Os Mundos de Philip José Farmer e eu

Philip José Farmer (1918-2009) é meu escritor favorito de ficção científica. Quem conhece o gênero geralmente se lembra de Farmer como o cara que introduziu (sem trocadilho) o sexo na fc -- primeiro com sua novela The Lovers, e depois com uma série de contos explorando as mais estrambóticas formas de cópula, envolvendo humanos e alienígenas, alienígenas e alienígenas e, às vezes, até humanos e humanos. Esse material todo aparece reunido no volume Strange Relations. Mas essa nunca foi, de fato, a vertente de sua obra que mais me atrai, embora eu certamente reconheça seu valor e a enorme energia imaginativa investida aí. Acontece que sempre preferi o Farmer autor de aventura.

Em séries como Riverworld e World of Tiers, ele cria planetas -- às vezes, universos inteiros -- com o que parece ser o objetivo único e precípuo de pôr o protagonista em apuros. São mundos e mais mundos que não passam de sequências de armadilhas engenhosas e vilões disfarçados. Ao mesmo tempo em que faz isso, no entanto, Farmer leva às últimas consequências lógicas uma série de especulações sobre, entre outras coisas, a natureza da realidade, o significado de uma obrigação ética e conceitos metafísicos como a alma imortal e a promessa de ressurreição dos mortos.

Fiz esse preâmbulo todo para encaixar aqui um comercial: após a morte de Farmer, passou a ser publicada uma série de livros, chamada Worlds of Philip José Farmer, coligindo contos meio difíceis de encontrar, artigos, fragmentos de obras inacabadas e textos sobre Farmer, além de uma seção de "mundos expandidos"  -- basicamente, peças de ficção, escritas por autores convidados, explorando os meandros do universo farmeriano. Os dois volumes publicados até agora já incluíram trabalhos de "mundo expandido" por gente como Spider Robinson e Chris Roberson.

E eis que o terceiro volume trará um conto meu -- escrito em parceria com Octavio Aragão -- chamado The Las of the Guaranys. O conto conecta Peri, o super-índio de José de Alencar, a um dos universos ficcionais de Farmer (para detalhes suplementares, favor comprar o livro, oras).

Esta é minha segunda publicação em inglês neste ano (a primeira foi um conto policial na revista Needle), mas o fato de envolver o universo farmeriano e de ser uma colaboração interestadual com o Octavio -- ele escrevendo no Rio, eu em São Paulo, os dois trocado parágrafos via Google Docs -- faz com que The Last of the Guaranys seja algo realmente especial.

Tenho a esperança, aliás, de que este não seja o último lançamento a envolver meu nome de 2012. Já publiquei uma postagem sobre as coisas que cometi e que estão no prelo, das quais, diga-se de passagem, a novela de fantasia As Dez Torres de Sangue já se encontra disponível, tanto em papel quanto em e-book, assim como a antologia Fantasias Urbanas, que contém minha visão pessoal de como será a parousia, a segunda vinda de Cristo.

Que mais dizer? Compre os livros, oras. E, assim, ajude o Orsi a continuar a beber cerveja Colorado em vez dessas barbaridades perpetradas pela AmBev. É, antes de mais nada, uma questão humanitária.


Comentários

  1. Mês passado comprei O Livro dos Milagres e terminei em 3 dias. Aliás, fica aqui uma única crítica: ele é curto demais.

    Qual devo comprar agora - já que quero seguir uma ordem cronológica? Creio ser As Dez Torres de Sangue. Ou tem algum antes d'O livro dos Milagres?

    A intenção é ler todos até o final de 2012.

    Abraço,
    André

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    Respostas
    1. Oi, André! Grato pelo apoio! :-)

      Cronologicamente, em termos da ordem em que foram escritos, seria, em termos de livros solo, "Dez Torres", "Guerra Justa" e "Nômade". Há ainda a coletânea de contos "Tempos de Fúria", anterior a todos esses, mas ela deve ser relançada numa edição revista ainda este ano, então vale a pena esperar.

      Já nos esforços colaborativos (antologias com trabalhos meus e de mais gente boa), a lista está aqui no Skoob:

      http://www.skoob.com.br/autor/204-carlos-orsi

      Abs!

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