Eu, o crítico

Só uma nota rápida para avisar os leitores do blog de que dois ensaios meus que poderiam ser considerados de "crítica literária" estão disponíveis, alhures, na internet.

O mais antigo é A obra de Lovecraft como paródia do cristianismo, onde apresento a tese (que não é minha, mas com a qual concordo) de que muito do "terror cósmico" de HP Lovecraft na verdade surge de um olhar irônico lançado sobre os mitos da escatologia cristã: afinal, a promessa do Grande Cthulhu, de retornar num futuro distante e recompensar seus adoradores, não é a mesma posta na boca de Jesus pelos evangelistas?

Sobre esse texto, é interessante notar que a sugestão foi levada a sério pelo poeta americano Richard L. Tierney, que no romance Drums of Chaos reinterpreta os eventos dos Evangelhos à luz da mitologia lovecraftiana. Tierney é o criador da série de contos de fantasia protagonizada por Simon Magus, na qual o obscuro personagem dos Atos dos Apóstolos (mas em torno do qual existe uma rica literatura apócrifa) se converte numa espécie de Solomon Kane do mundo pagão. Talvez por seu potencial ofensivo, a fantasia de Tierney é pouco conhecida, mas merece ser lida. Doei meus volume de Tolkien para uma biblioteca pública há anos, mas meus Tierneys continuam egoisticamente guardados lá em casa.

Já a peça mais recente é 20.000 léguas de aventura, minha crítica da edição mais recente de 20.000 Léguas Submarinas, lançada pela Zahar. Confesso que nunca fui um grande fã de Verne, mas creio ter sido justo com autor e obra no texto que produzi para o Amálgama.

Se esses dois textos servirem para inspirar boas leituras para o fim de semana (este ou algum dos próximos), terão ambos cumprido seus papéis.

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