeito, leva-se centenas ou às vezes milhares de testes para estabelecer ‘a significância estatística’. De fato, os estudos dos médicos sobre a saúde, os quais inicialmente estabeleceram o vínculo entre a aspirina e a redução de ataques cardíacos, examinaram mais de 22.000 homens. Tivessem sido conduzidos com apenas 2.200 homens, com a mesma redução em ataques cardíacos, não se teria alcançado a significância estatística. Os alunos deveriam ser obrigados a recrutar 22.000 participantes e conduzir tal experiência antes de nós acreditarmos que a conexão entre aspirina e ataques cardíacos é real?”

    De mais a mais, no que se refere a existência de artefatos metodológicos, pesquisas apontam que o tamanho do efeito não tem covariado significativamente com o aumento da qualidade do estudo (por ex., vide as análises de Honorton (em ganzfeld), Radin (telepatia em sonhos) Honorton e Ferrari (precognição), Radin e Nelson (psicocinese).

    5. Você diz sobre o estudo de Radin de 2013: “curiosamente, o teste realizado à distância, via web, foi o que registrou o menor tamanho de efeito, bem próximo ao das rodadas de controle, sugerindo que a presença do voluntário na sala com a aparato pode ter algo a ver com os resultados aparentemente positivos (embora Radin discorde disso: ele escreve que o simples fato de o resultado do teste online, mesmo minúsculo, ter sido positivo ‘sugere que os resultados do Experimento 1 [presencial] provavelmente não foram causados por flutuações sistêmicas em calor, campos eletromagnéticos ou vibração causadas pela proximidade do corpo humano’)”.

    Contudo, penso que inadvertidamente esqueceu de relatar, quanto ao teste via WEB, diversas correlações significativas entre característica pessoal dos participantes e condição-teste com o grau de sucesso, tais como inferências sobre feedback mais rápidos sobre os resultados e o grau de motivação dos sujeitos. Nessas circunstâncias, todos os resultados foram não apenas bem significativos, mas novamente na direção prevista. Confira-se:

    “[...] participants who recieved faster performance feedback achieved better results than those who received slower feedback (z(difference) = 3.02, p = 0.003, two-tailed), where the Internet connection speed was estimated by the number of data samples delivered by the web server over the course of the session. Slower Internet transmission rates delivered slower and more sporadic feedback.
    The analysis also indicated that participants who were highly motivated, as indicated by those who provided 10 or more completed test sessions, performed better than those with lower motivation, as reflected by those who provided just one or two sessions (z(difference) = 2.64, p = 0.008, twotailed)”.

    Por hora são essas as considerações.

    Um abraço, sucesso e parabéns pelo blog!

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  19. Sr. André, parece que alguns cientistas assim como demais pessoas sofrem de PSIfobia.
    Quando fazemos uma analise um pouco mais profunda nos estudos realizados, não só vemos que PSI é estaticamente evidenciado como também podemos perceber que as "evidencias extraordinárias" exigidas pelos críticos aparentam carecer apenas de mobilização e esforços tanto do mainstream quanto das organizações e a da sociedade.
    A questão é que as pessoas não sabem o que querem até que alguém as mostre, assim como o que realmente importa na vida.
    Não é difícil deduzir que as experiências anômalas podem significar uma previa de um grande salto em nossa escala evolucionária.
    Portanto mesmo que estivermos tratando de apenas possibilidades não valeria a pena nos certificarmos? Pois não é isso que a ciência se propõem (ou deveria se propor) verificar, afinal porque gastamos tanto esforços e dinheiro com colisores de partículas e viagens espacias se não a motivação de possibilidades?

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  20. Devido as belas palavras do André e do Leonardo, fica cada vez mais evidente, e sem uso de meta-análises, que o pseudo-ceticismo está mais para algo similar a uma religião ou ideologia, do que para algo sustentável cientificamente. Embora, diga-se de passagem, os pseudo-céticos gostam de utilizar do nome ciência (em vez da Bíblia aos religiosos) para tentar defenderem seus princípios e crenças pessoais a todo o custo, mesmo que para isso a lógica e a razão fiquem de lado.

    Bom, daí o problema já é outro...

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