Livro ganha verbete na Wikipedia!

Minha primeira obra de divulgação científica, O Livro dos Milagres, virou verbete na Wikipedia em língua portuguesa. O artigo entrou no ar ontem, imagino que praticamente cinco anos após eu ter começado a escrever o livro. Milagres foi um trabalho de redação rápida -- iniciei em janeiro e terminei, se não me engano, em março de 2011. O processo editorial também foi bastante ágil, e o trabalho estava sendo lançado (mais uma vez, salvo engano) em outubro do mesmo ano.

A celeridade se explica pelo desemprego: demitido do posto de editor de Ciência do Portal Estadão em dezembro de 2010, de repente me vi com muito tempo nas mãos, e a velha ambição de "carreira solo" voltando a bater na porta.

Depois de quase 20 anos de carreira, meu nível de paciência para com as rotinas e demandas do jornalismo corporativo vinham diminuindo rapidamente, e há meses já que eu amolava minha pobre esposa com reclamações várias e mencionava, entre resmungos, a aspiração de desenvolver um trabalho semelhante ao realizado por Joe Nickell nos Estados Unidos. Então, bem, do desemprego nasceu a oportunidade.

Claro, se o livro foi escrito em três meses (fora o tempo investido nas revisões sugeridas pelos apontamentos do editor), o levantamento do material de pesquisa havia consumido anos, e a obra já vinha tomando forma em minha mente há tempos. O motivo disso era outra frustração minha com o jornalismo corporativo, a saber: a forma ingênua, reverente e desinformada com que alegações religiosas eram (e ainda hoje são) tratadas pela grande mídia.

Era meio exasperante, como jornalista de Ciência, ver colegas das editorias Cidades e Internacional, gente muito capacitada e perfeitamente capaz de detectar os altos teores de bullshit nos discursos de autoridades globais, nacionais, estaduais e municipais, engolindo e reproduzindo bovinamente bobagens crédulas e acríticas sobre "milagres de santos brasileiros reconhecidos pelo Vaticano", "o mistério do Santo Sudário" ou "a revelação do Terceiro Segredo de Fátima".

Então, fui juntando material, juntando material e, quando a oportunidade veio, o livro nasceu. O fim do seguro-desemprego, as duras realidades do mercado editorial e a conta do condomínio logo me convenceram de que esse negócio de carreira como autor/investigador independente não ia rolar, mas aí o segundo livro, Pura Picaretagem, em parceria com o Daniel Bezerra, já estava engatilhado. O terceiro, O Livro da Astrologia, saiu agora, em dezembro de 2015, e é o primeiro sem editora. Será que vou conseguir manter o ritmo de um a cada dois anos? A ver.

Entre 2011 e 2015, o que mais mudou foi a penetração das redes sociais, o que parece estar ajudando na divulgação das obras: o autor do verbete sobre o Milagres, por exemplo, me contatou via Facebook. Quem sabe, aos poucos, esses trabalhos vão ganhando tração? De repente começa a valer a pena pensar em algo novo para 2017.

Comentários

  1. Não vai ter um livro coletivo sobre fosfo em 2016?

    []s,

    Roberto Takata

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  2. Parabéns. O único defeito do livre dos milagres é que ele não é mais longo.

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  3. Comprei recentemente seu livro , Pura Picaretagem ! ainda não li pois estou terminando outro, mas é o próximo, sempre que posso venho em seu blog !

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