A morte de Drácula e outros contos

Teve um tempo, vão-se lá uns 20 anos, em que eu estava fascinado por fantasia histórica. Diferente da fantasia mais tradicional, baseada em realidades alternativas ou "mundos secundários" -- como a sempre lembrada Terra Média -- a fantasia histórica é um gênero que crava o fantástico na história deste nosso mundo. Talvez seja a forma mais antiga de ficção: Gilgamesh, a Ilíada e as lendas do Rei Arthur são, cada uma à sua maneira e em seu contexto próprio, fantasias históricas.

Meu apreço pelo gênero tinha raízes menos nobres, no entanto: ele veio da paixão pelo trabalho de Robert E. Howard, principalmente em contos como The Grey God Passes e, principalmente, as aventuras protagonizadas por Turlogh O'Brien, Bran Mak Morn e Cormac McArt.

Além disso, era uma época em que o mercado para ficção fantástica nacional se resumia, quase só, a revistas de RPG, como Dragão Brasil e Só Aventuras. A fantasia histórica era um gênero de apelo fácil para o público dos jogos de interpretação, já que o cenário para a fantasia já está dado e montado. Confesso que nunca vi muita graça nas fantasias que enchem seus mundos com orcs, elfos, goblins e quetais -- troco a Terra Média pela Era Hiboriana, em qualquer dia da semana, e ainda jogo os Forgotten Realms de brinde.

Bom, então: nessa época cometi alguns contos passados em períodos específicos, como a expansão Tempestade em Snagov, um conto que tenta preencher a "lacuna" entre o último registro histórico sobre o príncipe valáquio Vlad Tepes (sua cabeça foi carregada para Constantinopla em 1477) e a emergência de sua contraparte ficcional, o Conde Drácula. Há alguns dias, resolvi tirar a poeira da história e publicá-la em e-book. Quem estiver curioso pode encontrá-la aqui, por um precinho camarada.

Já sobre o avanço mongol saiu A Queda de Samarcanda, conto em que onde Genghis Khan é um coadjuvante, e que também já converti em e-book e pode ser ser adquirido aqui, também a preços módicos. É, também, uma história sobre (in)tolerância religiosa, um tema que, suponho, começava a me incomodar já nessa época e que só viria a ganhar importância no meu trabalho de lá para cá.

Claro, talvez meu melhor trabalho de fantasia histórica tenha sido a novela As Dez Torres de Sangue, que saiu em e-book e papel pela Draco e foi resenhada recentemente. Melhor e praticamente último: só voltei ao gênero mais duas vezes, para participar da antologia Crônicas de Espada e Magia, e mais recentemente com o conto The Argonaut, a ser publicado na Inglaterra como parte da antologia Swords vs. Cthulhu.

Um último ponto: a parte histórica da minha fantasia histórica, principalmente nos trabalhos mais antigos, deve ser tomada, como diriam os latinos, cum grano salis. Quando escrevo ficção, minha política é nunca deixar que os fatos atrapalhem uma boa história. Jornalismo é jornalismo, fantasia é fantasia. Uma das coisas de que me orgulho é nunca confundir os dois!

E, ah, sim, claro: também estão disponíveis em formato e-book muitos outros trabalhos meus, incluindo contos e romances de ficção científica e de divulgação da ciência. Dá pra achar uma lista bem completa, aqui.

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