Postagens

Bendito quem semeia livros, livros à mancheia...

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A postagem abaixo é uma reprodução de uma crônica autobiográfica (e automarketeira) que produzi para o blog da Draco , a casa editorial preferencial de minhas obras de ficção. Como suspeito que o público deste blog não seja exatamente o mesmo de lá, resolvi trazer o texto para cá pra fechar a semana. Abaixo, a postagem original para a Draco, com apenas um ou dois retoques: Os leitores da Draco correm o risco de enjoar da minha cara (ou, bem, do meu  texto ) neste ano: estou confirmado (até agora) nas antologias  Space Opera 2, Erótica Fantástica ,  Brinquedos Mortais   e    Fantasias Urbanas ; além disso, tenho três títulos-solo alinhavados: a novela de fantasia  As Dez Torres de Sangue , a coletânea de contos de ficção científica  Campo Total  e uma segunda edição de  Tempos de Fúria  – que estou chamando, cá comigo, de  Tempos de Fúria Redux  (quero ver o Erick, meu editor, enfiar isso numa capa e fazer ficar bom.....

O último dos bons

Os mais novos não vão se lembrar, mas houve uma época em que o humor, no Brasil, era o último refúgio, não do preconceito e da escrotidão, mas da lucidez. Nos anos finais da ditadura, Luís Fernando Veríssimo, Millôr, Ziraldo e Henfil, entre outros, mostravam-nos, com arte e alegria, aquilo que repórteres e editorialistas não podiam, ou não conseguiam -- que o rei estava nu. Com a redemocratização, no entanto, o espírito pareceu, por um momento, arrefecer. Millôr foi o primeiro a soar o alerta: "Um espectro assombra o Brasil", escreveu ele, após a vitória de Tancredo Neves no colégio eleitoral. "O espectro do humorismo a favor". A assombração, no entanto, ainda precisaria de algum tempo para se manifestar: ela só nos alcançou, de vez, com a chegada do PT ao poder. A partir daí, Ziraldo sumiu da cena da crítica política, transformando-se no Walt Disney do Menino Maluquinho; Veríssimo emasculou-se (alguém se lembra da última vez que ele escreveu algo que tivesse um...

Têmis, a Justiça cega, viola a laicidade do Estado?

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Na linha "desculpas esfarrapadas para não desfazer uma flagrante bobagem", alguns defensores da permanência dos crucifixos em repartições públicas (e, mais especialmente, nos plenários dos tribunais) resolveram se lembrar de que a imagem tradicional da Justiça, que aparece em estátuas e pinturas em diversas cortes -- uma senhora de olhos vendados e com uma balança na mão e uma espada na outra -- reflete, na verdade, a iconografia da deusa grega Têmis, e ninguém parece se incomodar com isso.  Então, se Têmis não incomoda, por que o Crucificado incomodaria? É óbvio que esses laicistas-militantes-assassinos-terroristas  estão só de implicância e sacanagem!  Devo dizer que não me oponho, em princípio, à retirada dessas estátuas, caso alguém realmente insista que deve haver algum tipo de isonomia in extremis . Muitas delas são realmente feiosas. Mas aí o critério é estético, não jurídico. Na esperança de que a tentativa de se criar uma "questão Têmis" seja provoc...

Maratona da Lua: não perca

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No início da semana que vem -- entre domingo e segunda-feira, para ser preciso -- a Lua, em fase crescente, vai correr uma maratona: estará junto a Júpiter na noite de domingo, mas na segunda vai tirar uma fina de Vênus. Uma corrida e tanto: os dois planetas estão separados por 700 milhões de quilômetros, e... Tá. Brincadeirinha. A Lua não vai sair da órbita da Terra, como fez no seriado Espaço: 1999 . O movimento será aparente, causado pelo fato de o céu parecer uma tela plana, encurvada, onde as estrelas e planetas desfilam como pontinhos incrustados de luz. Mas isso não diminui em nada o espetáculo: quem se dispuser a olhar para noroeste, logo que escurecer, nos dois dias verá, no primeiro, o crescente bem perto de uma luz meio fraca, Júpiter; e no segundo, a Lua junto à segunda luz mais intensa do céu noturno, Vênus. Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e Vênus é até menor que a Terra (85% do volume da nossa bola de lama natal), mas a distância que separa os dois...

Calculando o número de 'encontros alinígenas reais'

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Do xkcd , genial como de costume. Também daria para chamar de "Equação de Fox Moulder" ou "Lei de Bilu".

Por que a evolução é verdade?

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Graças à magia do Kindle, terminei de ler por estes dias Why Evolution Is True , do biólogo americano Jerry Coyne, que há cerca de três anos mantém também um blog muito interessante com o mesmo nome do livro . Foi um respiro muito bem-vindo em meio às toneladas de religião e mitologia que ando digerindo ultimamente, numa espécie de ressaca bibliográfica do Livro dos Milagres (pesquisa-se uma coisa, surge uma referência a outra, e quando se nota você está lendo os evangelhos gnósticos de Nag Hammadi  e especulando sobre a relação entre Dositheus e Simão Mago). O livro de Coyne é uma exposição cuidadosa, para leigos, do estado atual da teoria da evolução e uma longa argumentação contra o criacionismo em geral. Funciona muito bem nas duas frentes. Claro, no meu caso o autor está pregando para os convertidos, mas mesmo assim encontrei muitas informações interessantes ali, incluindo alguns casos de (aparente) seleção sexual que complementam muito bem a linha de argumentação de Jare...

'Secularismo militante', lá vamos nós de novo

Por uma daquelas ótimas coincidências que fazem por merecer no nobre título de  serendipidade , nesta segunda-feira temos disponíveis, online, dois artigos sobre a, ahn, "ameaça do secularismo militante", um de Carlos Alberto Di Franco , no Estadão , e outro de Nick Cohen , no Spectator .  Ambos têm algo a acrescentar ao "debate" em torno a remoção dos crucifixos dos tribunais determinada pela Justiça gaúcha, ainda que o de Cohen só o faça por vias transversas, já que seu principal foco é a situação britânica. Ah, sim: uso a palavra "debate" entre aspas porque a inadequação da presença de cruzes em cortes de Justiça deveria ser autoevidente, como bem expôs  Helio Schwartsman , na Folha , dias atrás. Mas, voltando à dupla principal: o texto de Cohen é praticamente uma refutação, ponto a ponto, do (pouco) que há de substantivo na diatribe de DiFranco, que começa a empilhar falácias logo de cara, ao declarar "chata" a preocupação secularista ...